Nunca Fui Beijada

1 O tal do primeiro beijo


Notas iniciais
Olá pessoas! Não vou me demorar aqui porque é o primeiro capítulo. Espero de coração que gostem e comentem a opinião de vocês, isso é de extrema importância. Sejam todos bem-vindos e tenham uma boa leitura!

R O S E G R A N G E R – W E A S L E Y

— Tia, preciso te contar um segredo. – cochichou Louise em meu ouvido – Vamos para o meu quarto?

Concordei e segui-a, curiosa.

Louise é a filha de Victoire e Teddy, meus primos. Tudo bem, Teddy não é exatamente da família, mas sempre o consideramos um membro importante. A garotinha tem apenas onze anos e possui a desenvoltura de uma adulta. Desde que nasceu sou muito apegada à pequenina devido ao histórico de amizade com sua mãe.

Seu nome é originado do tio, Louis. Segundo Vic, para não causar brigas entre seus irmãos, sua filha levaria o nome que o caçula decidisse e a irmã do meio, Dominique, seria a madrinha da princesinha. Acompanhei o crescimento de Louise até sua primeira viagem a Hogwarts, em setembro passado. Agora ela havia retornado para as férias de verão e provavelmente teria muita história para contar, por isso tirei um tempinho da minha tarde para visitá-la.

Ao chegarmos em seu quarto, todo decorado em tons de lilás – sua cor predileta –, Louise trancou a porta e puxou-me para que a acompanhasse, sentando em sua cama.

— Tia, você tem um namorado? – inquiriu envergonhada.

— Não, querida, você sabe que não tenho.

— Eu tenho. – confidenciou soltando um risinho tímido no fim.

Espantei-me. Mesmo Louise sendo precoce como era, me parecia jovem demais para namorar. Talvez fosse daquele modo que as crianças namoram, com beijinhos na bochecha e doces de presente.

— Fico feliz por você. – sorri – Agora que tem um namoradinho, pode experimentar passear com ele, trocar abraços...

— E beijos, não é? – interrompeu-me.

— É claro, beijos carinhosos pelo rosto não podem faltar.

— Beijo no rosto? Isso é coisa de criança, tia. Eu já sou uma mocinha.

— Ainda assim, é muito nova para começar a encostar sua boca em outra. É algo que deve acontecer vagarosamente, dependendo da convivência e da afinidade que você tem com a pessoa que gosta.

— Acontece que eu e Dylan Ferber já nos beijamos. – declarou – Várias vezes.

— Louise Lupin, que história é essa? – subi um pouco o tom, repreendendo-a. A loirinha abaixou a cabeça e percebi que a raiz de seus cabelos começavam a adquirir uma coloração azul claro, que se misturava com o loiro habitual. A culpa me atingiu.

Louise havia adquirido um pouco da metamorfomagia do pai e, ainda que a condição não manifestasse nela com a mesma intensidade que manifestava em Teddy, desde bem nova a coloração de seu cabelo mudava de acordo com seus sentimentos. Vic conta que era ótimo pois era a única mãe que conhecia que conseguia saber exatamente o que o bebê estava sentindo.

— Minhas amigas disseram que é normal, não sabia que você ficaria furiosa comigo, tia. – choramingou.

Arrependi-me instantaneamente ao vê-la naquele estado, tão tristinha.

— Me perdoe, meu bem. – me aproximei, envolvendo-a em um abraço – Não queria ter gritado com você. Está tudo bem, isso é mesmo bem comum.

Ela se virou para mim com um sorrisinho conformado no rosto.

— Não está mais brava comigo?

— Sabe que não consigo. Agora, me diga, como foi seu primeiro beijo?

Enquanto minha priminha relatava com entusiasmo sua aventura amorosa, ficava imaginando como seria se não tivesse dado um soco em Willian McFisher após o mesmo ter tentado me dar um beijo no primeiro ano. Ou quando Simon Burns se declarou para mim no quarto ano, talvez fosse diferente se eu não tivesse gargalhado dele. Será que se eu não tivesse jogado Logan Carter da janela ele teria conseguido colar seus lábios nos meus? Pode ser que sim.

— Tia Rose, não vai me responder? – chamou Louise.

— Desculpe, querida. O que disse?

— Perguntei como foi seu primeiro beijo.

Em toda minha vida perdi várias oportunidades de me envolver romanticamente com alguém e quando eu finalmente decidi que era hora de começar minha vida amorosa, os garotos já não me queriam mais, tinham medo de mim, medo de se aproximar e acabar na enfermaria. Deste modo, recebi como castigo ser uma mulher de vinte e quatro anos, que ao olhar de todos é bem resolvida e independente, que só não namora porque não quer. O que eles não sabem é que não namoro porque não consigo, porque ninguém me quer, nem mesmo os trouxas. Eles sequer desconfiam que sou uma bela de uma solteirona virgem. Pior, uma solteirona boca virgem.

— Qual é a graça de saber como foi o meu primeiro beijo se você pode saber como foi o da sua mãe e usar isso contra ela?

— Sério? Você pode mesmo me contar? – questionou interessada.

— Mas é claro. Fique sentadinha aqui, posso lhe contar as histórias amorosas mais loucas de toda família Weasley.

〰✍

— O que está fazendo aqui? – perguntei a meu irmão, que estava parado em minha porta com uma aparência horrenda.

— Obrigada pela recepção calorosa, irmãzinha. – ironizou atropelando-me e entrando em meu apartamento sem cerimônia, jogando-me em meu sofá em seguida. Ele estava indiscutivelmente bêbado.

— É sério, Hugo, já passa das duas da manhã. O que houve? – quis saber agora mais preocupada.

— Ela me largou. – disse apenas.

Não precisava mais do que isso. Sua namorada, Samantha Young havia rompido o relacionamento, e eu sabia muito bem o motivo.

— Eu avisei.

— Eu sei. – declarou irritado – Vim pedir desculpas a você, não deveria ter gritado contigo daquela forma.

— Não precisa. – garanti, sentando-me a seu lado e fazendo com que apoiasse a cabeça em meu colo. Comecei a acariciar seus cabelos tão ruivos quanto os meus.

— Você me alertou e eu parei de falar com você por causa dela, porque fui burro demais para enxergar que ela me traía. Agora ela está lá, feliz da vida com ele, enquanto eu vim procurar abrigo na casa da minha irmã para que minha mãe não me veja bêbado. – desabafou com a voz embargada.

— Está tudo bem, pode vir para cá sempre que precisar.

— Às vezes gostaria de ser como você, Rose. Não se envolver em relacionamento algum é bem melhor do que sofrer por alguém que ama.

— Não diga uma coisa dessas. – repreendi me magoando um pouco – Não sabe como é ruim.

— Você é que não sabe como é a dor do amor.

— Só porque nunca beijei ninguém, não significa que nunca sofri por amor, Hugo. – declarei nervosa.

— Irmã, eu a peguei na cama com outro homem. Na nossa cama, na nossa casa e estava disposto a perdoá-la, porque a amo e não conseguiria viver sem ela. Estava disposto a dividi-la com outro alguém porque não consigo viver sem ela, e ela teve a coragem de se virar para mim e dizer que acabou.

Encarei-o boquiaberta, dando um peteleco em sua testa diante de tamanha burrice.

— Talvez ela não curta homens idiotas, Hugo. Não acredito que foi capaz de aceitar uma traição com tanta naturalidade. – manifestei incrédula – Como foi capaz de se submeter a um ridículo desses? Se papai tomar conhecimento de que o senhor fez isso, ele te dá um soco para consertar seus miolos, sabia?

— E se suas amigas tomarem conhecimento de que a senhorita nunca beijou, vão rir da sua cara, sabia?

Ele sempre voltava naquilo, que saco.

— Quer um teto para dormir, ou não? Se continuar a me insultar chuto você daqui para a rua.

— Okay, me perdoe. Estou embriagado e deprimido. Descontar em você não é minha intenção, Rose. – fechou os olhos, franzindo a testa, provavelmente sentindo os efeitos da bebida com mais intensidade – Gratidão e desculpas é tudo o que devo a você.

— É bom que saiba, pirralho. De agora em diante, é melhor me obedecer. – alertei – Agora, sem querer me intrometer, o cara que estava com ela era o mesmo que eu vi da outra vez?

— Quem, Alfie Mitchell? – confirmei – Não, o de hoje era outro.

Não podia dizer que estava surpresa com o atrevimento de Samantha. Fazia bem o feitio dela.

— Quem?

— Um tal de Scorpius Malfoy.