Nunca te esqueci
4 Eu não mudei
Notas iniciais
Acordei com um barulho do meu celular, me virei de lado olhando para o celular que vibrava em cima da mesinha. Estava só na cama, Yarichin deve ter acordado e saído, já que ele deixou a cadeira perto da cama. Antes de mais nada, tomei um doce verdinho para dar energia nessa manha.
Atendi ao telefone que não parava de tocar.
– Sim? – Era um número desconhecido.
– Orihara-san, espero não estar lhe incomodando assim tão cedo, eu mandei minha secretaria falar da minha proposta e quero saber se você já tem alguma informação para mim, que é isso que informantes fazem.
– Ah, é verdade, mas eu não disse que havia concordado com esse serviço.
— O que você quer para fazer isso para mim? E não se esqueça que eu já depositei o dinheiro, é sua obrigação aceitar o trabalho, acha que pode passar a perna em mim?
– Aqueles 10 mil só serviram para eu aceitar me encontrar com o senhor, mas é claro que acabei encontrando foi sua secretária, aliás, como ela está, já se demitiu ou tentou explodir o seu escritório?
– Acho que você deve estar me subestimando-
— Muito pelo contrário, até acho o senhor inteligente só um pouco esquecido, como aposto que nem deve se lembrar das dezenas de mulheres que foram achadas mortas em um galpão abandonado e duas quadras depois parece que um membro de sua companhia foi visto, hmm, interessante.
– Tsc. Você...
— E ainda tem a melhor parte senhor Kwon, uma das mulheres pertencia ao grupo Yakusu.
O outro lado da linha ficou estranhamente silencioso, rapidamente a voz tremula e zangada do velho rico ficou mais lenta e claramente nervosa.
– O que você quer? — Ele finalmente falou.
— Hmmm – Poderia ter dito para ele não voltar a me importunar, mas logo alguém me veio á mente, e esse alguém tinha cabelos loiros e usava a tão famosa roupa de barman. – Sabe, eu o posso pensar em conseguir informações desse caso se você mandar seus subordinados matarem uma pessoa. Ele atende por Tom-san, e claro só quando um loiro alto chamado Shizuo Heiwajima estiver por perto, senão vai ser perca de tempo. Mais tarde eu mando a localização deles, bye, bye.
Ufa, finalmente consegui me livrar desse velho chato, bom pelo menos posso irritar o Shizuo como antes... Tenho que tirar um bom proveito disso tudo. Ao menos.
Me espreguicei, peguei o notebook e o liguei. Realmente não estava com um pingo de vontade de sair da cama, eu posso trabalhar aqui mesmo, e dormi se estiver muito cansado, tenho comida.
— O Yarichin não está aqui. Bem que ele poderia estar, não gosto de ficar tanto tempo sozinho, é entediante, urgh.
— Bom, vamos ver o que Shizu-chan está fazendo.
Liguei o notebook e entrei com uma senha onde eu poderia ter acesso as redes de segurança do distrito, assim posso ficar de olho nele sem sair da cama, é incrível como ainda não engordei.
Eu tinha total controle sobre as câmeras de vigilância, ninguém iria perceber mesmo, já que fica no automático, e graças á um hacker consegui esse brinquedinho.
— Incrível o que a ambição e o medo não faz.
Fiz algumas ligações enquanto o tentava rastrear, principalmente em lugares que ele poderia estar, um hotel mais barato e discreto, um restaurante talvez, geralmente alguma gangue sempre sabe de alguma coisa. Mas não foi preciso.
— Ai ai Shizuo é tão previsível. – Ele estava em uma cafeteria com Tom-san e um garoto que não conheço, deveria ter uns 15 anos. – Acho que vai começar a ficar mais interessante.
Mandei uma mensagem para o Senhor Kwon com a localização de Shizuo e Tom-san. — – Bom, daqui a 15 minutos vai haver um sequestro relâmpago. Acho que dá tempo de preparar um chá.
Me movi para a cadeira, indo até a cozinha e preparando um Earl Gray.
Na mensagem dizia que era para alguns dos capangas do Kwon armarem e darem uma lição no pobre e inocente Tom-san por pura vingança. — A vida de cobrador tem seus baixos – Quando atacarem o Tom-san, obviamente quem vai interferir é o Shizuo e ele como sempre vai explodir sua raiva e jogar o balcão em cima das ‘’marionetes’’ hehe.
– Shizu-chan para inaugurar sua chegada vai destruir a cafeteria, e logo vai saber que quem mandou fui eu, ou por aqueles fracotes abrirem a boca, não importa mesmo prefiro que ele saiba e receba meu amigável bom dia.
As câmeras focavam o Shizu-chan na cafeteria e com a mesma roupa de barman, ele deve ter uma coleção delas. Shizu-chan estava do lado do Tom-san, tinha umas cinco pessoas no lugar também, mas nenhuma delas perceberam os dois, e o garoto estranho estava junto deles.
— Não vejo a hora de saber quem é você. Ah, chegaram! – Peguei meu celular e disquei um número. – Para ficar melhor, um pouco de reencontro.
– Oi? – A voz rouca e baixa do Kine foi ouvida do outro lado da linha.
— Yoo Kine, pode me fazer um favorzinho? Não se preocupe não vai ter que matar ninguém, ainda. Tudo que você tem que fazer é ir á cafeteria do lado leste e impedir que um homem de dreads no cabelo morra, e não seja morto pelo Shizu-chan.
Desliguei o celular o foquei no computador.
– Bom, vamos começar.
Na cafeteria Shizuo estava sentado encostado no balcão esperando seu pedido chegar, ele estava ao lado do Tom Tanaka e um garoto de cabelos azuis. Ah, uma pena essas câmeras não ter escuta, queria muito saber o que eles estão conversando, e Shizu-chan parecia pensativo e desligado. Hmmm acorda pra vida Shizu-chan que uma gangue vai render o seu chefe. Tentar render...
E lá vão eles, cinco homens bem vestidos de preto apareceram e foram direto para o Tom-san, já sacaram as armas? Que ansiosos Haha.
— E é a deixa para o Shizu-chan entrar em ação!
Nem se passaram 30 segundos que os capangas do Kwon ameaçaram o Tom-san e já saíram voando com os braços quebrados pela janela. Wow essa força, é o Shizuo de sempre, mas ... espera um pouco. Não tinha reparado, mas o garoto de azul enterrou o balcão em cima de um dos caras?!
— Que interessante, que interessante! – Eu não podia me conter, isso realmente me animou. – Ora, ora Shizu-chan você teve um filho e eu não fiquei sabendo?! Não vejo a hora de conhecê-lo.
Quase havia me esquecido do Kine-san, ele ajudou se livrarem do resto dos capangas. E como eu havia imaginado, os dois se conhecem. Tom e Kine. Oh é verdade daquele evento de dois anos atrás, minha memória estás horrível.
— Ao menos deixem algum acordado para interrogarem.
Bom, tudo ocorreu bem como eu queria. Fechei o notebook e fui me preparar para um banho, porque claro sou daquelas pessoas que tomam banho depois de terem tomado um chá quente. Será que as supertições são verdadeiras mesmo?
Terminei meu banho, dessa vez não senti tanta dor assim, foi até relaxante a água gelado. É esse um dos tratamentos que fazem em sanatórios para acalmar seus pacientes.
Tomei dois comprimidos de Vicodin, vesti uma roupa confortável e voltei para cama. Se fosse como dois anos atrás eu mal conseguiria ficar dentro de casa, sempre estava no escritório ou em algum distrito, principalmente Ikebukuro e Shinjuku, porque o sobrenatural sempre escolhia essas cidades para se manifestar. Era divertido, tudo era muito excitante, eu tinha o prazer de ver o caos incendiar aquela cidade, as pessoas, os conflitos... Eu me empenhava em fazer aquela cabeça acordar, mas agora eu não sinto a mesma coisa. Pergunto-me se enjoei de tudo isso, mas só não há nada que me estimule...
[DING DONG]
Sério? Para atrapalhar meus pensamentos?
— Espero que seja o sushi que não pedi. – Apertei o botão do interfone.
— Sou eu, preciso te pedir uma coisa.
— Ora, que raro ver você por aqui Manami — Sim, realmente muito estranho ela vir me visitar, com toda certeza ela está tramando algo contra mim e minhas suspeitas é que ela não está sozinha naquela porta. Se for quem estou pensando.
No mesmo controle apertei um botão que destravava a porta do apartamento, é um ótimo sistema de segurança, ou deveria ser. Tanto faz.
E como eu esperava. Meus pelos se arrepiaram com aquela voz, eu estava certo.
– I-ZA-YA-KUN!!
— Shizu-chan, o que devo o desprazer da sua visita?
Essa garota deu meu endereço ao Shizu-chan, inove garota, inove. Ao menos faça o trabalho com as próprias mãos, ela ficou mais fraca do que era antes.
Sabia que você tinha um dedo por trás disso tudo, a mão inteira na verdade.
— E do que você está me acusando?
— Você sabe muito bem, foi você que mandou aqueles caras nos atacarem.
– Que engraçado Shizu-chan, sempre que nos encontramos ou você quer me matar ou está me acusando de algo. Já ta tão monotomo que se tornou tedioso.
– Desgraçado! Eu vou tirar esse seu sorrisinho do rosto! – Shizuo começou a se aproximar da cama que eu estava, agarrando meu colarinho e me deixando pendurado no ar.
– Mas sabe Shizu-chan se o Kine não tivesse aparecido vocês estariam com mais problemas, se bem que ele nem precisava ter chegado, já que você daria conta de tudo, e depois eu já sabia que você iria me procurar e vir aqui – Se bem que não achei que ele fosse me encontrar tão fácil. – Ah, se me lembro bem, seu irmão não está desaparecido?
– O que?! Seu desgraçado se você ousar fazer algo contra o meu irmão eu vou-
– Calma, calma, dessa vez eu não fiz nada, eu juro. – Ele já tava quase me asfixiando. – Só ouvi rumores, mas você acabou de confirmar isso.
– Tsc – Ele me atirou na cama – Sim, logo depois que me chamaram para fazer esse serviço, é ridículo ta contando isso principalmente para você.
Ah, a dor está começando novamente. Lentamente pus minha mão na minha cabeça pressionando onde tinha sido o impacto. Shizu-chan ainda quer me matar já que ele me jogou com essa força inumana me fazendo bater a cabeça na cabeceira da cama.
Não ta sangrando mas... Shizu-chan ainda está falando?Não consigo entender nada, tsc que droga, só posso ver vultos pretos em todo lugar, os móveis tão virando ao contrário e até o Shizu-chan...Eu não lembro de ter tomado nenhuma droga
Me sinto enjoado, não consigo ouvir uma palavra que ele ta dizendo, agora um zumbido agudo está no quarto inteiro. Isso dói muito. Não da pra manter os olhos abertos assim.
– Cala a boca...
Apertei meus olhos mais uma vez, esse tipo de coisa anda acontecendo mais do que o normal. Abri meus olhos novamente e todo o barulho tinha sumido, não havia mais zumbido e os móveis estavam em seus devidos lugares, até o Shizu-chan estava, mas agora ele me encarava bem próximo de mim segurando e sacudindo meus ombros como se eu estivesse tendo um ataque.
– Qual o seu problema?
Eu é que pergunto qual é o problema, pra ele ter voado pra cima da cama e ficado perto de mim desse jeito, há 10 segundos ele tava me ameaçando e agora me encarava com esse olhar preocupado. Não gosto de nada disso.
– Como?
– Você está diferente, não é o Izaya nojento de antes. Eu meio que sinto isso.
— Isso é tão idiota Shizu-chan — Até que ás vezes o Shizuo conseguia ser inteligente.
– Ontem eu já havia percebido, você ficou mais lento, e o Izaya de antes nunca aceitaria uma derrota, quando lutávamos você tinha um brilho que fazia o ter o que bem queria, e agora está aí conformado e fraco.
Levantei uma sobrancelha um tanto surpreso.
– Realmente não entendi nada do que disse. – Dei um suspiro um tanto longo e dramático.
– Ahrg eu só sinto que você não é o mesmo, só isso.
– E eu lastimo por você Shizu-chan. – Fui notavelmente irônico, o que fez ele estalar a língua. Isso nunca perde a graça.
O telefone tocou outra vez e para meu desgosto era um dos secretários do senhor Kwon. Atendi fingindo um sorriso e uma animação, que estava visivelmente falsa para quem ouvia do outro lado da linha. Acabei aceitando o trabalho, algo me dizia que seria interessante,lógico porque um dos envolvidos era Shizu-chan, não era lá a situação mais favorável e agradável para mim, mas ele pode ser bem útil. E havia o garoto de cabelos azuis também. Quero muito conhecê-lo.
– Sabe, eu vou te ajudar a encontrar o seu irmão.
– Não quero nada que venha de você, principalmente a sua ajuda. – Ele não precisava ter dado essa ênfase toda.
– É só um meio de deixar o passado para trás, e vou te dar um descontinho, deveria estar pulando de alegria. Por que eu costumo cobrar bem caro. – Falei quase em um sussurro.
– Se você fizer alguma besteira, eu te mato na mesma hora.
– Parece que chegamos a um acordo. – sorri. – Vamos começar então.
Fiz menção de ir para a cadeira de rodas que me aguardava ao lado da cama, por alguma razão Shizu-chan estava quieto, e isso era bem estranho, quando o olhei, ele estava me olhando com uma cara nervosa.
Olhei para baixo, mais precisamente para minha mão, tinha sentido algo pingar sobre ela, e era uma gotinha vermelha...
Ah, isso outra vez!
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