Notas iniciais
Olá leitoras! Me perdoem pela demora, espero postar mais ainda esta semana mas não estou garantindo nada.

R O S E G R A N G E R — W E A S L E Y

Havia se passado quatro dias desde a descoberta da traição de Samantha Young, três desde o convite do Malfoy e dois desde a partida de Hugo. Ele conseguiu recuperar seu apartamento e, com o pouco de vergonha na cara que ainda lhe restava, expulsou a folgada da ex-namorada de lá. Com a minha ajuda, obviamente.

Sábado era meu dia de descanso. Eu não saía de casa aos sábados. Se não fosse extremamente necessário, sequer me levantava da cama, porém meus planos foram interrompidos por batidas na porta logo às sete da manhã. Isso não era hora para visita.

Levantei-me rapidamente e, em tempo recorde, consegui vesti-me decentemente e dominar o ninho de ratos que havia se tornado meu cabelo.

Ao abrir a porta, dou de cara com uma linda criaturinha de cabelos roxos.

— Lou, o que faz aqui essa hora? – perguntei já dando espaço para que a pequena entrasse. Ela me parecia chateada, porém era não fazia ideia a que se referia a cor roxa de suas madeixas, nunca a vi com essa coloração antes.

— Só queria te ver, tia. Preciso ficar com alguém que não me troque por ninguém depois.

A coitadinha estava à beira das lágrimas. Assim que entrou, sendo imediatamente acompanhada por mim, abraçou-me forte e começou a chorar. Afaguei seus cabelos, totalmente preocupada. Era realmente difícil deixar minha princesinha triste a ponto de chorar.

— Diga para mim, o que houve? É seu namorado?

— Não tia, Dylan não fez nada. – respondeu soluçando.

— Então o que houve, meu amor? Está me assustando, Lou.

A garotinha separou-se então de mim e eu a puxei para o sofá. Sentei-me e acomodei-a em meu colo. Ela logo envolveu meu pescoço com seus bracinhos novamente, apoiando a cabeça em meu peito.

— Mamãe e papai estão me trocando, tia Rose.

— Seus pais, nunca te trocariam, Lou, de onde você tirou isso?

— Mamãe disse que teremos um novo bebê. – disse voltando a chorar novamente – Eles vão me jogar fora, não é, tia? Vão me deixar em Hogwarts o tempo que puderem e quando chegarem as férias, vão dar um jeito de se livrarem de mim, tenho certeza.

Victoire estava grávida novamente? E nem para me contar. Que amiga mais traíra.

— Como você veio parar aqui, Lou, quem lhe trouxe?

— O tio James passou em casa com a tia Minnie e pedi que me trouxesse. Mamãe não vai sentir minha falta mesmo. – lamentou – Eu quero morar com você, tia. A tia Minnie também está me trocando, ela está toda animada com o bebê.

— Meu amor, é claro que estão todos fascinados com o bebê. Uma vida nova sempre traz esperança, felicidade. É ótimo para todos. E já estava na hora da sua mãe te dar um irmãozinho, não acha?

A garotinha caiu no choro novamente, demorando a se recompor, desta vez.

— Você também vai amá-lo? – perguntou receosa.

— É claro, Lou.

— Mais do que me ama?

— Isso nunca, meu amor. Você sabe que é meu anjinho, não é? – esclareci beijando seu rosto.

Ela limpou as lágrimas e deu um pequeno sorriso.

— Eu não quero um irmão, tia. A mamãe não vai mais me querer com um bebê novo em casa.

Louise estava irredutível. Pensei bem no que dizer para não magoá-la ainda mais. Será que Victoire não havia conversado com ela? Tentado explicar que a amaria em toda e qualquer circunstância? Claro que ela disse, nossa menina é que tinha a cabeça mais dura do que a do pai. Precisava escolher as palavras certas para convencê-la de que ela era sim a nossa princesinha.

— Lou, você gosta muito da vovó Molly, não gosta? – ela assentiu – A vovó Molly também te ama muito, e veja bem quantos netos ela tem. Além disso, ela teve sete filhos, e amava a todos da mesma forma. Você acha mesmo que a sua mãe irá deixar de gostar de você só porque terá outro filho? Isso não vai acontecer, meu amor. Digo por experiência própria, a minha mãe não deixou de me amar depois que Hugo nasceu, nem a vovó Fleur deixou de amar a sua mãe só porque a tia Minnie nasceu. Está entendendo?

— Sim tia, só não acho que vocês precisam de mais uma criança. O que falta em mim? Eu sei que não sou mais pequenininha, e que todo mundo prefere os pequenos, mas eu posso tentar. – retrucou.

— Meu amor, um bebê pode mudar muita coisa, não sabia? Você, por exemplo. E a sua mãe, então? Sua mãe melhorou tanta coisa apenas por ter nascido.

— Como isso aconteceu? Um bebê não pode salvar o mundo. Bebês não são heróis.

Sorri ao lembrar do tio Harry, e de como ele fez com que o mal se afastasse de todos por um bom tempo, de como ele ficou famoso apenas por sobreviver, um bebê herói, de fato.

— Bem, você sabe que houve uma guerra, não é?

— Claro, quem não sabe? O tio Harry salvou a todos.

— Sim, no entanto você também sabe que nem todos sobreviveram, que houve sofrimento, dor, muitas perdas.

Ela abaixou a cabeça por um instante.

— Os meus outros avós se foram na noite da batalha, não é?

— Sim, meu anjo, seu pai já lhe contou sobre eles?

— Fala neles sempre. Ele não se lembra deles, tia, mas os ama.

— E é exatamente assim que a sua mãe se sente sobre o bebezinho. Ela não o conhece ainda, mas já o ama mais que tudo, a não ser, é claro, que você. – Louise sorriu com a frase, o que me fez ver que estava começando a entender o que eu queria dizer – Voltando ao assunto, nesta guerra aconteceram muitas coisas. Boas e ruins. Foi no meio da guerra que os meus pais resolveram mostrar que realmente se amavam, foi depois de toda a luta que o tio Harry conseguiu acabar com Voldemort. Entretanto, quando os duelos cessaram, quando a poeira abaixou, é que puderam ver os estragos deixados pela guerra. Neste momento é que as pessoas permitiram se entregar ao sofrimento. Para a família Weasley não foi diferente. Estavam todos tristes pela perda dos amigos, dos colegas, mas para os Weasley, a ausência do tio Fred era a mais dolorosa. Haviam perdido um filho, um irmão. Pelo que sei, o tio Jorge entrou numa depressão angustiante. Era o irmão gêmeo dele, com quem aprontava as maiores traquinagens. Meu pai disse que demorou muito até que ele pudesse encarar um espelho novamente.

“Pela ausência do tio Fred, a família inteira viveu de luto por um bom tempo, até que a tia Fleur, a sua avó, anunciou que estava grávida. A esperança e a felicidade começaram a voltar para dentro de cada membro da família, entretanto só inundou a todos, de verdade quando sua mãe nasceu, no dia 2 de maio de 2000, exatamente dois anos após o fim do terror imposto por Voldemort. No dia em que fazia um ano da morte do tio Fred, uma vida veio alegrar a todos, e conseguiu. Vovó Molly se ocupou em tricotar para a sua mãe e o tio Jorge viu que poderia começar a criar novas coisas, talvez brinquedos, para as crianças mais novas. Nada voltou a ser como antes, o tio Fred ainda faz falta a todos que o conheciam, porém somos muito felizes hoje, e a cada criança que nascia tudo parecia ganhar vida, Lou. É isso o que você também trouxe a nós, e verá que seu irmão ou irmã também fará o mesmo com você. Permita que ele ou ela traga alegria, aceite e verá que é muito melhor amar este serzinho do que odiá-lo. Ninguém está te trocando, estamos apenas acrescentando mais amor à família.”

Ela me encarou por um tempo, parecendo analisar tudo o que foi dito. Seu cabelo foi, aos poucos, retornando ao tom normal.

— Eu aceito, tia. Não estou mais chateada.

Sorri para ela. Minha menininha estava tão crescida, tão madura.

— Como sabe de tudo isso, tia?

— Quando eu tinha a sua idade, era muito curiosa e ficava zapeando pel’A Toca perguntando a todos sobre a guerra, assim que soube de sua existência.

— Você era bem esperta.

— Ainda sou, não acha?

— Eu te acho incrível, tia.

Passamos a manhã inteira conversando, comendo e arrumando os cabelos. Parecia que tínhamos a mesma idade. Em alguns aspectos, realmente tínhamos.

Ao fim da tarde, Victoire apareceu para buscá-la. Parabenizei-a pelo novo filho. A mesma estava mais do que preocupada com a filha. Sabia que a garota não havia reagido bem e me agradeceu muitíssimo por ter mudado um pouco os pensamentos de Louise. Minha loirinha foi embora e, por incrível que pareça, senti-me solitária em meu apartamento. Hugo tinha total razão nisto. Disse que seria doloroso voltar ao apartamento todos os dias sabendo que ninguém estaria esperando-o. Pela primeira vez em anos, imaginei como seria morar com alguém, talvez um namorado ou, quem sabe, um marido, que me receberia com muito amor ao fim do dia para discutirmos sobre nossas vidas no jantar. Alguém para dividir a cama nas noites frias. Louise dava alegria para qualquer lugar, por isso imaginei uma criança correndo por ali, tropeçando nos móveis. Um filho. Isso já era sonhar demais, fantasiar demais.

Resolvi tomar um banho e foi o que fiz. Após trinta minutos na banheira, deitei-me na cama a fim de ler um pouco. Estava absorta na leitura quando ouço batidas na janela. Abro-a e me deparo com uma coruja alva, linda. Amarrada em sua pata, uma carta. Desamarrei a fita que a prendia e dei um pedaço de biscoito à coruja. Quando a ave já alçava voo no céu, abri o envelope, sem remetente. Reparei que não era uma carta e sim um bilhete. Um aviso.

“Pensei em lhe fazer uma visita hoje, mas vi que estava acompanhada. Saiba que ainda espero uma confirmação, e se ela não chegar até mim, será um prazer buscá-la.”

〰✍

Na segunda pela manhã, como em todas as segundas da minha vida, levantei-me um tanto preguiçosa. Era de se esperar, visto que após um fim de semana de puro descanso, teria que começar a semana numa agitação incomum. A lista de compromissos do Ministro era mais do que extensa, o que fazia da minha lista de compromissos maior do que a dele. Eu era a responsável por garantir que ele não se estressasse demais, não se cansasse demais ou se sobrecarregasse demais e isso me fazia ficar a cada dia mais estressada, cansada e sobrecarregada. Não que eu desgostasse do Ministro ou do meu emprego, de forma alguma, a vida que tenho é mais do que poderia pedir, porém ainda assim tenho problemas e a dor de cabeça nunca ajuda.

— Larah, pode me dizer quando é a visita de Shacklebolt ao Primeiro Ministro trouxa? – perguntei à minha “chefe”. Não que ela fosse realmente minha chefe, é mais como se estivesse me treinando para meu futuro cargo que, por coincidência, era o seu atual.

— Às dez e quarenta. – respondeu. Larah olhou para mim preocupada – Você está bem, querida?

— Claro. – forcei um sorriso – Só um pouco de dor de cabeça.

— Tome uma poção e tente se animar, o Primeiro Ministro costuma ser bem carrancudo, mas talvez a presença de uma moça bonita amanse um pouco aquele velho ranzinza. – brincou.

— Sei lidar bem com velhos ranzinzas, convivi a minha vida inteira com Ronald Weasley. – entrei no clima.

Nós duas rimos e voltamos ao trabalho. Conversar com Larah era sempre reconfortante.

A verdade é que a dor de cabeça era consequência da preocupação que sentia. Tentava de todas as formas culpar o trabalho, no entanto ela era causada por outra razão. O bilhete que Scorpius Malfoy me mandara – sim, eu sabia que o bilhete era dele, de quem mais poderia ser? – mexeu comigo de uma forma que não pensei faria. Há muito não recebia uma mensagem como aquela: minúscula e recheada de provocações e segundas intenções. Na verdade não me lembro te ter recebido um bilhete como aquele alguma vez na vida, e isso deixa a situação ainda mais atraente, o que é preocupante pois sendo filha de Hermione e Ronald Weasley, e possuindo todos os genes da família, o que me atrairia mais do que o perigo?

Continuei editando relatórios, marcando e desmarcando compromissos, arquivando processos concluídos, agendando novos julgamentos. Ah, os julgamentos, como eu os odeio. São exaustivos e sempre me fazem chorar quando chego em casa porque a reação dos condenados me dá pena. Sei que todos são realmente culpados considerando que Shacklebolt é muito justo em suas decisões, entretanto não deixo de sentir certo remorso por fazer parte daquilo. Segundo Larah, preciso trabalhar esta minha área e deixar de ser tão sentimental. Preciso ser mais durona. Acho que estou conseguindo, nas últimas cinco audiências eu chorei por apenas duas horas quando coloquei a cabeça no travesseiro, não levei a noite toda.

Olhei para o relógio pela milésima vez. Dez e trinta e dois. Quando os compromissos eram com os trouxas, costumávamos aparatar num local próximo ao do encontro e ir andando até lá com o intuito de não assustar ainda mais as pessoas do que geralmente já assustamos. Recordo-me de quando precisamos contatar a rainha. Foi divertido se excluirmos o fato de eu, sem querer, ter derrubado uma vela, causando assim um incêndio em seu escritório. O mais engraçado foi quando ela desmaiou depois que eu usei a varinha para apagar o fogo. Jogaram um extintor de incêndio na minha cabeça e eu fui parar no hospital, nada grave felizmente.

— Weasley, estamos atrasados? – ouvi uma voz grave tirando-me de meus devaneios. Era só Kingsley me chamando e eu provavelmente não teria me desesperado se ele não fosse a pessoa mais importante do mundo bruxo.

— Senhor, me desculpe. Deveríamos partir da sua sala?

— Não desta vez, vamos pela lareira. – respondeu andando em direção à lareira da sala que eu dividia com Larah. Ela apenas observava a cena. Apressei-me a acompanhá-lo.

— Senhor, a sua lareira está com problema?

— Está questionando o seu superior, Weasley? – Shacklebolt se virou para mim com uma cara nada boa, e se considerarmos o fato de que ele tinha quase o dobro da minha altura, era realmente intimidador e ainda por cima era meu patrão, digamos que a Weasley aqui não ficou muito alegre com a situação. Suponho que a cara que fiz para Kingsley foi a mesma que meu pai faria se encontrasse uma acromântula pela frente, isto é, bem engraçada porque o Ministro desatou a rir – Precisava ver sua cara Rose, foi hilária.

Olhei para Larah procurando apoio, no entanto ela também ria descontroladamente. Acabei bufando em sinal e frustração e eles riram ainda mais da minha desgraça.

— Será que podemos acabar com a sessão “caçoando de Rose Weasley” e voltar ao trabalho? Se não se incomoda, senhor, estamos atrasados.

— Você está certa, vamos. – disse entrando na lareira e dizendo: casa do Primeiro Ministro. Não tive escolha a não ser ir atrás e fazer o mesmo.

Acredito que não exista outra palavra além de tediosa para definir nossa visita ao Primeiro Ministro. Conversas sobre a política atual do país, discussões sobre os bruxos convivendo com trouxas e vice-versa. Uma chatice. Além disso tudo, tive que aturar a esposa dele falando sobre os novos desfiles de moda. Será que ela reparou que as minhas roupas eram completamente bruxas? É claro que eu usava roupas trouxas em casa ou em ocasiões especiais, mas no momento estava trabalhando. Em resumo, apenas sorria e concordava. O almoço estava delicioso, sério, que os elfos me perdoem, mas o cozinheiro do Primeiro Ministro conseguia se igualar a eles neste quesito.

A tarde foi cansativa. Ao encerrar o assunto, todos brindaram com suas taças de champagne, outra bebida maravilhosa que já havia provado na casa dos meus avós Granger. Infelizmente tive que recusar o brinde pois estava em serviço e esta seria uma atitude nada profissional.

Voltamos ao escritório depois que o expediente de praticamente todo mundo havia terminado. Também pudera, já eram sete da noite. Passei na minha sala a fim de recolher meus pertences quando ouvi um baque no escritório do Ministro.

— Senhor – chamei – Precisa de ajuda?

Ao constatar que não receberia resposta, me dirigi até sua espaçosa e elegante área de trabalho.

— Ai meu Deus! – exclamei espantada ao encontrá-lo desacordado no chão – Kim.

Em meio ao desespero só consegui imaginar um lugar para o qual pudesse levá-lo. Segurei sua mão fria e desaparatei idealizando o Hospital St. Mungus.

— ALGUÉM, POR FAVOR. – gritei em busca de ajuda ao me estatelar no chão impecavelmente limpo do local. Duas enfermeiras vieram me auxiliar.

— Desculpe senhorita, estamos sobrecarregados. – informou uma delas – Se puder aguardar um instante...

— Não, eu não posso aguardar um instante. Está vendo este homem? – disse indicando Kingsley – É o Ministro da Magia e se ele morrer aqui, a culpa será inteiramente sua.

A enfermeira arregalou os olhos e voltou correndo ao seu posto. Não tive coragem de sair do lado de Kim nem um segundo, até que dois enfermeiros chegaram com o intuito de transportá-lo dali para onde quer que fosse. Tentei acompanhá-los mas fui impedida por braços fortes que seguraram meus ombros por trás.

— Calminha, Rose. – pediu uma voz grave já conhecida. Virei-me para encarar Scorpius Malfoy – Ele vai ficar bem, vou me encarregar de todo o processo. – garantiu – Prometa que ficará aqui até eu voltar? – eu apenas assenti sentindo meus olhos começando a arder – Melhor assim. Vai dar tudo certo. – e o loiro se foi na mesma direção de seus parceiros.

Não sei quanto tempo se passou até a chegada do meu pai juntamente do tio Harry. O mais alto escalão de aurores estava presente. Também não era para menos, o Ministro da Magia estava ali. Quando me viu, papai saiu correndo para me abraçar. Por sorte, a minha crise de choro de minutos atrás havia cessado e minha aparência estava apresentável pelo menos.

— Você está bem? – perguntou ao me soltar. Assenti forçando um sorriso.

— Estão cuidando dele. – disse referindo-me a Shacklebolt.

— Sim, querida. O que eu perguntei é se você está bem. – retorquiu.

— Estou, papai.

— Foi você quem o trouxe para cá? – inquiriu iniciando seu trabalho.

— Sim, eu aparatei com ele aqui, só pensei que se ele estava desmaiado, este era o melhor lugar para que pudesse ser tratado. Fiz mal?

— Claro que não querida, agiu certo. – respondeu tio Harry que chegara a meu lado – Se importa de ficar mais um pouco? Ainda temos que receber o laudo médico e você sabe, é nosso trabalho.

— Tudo bem. – sorri para ele – Faço o que for preciso.

— Tem alguma ideia do que pode ter causado o desmaio? – papai perguntou.

— Envenenamento, senhor. – Malfoy respondeu por mim chegando mais perto de nós –Felizmente já neutralizamos o efeito no organismo do paciente. Ele acordará em algumas horas. A notícia ruim é que não fazemos ideia da poção que originou tudo isso.

— É porque não foi uma poção. – sussurrei, porém audivelmente. – Foi veneno trouxa. Passamos a tarde inteira na casa do Primeiro Ministro, não tem outra explicação a não ser que ele o tenha envenenado.

— Ou que alguém tenha envenenado os dois. – sugeriu o tio Harry – Rose, ingeriu alguma coisa que os outros não?

— Claro. – afirmei recordando-me – Eles brindaram com champagne, só que eu me recusei a beber, estava de serviço.

— Isso aí filhinha. – congratulou papai – Precisamos ir agora. Vamos visitar o Primeiro Ministro. – virou seu olhar para o medibruxo presente. Desfez a carinha de papai orgulhoso e incorporou a carranca de auror bravo – Por favor, faça uma checagem em Rose.

— Papai! – protestei pela forma que havia falado. Tio Harry e Scorpius tentavam omitir um sorrisinho zombeteiro.

— Desculpe querida. – pediu com as orelhas vermelhas devido ao constrangimento – Digo, examine a minha filha, ela passou por um choque. Tente fazer isso sem tocar muito de preferência. – acrescentou fazendo-me corar.

— Com prazer, senhor.

— Não, por favor, não diga isso. – implorei afastando-me um pouco deles. Precisava de ar.

Papai e tio Harry foram embora levando com eles toda a tropa de aurores ali presente. Malfoy logo se aproximou.

— Podemos ir para a minha sala. – sugeriu. Encarei-o com uma sobrancelha erguida – Não pense mal de mim, só quero ver se está bem.

— Eu estou, estou ótima, só quero comer alguma coisa, tomar um banho. Vou esperar meu chefe acordar.

— Posso te ajudar com isso. – analisei-o da mesma forma que antes, completamente espantada – Não com o banho, com a comida. – continuei encarando-o – Você entendeu. Dá para parar de ver maldade em tudo? – reclamou – Vamos para a minha sala, eu examino você e depois podemos sair para jantar. Meu pai está com o Ministro, ele ainda não pode receber visitas, então não vai adiantar nada você ficar aqui. Meu plantão termina em dez minutos.

— Não acho uma boa ideia.

— Não tente me convencer do contrário, Rose Weasley. Eu salvei o Ministro, você tem uma dívida comigo e acho justo pagá-la com um jantar.