Nunca digas adeus
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O público delirava conforme a equipa dos Shinobis avançavam para a baliza adversária mantendo a bola na sua posse.
À frente de todos seguia o jogador com o nome de “Hatake” na camisola.
–
A música ouvia-se por toda a casa. Mas uma mulher de longos cabelos rosados, olhos verdes e um longo vestido branco parecia incomodada com tudo aquilo.
Aproximou-se de um espelho embaciado e, com um lenço, começou a limpá-lo.
–
Os saltos altos brancos faziam um som ensurdecedor no chão de madeira enquanto a mulher de longos cabelos loiros seguia em frente de cabeça erguida e com uma pasta debaixo do braço.
Estava na editora da revista DIVA.
–
Por toda a casa se viam pessoas caídas no chão, adormecidas. O cheiro a alcóol era intenso.
Num dos sofás um homem ruivo dormia com um cachecol de plumas em cima de si quando o telemóvel tocou.
_Estou?
_Bom dia senhor. É só para o avisar que a limusine para o casamento já chegou.
_Qual casamento? – perguntou o homem, ainda adormecido.
_O seu, senhora – respondeu o homem do outro lado da linha.
Quase automáticamente o homem levantou-se.
_A Sakura vai matar-me.
–
A rosada acabava de limpar o espelho outrora empaciado quando alguém a chamou do outro lado da porta.
_Sakura? O noivo está quase a chegar. Estás pronta?
Sakura virou-se para a porta que dava acesso ao jardim e saiu, deixando a pessoa do outro lado da outra porta sem resposta.
–
A loira estava sentada à frente de um homem alto e moreno.
_Sou casada à cinco anos, tenho um filho, mas não tenho problemas com os horários pois a minha sogra não se importa de cuidar dele enquanto trabalho.
_Esta editora precisa de muito tempo.
_Não – disse a loira – esta editora precisa de mim – sorriu confiante.
–
_Hatake Kakashi foi derrubado. Isto dará origem a penalti, não é? – perguntava o comentador do jogo de futebol.
E foi o que se sucedeu, Kakashi preparou-se para o penalti. Respirou fundo, correu e chutou.
_E é golo dos Shinobis. Os Shinobis estão a 3 golos aos 89 minutos. Os minutos finais serão decisivos – continuava o comentador.
–
O ruivo bateu à porta de um quarto de hotel, estava apressado. Já deveria estar a caminho de casa onde a noiva o esperava para o casamento.
Uma mulher em trajes menores abriu-lhe a porta e ele ficou a olhar para ela.
_Quem és tu? – perguntou.
_Sou quem tu quiseres que seja bonitão – disse ela, com voz sedutora.
Mas o ruivo abanou a cabeça e entrou no quarto, encontrando um homem alto e de longos cabelos brancos de costas para si, com um comando na mão para abrir as cortinas do quarto.
_Dude, o que é isto? – perguntou o ruivo.
_Relaxa Gaara, só estava...amarrado – disse o homem mostrando as algemas de pelo num dos pulsos.
_Pai, estamos atrasados para o casamento. A Sakura vai me matar se não aparecer lá o mais depressa possível – dizia Gaara, desesperado.
–
_Consegui o trabalho – gritava a loira no meio da rua com o telemovel no ouvido.
Do outro lado da linha ouvia-se muito barulho.
_Kakashi? – gritou ela.
_Estou aqui Ino. Conseguiste? Que bom – disse ele, respirando ofegante.
_Que barulhão é esse aí? – perguntou ela.
_Este barulho? Ah, não é nada de mais, foi só um pequeno grande jogo que ganhamos – disse Kakashi como se não fosse nada.
_Esqueci-me completamente Kakashi. Desculpa. Como correu?
_O costume – disse simplesmente.
_Temos de celebrar estas duas vitórias – disse a loira.
_Claro, e celebramos também o meu contrato de 5 milhões de euros.
_5 milhões de euros? Que bom Kakashi. Estou tão feliz por ti. Estás a conquistar o teu sonho.
_O nosso sonho, Ino – corrigiu ele.
_Claro. Bom, eu vou buscar o Naruto à escola. Passa no casamento e vai buscar a tua mãe. Ah, e já agora, feliz aniversário – disse e desligou.
Kakashi ficou uns segundos a olhar para o telemóvel até perceber ao que a mulher se referia. Esquecera-se completamente.
–
Numa limusine branca seguia Gaara e o pai, Jiraiya. Estavam a dirigir-se para a casa onde Sakura os esperava para o casamento.
_Nem acredito que o meu filho se vai casar – gritava Jiraiya, com o corpo quase fora do tejadilho da limusine.
Mas Gaara nada disse, o que fez o pai voltar para dentro da limusine e olhar para o filho.
_O que se passa, dude?
_Esperei três anos até a Sakura aceitar casar comigo. Tenho medo que ela mude de ideias – confessou ele.
_Ela não vai fazer isso.
_Eu sei, ela nunca ia encontrar um homem como eu.
_Não é isso filho, temos é uma segurança muito apertada – respondeu o homem fazendo Gaara olhar para ele.
–
Dentro da grande casa branca, agora decorada com flores, estavam perto de uns 200 convidados, a esperar a chegada do noivo, visto que a noiva já estava lá em casa, embora no piso de cima.
Das escadas desceu uma mulher loira com o cabelo preto em dois, ficando sobre os ombros. Era ela quem estava a manter as coisas organizadas, só faltava a noiva aparecer, pois tinha desaparecido do quarto e ninguém sabia dela.
Estava tão fixa nas flores do centro de mesa da entrada que não percebeu quando o dono da casa apareceu.
_Flores bonitas – disse o homem.
_Ah, Sabaku no Jiraiya, o dono da casa – disse a mulher.
_Tu deves ser Hatake Tsunade, a mulher responsável por manter tudo organizado até ao início da cerimónia. Bem, vou buscar uma bebida, já volto – disse e saiu, mas Tsunade seguiu-o com os olhos.
_Que se passa? – disse Kakashi aparecendo de repente à frente da mulher.
_Nada, nada.
_Estás pronta para ir? – perguntou ele.
_Não. Não sei o que se passa com a noiva, porque ela ainda não apareceu e até lá não posso sair daqui. Mas vai andando para casa, eu vou lá ter – disse ela.
_Ok então, até logo – disse Kakashi e foi embora.
–
Kakashi tinha uma pastilha na boca, mas estava sem sabor, e ele preparava-se para a atirar para o chão quando ouviu uma voz feminina ao seu lado.
_Desculpe, desculpe, acabei de limpar o jardim.
Quando Kakashi se virou, viu que a mulher trajava um longo e belo vestido branco, enquanto que os seus olhos verdes eram contornados por uma maquilhagem clara mas suave e os cabelos rosados estavam presos com alguns enfeites em flores.
_Não pareces ter cara de jardineira – comentou ele.
_Então o que parece?
_Que roubaste as roupas da noiva e por isso ela ainda não apareceu para se casar – Sakura sorriu com a ideia.
Kakashi sentou-se no banco onde a rosada estava, fazendo-a afastar-se um pouco dele.
_És um homem estranho. Porque te sentaste?
_Porquê? Preferes que me deite e conversar? – fez menção de se deitar e a rosada afastou-se mais.
_Qual é o teu problema? – perguntou ela.
_Meu? Eu não tenho problema nenhum, tu que pareces ter um problema. Afinal, estão todos lá dentro a tua espera para te casares. Por causa de estares aqui a minha mãe não pode ir para casa comigo.
Sakura olhou para o ruivo. Era um estranho, mas a companhia não era tão má.
_O teu problema está na tua cabeça – disse ele fazendo o gesto com a mão esquerda.
_És casado? – perguntou ela, vendo a aliança.
_Einstein – comentou sorrindo – faz cinco anos hoje.
_O que pensaste antes de casar?
_Mas quem é que pensa antes de casar? – disse ele, e riu, sendo acompanhado pela rosada.
_Ela é tua amiga ou é o teu amor? – perguntou a rosada.
_Ino e eu somos amigos desde o secundário. Até que um dia decidimos dar um novo significado à nossa amizade.
_Às vezes a amizade ocupa todo o espaço e não deixa espaço para o amor. Eu e o Gaara somos amigos de infância, pois quando os meus pais morreram, ele e o pai cuidaram de mim.
_E ele? É teu amigo ou teu amor?
Mas Sakura não tinha uma resposta para essa pergunta, e era por isso que não sabia se casava.
_Não podes demorar tanto para responder – disse Kakashi junto ao ouvido, fazendo arrepiar-se, mas sorriu como se nºao tivesse acontecido nada.
_Não sei. Tenho medo de casar e não o conseguir amar.
_Se não tentares nunca saberás.
_E se eu encontrar a minha alma gémea depois do casamento? O que faço?
_O que o teu coração te diz agora? – perguntou Kakashi.
_Está confuso.
_Então eu digo-te o que vais fazer agora. Vais por um sorriso no rosto, levantar-te, casar e ser feliz – disse, levantando-se. – Foi um prazer conhecer-te, menina...
_Sakura – respondeu a rosada, levantando-se.
_Kakashi...Hatake Kakashi. Mau nome. Mas vai. Vai lá para dentro, casa e sê feliz.
_Foi bom falar contigo – confessou a rosada.
_Digo o mesmo. Adeus, sayonara, alvida.. – disse e fez menção de se virar.
_Alvida não, mata a esperança de nos voltarmos a encontra. E quem sabe? Podemos voltar a nos ver daqui a uns tempos.
Kakashi sorriu e fazendo adeus com a mão virou-se para ir embora, e Sakura voltou-se para entrar em casa. Mas ao fim de alguns passos Kakashi voltou se para observar a rosada, e depois foi a vez dela. Mas seguiram sempre o caminho.
–
Quando Sakura entrou em casa, Jiraiya já a esperava e abraçou-a, seguindo em direção ao jardim da frente, onde estava tudo pronto para o casamento.
–
Kakashi, sorridente e a cantarolar, seguia o caminho para casa, mas as vezes voltava-se para trás.
–
Sakura foi levada por Jiraiya até Gaara e o mestre de cerimónia iniciou o casamento.
–
Kakashi saiu dos portões da casa e preparava-se para atirar a pastilha para o chão quando se lembrou da fala de Sakura. Sorriu e quando se voltou para a casa, e se preparou para atirar a pastilha para o chão, um carro atingiu-o.
Caiu no chão, desmaiado e muito sangue escorria de uma ferida que ele tinha no joelho direito.
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