Nunca Me Deixe Ir
1 Champion de Los Angeles
Notas iniciais
Abby Jackson — Casa dos Jackson, 04/09 às 08:30.
Eu me acordei logo cedo, acho que era umas 6 horas quando despertei com os latidos dos cachorros e a briga dos meus vizinhos. O casal Riley não são muito adoráveis e muito menos sociáveis. Mas permaneci na cama, com os olhos fechados, sentindo o sol que saía e vinha em direção ao meu rosto pálido pela janela que estava aberta. "Droga Abby, por que não fechou as cortinas ontem a noite?" Me indaguei por várias vezes a mesma coisa. Abro os olhos lentamente e viro a cabeça em direção ao relógio em cima da cômoda, era exatamente 08:30 da manhã e eu só tinha exatamente 20 minutos para me arrumar e descer. Hoje era domingo, amanhã começaria as aulas na Universidade Champion de Los Angeles, uma das melhores de todo o mundo. Lá era o lar dos Spartanos de South Street, os melhores jogadores de futebol americano. Embora eu odiasse o esporte, eu era a antiga jornalista no meu colégio e ironicamente dos esportes. Me ergui lentamente e caminhei até o banheiro, me despi e tomei um longo banho, era quase como se eu estivesse me despedindo do meu banheiro. Na universidade, eu teria de dividir o banheiro com 2 ou 3 garotas, ótimo não? Argh. Depois de um banho de exatamente 15 minutos, sai do box e me enxuguei, as malas já estavam prontas desde quinta-feira. Minha mãe, Charlotte, amava a ideia da filhinha dela ter conseguido uma bolsa na melhor universidade do mundo. Era como se ela quisesse me expulsar, vivia repetindo "AI MEU DEUS ABBY, ESPERO QUE DOMINGO CHEGUE LOGO". Sim, repetia aos gritos, com super entusiasmo. Mas era só pros vizinhos escutarem. Visto uma calça jeans, tênis allstar e suéter roxo, os cabelos soltos, passo um pouco de perfume e olho em volta. Meu quarto. Eu viria passar aqui os feriados, espero que o próximo feriado chegue logo. Saio do quarto e desço as escadas indo em direção a cozinha, mamãe estava na frente do fogão fazendo... Panquecas, meu prato preferido. Meu pai sentado lendo o jornal e bebendo seu café super reforçado.
– Bom dia. — Disse enquanto me sentei.
– Olá meu amor! ENTUSIASMADA COM A FACULDADE? — Mamãe disse, aos gritos e eu ri.
– SIM, BASTANTE MAMÃE. CHAMPION DE LOS ANGELES É A MELHOR. — Tentei segui-la no plano de fazer inveja aos vizinhos e nós duas rimos.
Ela colocou as panquecas em um prato e colocou o prato sobre a mesa, eu comi como se fosse meu último prato de panquecas. Devorei umas 3 ou 4, não sei ao certo. Quando deu 09:00 eu, mamãe e papai entramos no carro, uma picape velha de cor vermelha, mas servia muito. Nós fomos o caminho inteiro conversando sobre a universidade, mamãe dando recomendações para que eu fosse uma garota popular lá. Mas oras, eu serei uma bolsista qualquer, quem quer ser amiga de uma bolsista do subúrbio de Los Angeles? Ai mamãe, você é tão ingênua. Papai falou sobre drogas e bebidas, ele me proibiu sobre isso e claro, eu iria obedecer. Chegamos na universidade por volta das 10 da manhã, eu desci logo depois do papai e mamãe. Eles pegaram minhas malas e colocaram do meu lado, me abraçaram e se despediram: "Tchau amorzinho, amo você e se cuida tá?" mamãe disse, "Nada de drogas ou bebidas mocinha, está proibida. Eu amo você, amor", meu pai disse e ambos me abraçaram. Um abraço coletivo. Depois que eles saíram, eu arrastei minha mala de rodinhas e coloquei a mochila nas minhas costas, caminhei pelo campus. Estava tão cheio. Tentei não tropeçar e não esbarrar em ninguém, eu só queria passar despercebida e consegui. Meu quarto era o 43, o círculo de dormitórios era aleatório. Quartos de meninos e meninas eram todos em uma ala só, porém menina dormia com menina obviamente. A universidade, o campus, era ENORME. Quer dizer, enorme mesmo. Havia 5 prédios, além dos dormitórios, pátio, ginásio e refeitório. A porta do meu quarto estava entre-aberta, com certeza minha ou minhas colegas de quarto estavam lá, empurrei lentamente e vi uma garota de costas nas pontas dos pés empilhando livros em uma estante. Ela tinha cabelos castanhos claros, ondulados, vestia um short, uma regata branca e sandálias, foi ali que pensei: "Por quê vim de suéter?", estava fazendo sol caramba.
– Licença... — Falei baixinho e ela se virou pra mim. Uau, ela era linda! Tinha olhos castanhos claros, um sorriso branquinho e largo.
– Deve ser minha colega de quarto... Oi, sou Kate.
Ela tinha um sotaque delicioso, eu amava sotaques. Sorri para ela e adentrei, empurrando a porta com o pé e indo até a cama vazia. Graças aos deuses, apenas duas camas. E graças aos deuses, cada uma teria sua cômoda, sua estante, seu armário, mas apenas um banheiro. Comecei a arrumar minhas coisas, meus livros e roupas. Deixando tudo organizado, me sentei sobre a cama e acabei adormecendo.
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