Nunca Mais
1 Capítulo Único - Desentendimentos
Notas iniciais
Agora eu entendo quando as pessoas dizem que querem voltar no tempo, para desfazer seus piores erros. E esse foi o meu pior erro desde que o conheci.
Estou sozinha andando nessa floresta enorme. Até deixei minhas chaves na guilda, para ter um pouco mais de privacidade. A esta altura o Leo já deve ter saído, e provavelmente está em minha procura. Mas ele não me acharia ali, ninguém me acharia ali. Nem quem eu queria que me achasse.
Comecei a me lembrar mais atentamente.
– É sério Natsu! – eu gritava – É muito sério! Você tem que aprender a controlar o seu poder, senão vai destruir a região toda!
– Tá Lucy... – ele sussurrou revirando os olhos. Eu estava lhe estressando, sabia disso.
– Você diz "tá", mas não muda. Você não muda Natsu! Até quando vai continuar assim?! – continuei.
– Então você não gosta do meu jeito?
Droga, ele acabou de mecher no meu ponto fraco. Eu amo seu jeito de sorrir enormemente, seu jeito de brincar até nas situações mais difíceis, seu jeito de falar que tudo vai dar bem no final. E sempre dava.
Seu jeito de... ser meu amigo.
– Natsu!! – mas eu estava tão estressada com a última bronca que tínhamos acabado de levar do Conselho. Parece que ele não entendia que tudo ficava cada vez mais difícil, e isso me incomodou. – Eu não quero ser expulsa da guilda por sua culpa. E muito menos da cidade.
Isso estava o magoando, eu tinha certeza. O que me impressionava é que mesmo assim ele não aumentava o tom de voz comigo. Nunca aumentou. Só nas brincadeiras, mas eu adoro isso nele. Seu jeito de brincar, de fazer graça, seu jeito... idiota.
– Seu iditota! – vocifeirei – Para de agir assim! Isso não vai te levar a nada!
E a cava vez mais ele olhava mais vezes para o lado. Era bem perceptível que estava se controlando. Mas teve uma hora que ele se levantou. E foi logo depois que eu disse:
– Acho que você deveria ficar bem longe de mim!
Como disse antes, ele se levantou, e olhou atentamente para meus olhos. E estava... triste.
– Lucy, eu...
– Não quero saber Natsu! Me deixa em paz!
A única coisa me lembro antes de sair de lá feito louca, era de olhar mais uma vez para ele. Na hora eu não me importei, mas agora sinto meu coração doer com essa cena que me lembro tão bem.
Havia lágrimas em seus olhos.
E agora estou aqui, só pensando nele, no seu jeito e nos momentos que vivemos.
De repente tudo começou a passar na minha cabeça. Quando o conheci, as vezes que me salvou, as vezes que destruía tudo. E todas as vezes que olhava pra mim com seu sorriso enorme, bobo... e idiota.
O continuo chamando de idiota, por que ele é.
O idiota que me faz feliz.
Incrível como eu consegui estragar tudo... Duvido que ele queira me ver mais uma vez. Eu fui grossa, rude, insensível. E enquanto tudo o que ele fazia era me ouvir tristemente.
Eu o conheço, se fosse qualquer outro em meu lugar, ele não agiria assim.
Se fosse o Gray ele com certeza iria partir pra cima dele. Se fosse a Erza ele iria se defender, mesmo com medo. Se fosse o Mestre ele iria fingir que não estava escutando ou iria fazer graça.
Mas... fui eu. E eu o magoei de verdade.
Nem sei mais por onde voltar, e percebo que isso nem importa mais pra mim.
– Natsu... – eu digo de olhos fechados e sinto uma lágrima fria escorrendo em meu rosto.
Frio... uma coisa que nunca sentia quando estava ao seu lado.
Sento na beira de um penhasco sentindo as várias outras lágrimas que vem ao meu rosto e que logo se tornam um choro incontrolável.
– Uh?! – exclamo ao me escutar um barulho estranho. – Tem alguém aí? – pergunto olhando para trás, apesar de saber que esse tal barulho não veio da floresta.
Olho para a paisagem a minha frente a fim de esquecer do barulho, mas...
– O que é isso?! – grito ao ver que a beirada do penhasco se parte da parte firme da floresta. O que faz com que eu caia em queda livre.
– Natsu! – começo a gritar desesperada enquanto caio. Me lembro que daquela vez em que fui seqüestrada... Eu me joguei do prédio e ele me salvou. Fiquei na esperança de que isso acontecesse novamente, mas percebi que era apenas ilusão da minha parte. Ele não iria me salvar... – Natsu... – fecho os olhos e sussurro enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto novamente. Sinto um frio enorme por causa do vento em alta velocidade bem abaixo de mim.
– Aye, Lucy!
Puxa, posso até escutar a engraçadinha voz do Happy...
Mas... o que é isso? Do nada eu sinto que não estou mais caindo e aquele frio... Aquele frio que estava sentindo antes... desaparece. Me sinto confortável e... quente.
Quente? Mal posso acreditar nisso, nem tenho coragem de abrir os olhos. Mas o faço automaticamente quando escuto aquela voz.
– Tudo bem Lucy?
Seus olhos estavam ternos e cheios de preocupação. Mas ainda pude sentir seu jeito engraçado de ser.
– Eu nunca... vou deixar você ir. – o abraço fortemente.
Talvez assim eu ache que seja um jeito de mantê-lo perto de mim. Sem o deixar ir de novo.
Vou fazer o todo o possível para não deixá-lo ir mais. Nunca mais.
Notas finais
Deixem review se leu por favor! *-*
Fale com o autor