Nu ma opri
7 Capítulo 7 – Enlouquecendo
Notas iniciais
Três dias se passaram desde que os detetives haviam feito os interrogatórios e nada de localizar o mafioso. Após a denúncia que fizeram ao tenente Cavanaugh sobre a suspeita de um policial infiltrado no esquema haviam redobrado o sigilo sobre o caso e a todo instante procuravam por falhas internas que os levassem a alguma nova pista.
Os resultados dos exames não foram suficientes para que eles localizassem o local que o segurança foi morto, nunca acharam a arma do crime. A única certeza era que o M.O. não batia com os das vítimas anteriores, o que já não era nenhuma surpresa. Puseram uma patrulha para vigiar o manobrista Ramirez na esperança que ele os levassem à algum lugar, mas até agora nada havia acontecido.
Frankie entrou no departamento com passos largos e a cara emburrada. Jogou um jornal sobre a mesa de Jane que redigia um relatório atrasado.
– O que quer dizer essa manchete?
– Desaprendeu a ler, foi? – respondeu Jane sem se abalar com a chegada do irmão — Por acaso nós voltamos pra escola e eu vou ter que te ajudar com a lição de casa?
Frankie apontava com o dedo forçando contra o papel onde havia a matéria e dizia em tom grave e ofendido:
– Jane, é sério! Como assim, vocês tem um novo suspeito do caso do romeno e ninguém me contou nada??
Frost que senta na mesa em frente a de Jane se inclinou puxando o jornal em sua direção e lendo em voz alta:
– “Polícia de Boston não descarta possibilidade de ser um serial killer nos ataques em North End” – fez uma pausa encarando o amigo depois começou a ler a matéria – “Em nota oficial o departamento de segurança da capital do estado de Massachusetts, afirma não ter concluído o caso de homicídio de cinco vítimas ocorrido nos últimos dois meses no bairro de North End. Inicialmente apontado como parte de um possível acerto de contas de uma rede de drogas e prostituição, a equipe de investigação não descarta a possibilidade de estarem lidando com o serial killer, visto que o modus operandi se repete em todos os casos, assim como o intervalo das mortes. O tenente responsável afirma que seus oficiais não descansarão até que a justiça seja feita e se for comprovado que se trata de um serial killer, ele mesmo entrará com um pronunciamento para alertar à população dando todas as informações necessárias para que fiquemos protegidos.”.
Jane finalmente tirou os olhos do monitor e suspirou fundo. Encarou Frost, depois Korsak que também havia parado o que estava fazendo para acompanhar a conversa dos colegas. Ambos lhe fizeram um sinal discreto de positivo com a cabeça, Jane então se levantou indo em direção à sala de descanso pedindo para seu irmão a seguir e fechar a porta.
– É uma nota falsa! Emitimos de propósito, Frankie. – a morena viu o outro arquear as sobrancelhas em confusão mas continuou antes que ele perguntasse qualquer coisa – O informante do Mitrea é daqui de dentro, não podemos deixar ninguém saber da verdadeira investigação. Se ele achar que estamos completamente perdidos tanto melhor.
– Oh, certo. Então a ideia deixar o cara convencido de que jamais será pego pra que ele fique mais displicente talvez e dai pegamos ele? – o rapaz disse empolgado.
– É, por ai mesmo. Até que você está se saindo bem como detetive, irmãozinho!
Frankie balançou a cabeça e ficou pensativo. Depois reclamou que a entorpecentes estava totalmente parada, o Martinez só queria pegar no pé dos dois dizendo que precisava dele lá, mas a verdade é que não estava fazendo praticamente nada além de arquivar papelada. Depois discutiram coisas sobre os preparativos da festa de aniversário do sobrinho TJ que seria no outro fim de semana na casa da Maura. A verdade é que desde que Angela foi morar na casa de hóspedes da legista lá havia se tornado a casa da família Rizzoli onde aconteciam todas as reuniões familiares, almoços de domingo, comemorações, etc. E ao contrário do que Jane pensava a princípio, que aquilo aborreceria a amiga, ela se sentia bem melhor com essa situação. A vida toda morando numa casa enorme, porém sozinha porque seus pais eram muito ausentes, estar cercada hoje por uma família barulhenta, porém muito amorosa e unida a fazia se sentir acolhida e confortada. Ela adorava quando marcavam alguma coisa na casa dela.
O dia correu sem grandes novidades no departamento. Já era noite todos encerraram seu expediente no horário normal o que era praticamente um milagre ainda mais numa sexta-feira em que todo trabalho da semana parecia se acumular e ter que ser encerrado correndo, e foram ao Dirty Robber descansar um pouco. Sentaram numa mesa de sempre: Korsak e Frost de um lado, Jane e Maura do outro. Pediram suas bebidas e alguns lanches enquanto falavam sobre o caso até se cansarem e resolverem falar sobre coisas mais agradáveis de qualquer natureza. Após duas cervejas e um lanche especial realmente pesado Jane abria e fechava os olhos devagar. Maura que já estava na terceira taça de vinho ria de maneira um tanto estridente de uma piada contada por Korsak.
– Parece que alguém está ficando alta, hã? – disse Jane encarando a legista com um sorriso cínico.
– Biologicamente, mulheres crescem em ritmo progressivo até a chegada da primeira menstruação. – a loira começou a falar com toda naturalidade — Depois dela, só crescem poucos centímetros anualmente pelos próximos 3 ou 4 anos seguintes quando atingem o auge de suas estaturas. Logo eu não posso estar mais alta, Jane. É verdade que com o artifício do sapato de salto é possível enganar os olhos alongando nossa silhueta...
Jane a interrompeu rindo e colocando uma mão sobre a coxa da legista:
– Ok, Dra. Wikipedia nós já entendemos que mesmo “alta” você continua a sabichona de sempre!
Os outros dois homens riram enquanto Maura contraia os lábios em desaprovação à referência de site nada confiável que ela insistia em pedir para a morena não a chamar, mas parecia impossível. Bebeu outro gole de vinho enquanto Frost começava a contar animadamente uma história. Notou que Jane não havia retirado a mão de cima dela, pelo contrário, começara a fazer carinho na perna da loira. Korsak tirava sarro do amigo que não conseguia continuar direito a narrativa, Jane ria da cena, mas Maura sequer estava ouvindo o que eles falavam, por um minuto se perdeu no toque da outra, e parecia não haver mais nada ali naquele lugar. Virou o resto da taça e num impulso colocou a mão sobre a mão da detetive que a olhou e deu um sorriso, enquanto apoiava o outro cotovelo na mesa e a cabeça na mão fechando os olhos.
Maura brincava com a mão de Jane enquanto esta fazia movimentos circulares com o dedão em sua perna. A legista aos poucos foi puxando a mão da outra e a escorregando pela sua calça de cetim para a parte interna da coxa. Jane deu um apertão suave ao perceber para onde sua mão havia sido guiada e devagar deslizava todos os dedos para cima e para baixo naquela área. Maura já respirava mais forte sentindo a excitação que o toque da outra lhe causava quando Frost disse bem alto tirando as duas mulheres do transe:
– Caramba Jane, pode não ser a história mais interessante do mundo, mas também não precisava dormir, né?
Jane levantou a cabeça abrindo os olhos e retirando bruscamente a mão que estava na legista se apressando em dizer:
– Eu estou cansada! Vamos pedir a conta e ir embora que é melhor. Outra hora você termina de contar suas aventuras, parceiro.
Maura ficou frustrada com a interrupção, mas sorriu de maneira educada para os colegas e concordou com a escolha da morena já procurando a carteira para pagar sua parte da conta.
Uma vez em casa, após uma ducha rápida a loira vestiu uma camisola leve e se deitou rolando de um lado para o outro na cama em seguida. Estava meio tonta pela bebida, mas o maior motivo de sua agitação era que ainda sentia as carícias de Jane nela. Não conseguia de maneira alguma pensar em outra coisa senão a morena passando a mão em seu corpo. Após mais alguns minutos lutando contra sua mente se deu por vencida e resolveu experimentar a única coisa que fazia sentido para se livrar daquela tensão: se levantou e foi em direção ao closet, procurou entre as caixas e logo fez seu caminho de volta à cama com um vibrador em mãos.
Maura deitou de novo retirando a calcinha dessa vez, levantou a camisola e com uma mão começou a massagear os próprios seios. Os amassava com força enquanto posicionava a lateral do aparelho em seu clitóris já pulsante. O ligou e lentamente passava pela região se estimulando cada vez mais. Fechou os olhos e imaginou Jane, o toque dela em sua perna indo até ali, podia sentir o perfume da morena misturando com o seu, os cabelos desarrumados que ela nunca havia dito alto mas achava que a deixavam incrivelmente mais sexy quando estavam assim...
Se ajeitou na cama, dobrando os joelhos e apoiando com as plantas dos pés no colchão deixou as pernas bem abertas e foi descendo lentamente o vibrador até encaixar sua ponta em sua entradinha, forçou um pouco para dentro tirando em seguida, já estava bem molhada e sem dúvidas não voltaria atrás no que havia começado ali. Iniciou um movimento de vai e vem primeiro sem por tudo, num ritmo lento que aos poucos foi aumentando, de repente já estava socando tudo para dentro gemendo alto enquanto pensava em Jane dizendo coisas safadas em seu ouvido com aquela voz provocantemente rouca.
Atingiu o ápice contendo um gritinho e se estirando na cama o corpo todo relaxado e levemente suado. Desligou o vibrador retirando-o de dentro de si enquanto encarava o escuro de seu quarto pensou num misto de choque e satisfação:
– Eu acabei de me masturbar pensando na Jane, definitivamente ela está me enlouquecendo.
Na manhã seguinte Jane acordou se lembrando do que havia acontecido no bar noite passada. Estava realmente com muito sono, num estado que se assemelhava à embriaguez quando fez todas aquelas carícias em Maura. Não se lembrava de como tinha começado exatamente mas pareceu que a loira havia lhe incentivado a continuar e ela gostou. Gostou muito por sinal, aquela perna macia a fez ir se lembrando do sonho que teve alguns dias atrás, toda sensualidade da legista se apresentando para ela, melhor seria se ela tivesse podido toca-la e... Não! Jane tinha que parar de pensar nessas coisas, Maura era sua melhor amiga, desde quando se tem pensamentos eróticos com amigos? Já era tarde, estava excitada só de ter pensado em tudo isso, a loira estava a enlouquecendo, tinha que dar um jeito de parar, se levantou da cama, tomou um banho gelado, depois colocou uma roupa de ginástica, pegou a coleira de Jo Friday e saiu disposta a correr o máximo que seu fôlego aguentasse. Exercícios físicos liberam endorfina tanto quanto a prática sexual, portanto aquela era a resolução ideal, Maura mesmo lhe diria isso se fosse em outra circunstância, não é verdade? Mal sabia ela...
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