Nunca te esqueci
7 Olhos de ressaca
Notas iniciais
O apartamento do Izaya era muito sofisticado, organizado e limpo, como esperado dele. Sempre foi assim, todos os seus apartamentos eram impecáveis, até saber o que se escondia por trás de tudo.
Na verdade não me sinto nenhum pouco confortável ficando no mesmo teto que ele, mas se é pra ajudar o meu irmão, então não me importaria em trabalhar nem mesmo com o diabo.
Agora estou aqui na casa do Izaya, tendo que suportá-lo e ficar de olho nele. Ele não é o mesmo de antes, é óbvio, parece tão fraco e desajeitado mesmo colocando essa faceta de que tudo está indo de acordo com seu plano sendo que não está, nem seu trabalho ele anda fazendo direito.
Não que eu me importe com ele, só que agora não tem a menor graça bater nele.
Me deitei de costas na cama encarando o teto por alguns minutos até que um garoto sorridente ficou sobre a minha visão. Yuu é um garoto tão jovem para estar metido com o nojento do Izaya, nem imagino o que aquela pulga mandou esse garoto fazer. Tsc!
— Ta tão pensativo, o que houve? – Yuu me perguntou enquanto mexia nos meus cabelos.
— Por que você o deixa te chamar de Yarichin?
— Por que você o deixa te chamar de Shizu-chan? – Ele sorriu mais uma vez.
— Eu não deixo, ele que é um idiota.
— Um idiota doente... – Yuu deitou ao meu lado, apoiando a cabeça sobre meu peito – Desde que comecei a vir morar aqui ele nunca tinha piorado daquele jeito, acho que você mexeu com ele.
Suspirei pesadamente, Izaya não pirou por minha causa, mas sim por causa das drogas que ele estava tomando, por isso ele passou mal. Aquele momento foi muito estranho, na verdade tudo que está acontecendo ta sendo bem estranho. Vim para essa cidade com o Tom-san e o Mizuchi á trabalho, graças ao meu irmão que me pediu protegesse seu amigo que está estreando na mídia.
Não poderia negar um pedido do Kasuka, e agora tenho que trabalhar com o bastardo do Izaya, poderia ser qualquer um menos ele. E depois que ele desmaiou, não vejo isso progredindo de jeito nenhum, seria mais fácil fazer eu mesmo. Devia mesmo ter o deixado morrer.
[ FLASHBACK DE 3 DIAS ATRÁS]
– Se você fizer alguma besteira, eu te mato na mesma hora.
– Parece que chegamos a um acordo. – Ele sorriu. – Vamos começar então.
Tentava me acalmar, depois de discutir e tentar não enforcar essa criatura. Quando o olhei com mais calma, notei algumas coisas.
Ele tinha ficado mais pálido que o normal – se é que é possível – suas pupilas tremiam e ele não estava olhando pra mim, como se olhasse além de mim. Aí aconteceu. Ele tinha começado a sangrar pelo nariz, e não era um fio de sangue, era muito sangue.
Com menos de 2 segundos, Izaya caiu duro na cama quase caindo no chão. Nem sabia se ele ainda estava vivo ou não e não me dei ao trabalho de ir conferir. Melhor deixar do jeito que está.
Com ele morto acaba metade dos meus problemas e os de Ikebukuro também. Um sonho se realizando. Resolvi deixar por isso mesmo, é só encontrar outro informante pra fazer o trabalho, não deve ser tão difícil assim.
Deixei o Izaya lá sangrando e fui em direção á porta do quarto. Quando fui abri-la, ela já tinha sido puxada e dei de cara com um garoto jovem do mesmo tamanho que o defunto só que com cabelos alaranjados.
— Quem é você? Não lembro de ter agendando nenhuma visita para o Izaya-san.
Antes que eu pudesse falar algo, ele foi em direção á cama e foi totalmente inevitável ver Izaya estirado na cama sangrando.
— AI CARAMBA! VOCÊ O MATOU?! – Ele se virou pra mim completamente agitado. Não conseguia ficar parado em um lugar só. – Ahr, eu sei que era só questão de tempo de alguém vir o matar, mas não achei que fosse tão rápido!
— Só pra deixar claro, eu não o matei, ele caiu sangrando sozinho.
Ele olhou para mim incrédulo e correu em direção ao Izaya. O virou de frente e sentiu o seu pulso.
Eu já deveria estar longe desse lugar. E mais uma vez fui em direção á saída.
— Você não vai á lugar algum!
Ughr isso só podia ser brincadeira! Moleque chato!
— Temos que levar ele ao hospital, ele ainda está vivo e você vai me ajudar!
— O caralho que vou! O melhor é deixá-lo morrer aí mesmo.
— Acha que eu não sei? Mas meu pagamento só sai no final do mês e só o Izaya que sabe a conta do banco, então preciso dele vivo. Agora me ajuda!
Por causa disso tudo tive que ajudar a levar essa praga ao hospital, o garoto foi dar a entrada na internação, então finalmente poderia ir embora, já fiz o que tinha que fazer. Até ele me parar novamente.
— Ei, espera!
Tinha que ir logo embora, precisava falar com Tom-san e almoçar, estava morrendo de fome.
— Eu só queria te agradecer e ... bem, eu nem me apresentei direito. Meu nome é Yuu Hirako. – Ele estendeu a mão em minha direção.
— Shizuo Heiwajima.
— Bom Heiwajima-san, agradeço por não ter matado meu chefe, ainda.
O garoto deu uma leve risada e voltou para o hospital.
[ FIM DO FLASHBACK]
— No que está pensando agora? – Yuu fazia uma voz dengosa, de forma cálida, depositou um beijo no meu rosto. Era quente e bem demorado, me fazia bem de certa forma.
— Só pensei em coisas sem propósito – Me referi ao Izaya.
Yuu levantou-se, ficando sentado no colchão ao meu lado, minha resposta deve ter o chateado... Falei nada demais. O ouvi suspirou e voltou seu olhar em minha direção.
— Eu devo estar fazendo um terrível trabalho pro Shizuo-san não prestar atenção em mim.
Ele sabia ser sedutor quando queria, e não era nada forçado, era bem intenso. Quando me olhava com esses olhos e o sorriso nos lábios me tiravam do chão. Gostava dessa sensação.
Sorri de lado.
— Não tem como eu não prestar atenção em você – O puxei pela mão, fazendo-o sentar no meu colo.
Era muito bom estar com ele, na verdade não me lembro de quando fiquei tão próximo á alguém assim. Sempre estou trabalhando, e nunca olhei para alguém do mesmo jeito que olho para o Yuu. Tive alguns rolos com algumas mulheres, mas eram só pela minha fama de homem mais forte, sempre odiei isso. Qual o propósito de namorar ou gostar de alguém só pelo status, pela aparência, fama ou pelo que as pessoas vão falar, sem ter nenhum sentimento.
Relacionamentos assim são desprezíveis. Não sabem o que é amar.
Mas acho nem mesmo eu sei.
E agora já estou á três dias com o Yuu e percebi que gosto muito dele e de vê-lo implicar com o Izaya.
Yuu deitou-se por cima do meu peitoral, com um sorriso sedutor ele lentamente me beijava. Sentia seu calor, seu doce cheiro, seus lábios suaves e molhados. Aquilo tudo me acalmava.
E não só me acalmava, como me aquecia repentinamente.
Enquanto me beijava, senti suas mãos descerem pelo meu abdômen logo alcançando meu cinto e o abrindo. Puxei seu quadril para mais perto, causando uma fricção, até o ouvir gemer abafado. Os beijos e os toques ficavam cada vez mais necessitados, não aguentando mais, o joguei na cama ficando por cima dele, comecei a tirar sua camisa, no mesmo segundo beijei e chupei sua pele nua deixando umas leves marcas avermelhadas. Yuu respondeu soltando um gemido e roçando sua perna no cós da minha calça.
Meu corpo estava bem quente e quase começou a ferver quando ele massageou o cós da minha calça.
— Yuu...
Ele abriu minha, já estava totalmente excitado e Yuu sorriu de forma sacana ao me ver assim, o que me excitou mais ainda. Senti seus lábios molhados e quentes envolvendo meu membro, era como se meu corpo se contorcesse de prazer.
Segurei seu rosto e o puxei para perto de mim, lhe dando um beijo necessitado. Tentei de forma rápida tirar sua calça e o colocar sentando por cima de mim. Ele jogou a cabeça para trás gemendo cada vez mais alto enquanto aumentava os movimentos.
— Shi..zuo-san...
Nós dois estávamos em sintonia, e o calor só aumentava, me sentia tonto e meu corpo muito mais rígido, estava em completo êxtase.
Ficamos nos beijando por sei la quanto tempo, com os corpos grudados e suados.
— Você é tão gostoso Shizuo-san, perco até minha razão quando estou contigo. – Yuu havia corado, esse gesto foi o mais lindo que já vi dele. Sorri pra ele, acariciando seu rosto.
— Você é a melhor coisa que me aconteceu nessa viagem toda.
— Hihi, sabe...poderíamos ir mais uma rodada... – Ah como eu gostava dele.
Não estávamos nem um pouco cansados mesmo. Tudo que eu queria era ele em meus braços.
Até a porcaria do telefone começar á tocar. Maldito seja o filho da puta na outra linha!
Justamente naquela hora, era o telefone do Yuu, ele atendeu e parecia que não era uma boa notícia pela cara que ele fazia.
— Me desculpe Shizuo, é do meu trabalho – ele revirou os olhos – Parece que um garoto quebrou o braço e eles querem que eu o substitua como acompanhante.
— Você vai ficar bem?
— Claro que vou, não me subestime Shizuo, conheço alguns truques se um babaca vier mexer comigo.
Dito isso ele foi se aprontar pro trabalho, e ele tem razão, não tenho o porquê de me preocupar com ele.
Continuei deitado por várias horas, como era á noite nem fazia ideia de que horas eram. Passava um programa chato na televisão e não estava prestando atenção nele. Acho que até cochilei por uns minutos, que quando olhei pra televisão do nada começou a passar filmes do corujão. Bem confuso.
Fui lentamente fechando os olhos, mas um grito me acordou. Na verdade não sei se foi um grito de verdade ou algo da minha cabeça.
Depois de uns segundos pude ouvir de novo, era um grito abafado não muito longe. Vinha do apartamente... e essa voz...
Era a voz do Izaya, o que ele ta aprontando agora?
Corri cambaleando pro lado- tava dormindo e agora ter que me levantar assim, queria o quê né ?- Me esbarrei em alguma coisa que ouvi uns pedaços de madeira caindo no chão, deveria ter sido a estante.
— AAAARHG!
Quando chegava mais perto do quarto, mais os gritos ficavam fortes. Abri a porta e me deparei com Izaya na cama encharcado de suor, rangendo os dentes e suas mãos estavam completamente vermelhas de tanta força que fazia segurando o lençol.
— AAAARRRGH!!NÃO!
— Izaya acorda!
— MINHAS PERNAS!! SAAAI! VÃO COMER MINHAS PERNAS AAAAARHG!!
Nunca o tinha visto dessa maneira, ele está em agonia, tendo um pesadelo.
— AAAAAHR MONSTROS SARNENTOS EU VOU MATAR TODOS VOCÊS!!NÃO!! PAREM DE LATIR!!
Que droga, esse é o fraco dele?
— Izaya acorda agora!
Subi na cama praticamente em cima dele, segurei seus ombros e os chacoalhei fortemente para acordá-lo.
— Izaya!
Até que ele abriu os olhos, pude sentir todo seu corpo tremendo. Que pesadelo foi esse pra fazer o Izaya tremer apavorado?
Ele respirava de forma pesada, parecia ainda está perdido só depois que percebeu que eu estava lá. Colocou as mãos no rosto, respirava profundamente tentando se acalmar.
— Saia de cima de mim. Ughr! – Izaya apertou os olhos e mordeu os lábios como se tivesse sentindo dor.
Olhei para onde estava checando se eu não o estava machucando, e como não estava, continuei ali o observando. Já desisti de querer entender a mente do Izaya. Nunca nem tentei e nem quero. Mas isso me deixou inquieto.
— Sai de cima de mim... minhas pernas doem... – Ele falou em meio que um gemido rouco.
Ele sorriu fraco. Nossa, ele parece tão miserável, isso é decepcionante...
— Você é tão sádico Shizu-chan.
Ele continuava suando, estava completamente pálido, deve estar mais pálido que uma parede branca. E olhos inchados e vermelhos.
— Com o que sonhou pra ficar desse jeito, pelo visto não foi nada agradável. – Saí de cima dele, ficando ao lado no colchão.
-Shizu-chan você me viu em um momento que seria constrangedor para mim e agora vai começar a me chantagear para que eu possa fazer o que você quer só pra não espalhar esse acontecimento. Isso é o que você faria, mas sabemos que não vai, então se poupe.
— E você gosta muito de falar.
— Ah, obrigado. Mas... – Enquanto ele falava, ou tentava falar, o som saía mais rouco e ele apertava as pernas com as mãos. — Se você me trazer meu remédio para dor, aí eu posso te contar.
Quem ele acha que eu sou? Nem uma criança cairia nesse truque.
Ele está horrível. Gritando de dor, nem sei se é fingimento ou real. Não tem como fingir sentir uma dor assim, e o médico falou que ele passaria por um processo de desintoxicação.
— Shizu-chan... Arrgh... só me dê meu remédio.
— Você não pode tomar. Tem que se recuperar sem ele!
— Sabe o que você pode fazer? ME OBEDECER E ME DÁ A PORRA DO REMÉDIO. AAAARHG.
Ele está em agonia, que diabo ta acontecendo?!
— Estou sentindo muito dor Shizu-chan... – gemidos cada vez mais alto e agora junto com um choramingo. – Isso dói muito... faz parar...
Que droga!
Por causa de um impulso, acabei agarrando suas pernas. Na verdade não sabia o que fazer agora, mas queria fazer algo que parasse essa dor que ele estava sentindo. Tentei apertá-las esperando que causasse algum efeito, aliviasse ou o distraísse da dor nas pernas.
Por fim, só agi.
Com Izaya deitado, passei minhas mãos subindo sobre suas pernas, coxas, barriga, peito, até chegar em seu pescoço onde fechei minhas mãos ali.
Era o momento perfeito de matá-lo, ele estava literalmente em minhas mãos, mas algo me impediu, algo naqueles olhos nojentos.
— Você é terrível Shizu-chan, fica excitando com subimissão haha... quem diria.
Cada palavra que ele dizia me dava nos nervos. Cheguei a fechar mais minhas mãos, me aproximei do seu rosto, mais precisamente de sua orelha.
— Você está patético.
Izaya contorceu seu corpo para frente, mas havia me sentando em sua barriga o impedindo que se movesse muito.
Ele riu.
— Naquela primeira gaveta, há um vidro transparente-
— Eu já disse que não vou te dar Vicodin!
— Não é Vicodin... é endorfina...Shizu-chan, é só injetar em mim. Estou exausto disso.
Tsc. Ele não podia ficar assim a noite toda sentindo dores. Os gritos dele não iam me deixar dormi. Fui até a tal gaveta, e como ele tinha dito, tinha um pequeno vidro e uma seringa com agulha. Coloquei o liquido na seringa e voltei pra cama.
Como as dores eram nas duas pernas, injetei nas duas acima do joelho. Não entendo dessas coisas só não espero que ele entre em coma, aí é sacanagem. Mas coloquei pouco então deve ficar tudo bem agora.
Izaya relaxou os ombros, parecia mais aliviado agora, mesmo ainda tremendo.
Também estava cansando, acabei deitando na cama ao lado dele.
— Então, como foi o sonho?
— Shizu-chan, você conhece a teoria dos sonhos? Nela Freud diz que os sonhos são nossos desejos mais profundos, do nosso inconsciente. Então como havia criaturas devorando minhas pernas e tudo que conseguia pensar era que eu iria morrer ali, então meu desejo é morrer?Acredita nisso Shizu-chan?
— Acredito que desejos sejam mais físicos, como um desejo de comer uma travessa de sushi.
— Você quer mesmo comparar morte com sushi? Hahaha inacreditável. Isso me deu fome. – Ele me olhou com um sorrisinho no rosto, literalmente me ‘’pedindo’’ pra buscar alguma comida.
Eu também estava com fome depois de isso tudo mesmo. Fui até a cozinha e peguei uns salgados para nós dois... Ta, isso não foi nenhum pouco estranho.
Quando voltei ele estava com o notbook no colo e olhava pra tela com uma cara de poucos amigos, se é que ele tem um amigo.
— Shizu-chan, precisamos nos concentrar no nosso trabalho, por isso você precisa me dizer o que houve aqui há três dias atrás e o que houve com uma jornalista chamada Diana Mizaki.
Tsc, é o nome de uma das jornalistas que estavam desaparecidas em Ikebukuro.
— Eu avisei pra não mexer no meu distrito.
— Advinha só, não estamos nele. Então agora, me conte tudo.
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