Nunca Mais Sem Você

8 O melhor dia da minha vida


Ergui a cabeça devagar, respirando fundo para tentar controlar minhas emoções. Ele estava a uns cinco metros de distância de mim. Obviamente, mais alto e forte. Seus cabelos ainda mais compridos, sempre cor de fogo (tão contraditória para o mestre do gelo). O Sol batia fortemente na armadura de Aquário, que respondia brilhando, resplandecente. Uma brisa fria, consequente do inverno que começava a se manifestar em novembro, passou pelas poucas folhas que restavam nas árvores e por sua capa, que esvoaçou com o estímulo do ar em movimento. Sua postura, como sempre, imponente, apesar de seu olhar preocupado. Mas... Com que seria?

Me arrepiei todo. Sabe, ainda não tinha me preparado psicologicamente o suficiente para vê-lo, e meu emocional estava muito instável devido ao ocorrido há pouco na Casa de Escorpião, e agora ainda mais, por revê-lo nesse momento inesperado. O fiquei encarando, meio hipnotizado, mas, enfim, consegui manter uma expressão calma. Não pude evitar um sorriso, afinal, ele estava ali, havia vindo ao meu encontro, chamou meu nome...

- Você está bem? – ele tomou a iniciativa de quebrar o silêncio.

Por Atena... Que voz era aquela... Grave, mas ao mesmo tempo, suave. Pronto, meu coração já acelerou e comecei a sentir uma pulsação no baixo ventre. Podem falar “ele é um pervertido/tarado/descontrolado!”. O que eu posso fazer se esse filho da pu%$ causa esse efeito em mim quase que instantaneamente? Mas eu não sou mais um moleque de 14 anos que goza só com um toque pra repetir aquela situação de seis anos atrás (se bem que com ele eu tenho as minhas dúvidas).

- Tô bem sim. – respondi, pensando em como ele tinha me achado – Por quê?

- Eu ouvi um grito, algo que parecia ser o chão se rompendo e senti seu cosmo se elevar. – disse ele, erguendo uma sobrancelha – Pensei que estivesse em uma batalha.

Ahhh... Então, ele ouviu tudo do meu ataque de raiva. Realmente não estava em estado mental suficiente para pensar que pudesse chamar atenção. Olhei discretamente para o rombo gigantesco que eu tinha aberto no chão. Pu%# que pariu... Que me%$# que eu fiz.

- Me estressei e resolvi dar uma volta por aqui para esfriar a cabeça. – respondi meio sem jeito, ainda olhando arrependido para o estrago.

- E abrir uma cratera no chão... – disse ele quando a viu, franzindo a testa.

- É... — concordei. Será que eu tinha como consertar? Se chovesse, com certeza ela ia aumentar, começar a engolir árvores e criar um desequilíbrio ali no bosque, que havia conseguido se reerguer depois da guerra contra Cronos com a ajuda do povo de Rodório. Ele era essencial para a região, pois os rodorianos obtinham seus alimentos dali. Não ia ser eu o culpado da razão daquele bosque sumir.

Me levantei e fui até lá procurar os locais onde a terra arrancada dali havia parado. Ao achar alguns dos montes, comecei a empurrá-los na direção do buraco. Nossa, era muito fundo. Não sabia se ia encontrar a quantidade toda que eu tinha tirado dali, mas só me restava tentar. Ao jogar a terra de um lado da cratera, notei que do outro também caía. Olhei para frente e vi que Camus estava me ajudando. Quando me encarou, lançou um olhar de cumplicidade e um sorriso leve que dispensavam qualquer palavra... Esse meu melhor amigo não me deixava na mão (no bom sentido, porque não mau já havia deixado váaaarias vezes. Hehehehehe). Nunca gostei tanto de tapar um rombo gigante no chão com terra fofa espalhada por todos os cantos.

Quando me lembro dessa cena, tenho crise de riso: dois Cavaleiros de Ouro, de armadura brilhando carregado totalmente sem jeito aqueles montes de terra pra tapar uma cratera! Isso é, no mínimo, cômico! KKKKKKKKKKKKKK!

Não é que conseguimos?! Graças à nossa velocidade, em menos de vinte minutos a cratera de muitos metros de diâmetro e profundidade tinha sumido. Sorri aliviado, olhando aquela área enorme destoante do resto do bosque por só conter terra pura na superfície.

- Essa terra tá muito fofa. A chuva vai acabar estragando tudo. – observou ele, e olhou para um monte estranhamente verde que restava – Vem, vamos por a grama de volta.

Arregalei os olhos quando percebi que ele tinha separado as partes com grama pra por em cima do ex-buraco naquele monte que tinha sobrado (por isso, era verde. ¬¬). Esse pu&% já deve ter devorado até livro de jardinagem! Parecia uma traça de biblioteca desde antes de aprender a ler... Humpf! Mestre Shion é que sofria, tendo que ler pra ele enquanto a gente ainda não estava alfabetizado! Huahuahuahua! Coitado, além de ser Grande Mestre ainda era babá de um monte de pirralhos! Só podia estar nos Elíseos depois disso, o grande Shion.

- Esse é o último! – disse eu, enquanto estava abaixava pra replantar o meu último pedacinho.

- Hu-hum. – murmurou ele, concordando.

Eu estava realmente empenhado em terminar de desfazer o meu estrago (peso na consciência é fo&%), porque só fui perceber que ele estava na minha frente, na mesma posição que a minha, quando nossas mãos se encontraram pra por nossos últimos punhados de grama no mesmo lugar. Somente respirava e sentia o bater forte do meu coração. Fiquei estático, com a mão estendida na mesma posição, encostando de leve na dele... Completamente sem saber como agir. Eu tinha medo da reação de Camus se eu tentasse alguma coisa e daquilo de seis anos atrás se repetisse. Apesar de ele ter me mostrado logo depois que nada que sentia por mim havia mudado através daquela foto, eu temia que me rejeitasse novamente.

Mas eu o queria muito... Sempre quis. Eu tinha que tentar. Engoli seco e resolvi desviar meu olhar para frente, que encontrou-se com o dele. O Camus é o tipo de pessoa que dispensa totalmente as palavras para transmitir o que sente. Sei disso muito bem. Sei lá se é porque eu convivi um tempo com ele durante a nossa infância e sempre fomos muito próximos, ou... Não. Acho que temos uma sintonia muito forte meio que inexplicável. Vinda de outras vidas, talvez kármica...

Por Atena, aqueles olhos... Não eram os de tristeza que tantas vezes eu havia fitado. Eram vivos, brilhantes, nítidos... Era como se eu os já tivesse visto assim, só que não me lembrava quando... Minha Deusa, sim! Era como ele me olhava quando estávamos nuns momentos de transe, nos encarando e adorando um ao outro quando éramos crianças. Como aquele do dia em que deixou o Santuário pela primeira vez, logo depois que passou mal daquele jeito horrível...

“Será que eu devo?” pensei comigo, ainda o encarando. Droga, eu estava com medo.

Camus abaixou os olhos, deu um leve sorriso e se levantou. Era como quisesse respeitar o meu tempo e não estender mais aquele momento que me deixava com medo e dúvida. Eu podia sentir culpa em seu cosmo, mas era aquele mesmo que emanava na Casa de Escorpião no dia em que ele se foi depois da guerra contra Cronos. Ele... Me amava. Sim... Passei seis anos esperando para vê-lo de novo e tentar nos dar essa chance!

De repente, eu não tinha mais medo, nem dúvidas do que deveria fazer. Eu o amo demais. Não quero ficar sem ele, nem sem viver momentos de amor ao seu lado, mesmo que eu fosse atrás dele nos confins da Sibéria ou da pu&% que pariu!

Me levantei no momento em que ele deu as costas e ia andando para não sei aonde e o peguei pelo braço. Ele se virou e eu o beijei. Um beijo que começou devagar, acompanhado de nossas respirações, que pausavam a cada movimento. Nossas línguas e lábios se tocavam e se experimentavam, ainda um pouco inseguros de estar agradando um ao outro. Comecei a sentir meu corpo esquentar... Ele segurou minha cintura e foi me empurrando devagar para trás, até que minhas costas encostaram numa árvore. Fiquei excitado na hora. Amo que ele me domine assim.

O beijo se intensificou e nossa respiração, mais ainda. Um calor que eu nunca havia sentido antes tomou todo o meu corpo. Eu podia sentir o ar quente sair das minhas narinas, e da boca quando ele a abandonou e começou a beijar meu pescoço, passando a língua úmida carinhosamente pela minha pele. Nem senti quando as armaduras abandonaram nossos corpos (elas têm uma vontade própria impressionante. Ainda bem.). Meus olhos estavam fechados desde o segundo em que o beijei. Gemi quando ele me ergueu do chão, pressionou seu corpo contra o meu deslizou os lábios intensamente para o meu tórax.

- Ahhhhhhhhh... Meu amor, eu... Ahhhhh... Te quero tanto...

- Sou seu... – sussurrou ele no meu ouvido – Sempre fui.

Senti seu membro rígido roçar na minha coxa. Ele voltou a descer o meu corpo com beijos, passando a língua deliciosamente pelos meus mamilos. Cada toque dele era sentido por mim como único, e meu corpo respondia se arqueando, implorando por mais. Se o Camus é um tipo de droga, meu vício por ele não tem cura, ainda mais agora que estamos entregues. Peguei sua mão e a levei ao meu membro, que pulsava de tesão. Ele voltou a beijar a minha boca, enquanto enfiou a mão dentro da minha calça e o pegou. Começou a acaricia-lo, me masturbando no ritmo que me levou à loucura. Eu o abracei forte e suspirei, quase sem ar:

- Quero mais...

Ele me encostou carinhosamente de volta na árvore, me segurando pela cintura, só aumentando ainda mais o meu desejo. Entreabri os olhos, e o olhei. Tinha se ajoelhado e retribuído meu olhar, que brilhava de tesão. Fechei os olhos, arqueei novamente meu corpo e gemi alto quando senti sua boca quente envolver meu membro. Ele continuou, sugando e passando a língua deliciosamente por ele, ao mesmo tempo em que acariciava minhas coxas com intensidade. O que era aquilo?! Eu não conseguia me conter. Não queria nem saber se alguém ia escutar, e gemia mais alto e mais gostoso a cada movimento que ele fazia. Eu não ia aguentar muito tempo...

- Aannnhhhhhhhhhhh...!! – gritei, quando ele aumentou a velocidade e a pressão – Eu vou... -Nem deu tempo de terminar. Senti meu gozo sair forte na boca dele, enquanto eu gemia de tesão e arranhava a árvore com força, extravasando.

Com meu corpo tremendo de fraqueza e ofegante, me deixei deslizar até me sentar no chão. Estendi meus braços e o puxei para perto de mim. Ele retribuiu o abraço e me deu um beijo na testa. Eu deitei a cabeça em seu peito e o acariciei com meu rosto. Minha respiração já desacelerava, mas não meu coração. Ele passou a mão pela minha nuca, por baixo dos meus cabelos e me fez carinho. Eu o abracei mais forte. Queria senti-lo ao máximo. Era como se fosse um sonho, o melhor dia da minha vida... Atena, eu sei que foi Você que o trouxe pra mim. Muito obrigado, minha Deusa.

Ajeitei minha calça, me desviei da árvore e me deitei no chão, trazendo-o comigo. Ficamos lado a lado. Ele apoiou a cabeça com o braço e ficou me olhando e sorrindo. Ai, esse Camus... Levei a mão até seu rosto e o acariciei. Ele, por sua vez, fechou os olhos e desfez o sorriso, relaxando.

- Ei... – disse eu num suspiro. Ele abriu os olhos e me encarou. – Eu... Te amo, Camus de Aquário.

Ele pegou minha mão e a acariciou.

- Eu também te amo, Milo de Escorpião.

Notas finais
Pessoas, como eu já disse, essa é minha primeira fic... Espero que o lemon tenha ficado bom. ;)