Nunca é Tarde Para Amar
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Alguns dias se passaram. Naruto já havia saído de casa, e quanto à Sakura, ainda esperava Sasuke voltar. Nem criava ansiedades, sabia que ele sempre demorava meses para voltar.
A notícia se espalhou rapidamente pela vila. Em dias todos já sabiam que o hokage havia separado-se de sua esposa. Os boatos eram que Hinata mal saía de casa. Sua filha que estava fazendo as compras, e os afazeres na rua.
— Okaa-chan... Você não pode ficar deitada nessa cama pelo resto da vida, precisa se alimentar direito, está cada vez mais magra.
— Himawari, por favor, deixe-me sozinha.
Era sempre a mesma coisa. Sempre que falava com sua mãe ela dava essa resposta. E, por respeito, saía. Mas dessa vez seria diferente. Ela deu à sua mãe um tempo para recuperar-se, sabia que era um baque tudo aquilo, mas já passara quase um mês e sua mãe não reagia.
— Não, mamãe. Chega. Eu tentei entende-la, deixar que se recuperasse sem interferir, mas olhe seu estado! Cada dia piora, e fica mais deprimida. Eu estarei sempre ao seu lado mas não posso permitir uma coisa dessa! É duro ter que lhe dizer isso mas parece que você não ama seus filhos! É difícil para nós também! Nunca pensei que Tou-chan fosse fazer uma coisa dessas, mas a vida segue! Essa é a hora de nos mantermos unidos, mas você só fica ai se isolando da gente...
Hinata continua com a mesma expressão de minutos atrás. Mal parecia ter ouvido o que sua filha disse.
— Quer saber, desisto. Você nem sequer me ouve! O que eu significo pra você? Apenas um troféu de conquista de homem?!
O silêncio continua. Himawari se decepciona cada vez mais.
— Olha, vou deixar isso para você, vê se coma. Tchau.
Ela ficou muito triste com a falta de reação da mãe. Sabia que era sofrido, mas não era motivo para trancar-se e esquecer dos filhos, da casa, da vida. Seus pensamentos são interrompidos por alguém que batia na porta.
— Já vai! ... Hun? Kiba-san? O que faz aqui?
— Desculpe vir sem avisar, mas achei que avisando sua mãe não permitiria que eu viesse... Preciso conversar com ela. Fiquei sabendo do que aconteceu, imagino que ela esteja muito abalada.
— Admiro sua preocupação, mas acho que não é um bom momento... Nem mesmo eu consigo falar com ela, ela não responde!
— Mais um motivo para eu ir lá.
— Bom... Se acha que consegue pode ir. Por favor, traga minha mãe de volta... — Kiba pôde notar os olhos cheios de água da jovem.
Ao chegar no quarto não conseguiu acreditar no que via. Sabia que Hinata estava mal, mas o estado dela passava disso. Estava magra, pálida e com olheiras profundas. Mais parecia estar prestes a padecer. Ao ver, corre até ela.
— Hinata?! Você está bem?
— K-Kiba...kun.
— Por Kami, olha para você, não me diga que está assim só por causa de Naruto?
— Imagino que já deva saber o que aconteceu... — Ela falava muito baixo, quase sussurrando.
— Sim. Mas não é motivo para ficar assim. Olhe seu estado! Se continuar assim vai morrer de anemia.
— E que mal há nisso?
— Tsc, não fale uma besteira dessa! Vai jogar sua vida fora por um simples relacionamento que não deu certo? Quem ama mais, você mesma ou ele? — O silêncio respondeu sua pergunta. — Por Kami, Hinata! Você é melhor que isso, erga a cabeça e saía dai. Você tem seus filhos que te amam e nunca vão te abandonar, e que também precisam de você! Sua família deve estar preocupada, ouvi dizer que você ainda nem foi lá depois de tudo. Devem estar todos preocupados, inclusive eu... E por isso estou aqui!
Hinata apenas o olhava. Não expressava nenhuma reação, até que ele segura suas mãos. Ficou tão surpresa que seu coração acelerou, e sua pele pálida corou.
— Ouça, não posso te ver assim se destruindo. Vamos dar uma volta? Sair dessa cama, desse lugar, que apenas vai te prender a essa depressão.
— É melhor não... Não estou com vontade de fazer nada...
— Não aceito não como resposta. E não arredo o pé daqui ate você se levantar, e dar uma volta comigo.
O quarto estava escuro e abafado. Kiba abre as janelas e cortinas para deixar a luz e a brisa daquele agradável dia entrar. A luminosidade incomoda os olhos de Hinata, que ficaram no escuro daquele quarto fechado por tanto tempo.
— Vou te dar alguns minutos para se levantar, e se arrumar. Estarei aguardando na sala.
Ele retirou-se. Na sala estava Himawari, apreensiva, olhando para ele como se esperasse-o dizer alguma coisa. Já esperava ouvir que sua mãe o botou para fora como das ultimas vezes...
— Pode ficar mais tranquila. O Kiba aqui conseguiu fazer com que sua mãe saía um pouco daquele quarto.
A jovem se alegrou. Há dias tentava tirar sua mãe de lá, e era inútil. Conseguiu ver naquele homem uma pequena esperança no que já pensou estar perdido.
— Graças a Kami!
— Pode deixar que eu vou cuidar dela, como sempre fiz.
Alguns minutos depois, Hinata apareceu. Não muito diferente do que estava, apenas lavou o rosto, comeu algo e escovou os cabelos.
— K-Kiba-kun, não sei se é uma boa ideia...
— É sim mamãe, vá logo! Sair daqui vai te fazer melhor.
Antes que Hinata desistisse, Kiba pegou-a pela mãe e levou-a.
— Para onde vamos?
— Não se preocupe com isso. Veja como o dia está bonito. O fim do inverno está chegando.
Ela concorda com a cabeça.
— Eu vou te levar para um lugar onde costumava treinar com o Akamaru quando ele era filhote. É o meu lugar preferido.
— M-mas as pessoas não vão achar estranho nos ver sozinhos nesse lugar? Eles podem pensar mal de mim e- Ele interrompe para que ela não termine.
— Você é uma mulher solteira agora. Ninguém tem o direito de falar nada de você. E a vida segue, você não pode ficar presa nisso para sempre.
— Sim. Você está certo.
Eles caminhavam e conversavam. A cada passo Hinata se sentia melhor, e falava mais. Kiba fazia com que ela esquecesse toda aquela tristeza.
— Chegamos.
Era um lugar lindo realmente. A neve derretendo já dava espaço ao verde da grama. O sol refletia o branco da neve fazendo-a brilhar e criar pequenos arco-íris nas pocinhas de água formadas.
— É lindo.
— Eu te trouxe aqui para que entenda o quão bonito é o mundo. A vida não é apenas cuidar de casa, marido e filhos. Era isso que você fazia. Duvido que saía assim apenas para admirar a natureza.
O silêncio confirmou suas palavras.
— Você perdeu anos da sua vida presa a um homem, fazendo de tudo para que ele á olhasse, deixando-o no centro do mundo, e esquecendo as outras coisas da vida, como você mesma, seus amigos e agora seus filhos. Mostre para eles que você não é apenas uma mãe que quer apenas impressionar o marido sendo uma boa esposa. Mostre que os ama.
Algumas lágrimas brotavam de seus olhos. Viveu toda sua vida acorrentada á um homem sabendo que nunca o teria por completo. Quantas coisas perdeu por isso, quanto tempo perdeu? Já era tarde demais para pensar nisso.
— Hinata... — Ela sente de novo as fortes mãos dele segurarem as suas com ternura. — Nunca é tarde para mudar. Para aproveitar e dar valor para a vida. Eu apenas quero que saiba... — O rosto dele estava cada vez mais próximo dos seus. Seu coração acelerava, e sentia seu rosto ferver.
— K-Kiba-kun...
— Que eu estou aqui pra você. Sempre.
Até que numa dose doce de paixão ambos lábios de encontram. Pela primeira vez Hinata não se preocupava em agradar ou saber se estava beijando bem. Pela primeira vez pôde sentir tudo que um beijo apaixonado podia ter.
Por um impulso ela o empurra.
— Kiba-kun! O-Oque foi isso? Eu ... Eu ... Amo o Naruto-kun! — Ela estava nervosa e corada.
— E eu amo você, se não percebeu ainda. — Ele ria de si mesmo. — Sempre amei. Hinata, eu apenas quero tomar conta de você, tirar essa sua dor, mostrar o que é ser amada, fazer sentir-se mulher, como nunca sentiu-se.
— Mas... Mas... Eu não posso corresponde-lo, eu já disse que amo o-
— Hinata! Você já está bem crescidinha pra saber distinguir amor de paixãozinha infantil. Sei que é difícil pra você começar a entender, começar a se valorizar, mas eu apenas quero uma chance de estar ao seu lado te apoiando nessa etapa. Você nunca sentiu amor de verdade, e eu quero te dar isso. Quero te dar um homem por completo não apenas pela metade, esperei minha vida toda por isso.
Ele acariciava seu rosto, e olhava profundamente em seus olhos. Nunca tinha sido tão sério em sua vida. Hinata por sua vez nunca tinha se sentido desejada daquele jeito. Era sempre ela que insistia, que lutava por alguém.
— É tão repentino... Eu preciso pensar...
— Te dou um tempo para pensar, sem colocar pressão. Mas apenas entenda, continuar como está apenas vai acabar mais e mais com você. Verá como vale mais a pena apostar em uma nova vida nunca explorada, podemos viajar e conhecer o mundo de uma forma que nunca conhecemos! Ou prefere continuar para sempre nessa depressão?
Hinata pensativa, olha profundamente nos olhos de seu companheiro de time. Ele já fez tanto por ela. Já cuidou tanto dela. Se preocupou tanto com ela. Nunca tinha percebido isso. Ela retribui as caricias em seu rosto com um beijo na buchecha e sai correndo.
Em pensamento diz — Kiba-kun, obrigado.
Fale com o autor