Nu ma opri

16 Capítulo 16 – Cricket


Notas iniciais
Prontas pra mais emoção? Boa leitura!

O tenente Rafael Martinez fechou a porta atrás de si e ajeitou a gravata enquanto dizia:

– Bom dia, Dra. Isles! Espero que esteja tendo uma boa estadia. – se virou para a ruiva – Boas notícias pra você, meu amor, eu consegui o que eu queria e você também. Já trouxe seu romeno pra cá!

Alison mudou completamente sua postura voltando a ter o ar seguro e provocador de sempre:

– Você é um homem de palavra...O que mais tem escondido pra me surpreender, tenente?

O latino arqueou uma sobrancelha e mordeu os lábios de um jeito safado, mas não respondeu nada, olhou de novo para a legista:

– Jane não deixou ninguém em paz naquela delegacia desde que soube que você sumiu. Não me admira que tenham acabado de soltar um alerta atrás de mim e como bem conhecemos a detetive Rizzoli, ela já deve ter descoberto onde estamos e está vindo direto pra cá!

Maura franziu a testa confusa e falou em tom imponente:

– Não sei porque continua sorrindo então! Você perdeu, Rafael!

– Como disse: bem conhecemos a detetive Rizzoli, o que quer dizer que ela deve impulsivamente estar se dirigindo pra cá sozinha, louca pra salvar sua loirinha! Seria uma pena se eu desse fim nessa linda dupla romântica e ainda fugisse tomando o lugar de um milionário mafioso romeno — fez uma pausa encarando Alison — e com sorte até acompanhado de uma ruiva escultural ...

A legista o encarou de maneira feroz erguendo o queixo, porém seu olhar era assustado, sim ela conhecia o suficiente a morena para saber que era quase certo que ela estivesse indo pra lá sem reforços, mesmo esta tendo sido a causa de todo seu trauma com Hoyt a detetive ainda seria capaz de tomar a mesma atitude se julgasse necessário. O tenente riu de maneira descontraída:

– Ah, doutora, também quem não enlouqueceria por uma mulher como você não é? – olhou para Alison novamente — Ele está no outro container. Vamos para lá?

Maura viu Rafael abrindo a porta e esticando a mão para Alison segurar a acompanhando para o lado de fora e trancando a loira mais uma vez no pequeno compartimento.

Jane desligou a sirene do carro assim que chegou perto da área industrial, em poucas voltas já havia notado o galpão em frente à construção. Deixou o carro e entrou a pé nele. Viu vários containers sobrepostos e interligados por escadas formando o que ela deduziu serem pequenos escritórios ou depósitos. Se movia com o máximo de cautela possível evitando fazer qualquer barulho que certamente faria eco e chamaria a atenção.

Deu algumas voltas até notar a maçaneta de um dos containers girando sem abrir a porta, podia ouvir chutes vindo de lá de dentro. Correu com a arma em punho olhando para os lados e subiu pela escada num container a frente dele, viu pela janela em fita Maura lá dentro fazendo todo esforço possível para abrir o compartimento, procurou qualquer coisa nos bolsos mas não achou nada, vasculho o chão e viu uma tampinha de garrafa, a arremessou na janela, só não havia notado que ela estava fechada, logo a tampa bateu e caiu na sequencia no chão fazendo um grande estalo metálico. Maura olhou na direção da janela assustada e viu Jane fazendo sinal para ela ficar calma. A detetive desceu a escada se dirigindo ao container de Maura, já havia denunciado sua posição mesmo e o que estava prestes a fazer faria muito mais barulho que a tampinha então gritou:

– Maura, se afaste da porta, eu vou atirar! — mal terminou a frase e já havia disparado um tiro certeiro na fechadura, empurrou a porta com o pé a escancarando e dando de cara com a legista encolhida no canto oposto à porta com as mãos nos ouvidos:

– Maur, você está bem?? — disse a morena correndo em direção à outra deixando a arma em uma só mão e com a livre acariciando os cabelos da loira.

– Si-sim! Jane, temos que sair daqui, é uma emboscada, o tenente Martinez...

Maura foi interrompida por um dispositivo de metal caindo a seus pés que começou a liberar fumaça. Jane a agarrou pela mão puxando para o lado de fora do container. Ambas tossiam e tentavam proteger os olhos com o outro braço, não enxergavam nada quando Maura sentiu a morena soltar sua mão, andou cambaleante para longe da nuvem de fumaça chamando pela detetive.

Jane sentiu um braço forte lhe agarrar o pescoço por trás e soltou a mão de Maura na tentativa de se livrar do golpe dando uma cotovelada em seu agressor. Ouviu um gemido, mas não estava livre, ele agora agarrara seu outro braço e fazia uma alavanca em seu cotovelo. A morena ainda envolta na fumaça ouvia Maura lhe chamando, jogou seu corpo para trás caindo sobre o homem que a imobilizava. A arma de ambos escorregaram das mãos e foram parar longe. Jane livre agora de um lado do corpo rolou ficando sobre o antigo parceiro lhe acertando um murro na cara. Martinez deu uma joelhada na boca do estômago de Jane que recuou, aproveitando ele se virou de bruços e começou a engatinhar atrás de sua arma. Jane ajoelhada também vasculhava com os olhos onde estaria a sua. Maura que agora via os dois em meio a uma fumaça que quase desaparecia vislumbrou uma arma logo adiante, correu até ela, se abaixou para pegar, trêmula de tão nervosa quando ouviu a voz de Jane berrando:

– Maura!! – olhou a frente e viu Martinez de pé apontando sua arma para ela e a detetive num impulso absurdo correndo em sua direção.

Dois tiros foram disparados ecoando pelo galpão vazio.

Maura caiu no chão sentindo o peso do corpo de Jane sobre o seu, ela havia se jogado na frente da legista, estava agora sobre ela gemendo de maneira fraca. Maura sentiu um líquido quente escorrer em suas mãos, virou Jane de barriga para cima e tentou estancar o sangue que jorrava da lateral de seu abdômen.

– Não... – gemia Jane – O Rafael...Sai daqui, rápido!

Maura olhou de relance para onde Martinez estava de pé minutos atrás e o viu estirado no chão, com muito sangue escorrendo pelo peito e a arma jogada longe do corpo.

– Ele não vai a lugar algum, Jane. Agora fica quieta, estou tentando evitar que você tenha uma hemorragia!

– Quem... atirou? – ofegava Jane.

– Não faço ideia! Agora cala a boca, pelo amor de Deus!!

Jane soltou um risinho fraco:

– Mandona...

Maura segurou o riso balançando a cabeça enquanto olhava em volta procurando algo que pudesse usar para fazer uma sutura, quando ouviu a voz de Alison ao seu lado desligando o celular:

– Não há nada aqui pra você usar, mas já liguei pra emergência, é só continuar pressionando até a ambulância chegar.

Jane olhou a arma da mão da moça e depois em seus olhos:

– Você...

– Sim, eu matei o filho da puta, não precisa me agradecer, detetive!

– Mesmo assim... tenho que te prender, Irina...

A ruiva riu se abaixando para ficar mais perto do ouvido de Jane sussurrando de um jeito ao mesmo tempo debochado e provocante:

– Então é bom se recuperar, porque não creio que vá conseguir correr atrás de mim nesse estado, detetive, nem eu vou me entregar! – deu uma piscadinha sapeca depois se levantou encarando Maura – Cuidem bem uma da outra!

– Vamos cuidar, obrigada! – respondeu Maura num tom firme.

A ruiva então deu um aceno com a cabeça e logo em seguida saiu correndo ao som das sirenes se aproximando.

Os carros da polícia chegaram junto com a ambulância. Korsak, Frost e Frankie todos vestidos com coletes a prova de bala vieram correndo em direção as duas mulheres no chão. Cavanaugh se abaixou um pouco antes verificando a pulsação do tenente enquanto uma equipe de policiais vasculhava todos os containers.

Maura acompanhou Jane na ambulância, que nesta altura já havia perdido a consciência. Fora levada para sala de cirurgia enquanto a legista e os policiais se sentaram na sala de espera. Todos andavam de um lado para o outro, Maura que a princípio recusou ser examinada estava tão nervosa que teve uma queda de pressão devido não só ao nervosismo mas toda falta de sono e má alimentação dos últimos dias, cedendo enfim a ser avaliada e medicada.

Após algumas horas Jane foi liberada para o quarto, estava fora de perigo, mas só no fim da tarde é que acordou ainda zonza pelos remédios. Olhou para o lado e viu sua mãe sentada numa poltrona, segurando sua mão. A italiana lhe deu um sorriso luminoso e apertou mais sua mão contra a dela:

– Como está se sentindo, meu amor?

– Já estive melhor... – a morena fez um careta de dor – O que houve afinal?

Maura que estava na janela com Frankie deu a volta na cama de Jane ficando ao lado de Angela e respondeu prontamente com um sorriso largo no rosto:

– A bala chegou a atravessar, mas não pegou nenhum órgão, a demora na cirurgia foi porque você havia perdido muito sangue. Sua musculatura ficará dolorida algum tempo, em aproximadamente uma semana deve estar totalmente recuperada.

Jane sorriu para a loira analisando com pena sua cara cansada e as roupas sujas:

– Na verdade eu me referia ao Martinez. Ele sobreviveu?

Maura revirou os olhos fazendo cara de desaprovação, mas não deixava de sorrir:

– Você devia se preocupar com você em primeiro lugar, Jane! Mas não. O tenente Martinez já estava morto quando a ambulância chegou. O tiro que a Alison deu foi certeiro, pegou diretamente no coração...

– E ela? Ninguém alcançou??

– Não. – foi a ver do irmão mais novo se manifestar. – Na verdade o plano do Rafael era bem mais macabro do que pensávamos, Jane. Ele armou tudo para depois que matasse você e a Maura fugir pra Romênia tomando o lugar do Mitrea.

Jane fez cara de confusão e se ajeitou melhor na cama enquanto o irmão se sentava na beirada da mesma:

– Depois do plano de infiltração que o Mitrea sumiu, na verdade ele estava sendo mantido em cativeiro pelo Rafael. Ele já tinha uma documentação falsa e passagem comprada pra Romênia. Como a Dra. está aqui então ainda não concluíram a análise para afirmar a quanto tempo Mitrea já estava morto, mas o corpo foi encontrado num daqueles containers. Achamos que ele trancou Alison/Irina lá dentro, por que a ideia era que a gente chegasse e prendesse ela deduzindo que era a autora do crime todo, enquanto ele já estaria a muitos quilômetros da nossa jurisdição.

– Mas como então ela saiu de lá e atirou nele?

– Pois é, isso também não entendi, não havia sinal de arrombamento, apenas sabemos que ela foi pra lá por causa do depoimento da Maura, dai concluímos o resto!

– As chaves...- disse a loira baixinho – ela pegou um molho de chaves no container onde estavam me mantendo. Certamente fez uma cópia de todos os ambientes.

Jane ficou pensativa um tempo, até que Frankie concluiu apoiando uma mão afetuosamente no joelho da irmã:

– Realmente o Rafael não gostava dos Rizzolis né?

– Ele nunca engoliu o fato de eu ser contra os métodos dele na entorpecentes e muito menos eu ter conseguido uma promoção mais cedo num departamento bem mais concorrido...Só nunca imaginei que ele me odiasse a esse ponto e nem que fosse capaz de um plano desses! – deu um riso triste – Ele se tornou um daqueles monstros que caçamos todos os dias.

Angela já chorosa abraçou a filha com força que gemeu de dor fazendo todos soltarem uma gargalhada no quarto. Frankie foi no saguão chamar Frost e Korsak que estavam esperando para entrar, depois vieram Tommy, Lydia e TJ. Acabado o horário de visitas Jane dispensou a todos insistindo que não precisava de companhia pra passar a noite. Sua mãe, claro, ficou muito irritada mas no final reconheceu que a filha estava se sentindo realmente exausta e queria um mínimo de paz pra descansar.

No outro dia pela manhã Jane tentava pegar o controle remoto sobre a cabeceira sem sucesso já que estava longe e ela sentia muita dor para virar o corpo, estava xingando baixinho enquanto esticava o máximo que a dor permitia seu braço quando ouviu uma voz suave:

– Pare com isso, vai estourar os pontos, Jane...

Sorriu ao se deparar com Maura diferente do que vira algumas horas atrás a legista estava como de costume, impecavelmente vestida, bem penteada e sorridente:

– Bom dia, Dra. Isles! Vejo que uma boa noite de sono em sua casa já te recuperou...

Maura sorriu enquanto pegava o aparelho e entregava nas mãos da morena sentando-se na poltrona ao seu lado:

– E acho que você me deve um conjunto novo já que tive que jogar fora as roupas que sujaram de sangue...

A detetive riu mas logo parou se contraindo e colocando a mão sobre o ferimento. Ficaram alguns minutos num silêncio constrangedor.

– Jane...eu acho que temos que conversar.

Notas finais
Vixee....rsrs