Saí do chuveiro e voltei pro quarto, me enxugando enquanto me dirigia para a minha cama. Aquela sensação de bem estar e expectativa de quando se está apaixonado, amando profundamente e (sorri) sendo perfeitamente correspondido. Dei um suspiro feliz e me joguei de costas na cama. Fiquei ali, com os braços cruzados atrás da cabeça, olhando pro teto com cara de bobo um tempão. O sono foi batendo forte, então virei pro lado, puxei um travesseiro, me meti debaixo do cobertor e caí no sono.

Acordei com um susto! Estiquei minha mão e abri uma das gavetas do criado mudo, e tirei de lá um relógio de pulso que eu havia ganhado em algum aniversário, mas não usava. Oito horas e quinze minutos. “Atrasado!”. Dei um pulo da cama, jogando a coberta longe e corri em direção ao armário. Peguei uma cueca aleatória numa gaveta e vesti. Abri uma porta e puxei do cabide uma de minhas muitas calças brancas que usava com a armadura (queria é ir diferente, mas já que estava no Santuário, devia ficar com ela. Fazer o que?). Vesti a calça, penteei os cabelos com a mão (não lembrava onde estava o pente. O quarto estava bagunçado do pra ca$%#@!). Passei desodorante e vesti a armadura. Saí correndo em direção às escadas para a Casa de Sagitário.

Quando cheguei em Capricórnio, fui entrando na Casa e chamei por seu guardião:

- Shura! – gritei e ouvi o eco da minha voz retornar – Tô passando, hien?!

Uma porta que devia levar ao interior da Casa (a parte “morável” que todas elas têm) se abriu e um Cavaleiro de Capricórnio com cara de “acordei agora” saiu de lá.

- Fala, Milo... – disse ele esfregando os olhos.

- Caraca! Que sono é esse, jovem? – falei, zoando a cara dele – Foi mal ae...

- Tranquilo... Tava na hora de eu acordar mesmo. – disse ele, dando um bocejo – Vai lá no mestre?

Affff... Ele tinha que perguntar aonde eu ia? Lá vou eu fingir:

- Não. Vou ali bater um papo com o Camus. – Só que não. RISADA INTERNA quase incontrolável.

- Ah tá. – disse ele – Vai lá, então. Pode passar.

- Valeu, parceiro. – agradeci e apertei a mão dele – Tchau! – fui andando até a saída.

Chegando as escadas, voltei a correr. Eu tava atrasado pra ca$%@! Cheguei a Casa de Aquário e entrei correndo. Passei pelo saguão de entrada, procurando por Camus com os olhos e o cosmo. “Ele deve estar lá dentro.” Pensei, e fui até a porta de entrada do corredor que levava aos cômodos da Casa e a abri devagar. Entrei por ela e fui andando pelo corredor. Passei por um arco que levava à sala de jantar, onde havia uma mesa de cristal e ouro com seis lugares. Ao seu centro, um castiçal dourado com velas já acesas. Lembranças de nós dois comendo nela quando pequenos passaram rapidamente pela minha mente e me fizeram sorrir. Mas cadê ele agora?

- Camus! – chamei.

- Eu tô aqui na biblioteca! – respondeu ele de longe.

Só podia ser. Nerd eterno... ¬¬ Eu já sabia o caminho de cor. Como não pensei nisso? Quando eu ia procura-lo quando erámos crianças, se não o encontrava por acaso em outro lugar, eu já ia no depósito de livros e sabia que ele ia estar lá. Sempre o encontrava com um livro na cara.

A biblioteca da Casa de Aquário era a maior das Doze. Fui até lá e o vi sentado (quase deitado, inclinado para trás) em uma poltrona com os pés apoiados numa mesinha de centro. Suas pernas entrelaçadas relaxadamente. Suas mãos sustentavam um livro muito grande, que ele apoiava nas coxas. Consegui enxergar o título, mesmo que meio apagado, devido à idade daquele exemplar: “Божественная комедия”, Данте Алигьери*. Nossa... Estava escrito em russo. Não entendi nada, óbvio. Dei alguns passos em direção a ele, que tirou os olhos do livro e me fitou com um sorriso.

- Como sempre, aqui né? – disse eu, retribuindo o sorriso.

- Hum... – ele fez que sim com a cabeça, pôs um marcador na página do livro e o fechou – E olha que esse aqui nem é dessa biblioteca.

É... Deu pra perceber. Deve tê-lo trazido daquele lugar...¬¬

- Percebi. Tem uma lá também? Na Sibéria? – perguntei, me ajoelhando ao seu lado, pegando sua mão e dando um beijo.

- Tinha... – disse ele, retribuindo o carinho na mão.

- Como assim “tinha”? – perguntei de novo.

- Ela foi destruída em um incêndio. – respondeu ele, colocando o livrão sobre a mesa de centro, ao mesmo que tirava seus pés dela e os punha no chão – Mas deixa pra lá. Está com fome?

Percebi logo que ele não queria falar no assunto. As lembranças deviam doer agora, que descobriu que seu discípulo, o motivo de ter passado sua vida afastado na Sibéria, é um traidor do Santuário e de Atena. Desviei o olhar por um momento ao imaginar como devia ser difícil para ele... Devia estar sofrendo, mas sem demonstrar nada. Pelo contrário... Tem um poder tamanho que congela até seus sentimentos que considera imprestáveis ou inconvenientes.

- Ahh... – voltei a olhar para ele – Tô sim. – suspirei – Desculpe se eu me atrasei.

- Não tem problema. – disse ele, me dando um beijo na testa – Deixei no forno baixo para não esfriar enquanto você não chegava. – e se levantou da poltrona.

Perai... Deixou? Ele deixou no forno? Foi ele quem fez o jantar?! Cadê os criados dessa Casa?

- Você quem fez? – perguntei meio sem entender.

- Aham. – disse ele, e me olhou parecendo não entender o meu espanto – Por que a surpresa?

- É que isso é novo pra mim... – disse eu, gesticulando com as mãos.

- Ah sim. Você fala da falta de criados. – disse ele rindo – Vem. – fez um gesto para que eu o seguisse.

- Mas é sério... Onde eles estão? – questionei enquanto caminhávamos para a sala de jantar, ainda indignado.

- Milo, esta Casa não tem criados há treze anos. – disse ele – A última foi dona Tália. – entramos na sala de jantar – Sente-se se quiser. Vou lá buscar o jantar.

A dona Tália havia falecido logo depois que ele foi embora aos sete anos. Ela era mãe de Daros, o criado mais antigo da minha Casa, e o amor em pessoa. Nos adorava e mimava como se fossemos seus netos. Era doida por nós dois. “Esses meninos são minha paixão!” como ela dizia. Estava bem velha e doente, e quando ele partiu sem previsão de volta e eu ia logo depois, ela se foi.

- Mas isso é absurdo, Camus. – disse eu, revoltado – Como que a Casa de Aquário é mantida sem criados esse tempo todo? Sem ser mantida limpa? E quando você vem aqui, é obrigado a fazer tudo?

- Não é conveniente para o Santuário manter criados em uma Casa que está quase sempre sem a presença de seu guardião. Eles geram despesas consideradas desnecessárias pelo mestre. – respondeu ele calmamente, da cozinha – Afinal, desde que parti para a Sibéria, essa é a segunda vez que volto aqui.

- Humpf... – não aceitei aquela desconsideração. Dávamos nossas vidas ao Santuário e ele não podia sequer dar conforto aos Cavaleiros de Ouro que o protegiam. Despesas DESNECESSÁRIAS?? Ah não... – Mas que droga... Quer dizer que você, além de parar seus afazeres para o SANTUÁRIO e vir da pu%$ que pariu proteger, lutar e arriscar sua vida pelo SANTUÁRIO, também tem que limpar a sua Casa e cozinhar?! Blá Blá Blá Blá (#revoltado ¬¬)...

Ele me calou com um beijo gostoso e que durou bastante. Fui aos Elíseos e voltei (ai, ai...). Antes de me beijar, ele já tinha voltado com a travessa na mão e a posto sobre a mesa. O cheiro era muito bom. Nem tinha visto. Tava concentrado no meu discurso (Hehehehe!). Quando olhei bem para o que tinha na travessa, não acreditei. Era mussaca**! Meu prato preferido, que dona Tália fazia tão bom... Ele não esqueceu o que eu mais gostava de comer.

- Mussaca... – disse eu, olhando para a travessa.

- Sim. – disse ele, me olhando carinhoso – Antes de eu ir embora, eu pedi à dona Tália pra me ditar a receita. Achei o papel numa gaveta que eu lembrava ter guardado ho...

Foi a minha vez de calar a boca dele com um beijo. Ele não existe, não é possível...

- O que você quer beber? – perguntou ele.

Queria estar bem sóbrio nesses momentos com Camus. Por mais que eu gostasse de beber (e não sabia muito bem maneirar), não queria que o álcool nos afetasse. Nós como nós mesmos. Álcool me lembrava as pu@#s que eu pegava bêbado, e nem lembrava depois. Com ele não... Uma outra vez. Mas agora, não.

- Algo sem álcool. – disse eu.

Ele foi até a cozinha e voltou com uma jarra de suco. Depois, nos sentamos e comemos. Tava muito bom. Já me conquistou só pelo fato de existir, e ainda por cima, cozinha bem...

- Ah é. – disse ele, se lembrando de algo depois que acabamos – Já volto. Com licença.

- Toda. – disse eu, o acompanhando com o olhar. Aff... Não precisa me pedir licença, sr. Educado ¬¬. Hehehe...

Ele voltou da cozinha com uma panelinha em um suporte com fogo em uma mão e na outra, com uma travessa prateada e as colocou sobre uma mesinha de centro de uma antessala, que era separada da sala de jantar por um arco.

- Sobremesa. – disse ele, me olhando feliz.

Me levantei da mesa, fui até lá e me sentei em um sofá em frente à mesinha.

- O que é? – perguntei, mas já sentindo um cheiro maravilhoso de chocolate, o que parecia ser o que borbulhava na panelinha.

- Fondue*** de chocolate — disse ele ao se sentar o meu lado.

- Fala de novo... – sussurrei em seu ouvido. Esse francês dele... Essa voz...

- Fondue... – repetiu ele, baixinho.

- Não ouvi... – fala mais, mais...

- Fondue – repetiu e carregou ainda mais o sotaque, com um brilho de malícia nos olhos – Mon amour...

O agarrei no mesmo segundo e o beijei loucamente. Que tesão que ele me dá! Não me responsabilizo pelos meus atos (as armaduras se mandaram na hora)...

O empurrei para trás enquanto o beijava, o deitando no sofá. Com meu corpo sobre o dele, nossas respirações aceleradas, sentia sua pele macia, seu cheiro... Entrei em transe... De novo aquele calor imenso tomava o meu corpo... Acariciei seu rosto com o meu... Beijei seu pescoço e fui descendo até seus mamilos, e os lambi, mordisquei... Senti seu corpo arquear e ele gemeu deliciosamente...

- Aaaaaahhhhhhhhhhh... Milo...

- Isso... Geme pra mim... – sussurrei, ainda mais louco.

Me encaixei entre suas pernas. Eu sentia seu membro rígido de desejo roçar a minha barriga, enquanto eu pressionava instintivamente o meu em suas nádegas... Ergui meu corpo e o peguei pela cintura, puxando sua calça e cueca... Agarrei seu membro e comecei a masturba-lo... Estava muito duro e quente, pulsava gostoso na minha mão... Me apoiei sobre seu corpo novamente e voltei a beijá-lo... Eu amo sua boca deliciosa... Ele gemia no meu ouvido, sua respiração ofegante, quente... Desci novamente e abocanhei o pau dele, todo molhado de tesão... Subia e descia com a boca e a língua...

- Não... para...

Ele gemia de prazer, e eu respondia aumentando a velocidade e a pressão aos poucos... Levei a mão a um de seus mamilos intumescidos e o acariciei com os dedos... Eu queria provar seu gozo quente, senti-lo explodir de prazer na minha boca... Aumentei ainda mais o ritmo, arrancando mais gemidos deliciosos dele...

- Aaaahhhnnnnnnnn... – gemeu alto e arqueou o corpo enquanto gozava. Minha boca ficou toda melada... Engoli tudo e olhei pra ele. Lindo, com o rosto corado, ofegante... Voltei a me deitar sobre ele... O encarei sôfrego de desejo... Meu corpo tremia e eu estava muito quente... Meu pau pulsava de tesão... Eu precisava dele...

- Quero você... – disse eu, quase sem voz.

Ele me agarrou pela cintura, tirou minha calça, levou a mão ao meu membro, e começou a estimula-lo gostoso como fez da primeira vez...

- Sou todo seu...

Ofeguei... As velas da mesa se apagaram e a escuridão tomou conta da sala... Ele parou de me masturbar e me puxou para si... Gemi ao sentir meu membro tocar suas nádegas e sua entrada apertada... Eu tinha medo de machuca-lo... Não queria que sentisse dor...

Ele estava totalmente entregue... Tive ciúmes ao pensar se ele já não tinha sido de outro... Tanto, que extravasou para o meu cosmo. Ele ergueu o tronco, senti sua respiração quente na pele do meu rosto, que foi tocada pelo dele. Fechei os olhos...

- Só seu. – disse ele baixinho no meu ouvido e beijou gostoso o meu pescoço.

O beijei e abracei... Queria sentir seu corpo enquanto eu o penetrava devagar... Ele ofegou e tremeu, me deixando mais louco... Era muito apertado e quente... Delicioso... Dei uma estocada forte e gemi alto de prazer, já todo dentro dele...

- Meu... – gemi, totalmente tomado pelo instinto e o abracei ainda mais forte.

Comecei a me mover... Nós gemíamos e arfávamos a cada movimento... Eu estava completamente louco de tesão... Mais do que nunca. Aumentei a força e a velocidade dos movimentos, sem conseguir me conter...

-Aaaaahhhhhh... Camus... – chamei por ele enquanto gozava gostoso dentro dele – Meu... Amor...

Caí sobre ele, e senti seus braços me envolverem. Nossa respiração acelerada e ofegante se cessando aos poucos... Nossos corpos trêmulos e fracos... Mesmo naquela escuridão, eu vi o brilho de seus olhos.

- Por Atena, eu... – sussurrou ele -... te amo demais.

Ouvir aquilo dele era como estar frente às portas do Paraíso. As barreiras que eu tinha construído? Ele derrubou todas elas. A última acabou de cair...

Notas finais
* A Divina Comédia de Dante Alighieri em russo.
** Prato típico grego.
*** Prato típico franco-sueco, no caso, de chocolate.