Nuestro Camino - Chiquittitas
4 Um lugar pra ficar
Notas iniciais
Pov. Mosca
Uma semana se passou desde que a Pata entrou no orfanato, e todos os dias eu e os meninos íamos visita-la. Mas a cada dia que se passava mais ela gostava do orfanato, e mais complicado estava de morar na rua.
Como sempre fomos visita-la. Contei que estava complicado ficar na rua, e que estávamos pensando em ir para outra cidade.
Pata – Mas a gente não pode se separar. – Falou um tom mais alto que o normal.
Eu – Eu sei, por isso viemos te buscar.
Pata – Mosca, eu não vou. – seus olhos encheram d’água, mas ela era forte, e não chorou. – Eu gosto daqui, essas pessoas são boas comigo.
Devo admitir que foi difícil ouvir tais palavras. Como assim ela não viria comigo? Ela preferia ficar presa ao ficar comigo? Não consegui entender.
Eu estava prestes a ir embora, quando ela falou:
Pata – Mosca espera. Vocês podem ficar aqui.
Rafa – Mas esse orfanato não é só para meninas?
Pata – eu posso falar com a Tia Sofia, ela pode convencer o dono do orfanato de deixar vocês entrarem.
Rafa– Eu topo. Comida todo dia, poder tomar banho, uma cama quentinha.
Binho que estava quieto até o momento, deu dois passos atrás e disse:
Binho – Não. Banho Não.
Eu – É pode ser. — Assim eu poderia ficar perto da minha irmã, não teria que me preocupar com o que comer. E talvez pudesse conhecer mais daquela menina, a qual eu ainda não sabia o nome. – Mas agora temos que voltar, vai ficar tarde.
Pata – Espera, outro dia eu estava brincando com as meninas e descobri um Porão aqui no orfanato. Vocês podiam ficar nele até que o dono do orfanato desse uma resposta.
Rafa – E ai você ia poder levar comida pra gente.
Binho – Caramba Rafa, você só pensa em comer.
Eu – também né Binho, tem três dias que a gente não come.
Pata – Esta tão ruim assim? – Falou em um pouco surpresa.
Rafa – Pior que ta.
Eu – Mas pera ai. Como a gente vai entrar nesse porão?
Pata – do lado de fora da casa deve haver uma passagem.
Eu – Binho vai lá ver. – O mesmo foi averiguar, não demorou muito ele gritou.
Binho – Eu achei.
Pata – À noite eu vou levar comida para vocês, agora é melhor eu entrar.
Assenti com a cabeça e fui com o Rafa até o Binho. Ele estava parado ao lado de uma porta no chão. Entramos, e estava tudo muito sujo, mas era melhor o que onde estávamos. Enquanto esperávamos a Pata, resolvemos arrumar o local.
Horas depois Pata apareceu com a comida.
Eu – Valeu Pata, já não aguentava mais a barriga do Rafa. – Disse pegando a comida, não era muito, só suficiente para matar a fome, alguns pães e biscoitos.
Rafa – Hei, eu não tenho culpa da minha barriga fazer barulho.
Binho – E bem alto por sinal.
Rimos da piada do Binho, e reparti a comida igualmente, para ser justo. Enquanto comíamos, Rafa perguntou se ela já havia falado com a Diretora do orfanato, ela disse que sim, e que estava esperando a resposta.
Pov. Mili
A chegada da Pata não foi fácil, mas nessa semana até que viramos amigas, ela me contou sobre o irmão e os amigos que estavam na rua, que deveriam ser os mesmos que havia avistado no dia em que ela chegou.
Na hora do jantar, vi a Pata separando alguns pães, estranhei, mas preferi não falar nada. Mais tarde, enquanto todos foram dormir me deu sede e fui beber água. Quando estava voltando para o quarto ouvi um barulho vindo do quarto de limpeza, então resolvi averiguar, mas quando entrei não tinha nada.
– Que estranho. – sussurrei para mim mesma, e sai.
Quando voltei para o quarto Pata que estava a se deitar, tomou um leve susto e perguntou:
Pata – O que... O que você esta fazendo acordada?
Eu – Fui beber água, mas ouvi um barulho e fui ver o que era.
Pata – Que... Que tipo de barulho? – Parecia nervosa.
Eu – Eu não sei, deveria ser rato ou alguma coisa do tipo. O que é estranho já que a Ernestina esta sempre limpando tudo.
Pata – Mas deve ser rato mesmo.
Eu – Mas o que você esta fazendo acordada?
Pata – Eu?! Eu... Eu tava com sede, mas já passou.
Eu – Ata. Então boa noite. – Disse encaminhando-me até a minha cama.
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