Notas iniciais
Música tema –White X’mas – KAT-TUN

- Meninas, vocês viram que tem uma foto nossa na revista? – perguntou Tako descendo as escadas

- Eu vi – disse Kelly com a boca cheia de espuma da pasta de dente

- Eu não vi – disse Marito estendendo a mão na direção de Tako

- Eu também não – disse Mari sentando ao lado da amiga

Marito leu a manchete que estava logo acima da foto que ilustrava a matéria: Elas com seus respectivos namorados.

- “R.SYM são vistos com garotas no shopping.”

- Demorou pra mídia descobrir – comentou Tako despreocupada

- Esse é o lado ruim de namorar os famosos R.SYM – disse Kelly

- Lado ruim? Eu não penso assim. Vocês já imaginaram quantas garotas gostariam de estar em nosso lugar? – perguntou Mari

- É, isso é verdade – concordou Kelly

- Mas essas garotas acham que eles não tem defeitos. Parecem não perceber que eles são pessoas normais. O Pi, por exemplo, a unha do dedão do pé direito dele é encravada. –revelou Marito

- Sério? – perguntou Tako com cara de nojo

- Aham, mas é segredo. Ele morre se souber que eu contei pra vocês.

- O Ryo tem mal hálito quando acorda – disse Kelly

- Ah Kelly, mas isso é normal – disse Mari

- Não amiga, você não entendeu. Parece que ele comeu um gambá. É por isso que ele não fala com ninguém de manhã. – explicou Kelly

- O Massu tem estria na bunda – disse Tako extremamente tranquila passando manteiga no pão.

- Ann? – perguntaram as três quase caindo da cadeira.

- É sério. Ele come muita porcaria, não há pele que aguente.

- Credo – comentou Mari – Bem, o Shige ronca igual a um porco, semana passada eu coloquei uma meia dentro da boca dele, senão eu não teria conseguido dormir.

As garotas continuariam a se divertir com os defeitos de seus lindos namorados, se eles não tivesse chegado.

- Tenho até medo quando essas garotas ficam sozinhas – disse Ryo abraçando Kelly

- Grandes fofocas – disse Yamap olhando para a namorada tentando adivinhar se ela ainda estava brava com ele

- Grandes revelações – disseram as quatro, dando grandes gargalhadas depois.

- Não quero saber que revelações são essas – dise Massu acariciando os cabelos deTako

- Nem eu – disse Shige

- Que bom – comentou Marito imaginando a reação dos garotos

- Hey, vocês viram a foto da revista? – perguntou Yamap

- Sim – respondeu Mari

- Hoje uma fan me perguntou se eu amava ou se eu gostava da garota da foto – comentou Massu

- Que fan? – perguntou Tako começando a se irritar

- Qual a importancia disso? – perguntou Shige

- Shige cala a boca por que eu não falei com você. É a Sara né?

Sara era sem dúvida alguma a maior fan de Massu, Tako sentia um ciúme enorme dela. Não era pra menos, Sara era linda. Linda e disposta a fazer de tudo para separar os dois.

- É. – respondeu Massu desanimado

- E o que você disse? – perguntou Marito

- Perguntei qual era a diferença.

- Eu também faria isso – disse Shige

- Como? Qual é o seu problema? Você não sabe a diferença entre amar e gostar? – perguntou Mari perplexa olhando para o namorado.

- Eu também não sei – disse Ryo

- Nem eu – concordou Yamap

As garotas ficaram visivelmente irritadas e os garotos não faziam idéia do motivo.

- E se eu bem conheço aquela vaca, ela deve ter te respondido alguma coisa. – disse Tako esperando a resposta

Massu permaneceu em silêncio

- Massu Takahisa minha paciência está se esgotando – disse ela dando socos na mesa.

- Bem, ela disse que, que ela ia me mostrar a diferença.

Silêncio

- Nós temos um show na Argentina depois de amanhã – disse Shige tentando mundar o clima do lugar.

Mari tremeu por dentro e perguntou:

- Vocês já confirmaram?

- É claro – disse Ryo

- Por que? – perguntou Yamap

- Nada – respondeu Mari tentando esquecer da senseção que acabara de sentir.

- É uma pena que nós não possamos ir – disse Kelly

As provas finais das garotas seriam no mesmo dia do show e elas não poderiam se dar ao luxo de faltar

- Eu naõ tenho curiosidade nenhuma em conhecer a Argentina /lixa – disse Mari

- Ah eu tenho – comentou Marito distraída

- Na nossa lua de mel nós vamos pra lá – disse Yamap dando um beijo na namorada

Em pouco tempo o clima pesado que havia se instalado na sala de desfes, porém o pressentimento de Mari lentamente tomou conta das outras meninas.

- Bem, nós temos ensaio agora. – disse Ryo se levantando

“Esse é o lado ruim de namorar os famosos R.SYM”, pensou Mari

- Ryo – chamou Kelly

- Fala

- Eu te amo – disse ela meio envergonhada

- Eu também te amo – disse ele sorrindo

- Meninas, posso fazer uma pergunta? – perguntou Yamap antes de sair

- Pode – disseram todas

- Qual é a diferença entre amar e gostar?

Marito sorriu

- No fim de semana eu te conto

- Isso quer dizer que nós vamos ficar curiosos a semana toda?

- Exatamente – disse Tako – No piquinique de domingo nós explicamos.

Massu fez um bico enorme, o que não fez com que elas mudassem de idéia.

Quinze minutos depois enquanto elas estavão indo pra aula, Tako disse:

- Eu ainda vou matar essa Sara.

- Calma Tako – disse Marito – Ela é só uma fan

- Meninas, eu não sei explicar por que mas eu não quero que os garotos viajem – disse Mari meio encabulada

- Nem eu – disse Kelly depois de um longo suspiro

- Vocês também tiveram um pressentimento? – perguntou Tako

- Parem com isso. – disse Marito com um tom de histeria na voz – Vamos nos convencer que tudo isso não passa de um capricho nosso.

A verdade é que ela também estava assustada. Por que aquela sensação havia tomado conta das quatro?

- Alô – disse Massu

- Massuda Takahisa? – perguntou a voz do outro lado da linha

- Sim

- Eu tenho em minhas mãos uma foto do seu interesse

- Foto? Que foto?

- Pergunte à sua namorada, ela saberá.

- Onde é que a Tako entra nessa história?

- Me encontre amanhã às 18:00 no parque.

Tutututu

“Pobre ligando pra mim. Pobre ligando pra mim.”

- Alô – disse Tako

- Oi amor.

- Massu? O que houve? Sua voz está estranha. – disse ela

- Eu acabei de me engasgar com uma bala.

- Ah claro, eu já devia imaginar que tinha comida na história.

- Amor, você pode me encontrar no parque hoje às 18:15?

- Posso.

- Até mais tarde. Beijo, te amo.

Tako desligou o telefone e ficou pensando na voz de Massu. Era impressão dela ou a voz dele estava um tanto quanto afeminada?

Massu andava apressado. Uma foto de Tako era com toda a certeza algo de seu interesse. Parou no lugar combinado com a misteriosa voz do telefone.

Uma garota estava sentada no banco em frente ao lago. Massu reconheceu aqueles longos cabelos loiros: Sara. Ela sentiu que alguém se aproximava, graciosamente se levantou e com um estonteante sorriso disse:

- Você veio.

- Sara, onde estão as fotos?

- Não há foto nenhuma. – disse ela se aproximando

- Como não?

- Eu menti por que precisava ver você .

Massu sentiu que suas bochechas estavão vermelhas. Sara deu um passo a frente e colocou as mãos no pescoço do garoto.

- É tão bom ficar assim pertinho de você.

- Sara, eu tenho namorada. – disse ele se esquivando das mãos dela

- E daí?

Tako derrubou seus livros no chão. Massu e Sara. Sara a vaca.

- Então era por isso que a voz dele estava tão feminina. Eu irei mata-la. – e dizendo isso andou furiosamente na direção deles.

- Tako? – perguntou Massu assustado

- EU ARRANCAREI SEUS OLHOS – gritou ela

- Mas eu não fiz nada. – disse Massu se encolhendo

-Amorzinho, eu não estou falando com você. EU ESTOU FALANDO COM ELA. – e dizendo isso voou no pescoço de Sara

- SOCORRO, GUARDA. SOCORRO UMA MALUCA. – gritava Sara desesperadamente

- EU VOU TE MATAR, O MASSU É MEU ENTENDEU? SÓ MEU.[/color]

Cinco minutos depois o guarda apareceu, por muito pouco Tako não foi presa, porém isso pouco a incomodava, o importante era que agora Sara sabia que Massu tinha namorada. E uma namorada disposta a destruir cada pedaço do lindo rosto dela.

- Tako o que houve com seu rosto? – perguntou Shige, no momento em que os amigos entraram na sorveteria.

- Eu dei uma surra na Sara – disse ela triunfante.

- Conta tudo. – disseram as garotas curiosíssimas

Tako explicou brevemente o que havia acontecido.

- Amiga, eu sou sua fan – disse Marito apertando a mão da amiga.

Alguns minutos se passaram, Yamap ficou em pé:

- Nós vamos viajar amanhã de manhã e temos que fazer nossas malas.

- Vocês vão ao aeroporto né? – perguntou Ryo

- Claro – respondeu Marito

Eles se despediram e deixaram as quatro na sorveteria. Nenhuma delas ousava falar. A sensação que estava no ar era tão forte e pertubadora que não poderia jamais ser expressa em palavras.

- Boa sorte na prova – disse Ryo dando um leve beijo na testa de Kelly

- Boa sorte no show – disse ela tentando sorrir

- Kelly, não faça essa carinha triste.

- Não é algo que eu consiga controlar. Eu não quero ficar longe de você.

- Amor, o show é hoje a noite. Amanhã eu estarei aqui de novo.

- Promete?

- Prometo.

- Massu, se alguma Sara versão Argentina aparecer, por favor me avise. – disse Tako

- Tudo bem , eu te aviso. – disse ele sorrindo

- Eu amo você – disse ela

- Eu também te amo.

Tako sentiu uma enorme vontade de chorar.

- Massu, me abraça.

Quando ele a envolveu em seus braços, ela não conseguiu mais fingir que nada a incomodava, e então deixou que as lágrimas rolassem.

- Você ainda está brava comigo? – perguntou Yamap para Marito

-Não muito, você tem algum tipo de mágica dentro de você que me deixa incapaz de sentir algum tipo de raiva pela sua pessoa. – disse ela sorrindo

Ele sorriu e abraçou a namorada

- Eu te amo minha pequenininha.

- Eu nem sei por que mas eu também te amo.

- Bem, então até amanhã. – disse ele ao ouvir a chamada de seu vôo

Marito segurou o braço dele:

- O que foi?

- Nada – disse ela envergonhada – Eu só queria olhar seus olhos mais uma vez.

- Shige, tem certeza que você precisa ir? – perguntou Mari

- Claro que sim.

- Mas eu não quero que você vá.

- Mari, por que toda essa cena? Amanhã eu estarei aqui.

- Eu sei. – disse ela abaixando a cabeça.

- Shige vamos. – chamou Yamap

Ele colocou as malas no chão e lentamente tirou a correntinha do pescoço e a entregou para a namorada.

- Fique com ela, amanhã quando eu chegar você me devolve.

Mari pegou a correntinha e apertou bem forte o pingente.

- Eu amo você. – disse ela

- Eu também amo você, sua boba.

Kelly, Tako, Marito e Mari ficaram paradas ali até que os garotos desaparecessem no portão de embarque.

Na manhã seguinte…

- Acho que zerei uma prova – disse Tako

- Por que? – perguntou Marito

- Não consegui me consentrar, a cada cinco segundos eu via o rosto do Massu na minha frente. Quase enlouqueci – disse ela colocando uma rosquinha inteira dentro da boca.

- Como será que foi o show? – perguntou Kelly

- Um sucesso – disse Mari desligando o computador – Os sites de música não falam sobre outra coisa.

- O vôo deles sai de lá, daqui a meia hora – disse Marito olhando para o relógio

- Acho que nós quatro precisamos de acompanhamento psicológico, se cada vez que eles viajarem nós ficarmos desse jeito iremos acabar em um hospício. – disse Tako

- O que importa é que nada aconteceu – disse Kelly aliviada

- Eu vou dormir um pouquinho meninas, quando vocês estiverem indo para o aeroporto por favor, me acordem – disse Marito bocejando, enquanto se deitava na rede.

- Eu estarei no meu quarto, se precisarem de alguma coisa é só chamar – disse Mari subindo as escadas

- E eu e a Kelly vamos fazer brigadeiro – disse Tako arrastando Kelly para a cozinha.

“Está tudo bem com o Yamap, está tudo bem com ele. Então por que esse sentimento de perda não me deixa em paz?”, pensava Marito, enquanto tentava encontrar uma posição confortável para dormir.

“Por que esse maldito pressentimento não vai embora? Preciso do meu Shige aqui comigo”, foi o que Mari escreveu em uma folha qualquer de papel, tentando ocupar a cabeça com algo que não fosse o namorado.

“Estou me sentindo patética, tentando agir como se essa sensação horrivel já não existisse. Massu, onde está você?”, pensava Tako mexendo a calda de chocolate.

“Por que esse nó na garganta não vai embora? Oh meu Deus acho que perdi o juízo. Ainda bem que daqui a pouco o Ryo estará aqui”, murmurou Kelly

- Senhores passageiros…

- Por que a comissária está chorando? – perguntou Massu abrindo seu quarto pacote de amendoim.

- Senhores passageiros avisamos que o motor do avião apresentou uma falha – mais uma vez ela interrompeu a frase para secar as lágrimas – aos poucos ela atingirá o motor todo, ainda temos cerca de quinze minutos, mas após esse período o avião perderá altitude. Nós vamos cair.

*Ler com a música tema*

Triimmmm Triimmmmm

Quando Mari ouviu o telefone tocar se jogou na cama e tapou os ouvidos

Triimmmm Triimmmm

- Alô – disse Tako lambendo a colher de brigadeiro

- Tako?

- Massu?

- Amor me ouve – ele respirou fundo, não poderia chorar – O avião…

- O que tem o avião? – perguntou ela sentindo que os olhos estavão cheios de lágrimas.

- O avião vai cair. – disse ele sem conseguir mais se segurar.

Tako ouviu o choro de Massu e na mesma hora derrubou a colher no tapete branco.

- Ouve o que eu vou te dizer. Eu amo você mais do que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido. Eu amo tudo em você,seu jeito de andar, de jogar os cabelos para trás e até mesmo seus ataques de ciúmes.

- Não pode ser verdade – murmurou ela enquanto as lágrimas tomavam conta do seu rosto.

- Tako, nunca se esqueça que eu te amo. – ele deu um longo suspiro – A Kelly está aí? O Ryo que falar com ela.

Tako estendeu o telefone para Kelly que olhava sem entender o que estava acontencendo, depois de jogou no sofá e com a cabeça entre as almofadas chorou.

- Kelly, Kelly meu amor é você?

- Ryo? Por que você está chorando? – perguntou ela

- O avião vai cair. Eu vou morrer. – o choro dele se tornou mais forte

- Não, não vai acontecer nada. – disse ela debilmente tentando se convencer daquilo enquanto chorava

- Vai sim e é por isso que eu quero que você me ouça.

- Fala. – disse ela segurando uma foto dele contra o peito.

- Lembra quando nós nos conhecemos no shopping? – perguntou ele

- Lembro.

- Eu te amei desde o primeiro minuto em que eu te vi.

- Quando você derrubou suco de morango na minha blusa branca.

- Exatamente. – disse ele sorrindo — Eu te amei desde aquele dia, a dois anos atrás, e cada minuto que eu passei ao seu lado só fez com que meu amor e minha admiração aumentassem, por que você Kelly, é sem sombra de dúvida, a mulher da minha vida.

- Ryo…

- Shiiii, não fala nada, senão eu vou começar a chorar. – ele ouviu os soluços abafados da namorada e deixou que as lágrimas rolassem. – Eu vou passar pro Yamap

- Ryo, eu te amo.

Ele respirou fundo.

- Eu também. Adeus.

- Marito, Marito acorda.

- Ann? Vocês já estão indo pro aeroporto? Por que vocês estão chorando?

Kelly entregou o telefone para ela, depois encostou a testa no vidro gelado da janela e chorou baixinho.

- Alô – disse ela ainda sonolenta

- Pequenininha, te acordei?

- Pi? O que aconteceu?

- Amor, lembra quando eu te disse que nós iriamos para a Argentina na nossa lua de mel?

- Lembro

- Bem, nó não vamos mais ter lua de mel.

- O que você quis dizer com isso?

- O avião vai cair.

Ela ficou imediatamente em pé:

- MENTIRA. YAMASHITA, ESSE TIPO DE BRINCADEIRA NÃO TEM A MENOR GRAÇA.

- Não é brincadeira – disse ele

- Você vai morrer? – perguntou ela começando a chorar.

- Vou.

- Não…

- Pequenininha eu amo você mais que tudo. Eu amo você e…oh meu Deus, eu não quero que você sofra, por que é insuportável pra mim a idéia de que você esteja infeliz. Eu amo olhar pra você e agora eu nunca mais vou fazer isso.– ele chorou também.

Marito olhou para sua aliança.

- Pi, não chora.

- Amor, o meu amor por você é como o vento. Você nunca mais vai vê-lo, mas você poderá senti-lo.

- Yamap…

- Eu vou passar o telefone pro Shige, nós não temos muito tempo. Te amo.

Mari apareceu no topo da escada. Marito deixou o telefone no sofá e correu até a porta.

- Alô – disse ela já sabendo o que o namorado diria

- Mari, eu amo você.

- O que está acontecendo? – perguntou ela

- O avião vai cair. – disse Shige

Mari se encostou na parede e apertou a correntinha:

-Eu disse pra você não ir.

Shige sabia que ela estava chorando, ele também estava.

- Mari, fecha os olhos e imagina que eu estou segurando a sua mão.

- Não é justo – murmurou ela

- Eu estou segurando a sua mão agora, como eu segurei ela no cinema, naquela noite em que nós ficamos pela primeia vez. Eu quero que você sempre se lembre de como isso é importante pra mim. Por que eu nunca mais farei isso. – ele fez uma pausa para que a voz voltasse ao normal -Mari, eu amo você mais do que minha própria vida, então me prometa, não, jure. Jure pra mim que você não fará nenhuma burrada.

“Ele não pode me pedir isso.”, pensou ela

- Mari?

- Eu juro. – disse caindo de joelhos no chão.

Derepente ouviu gritos:

- O que foi isso?

- Uma turbulência. Amor, eu vou desligar.

- NÃO. Eu vou colocar o telefone no viva-voz e você vai deixar o celular bem pertinho de vocês quatro, nem que seja só pra poder ouvir a respiração de vocês.

As garotas se aproximaram. Eles ficaram em silêncio. Mas elas podiam ouvir o choro deles e eles o choro delas. Um minuto depois o telefone ficou mudo e nada mais se ouviu.

- Que Deus acolha essas almas no paraíso – disse o Padre, enquanto os quatro caixões eram colocados na cova. Ele olhou em volta e fez um sinal para que elas se aproximarem.

Era a hora do discurso de despedida.

- Hoje é domingo, dia de piquinique – começou Kelly – hoje nós iriamos explicar pra eles qual a diferença entre amar e gostar.

Kelly olhou para Marito e pediu que ela continuasse, pois de sua boca não saíria nenhuma palavra que não fosse acompanhada de lagrimas, as pessoas provavelmente não à entenderiam. Marito continuou

- Muitos de vocês devem estar pensando: “Do que adianta isso agora?”, e eu respondo pra vocês, nunca é tarde demais e eu sei que eles estão nos ouvindo, onde quer que eles estejam.

- Gostar é um sentimento que lentamente passa – disse Tako – é algo que vem antes do amor, que pode ou não se transformar nele. Para nós quatro, o gostar virou amar. – disse ela tentando sorrir

- Eu pensei muito em como explicar o que é o amor, enquanto eu procurava os últimos documentos do Shige, eu encontrei a letra de uma música que os quatro escreveram juntos, mas que ainda não havia sido gravada. Acho que por mais que eu tentasse, nada do que dissesse poderia ser melhor do que isso. – Mari tirou uma folha do bolso, Tako, Marito e Kelly se aproximaram e elas cantaram juntas:

- “Amar é quando não dá mais pra disfarçar, tudo muda de valor, tudo faz lembrar você. Amar é a lua ser a luz do seu olhar, luz que debruçou em mim, prata que caiu no mar. Suspirar sem perceber, respirar o ar que é você, acordar sorrindo e ter o dia todo pra te ver.”

Elas fizeram uma pausa para secarem as lágrimas, pensando que nunca mais veriam seus namorados acordarem.

– “Amar é envelhecer querendo te abraçar, é dedilhar num violão a canção pra te ninar

Nova pausa. Não haveria o envelhecer e nunca mais canções de ninar. A vida não era justa.

– Amor é o que eu vou sentir pelo Shige, o que a Marito vai sentir pelo Yamap, A Tako pelo Massu e a Kelly pelo Ryo, até o dia em que nós nos encontrarmos novamente. Por que para amar, nem a morte é barreira.

As pessoas lentamente se afastaram, deixando para trás quatro solitários corações.

Elas permaneceram ali até que o vazio do cemitério tomasse conta delas. Depois se abraçaram e foram embora, com a certeza que eram as garotas mais amadas do mundo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!