Numb Of Love

23 Capítulo 22


Suspirei pesadamente, ainda não entendia o porquê de está ali, parada em frente àquela gárgula idiota, nervosa e sem ter ideia de qual seria a senha.

– Sapos de Chocolate? — perguntei incerta, tentando pela vigésima vez.

E novamente, nada aconteceu. Bufei irritada, como pude ser tão idiota a ponto de vir aqui e tentar adivinhar a senha? Poderia ser qualquer coisa!

– Suco de Abóbora — escutei um murmúrio vindo de trás de mim.

A gárgula saiu do caminho, revelando a escada em espiral que dava para a sala do diretor.

– Devo dizer que estava no caminho certo, Srta. Weasley — a pessoa que falou a senha disse, colocando suas mãos em meus ombros e me conduzindo a escada — Suponho que gostaria de falar comigo, estou certo?

– Sim, Prof. Dumbledore — eu suspirei, mexendo minhas mãos em um ato involuntário.

– Estou aqui, minha criança — ele abriu a grande porta, revelando sua sala e me levando para a desconfortável cadeira em frente a sua mesa — Pode falar.

– Eu... — comecei incerta do que falaria.

– Sim? — ele perguntou, quando eu não completei a frase.

– Eu estou confusa, professor — falei, bufando em seguida.

Ele me observava atentamente, com seus olhos azuis genuínos me radiografando.

– Eu ando tento uns sonhos... Com uma pessoa do futuro — falei, com receio — Mas eu não sei se são apenas sonhos e, se fosse mais que isso? Poderia ser real?

– Você sabe a verdade querida — ele falou calmo — O que seu coração diz? Os sonhos são reais?

– Sim — eu falei convicta.

– Então, não vejo o porquê de vir me procurar — ele disse, me fitando intensamente — Você tem a resposta de todas as suas perguntas e duvidas, basta seguir seu coração.

– Mas... — tentei protestar.

– Sem mas... — ele me interrompeu — Rose, só você pode se responder, eu não tenho essas respostas. Faça o que seu coração mandar.

– Obrigada Prof. Dumbledore — eu suspirei certa de que não conseguiria nada mais do que isso.

– Espere — ele falou, quando eu me virava para a porta.

– Sim? — perguntei confusa.

– Lembre-se, querida: O amor é a arma mais poderosa de todo o mundo. Ele vence tudo, descubra quem você ama que descobrirá o que fazer — terminou, sorrindo.

Eu apenas assenti, saindo de sua sala confusa.

– Professor — me virei rapidamente, me lembrando de uma coisa — Seria muito se eu pedisse um favor?

– Fale — ele disse curioso.

Contei a ele minha ideia e ele abriu um sorriso.

– Falarei com a Prof. McGonagall — ele falou — Estou certo que ela não verá problemas em fazer isso.

– Obrigada — sai da sala um pouco esperançosa.

–*-

Um vento frio passou pelo corredor em que eu andava, me fazendo encolher.

– Rose? — escutei um chamado, com um sotaque carregado.

Virei-me e me deparei com Vitor Krum.

– Vitor — cumprimentei.

– Você viu onde está a Herrmione? — ele perguntou, com seu forte sotaque.

– Não a vi o dia inteiro — eu respondi.

Ele assentiu, voltando de onde havia aparecido.

Como era domingo, a maioria dos estudantes estavam nos jardins, aproveitando que não chovia.

Eu não vira Draco desde ontem, em nossa estranha conversa. Estava nervosa, o que ele faria quando me visse? Me ignoraria como vinha fazendo desde aquele dia em que contei a verdade?

Não sabia o porquê de tanto nervosismo, afinal, não fora a primeira vez que nos beijávamos, mas eu sentia que dessa vez havia sido diferente...

– Rose? — me sobressaltei quando escutei me chamarem, novamente.

Eu reconhecia aquela voz, reconheceria sempre, mesmo no futuro.

– Draco — eu falei, sem me virar para confirmar.

Escutei seus passos em minha direção, porém, continuei de costas.

– Quer... — ele sussurrou, em meu ouvido, me arrepiando — ir ao jardim comigo?

Me surpreendi com seu convite e me virei abruptamente, esquecendo que ele estava bem atrás de mim e batendo em seu peito.

Arfei nervosa com a perigosa proximidade. Escutei sua risada baixa e corei violentamente, me escondendo no seu peito, em um ato involuntário.

– Desculpe — murmurei ao perceber, corando mais ainda e me afastando.

– Sem problemas — ele me puxou novamente para seu peito, de modo que sua voz fria me arrepiou novamente.

– Eu aceito — murmurei, levantando os olhos para encará-lo — Vou pegar um casaco.

Apesar de não está chovendo, estava muito frio e ventava.

– Já volto — murmurei e, surpreendendo tanto a mim quanto a ele, lhe dei um selinho, me virando para o Salão Comunal, que estava perto, pois estávamos no 7° andar.

–*-

Acordei mais cedo que o normal, tentando assim escapar de Harry e Ron, que queriam me matar a essa hora.

Me arrumei rapidamente, torcendo para que eles ainda não tivessem acordado e eu só tivesse que enfrentá-los nas aulas.

Saí do Salão Comunal, que estava deserto, e fui para o Salão Principal.

As poucas pessoas que já haviam acordado apontavam para mim e comentavam baixinho uns com os outros sobre ontem. Esse também era o motivo de eu fugir dos meninos.

Flashback ON.

Eu e Draco estávamos sentados em frente ao Lago Negro, encostados em uma árvore, o observando em silêncio.

– Posso... — ele começou, se virando para mim rapidamente — Fazer uma coisa?

– O que? — eu perguntei dividida entre está temerosa e curiosa.

– Isso — ele murmurou, chegando mais perto e selando nossos lábios.

Depois de ter passado minha surpresa eu comecei a corresponder, permiti a passagem de sua língua, aprofundando mais o beijo. Logo uma das mãos de Draco apertava minha cintura enquanto a outra, nada delicadamente, subiu por minha nuca até se enroscar em meus cabelos, como se tivesse medo que eu fosse fugir. Era como se uma corrente elétrica passasse entre nós, e só o que eu podia fazer a respeito era puxá-lo ainda mais contra mim.

Quando eu já pensava que iria desmaiar, ele partiu o beijo, encostando a testa na minha. Eu arfei, sentindo meu corpo tremer enquanto a outra mão dele subiu por meus ombros até meu pescoço, e daí para meu rosto. Deu-me um selinho demorado, e se levantou, voltando para o castelo.

Flashback OFF.