Nunca Mais Sem Você
21 A última despedida
Notas iniciais
Eu sabia muito bem aonde era o aeroporto. Tinha embarcado num avião lá há uns meses, quando fiz minha “visita” à Ilha de Andrômeda, na Etiópia. Mas eu não estava pensando em mais nada, só em Camus. Eu sentia seu cosmo e a direção que eu devia seguir... Até encontra-lo...
Minha intenção era cortar caminho pelo bosque de Rodório para chegar o quanto antes. Tinha muito pouco tempo... Já estava nos limites do Santuário, só não atingindo a velocidade da luz para não chamar atenção dos outros Cavaleiros, já que eu não tinha nenhuma autorização para ir tão longe.
- Milo, pare! – disse, seriamente, uma voz familiar.
Parei e me virei para encará-lo. Só podia ser...
- Não posso, Aiolia... – disse eu, sem sequer tentar esconder o desespero expresso no meu rosto e cosmo.
Ele deu uns passos a frente e me encarou.
- Você só pode ter ficado maluco! Onde acha que vai sem ter pedido autorização do Mestre para deixar o Santuário?! – disse ele, fingindo não entender.
- Não se faça de idiota. – me irritei.
Um cosmo feminino e poderoso se aproximou de nós. Marin surgiu de detrás de uma pilastra e se pôs ao lado de Aiolia. Ela... Estava sem máscara????!! Mas como... Isso não é permitido! De maneira alguma. A não ser que...
- Milo, você não pode deixar o Santuário. – disse ela, séria. Vou admitir que foi uma das sensações mais estranhas da minha vida ver o rosto, ainda mais a expressão, da Marin ou de qualquer Amazona – Se o fizer, será considerado um traidor.
- Humpf... – fez Aiolia, mantendo-se sério – Estamos aqui para te impedir...
- O que?! – ah, não... Por Atena. Eu ia ter que tentar convencê-lo por um tempo que eu não poderia perder de jeito algum. Se lutássemos, certamente começaríamos uma Guerra de Mil Dias...
-... De ir sozinho, seu maluco inconsequente! – disse ele, dando um sorriso maroto e piscando um olho – Shion nos pediu para virmos atrás de você.
Marin foi até a pilastra e pegou umas sacolas.
- Mas... Como ele sabia?
- Nos aguarde um segundo. – disse ela, sorrindo. Os dois foram para detrás de umas pilastras e escombros.
Ahh, seu bichano filho da pu#@... Só estava de sacanagem. Tanto fazia se ele e Marin iriam me responder como Shion sabia que eu estava saindo. Sorri muito de leve e balancei a cabeça negativamente. Não estava em condições de rir ou de responder. Olhei para o horizonte... Com certeza as duas horas que Saga havia dito que restavam até Camus partir já estavam no fim ou já haviam se passado...
Os dois apareceram vestidos com roupas normais. Aiolia, como eu, estava de calça jeans, camisa de malha e tênis. Marin trajava um vestido e uma sandália. Desviei o olhar deles e comecei a correr. Senti que me seguiram.
Quando dei o primeiro passo fora do Santuário, atingi a velocidade da luz. Aiolia que pegasse a Marin no colo e me alcançasse... Foi mal, bichano. Não posso perder mais nem um segundo. Se vira e cuida do que é seu, que eu vou atrás do que é meu...
Chegando a cidade, acelerei ao máximo. Sabia que ninguém normal ia conseguir me ver ou perceber a minha presença, afinal, alguém ai consegue ver um raio de luz em seu trajeto?
“Calma ai, peçonhento!! Po$#@! Ela tá de vestido!”
“Tisc... Ninguém vai ver. Não enche e vê se não se distrai com o que tem por baixo dele!”
“Que?!”
“Calma aê. Não vi nada! Tô na sua frente! Acelera se não quiser se perder.”
“Pu%$ que pariu... ¬¬”
Camus, me espera, por favor... Eu tô indo...
Corremos no meio do transito, desviamos de carros, pulamos por cima deles, de prédios e casas. Chegando ao aeroporto, driblamos pessoas, malas, bancos, máquinas... Eu estava numa velocidade tão alta que nem os detectores de metal ou de qualquer outra coisa tiveram seus alarmes ativados quando passei por eles.
“Sabe o número do voo ou o portal de embarque?” perguntou Aiolia.
“Não preciso...”
“Ahh é...”
Parei repentinamente em frente a um dos portais. Corri até a sua entrada e o procurei, mas... O avião já havia decolado... Voava pelo horizonte em direção ao leste...
“Não...”
Eu sentia sua presença... Sentia toda a sua tristeza e dor... Mas seu cosmo parecia se distanciar de mim...
“Está me deixando... Eu... Te entendo... Não te mereço...”
Minhas forças se esvaíram... Todas elas... Perdi totalmente a vontade de viver. Amaldiçoei o fato de termos retornado à vida... Nunca desisti dele, nunca... Eu poderia correr, pular naquele avião e ir ao seu encontro facilmente. Mas... Algo pesou sobre o meu peito... A dor era imensa... Eu não conseguia me mover dali... Somente observar perdido o avião que sumia pelo céu vermelho daquela tarde. Eu só podia respirar... Mas até isso começou a ficar difícil.
Mal senti os tapas fortes nas costas que Aiolia deu para me consolar. Tudo começou a ficar lento e a as vozes dele e de Marin começaram a se distorcer... Tudo girou. Caí, mas fui impedido de atingir o chão por uma parede. Fiquei apoiado nela enquanto sentia as batidas dolorosas e sôfregas do meu coração... Ele não aguentaria por muito tempo, como Kardia disse. Nem ele, nem meu corpo, muito menos a minha alma...
- Milo, por Atena, fera! – disse Aiolia, me pondo de pé – Você tá legal?
Suspirei e movi os olhos na direção dele. Ardiam como fogo e lacrimejavam...
- Por todos os deuses!... – se espantou ele – Isso... É...
- É sangue! – disse Marin, preocupada — Vamos leva-lo de volta ao Santuário! Rápido!
- Não... – suspirei.
- Claro que sim, Milo! – disse Aiolia, assustado – O seu cosmo tá estranho demais e seus olhos tão sangrando, maluco.
- Não quero ir pra lá... – passei o braço nos olhos e dei um passo fraco à frente.
- Por quê?
- Não sei... Lembranças...
- Mas podemos te dar um trato lá. Você descansa na sua Casa.
- Já disse que não... Me deixem aqui.
- Hã?! Não podemos fazer isso. Você não viu o seu estado!
- Eu sei... Mas não quero.
Abaixei os olhos e dei mais uns passos. Aiolia pôs a mão no meu ombro.
- Como sempre, o mais teimoso de todos. – disse ele – Não vai adiantar forçar um homem como você a voltar conosco. – é, ele desistiu — Nós vamos dar uma volta pela cidade. Qualquer coisa, bem, você sabe.
Eles se viraram e se foram. Ouvi seus passos se afastarem em meio aos milhares que soavam no chão do aeroporto. Caminhei devagar, tentando suportar toda a dor que crescia no meu peito, por todo o meu corpo e espírito. Saí do aeroporto e continuei andando sem rumo pelas ruas de Atenas.
“Por quê?...”
Eu não chamava a atenção de ninguém que passava por mim... Evitava todas as pessoas ao máximo com meu cosmo pesado...
“Por quê?...”
Caminhava cabisbaixo, mantendo meus olhos fixos no chão, mas não enxergava um paralelepípedo sequer...
“Por que você tem que partir?”
De novo eu não pude me despedir... Nem pude tocá-lo, dizer o quanto eu o amo, que nada que eu disse era verdade, que eu não podia mais viver sem ele...
“Quero você de... Volta...”
Muita dor.
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Santuário, Sala do Mestre, mesmo momento.
Shion caminhava de um lado para o outro, envolto em preocupação.
- Por que não me escutou?
Saga estava sentado no Trono de braços cruzados e olhava para baixo sem querer encarar o Antigo Mestre.
- Achei que seria melhor assim.
Shion parou de andar e o olhou para o Antigo Cavaleiro de Gêmeos, indignado.
- Achou que seria melhor?!
- Sim.
- Saga... Por que fez isso?
- Já disse.
Shion caminhou até Saga e se pôs bem diante dele.
- Não aceito uma resposta tão vaga. Me diga então por que achou melhor assim!
O Mestre continuou na mesma posição.
- Máscara da Morte e Afrodite foram para lugares diferentes. Não seria justo com eles.
O Antigo Cavaleiro de Áries cerrou os punhos.
- Aqueles dois foram somente separados por umas semanas para executarem meras missões. Além do mais, passaram a maior parte de suas vidas juntos! Discutimos isso antes.
- Mu e Shaka também tiveram seus destinos separados.
Shion franziu a testa e se irritou.
- Mas Shaka foi realizar uma missão curta na Índia, e quando retornar não possui a obrigação de permanecer no Santuário. Pode ficar com Mu em Jamiel até o momento em que lhe for designada outra missão. Eu lhe disse isso antes.
Saga não respondeu. Shion pensou mais um pouco e perguntou:
- Mas... E quanto a Shura e Aiolos?
- Não quis desobedece-lo totalmente. E também, porque considero muito os dois.
- Por quê?
- A dor de Shura foi bem parecida com a minha.
- Sua?
- Sim.
- Como assim?
- Isso não vem ao caso.
Ele se sentou ao lado de Saga.
- Em nenhum momento eu lhe dei ordens. – disse, tentando permanecer calmo – Foram apenas conselhos.
- Então, o senhor não deve se preocupar.
- Devo sim. E muito. – declarou Shion firmemente, e se levantou ainda mais preocupado.
Saga ficou em silêncio.
A grande e pesada porta de madeira se abriu e Dohko entrou na Sala do Mestre e se ajoelhou perante Saga. Depois se levantou, se pôs ao lado de Shion e beijou sua mão.
- O que acontece aqui? – perguntou o Cavaleiro de Libra.
Shion olhou para seu amado Dohko.
“Dohko, você percebeu o que o Saga fez?”
“Ahhnn... Percebi sim.”
“Você não viu por que não permaneceu no Salão Dourado após a União, mas eu tenho um péssimo pressentimento...”
“O que houve lá?”
“O estado em que o Milo se encontrava, Dohko! Eu nunca vi algo parecido!”
“Às vezes, ele me lembra muito alguém...”
“Sim... Mas o Kardia nunca chegou a esse ponto!”
“É verdade, Shion, mas ele também nunca teve motivos pra isso.”
“O que quer dizer?”
“Krest de Aquário, o lendário Cavaleiro que viveu quase ou mais de 500 anos, quando encontrou Kardia quase morto ainda criança, lhe ofereceu o Sangue de Atena para que ele pudesse continuar sua vida e seguir seu destino, tornando-se o Cavaleiro de Escorpião. Krest certamente identificou seu cosmo e sua predestinação para Cavaleiro de Ouro.”
“Hum...”
“Porém, o Sangue da Deusa não curou seu coração doente. Ele somente o permitiria viver por mais pouco tempo... Até que um dia, não sei se você lembra, ele caiu desmaiado e ardendo em febre em meio a um treino.”
“Acho que me recordo sim.”
“Não podíamos fazer nada. Estávamos todos desesperados... Mas a única coisa que éramos capazes era esperáramos a sua morte diante de nossos olhos.”
“... Sim... Eu me lembro dos gritos...”
“Hum... Não se lembra do que ele gritava?”
“...”
“Ele pouco o conhecia, mas gritava seu nome... Dégel.”
“Sim... Como pude me esquecer.”
“Porém, não sabemos se foi o destino ou a sorte, ou se foi tão rápido porque ouviu Kardia chamar por ele. Dégel retornou de seu treinamento para se tornar Conselheiro do Mestre Sage, devido a sua grande inteligência, conhecimento e sabedoria.”
“E ele...”
“Sim, ele se ajoelhou e conteve a febre de Kardia com seu poder, e assim continuou a fazer por todos os anos, até suas mortes em Atlântida. Nem a própria Atena era capaz de realizar tal milagre. Mas... Algo...”
“Sim... Algo aconteceu entre aqueles dois, não só aquele dia, mas sempre. Era como se suas almas se completassem perfeitamente.”
“Concordo. Mas, o que eu queria dizer é que o Kardia teve o Dégel por perto por um pouco mais. O Mestre Sage sabia que não podia separá-los por muito tempo.”
“É verdade.”
“Mas, Shion, você acha que o Milo...”
O Antigo Mestre olhou preocupado e triste para seu amado, e suspirou. Dohko acariciou seu rosto.
“Acalme-se, por favor...”
O Cavaleiro de Libra virou-se para Saga.
- Saga, você por acaso tem o mínimo de consciência do que fez?
Silêncio.
- Ah, não! Por Atena! Maldição! – praguejou Shion se aproximando do Mestre e olhando seu rosto de perto – Saga! Saga!
O Antigo Cavaleiro de Gêmeos parecia estar inconsciente. Seus olhos esverdeados haviam se escurecido e se tornavam avermelhados... Shion não conseguia pensar direito no que fazer. Fechou os olhos e só pode rezar... De repente, a luz veio a sua mente... “A dor de Shura foi bem parecida com a minha.” Então, talvez fosse...
- Dohko! Chame o Kanon aqui! Depressa!
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Parei, não ia mais conseguir me manter de pé.
“Eu disse... Que não aguentaria... Não ia suportar mais... Ficar sem você de novo...”
“Milo! Por favor, não... NÃO! MIIIIIIIIIILOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!”
Eu o ouvia gritar ao longe... Mas sentia seu cosmo se esvair...
“Me perdoe, meu amor... Não posso mais... Sem você...”
E cai. Minha visão ficou turva... A dor dilacerou meu coração e meu corpo... O calor incendiou cada parte do meu ser... E as trevas vieram sem piedade.
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Santuário, Sala do Mestre.
- Mestre! Mestre! – gritaram Aiolia e Marin.
Shion e Dohko correram até eles.
Aiolia repousou o Cavaleiro de Escorpião no chão de pedra.
- Por Atena! – os dois disseram ao mesmo tempo.
- Mestre, eu... Acho que ele está... – disse Aiolia, nervoso – Não entendo! Está muito...
- Quente. – disse Shion, só de se aproximar de Milo – Ardendo em febre. – o ar em volta de seu corpo fervia.
Dohko o pegou nos braços, e correu até um dos quartos, sendo seguido por Shion, Aiolia e Marin. Entrou arremessando a porta longe e gritou.
- SAGA! Olhe só pra ele!!!
O Mestre se levantou com dificuldade da cama, sendo ajudado por Kanon. Havia voltado a ser ele mesmo e recobrado a consciência. Olhou para Milo e ofegou, desesperado. A culpa...
- Dê a ordem para que Camus retorne AGORA! – gritou Shion.
- E-Eu não posso...
- O QUE?!! – fizeram os quatro, indignados.
- Me perdoem... Me perdoe, Milo... Camus... – disse Saga, levando as mãos ao rosto, desesperado e arrependido – Mas eu não posso!
- Saga... Seu...!
- Kanon, me ajude, por favor. – disse ele ao irmão – Depressa, me sigam.
O Cavaleiro de Gêmeos o ajudou a se levantar. Foram pelos corredores até o Planetário. Chegando lá, Saga apontou para a região mais importante e visível do céu estrelado representado pelo Planetário: A Eclíptica, o trajeto do Sol.
- Mas... O que aconteceu???!!! – espantaram-se Shion e Dohko – Onde ela está?!
Havia um espaço vazio entre Capricórnio e Peixes...
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- Hahahahahaha! Finalmente... – riu e disse uma voz feminina sarcástica e sobrenatural.
O homem ruivo se levantou do chão de pedra, sentindo o ar pesado do local, dominado totalmente pela escuridão. Sentia seu corpo dilacerado e sangrava profusamente pelas muitas feridas que lhe haviam sido causadas. Procurou da onde vinha a voz, mas sem sucesso.
- Quem é você?! – questionou ele, furioso.
Ele sentiu o ar se mover em sua direção violentamente. Manteve-se imóvel, mantendo sua expressão fria.
-Sou Aquela que irá de eliminar dos Céus e te fazer sofrer como Eu,...
Ele franziu a testa e foi cegado pela luz intensa que surgiu. A Dona da voz apareceu subitamente, empurrando-o bruscamente contra o vácuo.
-... AQUÁRIO!
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- A Constelação de Aquário... – disse Aiolia.
-... Desapareceu do Universo. – espantou-se Kanon.
- Sinto que o cosmo de Camus também nos deixou! – gritou Dohko.
- Como isso é possível?!! – desesperou-se Shion – A Constelação morreu com ele?!!!!!
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- Você é tão lindo... Arrogante e insolente igual ao Seu Pai. Você certamente é, de todos, o mais parecido com Ele.
Ela o pegou pelo queixo e aproximou seu rosto do dele. Pai?! Nunca havia conhecido nem ouvido falar daqueles que o puseram nesse mundo... Nem pai, nem mãe, ou qualquer outro parente que pudesse vir a ter. Fechou os olhos...
Seu coração acelerou em ritmo de galope... Milo... MILO!!!
- Vou te matar lentamente... E faze-lo sofrer bastante, assim como Ele ousou fazer comigo.
Ele abriu os olhos e A encarou, sem temer aquele cosmo poderoso e imenso que tentava esmaga-lo. Ela arregalou os olhos, nunca esperando aquela reação tão... Ousada de um mortal! Aqueles olhos que A encaravam, foram os mesmos que amaldiçoaram Sua vida eterna.
- Me matar?...
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Dohko se ajoelhou e pôs o Cavaleiro de Escorpião deitado no chão. Estava respirando forçadamente e com dificuldade... Queimava em febre e suava, encharcando sua roupa e cabelos loiros... Seus olhos fechados algumas vezes se apertavam em uma expressão de dor...
Shion e Saga também se ajoelharam. O Antigo Cavaleiro de Gêmeos levou a mão ao rosto, cheio de culpa. Shion levou a mão à testa fervente de Milo.
- Perdão, criança... – e chorou – Perdão...
Aiolia lembrou-se repentinamente do fim da Batalha das Doze Casas, do imenso sofrimento de Milo enquanto carregava Camus nos braços. O que Aldebaran havia contado a eles aquela noite... Rezou para Atena.
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- Como OUSA... EU o deixei quase morto!
- Acho que não... – suspirou ele, e concentrou seu cosmo.
- O QUE???!!
A temperatura do ambiente baixou mais de 300 graus em menos de um segundo.
- AHHHHH! QUE FRIO É ESSE?!!!!!!!
Ela o soltou e se afastou, cambaleando para trás. Os olhos do Cavaleiro de Aquário brilhavam dentre a escuridão.
- MALDITO! O QUE VAI FAZER?!
Ele uniu as mãos e levantou os braços lentamente. Ela riu maldosamente e o ameaçou como nunca deveria...
- Eu irei matar o Escorpião bem na frente de seus olhos!
Ele sorriu sarcasticamente, deixando o ar congelante correr pesadamente por seu cosmo. Escondeu todo o seu desespero e medo por tras do gelo eterno, estremecendo confiança e sede de poder Daquela que o ameaçava... Não podia perder tempo com Ela... Tinha que voltar, mas nem sabia onde estava... Milo... MIIIIIIIIIILOOOOOOO!
Estava fraco... As feridas não cicatrizavam... Ele já não mais A enxergava com clareza... Arriscaria tudo em um só golpe...
- Você é quem vai morrer...
- NÃOOOO!
- EXECUÇÃO AURORA!
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- Mestre! – chamou Hyoga, desesperado – Mestre Camus!
Camus abriu os olhos e sentiu o ar frio inundar seus pulmões. Levantou num pulo... Suas pernas tremeram... Parecia estar ficando cego... Sacodiu a cabeça, lançando neve por todos os lados. Sua cabeça doía muito, assim como todo seu corpo... Mas...
Estava vivo... Era o que importava... Olhou inconscientemente na direção do Santuário. Sentia o cosmo quase extinto de Milo...
- Você está muito ferido, mestre. O que aconteceu?!
- Onde estamos, Hyoga?
O Cavaleiro de Cisne o olhou espantado e sem entender.
- Na Sibéria... Não se lembra?
Ele olhou para o discípulo e sorriu levemente.
- Tenho que ir.
- Pra onde vai nesse estado???!!
“Armadura de Aquário!”
O brilho dourado surgiu e tomou seu corpo. Tornaram-se um e sumiram na velocidade da luz.
- Mestre?!
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Abri os olhos e arfei sofregamente.
- Milo! (vozes distorcidas não identificadas)
Dor lascinante e imensa... Meu corpo fervia... Minha alma chorava... Mas... Seu cosmo... Eu podia senti-lo... De volta... Camus...
- CAAAAAAAMUUUUUUUUUUUUSS!
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