Nunca te esqueci
2 Os monstros dos pesadelos são reais
Notas iniciais
Chegando em casa fui direto para o meu quarto, estava com uma dor de cabeça irritante, então peguei um frasco de comprimidos para aliviar a dor e tomei dois deles, sem água.
Coloquei a cadeira ao lado da cama, assim poderia me locomover para o colchão. Não havia ninguém em casa e eu tinha dispensado a ajuda de Kine, mesmo ele se oferecendo. Precisava descansar e ficar um pouco só.
Estava cansado, para um dia com pouco trabalho. O que não era muito normal.
Será que é devido ao dia de hoje?
Com o apoio das duas mãos na cama, consegui levantar meu tronco e me empurrar para a cama. Me ajeitei o mais confortável possível e não demorou que o sono chegasse. Por mais que estivesse cansado, não conseguia dormi, resolvi pegar um livro e comecei a folheá-lo até parar em uma página sobre mitologias.
— Que entediante. Domingo é o pior dia da semana.
Suspirei cansado, joguei o livro em algum lugar e quando menos percebi, já tinha caído no sono. Deveria ser por causa dos remédios.
Pisquei os olhos algumas vezes, quando percebi estava em um lugar escuro e úmido, e ao longe conseguia ouvir o barulho dos carros da cidade. Espera, estou num cidade? Eu conheço esse lugar.
— Então estou em Ikebukuro ein. Nada mais lastimável, mas eu poderia rever meus bixinhos de estimação.
Subi em um prédio onde poderia ter uma ótima visão, peguei meus binóculos que magicamente apareceram ao meu lado e observei três garotos do colegial. Uma garota que guarda a Saika dentro de si, achando que é humana; um garoto que pensar ser líder de um gangue de covardes e o criador dos Dollars, com uma ilusão que pode controlar uma gangue sem cor hahaha.
— Olha só, como são bonitinhos mentindo um para o outro, que hilário. Me diga senhor Mikado como agiria se um membro do Dollars matasse seus dois amigos ali mesmo na sua frente, o que faria? Hmmm deixa eu ver se sei essa resposta, você iria querer vingança e procuraria pelo culpado até esse sofrer por seu crime.
— Tudo em nome da própria satisfação, ou melhor para se livrar do sentimento de culpa.
Balancei minhas pernas enquanto observava animado, os humanos são os melhores.
— Eu realmente amo muito os humanos hahaha!
Naquele momento senti um vapor quente nas minhas costas o que me incomodou bastante, quando me virei, dei de cara com Shizu-chan. Não fiquei nenhum pouco surpreso, fiquei feliz e angustiado. Certamente ele tentaria me matar e foi o que ele fez.
Senti suas mãos vindo em direção ao meu pescoço, não consegui me mexer e nem fugir, é como se meu corpo estivesse preso ao chão. As mãos do Shizu-chan estavam geladas e senti um arrepio medonho, elas estavam derretando, as senti se desfazendo em liquido, e meu corpo se molhava, estava com uma cor avermelhada.
Quando olhei para os olhos do Shizu-chan, eles não tinha reação, apenas um vazio negro que me impedia de gritar e de me mexer. De seus olhos escorreram um liquido preto até chegarem em minhas mãos e começava a queimar e a desaparecer, e em cada lugar que Shizuo tocava, eu sentia meu corpo se desfazendo.
Como que paro isso?!
— Shizu-chan eu odeio você.
Foi tudo que consegui falar antes que Shizu-chan apertasse meu pescoço, mas espera... O que ele estava tentando dizer? Tem um barulho horrível ecoando na minha cabeça. Que droga, alguém desliga isso! Não consigo ouvir nada do que ele diz!
Han? Ah que ótimo, foi só um sonho.
— Um sonho ridículo – Peguei meu celular para olhar a hora, ainda era bem cedo, pelo menos minha perna não estava doendo tanto.
— Finalmente você acordou, não tem trabalho para fazer ou uma vida para arruinar?
— Olá para você também Yarichin, espero que tenha trazido meus presentes.
Yuu Hirako, é o nome do meu novo assistente. Agora que não tenho a Namie para cuidar de tudo então fui obrigado a empregar um garoto deturpado de 20 anos que os pais expulsaram de casa por ser diagnosticado com transtorno obsessivo sexual, uma família de alta classe nunca iria querer um ninfomaníaco nas suas reuniões, mesmo que muitos deles terem doenças, como gostam de chamar, piores que isso.
Engraçado como humanos medrosos tratam o desconhecido ou o diferente do casual como uma doença ou uma simples desculpa para jogar alguém um hospital psiquiátrico.
Essa é uma das qualidades dos humanos, a traição. Ser traído por aqueles que mais confiam, é até poético. Ao contrário do que os médicos dizem, Yarichin não tem uma obsessão por sexo, pelo menos não ainda, e é um dos meus planos para ele ser um louco que faz orgias em um parque público. Que fofo.
— Está aqui – Yarichin abre uma maleta com uma arma e um vidrinho do lado – E o seu dinheiro acabou de ser transferido.
— Está tão eficiente, para quem que você subornou com seu corpo? Deve ter sido ótimo.
— Eu não sou um prostituto e não vou me vender só porque você quer seu idiota.
— Você é sim – O chamei para me colocar na cadeira – Só não admite por que tem medo que tenham nojo de você e te abandonem como sempre não é mesmo.
— Eu não tenho medo disso, e eu não vou ficar te escutando seu idiota.
Fiquei observando ele sair irritado, mesmo não querendo demonstrar, até a cozinha onde terminava de preparar alguma refeição para nós dois. Eu não estou nem um pouco com fome, só tomar uma água e ir para mais uma reunião.
Como se não bastasse minhas pernas danificadas, meus braços estavam mais rígidos, deve ter sido pela posição que dormi. Na mesinha ao lado da cama havia um frasco de Vicodin, um remédio para diminuir a dor, tomei um comprimido.
— Você não acha que ta exagerando nesses comprimidos, é o terceiro que você toma só hoje. – Yarichin disse, vindo na minha direção.
— Não se preocupe, eu não vou morrer só com isso.
— Oh, então tome mais dois comprimidos, por favor.
— Bom, sei que gostaria de passar mais tempo comigo, mas preciso ir, até mais tarde Yarichin e vê se faz uma torta de frango pronto quando eu voltar, bye bye.
Virei minha cadeira já pronto para sair do apartamento.
— A única coisa que vou deixar torta é essa sua cara – Sério que Yarichin acha que não o ouvi? Ele ainda tem tanto a aprender.
No caminho para pegar o elevador, que felizmente a reunião seria no mesmo prédio que moro, recebi uma ligação, com toda certeza seria o chefe do grupo farmacêutico da Coreia do Norte. Atendi a ligação.
— Yo, sim sim já estou no caminho e diga para o senhor Kwon que estou levando uma cortesia.
Imediatamente lembrei da maleta, que acabei esquecendo, voltei para o apartamento, minha intenção foi chamar Yarichin mas ele não estava na sala e nem na cozinha. Vi que a porta do seu quarto estava fechada, ele deve estar se masturbando, eu poderia atrapalhar sua brincadeira, mas estou atrasado, deixa pra outra hora.
Depois de pegar o elevador, cheguei na sala de reunião. Para o meu desapontamento ela estava vazia, somente uma mulher e um homem que aparentava ser seu secretário.
— Ah que pena, terminaram a reunião sem mim?
— Olá senhor Izaya – A mulher de cabelos ruivos entregou um cartão, era o seu contato e o da empresa – O senhor Kwon quer que você extraia informações sobre o seu filho mais velho que está iniciando na industria artística e parece que está sendo ameaçado devido ao importante cargo de seu pai. Tudo que você precisa fazer é descobrir quem está fazendo essas ameaças e impedir que a ligação com o senhor kwon com o submundo seja descoberta.
Enquanto essa mulher falava, fui para detrás da minha mesa onde liguei o notebook e comecei a pesquisar.
Suspirei enquanto batia meus dedos no teclado do notebook, por que o tempo está passando tão devagar? Que tédio, bem que eu poderia brincar um pouco com essa mulher...um, vejamos se acho algo interessante.
— Então quer dizer que Kwon fugiu da reunião para se encontrar com um traficante ..que interessante... e logo no pior lugar da cidade.
Usei um dos meus contatos para rastrear o paradeiro de Kwon, e de todos os lugares, ele está em um restaurante de sushi comandado por russos... que agradável situação.
— Hahahaha – Não consegui me conter e ri alto, percebi que a mulher tinha se assustado e ri mais ainda. – Me diga o que aconteceria se eu negasse esse pedido do senhor Kwon? Fazem 3 meses que vocês tem ficado na minha cola para aceitar esse trabalho e só vejo você fazendo todo o trabalho, o senhor Kwon deve achar que você é uma completa incompetente que só serve como garota de recado, se você voltasse de mãos vazias ele a castigaria de alguma forma bem criativa. Mas se você morresse descendo as escadas do prédio, ele não se importaria, por que você só é uma figurante, e ninguém se importa com figurantes.
— Ele não é assim... – A voz dela já estava mais baixa, hehe.
— Olhe pelo lado bom, assim você não tem que presenciar seu próprio fracasso como uma pessoa fraca e incompetente. – Sorri alegremente pra ela.
Esse tipo de expressão confusa alegra muito o meu dia.
— Ah.. e mais uma coisa, o filho do senhor Kwon vai precisar de um guarda costa, então contratamos um para ir buscá-lo e para garantir sua segurança pessoal. Daqui a pouco ele estará chegando.
— Ah ótimo, mais um para animar a festinha. Posso pedir um favor antes de você ir?
— Sim, o que seria?
— Bom, essa cadeira está me incomodando bastante e isso não faz bem para as minhas costas, além de não ser charmoso, quero que seu mordomo aí parado faça algo e me coloque na outra cadeira reclinável.
Olhei para o homem alto de cabelos claros que estava parado, fiz um sinal com o dedo para ele vir fazer o eu havia pedido.
— Ele não é um mordomo.
O homem logo veio e me colocou nos braços me levando até a poltrona de couro.
— Obrigado. – Sorri de lado para ele.
Os dois finalmente terminaram tudo que queriam, pegaram a maleta e se preparavam para sair da sala, me virei em direção ao computador, abri a página de login dos Dollars. Hm, faz dias que não entro e queria muito saber como que anda Ikebukuro. Eu poderia criar um novo nickname...
— Ah, senhor Orihara, o homem que mencionei antes acabou de chegar, vou mandá-lo entrar.
Girei a poltrona em direção á janela de vidro, fiquei vendo a vista enquanto esperava a entrada desse guarda costa, estou até um pouco ansioso. Como que ele será? Já estava ficando bem animado.
Ouvi as batidas na porta e a maçaneta ser girada.
Comecei a cantarolar baixinho, quanta ansiedade, normalmente não sou assim.
— Com licença...
— Então você é o guarda costa que tanto me falaram, sou Iza...
No momento que girei minha cadeira, achei que tinha caído em um pesadelo, ou melhor, que ainda estava preso nele. Tudo a minha volta começou a escurecer e senti um ar gelado subindo na minha espinha.
Ah não, isso só pode ser piada, eu devo estar enlouquecendo e devo ter exagerado nos remédios que me deram visões, é isso faz mais sentido...
Não pode ser essa pessoa que está na minha frente, não pode, ele deveria estar morto em alguma sarjeta, que piada sem graça hahaha...Não tem como, é ele sim.
— Shizu-chan?!
— Izaya?!
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