Nu ma opri

8 Capítulo 8 – Problemas


Notas iniciais
Até que consegui não atrasar tanto!! Hahaha esse tá um pouco mais curtinho mas é pra dar o gancho do próximo que vai acontecer muita coisa (suspense)!

Tanto Jane quanto Maura passaram o sábado todo sem procurarem uma a outra. Não que fosse uma obrigação, mas estavam tão acostumadas com a presença constante não só dentro como também fora do trabalho que não se verem ou nem se falarem por um único dia causava uma sensação de algo faltando dentro das duas. Uma não sabia que a outra estava tão confusa quanto ela própria a respeito do que sentia em relação a amiga, mas inconscientemente resolveram se evitar e refletir sozinhas.

Já era domingo, Jane estava com seus irmãos em sua sala assistindo ao jogo do Red Sox na TV (bem menor que a da casa de Maura). Enquanto beliscava salgadinhos e abria uma cerveja Tommy disse:

– Ei, por que estamos aqui?

– Que quer dizer? – resmungo Jane atenta aos lances da televisão – Você por acaso tinha ingressos e a gente podia estar no estádio assistindo?

– Não, quero dizer por que não estamos na casa da Maura, ué? Todos os últimos jogos vimos lá!

Jane não respondeu imediatamente, nisso o time perdeu um lance importante e os três irmãos gritaram em desespero juntos. Após xingarem os jogadores e comentarem sobre os pontos do campeonato Tommy não havia desistido:

– Vocês brigaram?

Jane suspirou e respondeu irritada encarando o irmão:

– Não! Só estava a fim de ficar na minha casa hoje, qual o problema?

– Xiiii, brigaram sim! Você sempre fica de mau humor quando vocês brigam...

A detetive ia retrucar quando seu celular e o de Frankie tocaram. Eles atenderam e desligaram ao mesmo tempo se encarando:

– Temos um homicídio no parque estadual.

– Apreensão de traficante num galpão da área industrial, fica pro outro lado acho que não compensa irmos juntos.

– Ok, nos vemos mais tarde. – disse Jane pegando seu distintivo e olhando para o caçula – E você cuida direito da minha casa, hein? Não esquece de alimentar a Jo!

Tommy que já estava com a cadelinha no colo, respondeu com ar entediado:

– Claro... – e esperou a irmã já estar do lado de fora do apartamento fechando a porta pra completar: — Manda um beijo pra Maura! – ouviu a outra bater a porta com força e riu alto virando um gole de cerveja.

Chegando ao local Jane viu o carro de Korsak estacionando e foi em sua direção enquanto arrumava o rabo de cavalo dentro do boné com emblema do time.

– Como diz você: “Esses caras não descansam não? Em pleno domingo?”.

O outro riu e ficou esperando ao ver o carro de Maura estacionando também, ela desceu indo na direção da dupla os cumprimentando com seu habitual sorriso:

– Bom dia, Sargento! Bom dia, Jane! Como vão?

– Não dormiram juntas hoje? – Korsak perguntou com naturalidade fazendo as duas mulheres o encararem com espanto. – Sabe, vocês sempre passam o fim de semana juntas, mas vieram em carros separados e se cumprimentaram, sei lá, foi só uma pergunta! – ele se apressou em dizer ao ver a cara fechada das duas mulheres. – Deixa pra lá, vamos!

Maura calçou suas luvas e já estava abaixada examinando o corpo de um homem e uma mulher: ela com cortes profundos no abdome e ele com a roupa toda suja de sangue mas nenhum ferimento visível além de uma marca grossa e escura no pescoço.

Frost se juntou aos demais detetives enquanto abria uma garrafinha d’água. Apesar de todos usarem roupas casuais, ele era o mais esportivo, com um camiseta regata suada, bermuda e tênis:

– Eu mesmo que os encontrei, essa trilha é íngreme não é todo mundo que corre nela. Vi um rastro de sangue e marcas no chão, acho que foram mortos na parte mais alta e depois arrastados para trás daquela árvore onde estão.

– Encontrei uma coisa! – gritou Maura ainda no chão examinando os corpos.

Os detetives foram correndo na direção da legista que segurava a mão do homem e virava sua palma aberta onde havia algo escrito com caneta azul já meio apagado mas ainda legível: “Nu ma opri”.

Os quatro encararam os corpos com seriedade, Jane olhava em volta e divagava baixinho:

– Seja lá quem for podia nos levar até o Mitrea... – Depois olhando para a saída do parque falou mais alto — O segurança foi encontrado num beco aqui na frente. Talvez tenha uma pista que encaixe tudo, temos que vasculhar o perímetro!

Os detetives se dividiram enquanto Maura instruía a equipe de perícia. Em pouco tempo encontraram uma faca suja de sangue numa das lixeiras próximo à trilha. Ficaram até o anoitecer colhendo evidências e entrevistando transeuntes.

Na segunda-feira, todos chegaram cedo à Central, Jane foi direto ao necrotério porque tinha certeza que a legista já estaria lá.

– Bom dia, Maur! Espero que tenha alguns resultados já.

– Bom dia, Jane! E sim, já tenho alguns. – disse a outra se encaminhando ao laboratório. — A faca encontrada condiz com os cortes no corpo da Fernanda Cruz, assim como as digitais nela pertencem ao Mark Jones.

– Fernanda Cruz e Mark Jones? Então já temos os nomes das vítimas também!

– Sim, Susie já havia encaminhado ao Frost que checou no sistema: ela trabalhava como babá, recebeu o green card faz 2 meses, ele é farmacêutico, trabalhava à algumas quadras do parque.

– Ótimo. – a detetive parecia processar com calma as informações. – Resta saber o que faziam juntos naquele parque que ele acabou a matando e aliás, o que matou ele, acharam alguma arma?

– Nada. – respondeu a legista voltando para a sala de autópsias e ligando uma luz sobre o corpo do homem. – Vê essa marca escura com pontos claros no pescoço? Condiz com um objeto linear grosso de material duro porém maleável o suficiente para fazer a volta e dobrar...

– Então a causa da morte foi estrangulamento?

– Asfixia seria o correto. Ele morreu porque houve insuficiência de oxigenação sistêmica devido a um obstáculo mecânico à sua respiração, no caso um processo de estrangulamento.

Jane encarava a legista com seu habitual ar de: “Really?” Mas que nem se deu ao trabalho de expressar porque se lembrou de algo mais importante:

– Usaram um cinto pra estrangular o cara, certo?

– Não temos provas ainda para comprovar isso. – a morena cruzou os braços e fez ar de cãozinho pidão, a loira não resistiu e suspirou respondendo em seguida — Pode ser, você sabe que não dou palpites Jane! Dependendo do cinto poderia bater com as marcas, sim.

A outra agradeceu e já estava de saída quando Maura a chamou:

– Como foi seu fim de semana?

– Ah...normal e o seu?

– Também, nada de mais.

As duas se encararam por pouco tempo, pareciam encabuladas uma com a outra e procuravam um assunto para não deixar o silêncio reinar de maneira desconfortável entre elas.

– Vamos tomar um café mais tarde? – propôs a detetive. – Parece que faz tempo que não nos vemos né?

A outra sorriu e acenou com a cabeça. Na sequência Jane saiu em direção à sala dos detetives. O tal café acabou nunca acontecendo porque ambas ficaram atoladas de trabalho naquele caso.

Jane foi com Frost até a tal farmácia colher informações sobre Mark, descobriram seu endereço e deram uma busca no apartamento, o rapaz contrabandeava medicamentos, acharam uma lista de possíveis compradores. Enquanto isso Korsak visitou os patrões da Fernanda mas não descobriu nada de suspeito sobre a moça. De volta ao departamento juntos analisaram as novas informações e passaram o resto do dia e parte da noite tentando encaixar as pistas no quadro que já estava uma bagunça de tantas flechas e nomes ligados ao mesmo caso.

No outro dia à tarde Jane estava sentada em sua mesa com a cabeça doendo de tanto pensar, falava alto mais sozinha do que com Korsak que comia rosquinhas e a olhava com ar cansado:

– Na agenda do Mark constava uma “entrega” para F.C. no parque às 23h, com certeza é a Fernanda. Ele trabalhava para o Mitrea porque tinha a frase de segurança escrita na mão, e a Fernanda não era uma das garotas dele... Não faz sentido, por que ele a matou? E por que alguém matou ele?

Nessa hora Maura entrou andando rápido fazendo seus saltos tilintarem no chão de pedra o que aborreceu ainda mais os ouvidos dos detetives cansados:

– Jane? Jane, descobri uma coisa muito importante! – a morena se virou preocupada e a outra continuou – Fiz uma busca no registro médico das vítimas e consta no do Sr. Jones o uso de neurolépticos ao longo dos anos, mas no exame toxicológico que saiu esta manhã mostra que seu organismo estava limpo de qualquer substância que os componham.

– E na minha língua isso é muito importante por que quer dizer o que exatamente?

– Que ele tomava remédios antipsicóticos antes e não estava tomando mais. – respondeu a legista impaciente — Jane ele pode ter matado a outra vítima porque teve uma alucinação, ele era doente e...

– ... E não estava se tratando, sim, entendi agora!

Jane nem teve tempo de concluir mais nada Frost entrou correndo na sala também, escorregando sobre os sapatos sociais e quase caindo nas rosquinhas de Korsak ao se segurar na mesa do colega:

– Vocês não tem noção do que descobri: a Fernanda Cruz é prima do Carlos Ramirez!

– O manobrista da boate do Mitrea?

– Ele mesmo!

– Então chegamos a algum lugar! – disse Jane entusiasmada se levantando e indo com uma caneta em direção ao quadro do caso – Desde que fizemos aqueles interrogatórios botamos uma patrulha constante na casa do Ramirez, mesmo com o patrão viajando, ele tinha que continuar o serviço então mandou sua prima buscar um carregamento com um fornecedor que era doido e atacou ela durante um surto psicótico.

– E quem matou “o doido”?

– Talvez o próprio Ramirez, por vingança? Temos que ir na casa desse cara, agora!

Jane já estava pegando suas coisas na mesa quando ouviu a voz do irmão que havia entrada na sala quase junto com Frost e acompanhou em silêncio toda conversa:

– Carlos Ramirez foi preso.

Os detetives e Maura o olharam com espanto para Frankie esperando que ele continuasse:

– Bem, se estamos falando do mesmo Carlos Ramirez, é claro, ele foi preso domingo, num galpão na área industrial. Eu mesmo participei da prisão, ele vai ser condenado como o principal traficante de um esquema que estávamos trabalhando.

Todos ficaram em silêncio por um longo minuto. Aquele caso estava indo de mal a pior.

Notas finais
Como sempre: espero que estejam gostando! Até a próxima! Bjosss