Nunca Mais Sem Você
15 Seu desde sempre
Notas iniciais
Mais um capítulo meio diferente. Boa leitura. Espero que gostem.
Uma semana após a derrota de Poseidon...
Desde bem cedo, lá estava eu sentado à beira de um grande precipício que se encontra depois do bosque de Rodório. Passei a fazer isso todos os dias desde que perdi Camus. Olhava perdido para a paisagem, procurando esvaziar a minha mente do meu tormento constante que era sua ausência, agora, total.
Há um mês, antes da Batalha das Doze Casas, eu pelo menos o tinha, mesmo que longe. Mas agora, a chama da esperança que eu tinha de que, mesmo que de alguma forma desconhecida por mim, eu fosse vê-lo novamente... Doía muito quando eu pensava que isso era impossível. O que ainda me mantinha com a possibilidade de sonhar em poder tê-lo de volta eram somente as palavras e sentimentos dele que Aldebaran havia me revelado aquele dia... O pior de toda a minha vida...
“Até o maior dos milagres.”
- Mas como?... – pensei alto, apoiando minha testa na mão – Como isso seria possível?...
Passos atrás de mim e um cosmo peludo surgiram do nada.
- Boa noite, peçonhento.
- Igualmente, pulguento. – respondi sem animação. Ninguém nunca tinha me achado ali, até agora. Saco ¬¬...
- E ai? – disse Aiolia – Admirando a paisagem?
- Pra falar a verdade, nem tô prestando atenção em nada. – disse eu – É que eu tenho mania de sentar aqui mesmo.
- Hum... – murmurou ele, preocupado – Ahh, eu tava combinando com o pessoal da gente se encontrar lá em Casa hoje. Vamos?
Lancei um olhar vazio e triste.
- Não. Valeu.
Ele me olhou chateado, mas compreensivo. Tentou me animar:
- Só pra comer e conversar. A Shina e o Deba vão fazer salgadinhos, a Marin, os docinhos e o Shaka, um bolo. O Mu e eu vamos comprar as bebidas daqui a pouco.
Fiz que não com a cabeça e olhei para baixo.
- Pô, Milo. Faz um esforço, fera. Até Atena disse que estará presente.
- Olha, Aiolia, obrigado mesmo. – disse eu sem olhar para ele – Mas eu não estou bem pra ir. Seria um estraga prazeres de prima desse jeito.
Me levantei, dei um tapa nas costas dele, que me olhou desapontado, e sai andando na direção do Santuário.
- Milo, Milo... – suspirou ele – Ele deve estar sofrendo ao te ver desse jeito, parceiro...
O ignorei, mas aquelas palavras me machucaram. Acelerei ao passar pelo bosque... Tinha passado a fazer isso para diminuir a dor que as lembranças de nosso momento tão feliz de reencontro que se passou ali e nunca mais voltaria. Ao chegar ao pátio do Santuário, segui para a Casa de Áries e encontrei Mu encostado em uma pilastra.
- Boa noite, Milo. – disse ele, calmo como sempre.
- Boa noite, Mu. – respondi, acelerado – Permissão para passar pela Casa de Áries.
- Nossa. – se espantou ele – Calma, ai... Por que você tá desse jeito?
- Nada... Posso passar? – eu queria ir para a minha Casa e ficar só... Fugir de tudo e todos.
- Claro que sim, mas...
- Valeu. A gente se vê.
E corri para Touro. Aldebaran estava descendo as escadas ao lado de Shaka.
- Fala, peçonha. – disse ele, animado.
- Milo, boa noite. – disse Shaka.
- Valeu, gente. – passei direto sem olhar para eles. Segui na velocidade da luz até a Casa de Escorpião.
Meu emocional já estava completamente abalado. Permanecer na minha própria Casa havia se tornado torturante... Nesse último mês, eu havia me tornado um estranho, tanto para os que me cercavam quanto para mim mesmo. Eu era outro Milo... Que não sorria, não zoava tudo, não se enturmava... Somente me mantinha fiel às minhas obrigações como Cavaleiro de Ouro.
- Droga... Maldição... – praguejei e me sentei no último degrau da escada e segurei a cabeça com as mãos e olhei para o chão.
É claro que eu sabia que Aiolia estava certo. Mas o que eu podia fazer?! Estava fora do meu alcance ignorar a dor, a saudade, a falta de perspectiva no futuro sem ele... Me entendam se for possível: desde muito antes de Camus partir para a Sibéria aos sete anos, aliás, desde que nos vimos pela primeira vez, eu senti todo esse amor por ele... Era como se já nos conhecêssemos há muito tempo...
#Flashback#-----------------------------------------------------------------------------------------------------
- Mestre, desculpa te interromper, mas o pequeno não para de chorar. – disse Aiolos, desesperado – Não sei o que eu faço!
Shion estava sentado em sua mesa com vários papéis e pendências de assuntos do Santuário para resolver. Suspirou, irritado por ser interrompido e com o choro do bebê que vinha durando desde de manhã...
- Brinca com ele. – disse, sem nem olhar para o Cavaleiro de Sagitário de sete anos – Veja se está com fome, sede ou talvez com a fralda suja.
- Eu já tentei de tudo... – se justificou o menino – Ele não para... Está assim desde que acordou.
- Tisc... – resmungou o Mestre, impaciente – Peça ajuda ao Saga... Sinto muito, Aiolos, mas não posso sair daqui agora. Olha o tamanho dessa pilha de papéis.
O Cavaleiro de Sagitário virou-se e correu até onde estava o de Gêmeos, em uma das salas dos Aposentos do Mestre.
- Saga, me ajuda!
- Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... – fez Saga para que ele se calasse – Vai acordar eles. – cochichou.
Aiolos observou as caminhas e berços que se encontravam ali. A caminha encostada na parede sustentava um menino de quatro anos de cabelos negros que dormia um sono agitado, mexendo-se muito e fazendo caretas, com uma respiração acelerada. O jovem guardião da Nona Casa foi até lá, se sentou ao lado do garotinho e segurou sua mão.
- Hehehehe... – riu Saga, baixinho – Cuidado pra não se cortar...
Aiolos retribuiu a risada e olhou para o garotinho, que havia parado de se mexer e agora ressonava. Um cordão fino de ouro com o símbolo ♑ em forma de pingente brilhava em seu pescoço.
- Ahhh... – disse o jovem Saga – Ele gosta de você, cupido de quatro patas... Hehehehe...
Na caminha do lado estava um garotinho de quatro anos dormia todo torto com um sorriso nos lábios e cabelos cinzentos. Seu cordão de ouro continha o símbolo ♋. Ao lado, dormia profundamente um lindo menininho loiro de três anos agarrado a um peixe de pelúcia. O símbolo ♓ brilhava em seu cordão. O berço ao lado estava vazio e, ao lado dele, havia um maior com um bebê muito grande de um ano de idade. Seu símbolo, ♉.
- Por que esse berço e o Aldebaran tão aqui? – perguntou Aiolos, estranhando a presença de berços naquele quarto em que antes só havia caminhas.
- O Mestre me falou que você tá muito sobrecarregado cuidando dos bebês, ai eu trouxe esses dois pra cá, pra eu cuidar deles. – disse Saga – Ai, você fica com os quatro lá. Se quiser, a gente pode trocar de quarto... Mas não se anime. Humpf...
- Hum... Hehehe. Vamos trocar um dia desses, pra você trocar umas fraldas. Hehehe. – murmurou Aiolos – Obrigado, Saga.
Saga se tocou e sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
- Perai, você disse... Berço?... – e olhou para o berço vazio, soltou uma exclamação, mas teve sua boca tapada por Aiolos antes que acordasse as crianças -????????!!!!! Cadê o Camus?!
- Você o perdeu? – espantou-se Aiolos – Era pra ele estar no berço?! Caraca, Saga!
- “Pelamor” de Atena... Eu só tinha ido ao banheiro e ele me foge... – disse Saga, começando a procurar pelo quarto pelo único bebê ruivo presente no Santuário – Me ajuda aqui, pônei...
- Afff... E eu que tinha vindo te pedir ajuda, Xerox... – suspirou Aiolos, e começou a procurar também.
Procuraram embaixo de camas, berços e de todos os outros móveis do quarto sem sucesso.
- A porta tava fechada. Ele não pode ter saído, pode? – disse Saga, nervoso.
- Nunca vi nenhum deles fazer isso. – respondeu Aiolos, e foi até a porta – Mas ela tava entreaberta quando eu entrei.
- Droga... Ele tava muito estranho hoje... Não quis comer, nem brincar... Só ficava olhando pra porta e apontando... Dei umas voltas com ele lá fora, pensando que queria passear ou tomar sol...
- Clone, ele odeia sol. Não fica nem um minuto sem tentar sair...
- Eu sei, mas foi o que eu entendi, pô!
- Shhhhhhhhhhhhhhhhhh...
- Tisc...
E saíram do quarto em silêncio, fechando a porta. Procuraram pelo corredor, salas, banheiros...
- Ô Caaaaamuuuuuusss! Caminhooooo! Vem cá, v...
Saga se desesperou e calou a boca do amigo.
- V-você quer acabar com a minha vida, cupido?! – cochichou Saga – Se o Mestre descobrir, ele me mata.
Aiolos tirou a mão do amigo de sua boca.
- Achei que seria o modo mais rápido de encontrarmos ele.
- Cala a boca e me ajuda...
- Cala você, humpf...
Procuraram por quase todos os lugares dos Aposentos do Mestre. Até que chegaram até a sala do próprio, que ficava próxima ao quarto onde os bebês ficavam. Os dois espiaram por uma fresta da porta e viram Shion concentrado em seus afazeres, afundado nos papéis e escrevendo rapidamente.
- Como a gente vai procurar na Sala do Mestre? – disse Saga, tremendo.
- Acho que ele tá tão ocupado que nem vai ver a gente... – disse Aiolos, aceitando o desafio – Já sei.
- O que?
- Você me manda pra OUTRA DIMENSÃO e eu vou parar no quarto dos bebês, ai, eu entro por um lado e você, pelo outro.
- Tisc...
- Que foi? Não gostou do plano?
- A idéia é boa, mas eu ainda não tenho controle de onde você vai parar não... Vai que eu te mando pro além...
- Ah... Então deixa. Vamos entrar devagar pra ele não nos ouvir.
- Ok.
Os dois empurraram a porta devagar e entraram na Sala pisando na ponta dos dedos. Procuraram com os olhos nos locais possíveis, depois se separaram e cada um foi para um lado.
- Hahahahahahahaha!
Os dois deram um pulo de susto e seus corações quase saíram pela boca.
- Saga, está escondendo seu cosmo muito bem, apesar de deixar passar um pouco de medo. Aiolos, você precisa praticar mais. – disse Shion, rindo dos dois aprontando e achando que iam passar despercebidos por ele – Vocês me divertem muito, crianças.
Os dois se entreolharam, engoliram seco e arregalaram os olhos de espanto. Realmente, esse tinha sido o pior plano que já tinha sido bolado. Pensaram em quanto tinham sido ingênuos e tontos em tentar passar por ali sem causar umas boas risadas em Shion.
- Hahahahahaha!! – ele ria de chorar – Mas que coisa... Hahahahaha!
Saga não se conteve e começou a rir do Mestre rindo, e Aiolos também se deixou levar. Riram até que Shion parou subitamente.
- Mas, então crianças, o que estão procurando tão assiduamente?
Acabou a graça.
- M-mestre... É que... É... – os dois tentavam falar ao mesmo tempo.
- Um de cada vez.
Aiolos olhou para Saga e vice-versa. Não havia mais para onde correr e Saga resolveu tomar coragem e assumir sua falha. Tremia de medo.
- M-mestre é que o...
- Ah, sim. – interrompeu Aiolos, tendo uma idéia – A gente tava procurando uma chupeta, Mestre!
Saga olhou embasbacado para o amigo.
“Chupeta?”
“É. Deixa comigo.”
- Mas o que uma chupeta estaria fazendo aqui, na minha Sala? – disse Shion, achando engraçado.
- Errr... Anhhh...
Shion riu novamente.
- Hahahahahahaha!
Os dois se olharam, sem entender.
- Quero reforçar – se levantou de sua mesa e foi até os dois, se ajoelhando e olhando em seus olhos seriamente – que nunca devem mentir nem para mim, nem para ninguém. A mentira é o maior princípio da injustiça. Lembrem-se que nossa Deusa preza sempre a justiça, crianças.
Aiolos abaixou os olhos e corou, envergonhado. Saga olhou para o amigo e depois para o Mestre.
- A culpa foi minha, Mestre. – disse, se encorajando e assumindo
seu erro. Preocupou-se se o amigo seria punido por mentir, mas para tentar lhe ajudar.
Shion apenas sorriu calmamente e bagunçou o cabelo dos dois, carinhoso.
- Tudo bem. – disse ele, e olhou para Aiolos – Está um silêncio, não? Sem mais choro... – e piscou um olho.
O jovem Cavaleiro de Sagitário virou a cabeça e franziu a testa, sem entender de imediato. Porém, logo se tocou e a culpa veio bruscamente.
- Por Atena! – disse com voz de choro – Milo! O deixei chorando e não fiz nada!
Shion secou uma lágrima que caiu dos olhos do menino e sorriu.
- Acalme-se, criança. Por que não vamos lá ver? – e pegou cada um em uma mão e os levou até o quarto onde estavam os bebês.
A porta estava estranha e tinha sido arrombada. Pingos de água caíam no chão vindos da maçaneta, que havia sido esmagada e forçada para dentro. Parecia estar... Descongelando?!
- ????! Mas o que... – espantou-se Aiolos com o estado da porta.
- Shhhh... Vamos ver. – disse Shion baixinho.
Havia quatro berços neste quarto, que cheirava a talco e lenços umedecidos. Da esquerda para a direita, no primeiro berço, havia um bebê lemuriano loirinho, com as inconfundíveis pintinhas na testa dormindo com uma expressão serena. Lá estava seu fino cordão de ouro com o símbolo ♈como pingente. Ao lado, um bebê também loiro e bem acordado cravava seus poucos dentinhos em seu mordedor. Olhou para Aiolos e sorriu:
- Imão...
Seu símbolo no cordão, ♌. À direita, estava mais um bebê loiro que parecia dormir sentado de pernas cruzadas, repousando as mãozinhas sobre as coxas. Símbolo: ♍.
- C-Camus... – disse Saga, sem acreditar no que via no último berço.
E os três foram até ele. Lá estava o mais novo dos Cavaleiros de Ouro, um bebê de meses de idade loiro dormindo profundamente com uma chupeta na boca. Símbolo do cordão: ♏. Ao seu lado e olhando atentamente para os três, estava o bebê ruivo, que repousava sua mãozinha no peito do outro, que por sua vez, a segurava. O símbolo: ♒.
- Parece que o Camus achou a chupeta. – disse Saga, sorrindo.
- Não... – disse Aiolos, espantado – O Milo tava gritando e chorando mesmo com ela.
Shion suspirou e disse, também sorrindo.
- Saga, você tirou o Camus daqui?
- Aham.
- Quando?
- De manhã cedo.
Aiolos, boquiaberto e impressionado, disse:
- Mas, isso foi logo antes do Milo começar a...
Shion riu e pegou Camus no colo.
- Então, vamos trazê-lo de volta se ainda quisermos ter ouvidos saudáveis e portas inteiras não é, Camus de Aquário?
O bebê ruivo fez que sim com a cabeça e sorriu para o Mestre.
#Fim do Flashback#--------------------------------------------------------------------------------------------
“Perdão, meu amor... Devo estar te causando dor. Tô tão perdido... Com tanta saudade de você...”
Me levantei cabisbaixo e fui para o meu quarto. Não queria que ninguém me visse e perguntasse se poderia me ajudar ou dissesse para eu ser forte. Peguei a chave da gaveta no armário, a abri, peguei nossa foto, a abracei e chorei sem controle. Umas pontadas de dor começaram a acompanhar as batidas aceleradas do meu coração.
- V-volta... – ofeguei, pedindo a todos os deuses do Olimpo para que ele me escutasse, onde quer que estivesse – Volta pra mim... Por favor...
Notas finais
Soninho... Vou mimir igual a esses babies! Nhaaaaaa... Fofos.
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