Numa noite fria e deserta

Não estou debaixo de minhas cobertas

Meus passos discretos e delicados cortam o silêncio

E vejo ele esperando-me atrás das sombras.

Caminhamos sem destino pela estrada

Sorrisos se formando nos rostos

Mãos entrelaçadas transmitindo calor

Corações pulsando frenéticos.

Não é preciso diálogo

Para saber o que pensamos

Só a presença de um é suficiente ao outro.

A cena se repete como sempre foi

Ás vezes com carinhos, beijos e abraços

Como sempre foi, como sempre aconteceu há algum tempo

Desde que eu comecei a observá-lo e depois amá-lo

Porém essa minha alegria

Jamais experimentei de dia

Sempre nas noites frias e desertas

Sempre com meus olhos fechados, nunca abertos

Somente na manhã devo abrí-los

Pois estando finalmente abertos

Me lembro que nada disso aconteceu.