Notas iniciais
Pessoas! Muito obrigada a quem está acompanhando a fic. É com muito amor que vos trago mais um capítulo (o maior de todos, mas não dava pra dividir).
Quero agradecer especialmente à Lemony, que fez uma revew maravilhosa no capítulo anterior.

Ouviu-se uma badalada baixa vinda do Relógio de Fogo. A voz do mestre ecoou pelo Santuário:

“Cavaleiros de Ouro, conto com os senhores para a batalha que está por vir! Ordeno que se posicionem em suas Casas! Traição considerada àqueles que não o fizerem nos próximos dez minutos!”

- Maldição. – praguejei – Ele sabe que não estou na minha Casa.

- Não é só você. – disse ele, se levantando e me estendendo a mão.

Segurei sua mão e me levantei.

- Não, é? – perguntei, e deu um sorriso de canto.

- Mascara da Morte passou por aqui logo antes de você chegar. – disse ele, abrindo uma porta pequena de um armário embutido – Acho que foi ver Afrodite.

Meu sorriso aumentou ainda mais e ri alto.

- Ahhhhh! Sabia! Esses dois nunca me enganaram. – falei rindo. MdM deve ter passado pela minha Casa quando eu tava dormindo.

Ele também riu e me passou uma toalha. Fui me enxugando e andando até o quarto. Um vento gelado bateu nas minhas costas e me arrepiei todo.

- Brrrrrrrrr... – bati os dentes.

- Toma aqui a sua calça. – disse ele vindo atrás de mim com minha calça branca na mão.

Peguei e me espantei: tava... SECA?! E muito gelada.

- Como assim?! – falei, a olhando e tocando sem acreditar – Tava encharcada agora pouco...

Ele me olhou e sorriu, já seco e sem ter se enxugado.

- Eu que molhei, eu dou um jeito. – piscou um olho — Não é difícil transformar toda a água que estava nela em vapor frio. É bom que economizo nas toalhas.

- Mas que coisa... – disse eu, sorrindo e pondo a calça. Gelada pra ca#$%& — Aaaaaaahhhhhhtchim! – dei um espirro forte.

- Saúde.

- E se eu ficar gripado? – falei, dengoso.

- Eu cuido. – disse ele, e me deu um beijo.

Ouvimos passos vindos do saguão principal da Casa.

- Ô Camus! – berrou uma voz familiar – Sou eu, hien?! Tô passando, picolé!

Rimos ao nos tocar que eu só tinha uns poucos minutos para estar na Casa de Escorpião. Corremos até a sala de sala de jantar e vestimos nossas armaduras.

- Será que ele vai perceber? – perguntei baixinho – Quer que eu fique aqui e vá depois?

Ele me encarou com um olhar de cumplicidade e amor.

- Milo, sinceramente, não vejo nenhum mal do meu “amigo”, que não me vê há seis anos ter vindo me visitar e conversar.

- Amigo, é? – disse eu, me aproximando dele e encostando-o na parede – Conversar? – meus olhos brilhando de desejo. O queria de novo, mais, mais...

- Ca#@%&*, La frutta* de morango, tu tá me fu$#@&%! – berrou a voz novamente – Vai dar ruim pra mim, po$#@! Libera aê! Tenho que descer uma porrada de lances!

Não consegui segurar o riso. Por mais que eu o ame, nunca vou deixar de rir e zoá-lo com esses apelidos infames. Esse era novo: La frutta de morango era fo#$! KKKKKKKKKKKKKK! Adoro quando ele faz essa cara de impaciente quando ouve uma dessas...

- Tisc... Continua numa educação... – disse ele, olhando ¬¬ pro lado, com aquela expressão de “tô nem ai” inconfundível que só ele sabe fazer – Vamos lá pra eu “liberar” a passagem dele. – disse, imitando MdM e me arrancando mais risadas.

- Hehehehehe! Tá. – fui andando atrás dele, tentando me conter.

Chegando ao saguão de entrada, lá estava Máscara da Morte com as mãos na cintura, pu#@ da vida. Quando nos viu, deu aquele sorriso sarcástico. Ia falar algo, mas Camus foi mais rápido:

- Pode passar, almoço de domingo.

Ah não... Essa foi do ca#@%&! Olhei pros dois: MdM — “What The Fuck?!**” Camus — “Fuck Ya!***”. Ri mais que nunca. Desfazendo seu sorriso, o Cavaleiro de Câncer fez um sinal de “Ok” com a mão e foi embora. Olhei Camus e o vi dando um sorriso sarcástico de vitória.

- Tão mau... – ri, e o abracei por trás, dando beijos em sua cabeça – Tenho que ir, meu la frutta.

Ele virou a cabeça e me olhou sorrindo de lado, tipo “você pode”. O beijei e me afastei logo antes que não aguentasse e voltasse a lamber, chupar e comer o “picolé” irresistível até ele derreter de novo (hum... Delícia...). Saí correndo na velocidade da luz como um doido até Capricórnio e desacelerei quando cheguei lá.

- Escorpião, isso são horas? – disse Shura brincando, vindo ao meu encontro – MdM quase passou por cima de mim. Hahahahaha!

- Caraca, Shura, tô fu&%$# parceiro! – falei desesperado e rindo ao mesmo tempo.

- Vai lá! – riu ele.

- Valeu! – falei já correndo. Pisei na minha Casa no momento em que as badaladas do Relógio de Fogo voltaram, indicando o prazo em que todos nós deveríamos estar em nossos postos. Fui para o meu quarto, tirei a armadura e me deitei. Estava sem sono, agitado e feliz. Eu e Camus estávamos juntos, por Atena! Rolei na cama até que o sono veio uma hora depois.

- Mestre, eu irei destruí-lo! – gritou uma voz masculina jovem e enraivecida – Não tinha o direito de tirá-la de mim!

- Eu tive que fazê-lo. Você é um Cavaleiro, deve se desapegar do passado para atingir seu poder máximo. Espero que me perdoe.

- Usarei tudo que me ensinou para mata-lo! EXECUÇÃO AURORA!

Meu corpo bateu fortemente no chão, enrolado na colcha. Meu coração estava acelerado, eu estava ofegante e arfava. Minha pele pingava suor frio e meus cabelos estavam encharcados. Que pesadelo foi esse? Ouvi vozes e imagens distorcidas e um clarão. Levei as mãos ao rosto e me apoiei meus cotovelos nas pernas. Alguém bateu à porta.

- Entra! – respondi.

Ela se abriu e Daros entrou, me encarando assustado.

- Mestre! – e foi ao meu encontro, preocupado – O senhor está bem? O que aconteceu?

Daros me conhecia desde bebê, e sei que gosta de mim como se eu fosse seu próprio filho. Eu precisava desabafar com alguém o horror que eu senti.

- Daros, tive um pesadelo terrível... – disse eu, sem tirar as mãos do rosto. A claridade que entrava pela janela me incomodava demais – Ouvi vozes de um garoto que jurava alguém de morte...

- O senhor tentou salvar quem estava em perigo no sonho, pelo jeito. – disse ele, com sua voz quase sempre calma.

- Como? – tirei a mão dos olhos e os abri devagar, mas não totalmente. Ele apontou para o teto: quinze buracos que o atravessavam totalmente e desenhavam a Constelação de Escorpião deixavam o quarto ainda mais iluminado.

Fiquei sem palavras e ainda mais desnorteado. Eu tinha lançado as quatorze Agulhas Escarlates e a Antares enquanto sonhava. Olhei para minha mão direita e lá estava ela, armada e pronta para outro ataque: minha unha escarlate. Eu estava assustado. Como eu podia atacar assim... Dormindo?

- Pelo menos, o senhor tem que considerar, ficou uma arte bem realista e tudo a ver com a decoração da Casa. – disse ele, tentando ser divertido.

- É... – disse eu, reticente. Eu estava num estado que eu não conseguia retraí-la, e aquilo me preocupava. Nunca me descontrolei a esse ponto... Não até passar a não ter controle do meu próprio corpo e cosmo.

- Procure se acalmar, mestre. – disse Daros, me dando uns tapas no ombro – Que mal lhe pergunte... Nunca vi o senhor agir dessa maneira. Esse alguém que seria morto... Quem era?

- Eu não... Me lembro. – disse eu, olhando para um ponto fixo no chão, ainda ouvindo as vozes.

- Devia ser alguém muito importante para o senhor – disse ele, virando-se para a porta – para que elevasse seu cosmo até o ponto de não destingir sonho de realidade para salvá-lo. Vou preparar o desjejum.

- Tudo bem... – respondi, sem me importar. As vozes distorcidas se repetiam na minha mente. Me levantei e fui direto pro chuveiro para tirar aquele suor do corpo e tentar me acalmar. Saí, me enxuguei e vesti a armadura.

“Os traidores estão no Santuário! Cavaleiros de Ouro, defendam com suas vidas a terra sagrada de Atena, nossa Deusa! O Relógio de Fogo foi aceso!”

Era a voz do mestre. Então, eles já chegaram. Bem, só me restava esperar até que Mu acabasse com eles na Casa de Áries.

- Senhor, está servido. – disse Daros da sala de jantar.

Eu não estava com a mínima fome, o que era estranho, já que eu não me lembrava de nenhuma vez ter recusado comida. Aquele pesadelo realmente me deixou perturbado. Mesmo assim, fui até a mesa e me sentei. Até o cheiro do chá que Daros servia me enjoava.

- Mestre, o senhor se sente mal? – perguntou ele.

- Estou. Acho que vou me deitar mais um pouco, Daros. – disse eu, me segurando para não vomitar. Me levantei – Não consigo comer nem beber nada.

Voltei ao meu quarto e me joguei na cama, encolhido. Comecei a rezar... Era a única coisa que me ajudaria naquele momento.

- Eu tinha que fazê-lo. Espero que perdoe.

A voz ecoava... Estava muito distorcida. Eu não conseguia reconhece-la. Agarrei um travesseiro e continuei minhas preces para a Deusa. Não sei como, mas acabei adormecendo.

-------- Duas horas depois--------

Me levantei com falta de ar. Corri até o banheiro e vomitei muito. Meu estômago doía, como se eu tivesse lavado milhões de socos ali. Fui até a pia, escovei meus dentes e lavei o rosto. Minha imagem no espelho ficou turva...

-Mestre, eu irei destruí-lo! Morra! EXECUÇÃO AURORA!

- Nããão! – gritei muito alto – Nãão! – caí de joelhos, segurei e sacodi minha cabeça. Execução... Aurora? Mestre?

- Mestre, por Atena! – Daros chegou e me levantou – Venha, deite-se.

- Eu... Minha cabeça dói muito... Daros, eu preciso...

- Fale, meu mestre! – falou e me deitou na cama.

-... Ver o Camus...

- O Cavaleiro de Aquário? Mas, mestre... Acredito que ele não possa sair de sua Casa durante a batalha. – disse ele, preocupado.

- Não, Daros! Eu quero ele! Por favor...

- Mestre, se acalme... Por Atena. – sua voz trêmula.

- Camus! CAMUS! – gritei o mais alto que pude.

- Atena do Olimpo! – desesperou-se Daros, e saiu correndo do quarto.

Apertei meus olhos e me encolhi fortemente.

Meu corpo estremeceu quando senti um toque no rosto que não podia ser de mais ninguém, só dele... Estendi meus braços e fui envolvido por ele num abraço. Ofeguei, aliviado...

- Você veio... – suspirei, o abraçando mais forte.

- Claro que eu vim. – disse ele, carinhoso, acariciando minha nuca – O que te aflige? – preocupou-se, sentindo o caos que reinava em meu cosmo.

- N-nada... – omiti, não querendo contar a ele, muito menos admitir que talvez fosse ele quem era morto no pesadelo. Senti um arrepio na espinha – Só queria você aqui comigo.

Ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado. Mas depois, voltou a sua expressão normal. Acho que não queria me pressionar. Ele sempre quer o meu bem... Começou a me fazer um cafuné gostoso, que foi me relaxando aos poucos. Olhei para ele e vi que olhava na direção da janela.

- O que está vendo? – perguntei, já desconfiando da resposta.

- O Relógio continua aceso. Eles devem estar na Casa de Gêmeos. – respondeu, fechando os olhos e suspirando.

Arregalei os olhos, espantado.

- Mas como? Eles passaram por Mu e Aldebaran?

- Sim, e Gêmeos não está vazia, por incrível que pareça. – disse ele – Há um cosmo poderoso emanando de lá.

- Mas isso é bem estranho. – disse eu, também sentindo o tal cosmo — Ela esteve vazia por treze anos.

- Talvez o Cavaleiro de Gêmeos tenha voltado. – opinou ele.

- É... Mas deixa pra lá. – falei – Contanto que ele os impeça de avançar mais.

Ele concordou com a cabeça e me deu um beijo. Continuou o carinho nos meus cabelos e uma massagem gostosa na minha nuca. Meus olhos foram ficando pesados e meu corpo, leve. Relaxei tanto que voltei a dormir. Esse sono foi bom, pesado, sem pesadelos...

-------- Uma hora depois --------

Abri os olhos devagar e senti um vazio enorme. Camus não estava mais ao meu lado. Se foi enquanto eu dormia. Deve ter sentido que eu estava bem e voltado para a Casa de Aquário. Tudo bem, meu amor, eu te entendo. Ele já se encontrava sob observação do mestre por causa da traição de seu discípulo. Realmente não poderia permanecer muito tempo fora de seu posto. Saiu de lá se arriscando porque eu o chamava.

Senti meu estômago roncar. Fui até a sala de jantar e comi, realmente me sentindo melhor. Depois, fui para uma das salas e me sentei num sofá. Olhei pela janela e de novo me surpreendi: o Relógio ainda estava aceso! Eles passaram por Gêmeos. Não era possível. Como uns Cavaleiros de Bronze haviam derrotado Mu, Deba e o aleatório de Gêmeos?

Ouvi passos no saguão de entrada e senti um cosmo inconfundível que me fez sorrir, apesar de me preocupar de ele ter voltado e me perguntar o porquê de entrar por ali. Fui até lá num pulo e o abracei.

Mas... Seu cosmo emanava uma tristeza profunda... Ainda maior do que a de ontem, quando acreditei que tinha esvaído quase todos os sentimentos ruins que tinha guardados. Seus olhos estavam marcados, como se tivesse... Chorado?

- O que aconteceu? – perguntei, muito preocupado. Ele estava muito estranho – Por que você veio pela entrada? Não estava na sua Casa?

Ele não respondeu. Só abaixou a cabeça, sem querer me encarar.

Coloquei as mãos em seus ombros e me abaixei para encontrar seus olhos. Estavam distantes, frios, sem vida, inexpressivos...

- Por Atena, Camus! – falei, perdendo a calma e o sacudindo pelos ombros – Me fala! Me diga o que houve e aonde você foi!

Ele falou, parecendo sentir mais dor a cada palavra:

- Eu estava na Casa de Libra... Senti o cosmo de Hyoga se aproximar de lá... Havia sido vítima do Cavaleiro de Gêmeos, que o lançou em OUTRA DIMENSÃO... Desci rapidamente e o resgatei... Decidi que era a hora de testá-lo... Se era um Cavaleiro de verdade... – ele levou uma mão à cabeça e tirou seu elmo, andou até uma pilastra e se sentou no chão encostado nela.

Droga! Tinha que ser esse desgraçado do Hyoga... Me ajoelhei a sua frente e me apoiei em seus joelhos.

- Ele dizia não poder lutar contra mim por eu ser seu mestre... O ataquei, repeli e devolvi seus golpes, deixei-o sem esperanças de me derrotar, o humilhei... – ele deitou a cabeça num braço – Nada disso foi suficiente para que ele tivesse ódio o bastante para me enfrentar... Então eu tomei a decisão de fazer o que deveria ter feito desde que iniciou seu treinamento...

- Olha pra mim. – disse eu, levantando seu queixo com a mão. Eu queria, de alguma forma, ver seus olhos, os espelhos de sua alma tão mais expressivos que palavras. Mas... Eu esperava que fossem aqueles mesmos de ontem e das vezes que ele partiu, os que me abalavam tão fortemente.

Não. Esses eram ainda piores... Haviam perdido sua cor azul escura e estavam acinzentados, nublados, secos...

- Localizei o navio de sua mãe afundado no mar da Sibéria... O fiz ver tudo... Enviei o navio para as profundezas do abismo com meu cosmo... Era a minha única alternativa... Mas... Ele só sabia chorar e se lamentar! – ele apertou as mãos de raiva, decepcionado – Não conseguia sequer ficar de pé! Vê-lo daquele jeito, sem a menor capacidade de controlar suas emoções e lutar... Doeu demais! Eu fiz tudo que podia para que ele alcançasse seu Sétimo Sentido e pudesse lutar dignamente contra os Cavaleiros de Ouro... – voltou a olhar para baixo — Eu sou seu mestre, só queria protege-lo... Impedir que fosse derrotado vergonhosamente!

Então era isso que ele quis dizer ontem quando me revelou que não tinha tentado de tudo... Fiquei estático, tentando entender o que ele sentia. Ele estava muito triste e decepcionado. Sentia-se culpado pelo fracasso de seu discípulo. Afinal, ele tinha se dedicado ao máximo para torna-lo um Santo de Atena, tenho toda a certeza disso. Eu tinha dificuldade para me colocar em seu lugar, já que eu não tive pupilos, muito menos passei pelo que ele passou... Mas eu consegui, pela ligação inexplicável que temos, entender seus sentimentos.

- E-eu... O atingi com a EXECUÇÃO AURORA... Ele mais uma vez ficou imóvel, apesar de ainda estar vivo... Não tive coragem de mata-lo... Apesar de ter me decepcionado, ainda não desisti de acreditar que Hyoga possa se reerguer... Então, o sepultei com o ESQUIFE DE GELO na Casa de Libra.

Eu o abracei e repousei sua cabeça em meu peito. Eu não podia acabar com seu sofrimento... Queria mais que tudo que isso estivesse ao meu alcance... Mas eu estava ali, ao seu lado e o amo mais que tudo. Ainda sou, acima de tudo, seu melhor amigo.

- Camus, eu imagino como se sente. – disse eu, trazendo-o para mais perto de mim – Decepção, tristeza, culpa... Seu cosmo está carregado desses sentimentos. Mas há uma coisa que eu devo te dizer: – ele levantou a cabeça e me encarou com aqueles olhos. Me segurei para não deixar nenhuma lágrima cair. Tinha que dar força a ele – Apesar de sermos Cavaleiros de Atena, nunca deixamos de ser humanos, mortais e imperfeitos.

Eu acariciei seus cabelos sem deixar de encará-lo, buscando as palavras (não sou muito bom nisso, mas por ele, eu faço tudo.).

- Sei que você fez o que achou que era melhor para o Hyoga. Mas entenda que por mais que você interfira e faça o seu melhor... Se ele não correspondeu à altura, não é sua culpa. – tenho certeza de ter visto um leve brilho em seus olhos – Ele ainda não está pronto para se desapegar de suas lembranças e sentimentos e assim, atingir seu cosmo máximo.

Ele fechou os olhos e suspirou.

- Mas... Sabe, eu sou orgulhoso de você... – não deu mais, uma lágrima rolou – Você passou por tantas situações difíceis sozinho, já era mestre aos doze anos, criou esses moleques como se fossem seus irmãos mais novos ou até seus filhos... E agora, mesmo sabendo que o Cavaleiro de Cisne, seu discípulo, é um traidor e te faz passar por um terrível constrangimento, você ainda o resgatou de um ataque fatal e tentou ajuda-lo a alcançar o Sétimo Sentido e protege-lo... Mesmo ele te decepcionando e sendo um fraco, você não o matou... Deu-lhe mais uma chance... No seu lugar, eu já o teria mandado para o Inferno. – o abracei mais forte e disse baixinho – Te admiro muito. Você é incrível, Camus de Aquário.

Ele me encarou. Seus olhos tinham voltado ao normal e brilhavam intensamente. Sorri feliz por sentir seu cosmo mais leve, pensando se eu o tinha feito bem. Ele segurou minha mão.

- Depois que eu fui embora aos sete anos e deixado a mercê da sorte na Sibéria, chorei uma vez, pedindo à Atena que aliviasse a minha dor. Quando as lágrimas surgiram, o vento congelante as transformou em gelo, que feriu gravemente meus olhos. O sangue veio e também foi congelado. – disse ele, acariciando minha mão – Desesperado e sem enxergar, eu caí em um despenhadeiro e tive meu corpo todo perfurado por estalagmites. Mais sangue congelou, juntamente com as feridas. A dor era imensa...

Eu escutava atentamente. Nunca imaginei que ele tinha sido largado sozinho naquele lugar. Por Atena, uma criança... Será que o Mestre não soube disso?!

-... Mas ela se transformou em ódio à medida em que eu me aproximava da morte. Eu não tive escolha a não ser aceitar meu destino e me tornar um com todo aquele gelo que iria me tirar a vida. Concentrei meu cosmo e o fiz se quebrar. – eu acariciei seu rosto – A partir daquele momento, minhas emoções foram congeladas, uma a uma. Alguns dizem que o Mago da Água e do Gelo não tem sentimentos, não?

Sorri e concordei, acariciando seus cabelos. Isso era verdade. Hehehe...

- Mas uma delas nunca foi atingida. – disse ele. Pegou minha mão e a repousou sobre seu peito. Eu podia sentir as batidas, mesmo com a armadura ali – Esse coração frio – ele alcançava diretamente a minha alma com o olhar – sempre foi aquecido pelo amor eterno que eu sinto por você, Milo. – meus olhos se encheram de lágrimas – Ele manteve a minha humanidade quando eu estava prestes a perdê-la.

Eu estava hipnotizado... Meu coração batia forte e acelerado, em sincronia com o dele... Fechei meus. O tempo parecia ter parado... De repente, o som das batidas dele ficou tão claro, como um sussurro...

......Tum-tum...Tum...........Mi...lo...Mi...lo...Mi...lo...........Tum-tum...Tum......

Ofeguei e voltei a encará-lo, em transe. Me encaixei em seu colo e o beijei, já sôfrego de desejo por ele. Sentia a pele de suas costas em minhas mãos... O calor tomou meu corpo... Ele me dominou daquele jeito, me segurando pela cintura... Beijei e mordi seu pescoço, lhe arrancando suspiros... Seu membro rígido batia e roçava na minha bunda... Meu corpo se arqueava, implorando por seus toques, seu carinho, seu amor... Eu queria, de alguma maneira, também ser só dele.

- Me faça seu... – ofeguei.

Ele me olhou, sua respiração acelerada, seu rosto corado, hesitante.

- Milo, eu faço tudo que você quiser... Mas te causar dor não...

- Mas... Você quer dizer que... Ontem...

- Não pense assim.

Ele acariciou o meu rosto. Como eu sou egoísta... Um animal! Nem tive cuidado com ele na noite de ontem. E era sua primeira vez...

- M-me desculpe, meu amor... – pedi, olhando no fundo de seus olhos.

Ele beijou meu pescoço deliciosamente. Meu membro respondia pulsando e ficando molhado... Agarrei o dele com força por cima da calça, deslizei a mão para dentro e comecei a acaricia-lo...

- Isso... Me faz gozar... – gemeu ele.

Mas meu desejo de tê-lo dentro de mim só aumentava... Eu queria senti-lo... Que me possuísse... Ser só dele... Como ele era só meu.

- Não desse jeito... – ofeguei, rasgando e arrancando minha calça.

- Não... Faz isso...

- Sei que não vai me machucar como eu fiz contigo... – sussurrei – Eu não te mereço...

Voltei a masturba-lo, arrancando seus gemidos que só aumentavam meu tesão... Ele me empurrou para o chão e abocanhou meu membro. Aquela boca quente, língua gostosa, sugando com vontade...

- Ahhhhh... – gemi.

Ele continuava chupando deliciosamente... Eu não ia aguentar...

- Para...

Ele parou, me olhando com uma cara de “fiz algo errado?”. Eu o encarei, meus olhos nublados de desejo... O empurrei de volta para a pilastra e agarrei seu membro molhado de tesão...

- Vai negar um pedido meu, Aquário? – disse eu, o encarando e voltando a sentar em seu colo.

- Isso não vale... – gemeu ele.

Fui até seu ouvido.

- Você está na minha Casa... – lambi sua nuca, fazendo-o se arrepiar – Lembre-se da minha autoridade, minha presa...

- Não, Milo... — desviou o olhar.

- Eu sei que quer... – mordi seu pescoço – Olha o que faz comigo... Você me deixa louco... Preciso de você...

O abracei, meu corpo suplicava por ele... Eu sentia seu membro ficar cada vez mais melado... Deslizava gostoso na minha mão... O meu pulsava, molhado, precisava de alívio... Ele voltou a me encarar, levou uma mão à boca e umedeceu os dedos. Foi até minhas nádegas, e acariciou minha entrada apertada. Aquilo era bom, gostoso, relaxei... Ele introduziu um dedo devagar. Incomodava, mas não senti dor. Ele colocou outro...

- Aaai – não contive um gemido de dor.

Ele os retirou devagar e fez um gesto negativo com a cabeça.

- Satisfeito?

- Nãããoooo – ofeguei.

Ele levou a mão ao meu membro e começou a me masturbar e me beijar. Eu arfava e gemia de tesão.

- Aaahhhnnn... Não! – gritei. Se ele continuasse, eu ia lambuzar sua mão no próximo segundo.

Ele parou e me olhou.

- Eu quero junto com você... – falei, ofegante – Por favor... – abri as pernas instintivamente e me inclinei para trás, o puxando para cima de mim.

Ele ofegou e não resistiu mais. Me beijou carinhosamente e se deitou seu corpo sobre o meu. Me acariciava todo, lambia meu pescoço e mamilos... Até que posicionou seu membro na minha entrada e começou a me penetrar... Gememos alto... Com todo o risco de algum dos criados nos ver ou escutar, não nos importávamos... A dor não era nada comparada ao meu desejo de senti-lo por completo... De ver sua expressão de perda total... Seu rosto corado... Seus cabelos grudados na pele pelo suor... De arrancar-lhe os mais deliciosos gemidos de prazer... Me entreguei por completo... Eu ofegava, virando os olhos...

- Ahhhh... AHHHHNN... Mais...

A dor não existia mais. Não... Só o prazer... Eu o abracei. Não podendo mais me conter... Meu corpo começou a ter espasmos... Ele estocava com força... Sua respiração se tornou mais rápida e curta... Eu gozei gostoso no momento em que o senti tremer e me preencher com seu sêmen quente...

Ele caiu sobre mim, buscando ar. Eu também me encontrava no mesmo estado. Nossos corpos relaxaram e ainda estavam unidos, trêmulos. O suor de nossas peles escorria e pingava no chão de pedra da Casa de Escorpião. Fiz carinho meu nariz em seu rosto. Ele se ergueu e me olhou.

- Por Atena... Você é lindo. — e encostou sua testa na minha.

Abri um sorriso, que foi retribuído por ele.

- Da onde você veio, hien? – falei, o olhando, apaixonado – É de verdade? – e o toquei, brincando. Mas, até hoje, tenho minhas dúvidas se ele não é um anjo caído...

Notas finais
* Linha de picolé de frutas da Nestlé.
** Meme WTF?? (Que po%$# é essa?)
*** Meme Fuck Ya! (Se fu#$%!)