Nunca se sabe o dia de amanhã
1 Capítulo 1
Acordei, naquele dia tão animado quanto festa de criança com adultos. Rick entrou pelo quarto com uma cara de sono tão grande que parecia que iria se jogar no chão e dormir ali mesmo. Descemos juntos depois de ter me acordado.
Mamãe já havia preparado o café, eu disse que não queria, mas adianta alguma coisa? Ela sempre vem com aquele papo de “café da manhã é a refeição mais importante do dia”, olha, não acredito nisso não. Papai como sempre, não desgrudou a cara do jornal um segundo, nem mesmo para ver se o sanduíche estava bom.
Primeiro dia de aula não é fácil, você tem que suportar a cara de perdidos dos alunos novos, as chances de ter alguém legal no meio dos novatos, é tipo 1/3 em 1.000.000, imagina então como é ser recebido por uma garota com leucemia? A maioria acha estranho, é por isso que tenho só 2 amigos, Jake e Ammie, são os únicos que me visitam quando tenho que passar a semana no hospital, fazer o que né? Não é fácil encontrar amigos de verdade.
Entrou um garoto novo na escola que é muito bonito, mas não sei porque ele não tira aquele boné da cabeça. Adivinha o que aconteceu comigo quando fui dar oi pra ele? Eu desmaiei, não for por causa dele, foi culpa da doença.
Acordei no hospital com Jake ao meu lado, eu olhei pra ele e disse: “pare de me olhar com essa cara, foi a leucemia, ele nem é tão bonito assim!”, e ele me disse rindo: “sei, sei…” com um ar de desconfiança, mandei ele se danar e virei de lado.
Mamãe entrou no quarto toda preocupada, me abraçou forte como se eu fosse embora de casa.
Como acontece sempre que demonstro uma fraqueza: uma semana no hospital! Mas essa semana foi diferente, encontrei o garoto aqui, perguntei o que ele fazia aqui, ele me disse que veio visitar uma tia dele, não quis saber mais sobre o assunto, conversamos sobre muitas coisas , o principal sobre a escola, e o tempo passou, de repente já era tarde, tive que ir. Ammie não pode vir hoje, ela estava ocupada com a mãe dela…
Na manhã seguinte eu estava saindo do meu quarto e vi ele saindo, chamei-o para subir no terraço. Conversamos e eu perguntei o nome dele, é estranho conversar com um menino que você nem mesmo sabe o nome. Era Kaio, com “K” mesmo, acabei por perguntar por que ele não tirava o boné, ele disse que não queria falar sobre isso e foi embora, acho que ficou chateado, não vi motivos…
A semana foi acabando e recebi a informação de que eu estava mais fraca, mais uma semana, mamãe disse que até mesmo um mês, fiquei brava, mas ignorei em minutos.
Até que um mês não demorou muito, recebi a informação que meu vizinho de quarto estava muito muito muito fraco, pedi a mamãe que comprasse flores, fui visita- lo, quando cheguei no quarto, uma surpresa, surpresa ruim, era o Kaio, eu corri para perto dele, nem me importei em dar as flores, joguei elas no chão, então tirei o boné dele e disse: “por que não me contou?” ele disse: “tive medo da sua reação” falei que não precisava dessa preocupação, pois eu também passava pelo mesmo problema que ele. Então ele pediu que me aproximasse e disse com uma forte fraqueza na voz: “o importante é que você sabe dessas duas coisas agora.” Eu estranhei e disse: “duas coisas?” ele falou: “ que eu sofro de leucemia e que eu te amo.”
Então foi dessa forma traumatizante que Kaio se despediu de mim, eu apenas o abracei com aquela dor no coração e repeti muitas vezes: “eu também te amo Kaio, te amo para sempre”
E foi assim a despedida do amor da minha vida, minha alma gêmea…
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