Nu ma opri
21 Capítulo 21 – Eu não parei
Notas iniciais
Maura foi preparar o almoço para as duas enquanto Jane se dirigiu à sala a fim de pegar a caixa com os pertences do ex-parceiro e guardar no seu carro. Quando voltasse a trabalhar levaria ela de volta ao depósito da Central. Parou ao olhar dentro e ver uma página de jornal antiga com uma foto dos dois bem mais novos. Retirou da caixa com cuidado e começou a ler a matéria. Maura que a estava chamando para pedir ajuda percebeu a morena completamente distraída e curiosa foi se aproximando para ver o que ela olhava. Parou atrás do sofá e leu a matéria por cima dos ombros de Jane, era a respeito da primeira grande operação dela e do Martinez quando prenderam um traficante renomado na região. A matéria elogiava a nova equipe de narcóticos da polícia de Boston e destacava a atuação dos dois detetives recém-promovidos ao cargo.
– Você devia guardar este pra você, Jane.
– E você acha que minha mãe não guardou meia dúzia de exemplares desse jornal inteiro em casa? — respondeu a outra com um sorriso debochado.
Maura riu e abraçou a morena da onde estava apoiando seu queixo sobre a cabeça dela. Jane continuou vasculhando a caixa em seu colo achando mais reportagens sobre trabalhos deles, até que se deparou com uma foto de um grupo de pessoas: era uma confraternização na Delegacia, todos estavam trocando presentes, no centro da foto havia Jane com um pacote embrulhado numa mão abraçando Martinez com um sorriso largo no rosto segurando um papel escrito: “A melhor parceira de todas!” e apontava com ele para a morena.
– Éramos uma boa dupla... – comentou Jane com um sorriso agora triste no rosto — Pena que ele se deixou levar pelo lado errado.
Maura a apertou com força sem saber o que dizer, Jane ainda ficou um tempo contemplando a foto até que por fim a separou da caixa, a fechando definitivamente em seguida. Queria guardar aquele bom momento para si, mas só ele.
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Um ano se passou desde o encerramento daquele caso. Jane e Maura há um bom tempo haviam assumido seu namoro não surpreendendo ninguém. Pelo contrário o comentário que mais ouviram dos familiares e amigos foi: “Até que enfim!” Apesar de chocadas no início com o tempo perceberam que fazia sentido, era tudo muito óbvio e claro para quem estava de fora, só elas mesmo que demoraram tanto tempo pra perceber.
Estavam no fim do ano e Angela fazia questão de reunir os Rizzolis e todos os amigos próximos para a ceia de Natal, sugerindo um amigo secreto entre todos, afinal conhecia os filhos que tinha e sabia que a mal humorada Jane, o esquecido Frankie e o duro Tommy não comprariam presentes para todos e isso poderia ficar muito chato. Comprar um presente só devia resolver o problema, mesmo tendo que aturá-los furando a brincadeira e pedindo ajuda uns pros outros contando quem deveriam presentear. Maura claro, ofereceu sua casa para ser a sede do “evento” mais do nunca agora Jane morava mais lá do que em seu próprio apartamento, então era como fazer uma festa na casa das duas de qualquer forma. A loira estava empolgadíssima por participar de uma brincadeira como essa. Sim, Maura nunca havia participado de um amigo secreto o que não era tão estranho vindo dela, afinal de contas sempre foi uma pessoa muito solitária. Jane se divertia tentando confundi-la e acabar revelando quem ela tinha tirado, mas a loira queria ser fiel as regras da brincadeira e manteve segredo a todo custo.
No dia 24/12 todos já haviam sido dispensados, Angela estava as voltas na cozinha como uma louca, Lydia tentava ser prestativa e ajudar, mas acabava atrapalhando ainda mais a italiana. Tommy por sua vez se esforçava para cuidar sozinho de TJ e arrumar a mesa ao mesmo tempo, Jane havia saído para comprar as bebidas juntamente com Frankie. Chegaram em casa e a morena logo estranhou:
– Ué, cadê a Maura?
– Ah, ela foi se trocar, já já está todo mundo chegando, e ela não poderia passar a ceia com uma roupa qualquer. Aliás, você devia ir se aprontar também, não vai passar com esse jeans velho né Jane? – respondeu sua mãe lhe lançando um olhar aborrecido.
A morena bufou, mas logo em seguida deixou seus irmãos organizando as coisas e subiu para a suíte a fim de ao menos botar uma calça melhor já que além da mãe, sabia que Maura faria muita questão de vê-la “apresentável” numa ceia.
Entrou no quarto e se deparou com uma trilha de roupas e sapatos espalhados pelo chão, foi seguindo até encontrar a namorada enrolada numa toalha no meio de seu closet encarando todas as prateleiras, visivelmente mal humorada:
– Eu não tenho o que vestir, que saco! — Jane não conseguiu segurar um riso, só então a outra notou sua presença – Amor, é sério! Eu não sei o que usar, sua família toda está lá embaixo, vão vir nossos amigos... é Natal, todo mundo se arruma no Natal, eu tenho que estar impecável e não acho nada!
A morena se aproximou por trás a abraçando pela cintura e beijando seu pescoço:
– Pra mim você podia ficar do jeito que está... E a gente nem desce pra ceia, é claro!
A legista riu tentando evitar as carícias da outra:
– Jane, para! Não temos tempo pra isso agora...nós... – a voz foi sumindo a medida que a morena subia uma mão até seus seios e os apertava dando uma mordiscada no lóbulo de sua orelha.
Rapidamente Jane a virou e capturou com vontade seus lábios num beijo de perder o fôlego. Maura já havia se deixado ceder e agora a agarrava pela nuca com força e mordia o lábio inferior da morena o puxando enlouquecida. Jane foi levando Maura para fora do closet e de supetão a levantou do chão colocando-a sentada sobre sua penteadeira arrancando a toalha que a loira usava no processo. Maura logo tirou a camiseta e o sutiã de Jane também e elas voltaram a se beijar enquanto vasculhavam o corpo uma da outra sem parar. A morena introduzia dois dedos com força na legista que para conter os gemidos começou a chupar os seios da detetive com vontade. Após se movimentarem um pouco nesta posição Jane retirou a mão da legista e a segurando por baixo das coxas, a levantou novamente andando de costas até cair deitada na cama com a loira por cima de si. As duas riram enquanto Maura abria o cinto e retirava a calça de Jane sem parar de beijar e chupar seu abdômen. Assim que terminou de retirar a calcinha se sentou entre as pernas da detetive passando uma por cima e a outra por baixo, assim que estavam bem encaixadas Jane começou um movimento gostoso de vai e vem, seguido pela legista que movia seus quadris ferozmente rebolando em contato com a outra. Ambas se controlavam para não dar gemidos muito altos afinal o pessoal que estava na casa não precisaria saber o que elas estavam realmente fazendo que não era se vestirem para a ceia. Não levou muito tempo para que tivessem um orgasmo juntas, se reclinando na cama ofegantes.
– Ok, agora além de não saber o que vestir, estamos atrasadas, muito obrigada, Jane! – disse Maura se levantando da cama e fingindo estar ofendida.
A detetive riu se levantou também e foi indo em direção ao banheiro para tomar banho, no caminho pegou um vestido azul que estava no chão:
– Aqui, veste esse, você fica linda nele!
A loira arqueou uma sobrancelha desconfiada:
– Você nem se lembra se já me viu com este vestido, Jane!
– Claro que lembro – respondeu a outra já ligando o chuveiro – É aquele que você usou no plano de infiltração do caso do Mitrea... Como disse, você fica linda nele não teria como eu esquecer!
Alguns minutos mais tarde elas estavam prontas: Maura acabou convencida a usar o vestido azul de decote em V e mangas ¾ de couro preto que Jane insistiu, scarpins pretos e um penteado simples que prendia apenas uma parte de seu cabelo para trás e o restante solto emoldurando seu rosto. Jane por sua vez apesar de por ela simplesmente vestir de novo o jeans velho e a camisa do Red Sox que trajava anteriormente, colocou uma camisa social rosa clara com as mangas dobradas, um colete marrom aberto por cima além de uma calça preta simples e um sapato fechado. Secou de qualquer jeito os cabelos deixando os cachos soltos e livres. Desceram encontrando já todos os convidados reunidos na sala.
– Até que enfim, achei que teríamos que trocar os presentes sem vocês! – resmungou Frankie enquanto pegava um punhado de frutas secas levando um tapa na mão de Angela que tentava terminar de servir um prato de petiscos para Cavanaugh.
Jane apenas revirou os olhos e foi cumprimentar os amigos presentes, logo em seguida sugeriu que já que estavam todos ali pra começarem logo a revelar os amigos secretos. Ela mesma começou pegando um presente de debaixo da árvore:
– Vamos lá: meu amigo secreto é um cara extraordinário. A gente se conhece há muito tempo, passamos por muita coisa juntos, ele é bom com as pessoas, mas melhor ainda com os animais! – todos já olhavam para Korsak que se levantou indo abraçar a morena e abrir seu presente – Vince eu tive que comprar uma camisa porque a loja de rosquinhas estava fechada ok? Mas espero que goste mesmo assim!
Todos gargalharam enquanto Jane se sentava no sofá e o detetive pegava outro presente da árvore e começava seu discurso. Levou muito tempo a brincadeira porque havia muita gente lá, Jane já nem sabia mais quem faltava só rezava para acabar logo, sua barriga estava roncando. De repente viu Giovanni (que por que motivo sua mãe fez tanta questão de chama-lo até agora era um mistério, mas fazer o que, ele era um bom rapaz) se levantando:
– Bom, primeiro eu queria agradecer pela senhora Rizz tem me chamado para estar aqui hoje. Sabe, eu não tenho tido muito contato com a minha família esses últimos anos e vocês são como minha família – os olhos do italiano começavam a marejar – Ah, mas não quero estragar a brincadeira sendo sentimental assim, eu tirei a pessoa mais gostosa dessa sala. Quer dizer, uma das, Jane você também é muito gostosa, você sabe, disso... Hei, Maura vem cá me dar um abraço!
A loira se levantou sorrindo, já estava pra lá de habituada com o jeitão do mecânico, o abraçou e pegou seu embrulho mal feito. Ele a olhava com ar de insistência então ela abriu rapidamente se deparando com uma blusa branca de alças com um decote absurdamente profundo no centro. De um lado da blusa antes do decote havia uma letra G maiúscula de cor azul desenhado e do outro lado do decote haviam as letras g l e em minúsculas respectivamente nas cores azul, verde e vermelho. A legista levou algum tempo analisando a peça até ouvir o outro falar:
– É uma blusa Google por que todo mundo diz que você sabe tudo que nem o Google, entendeu??
Maura soltou um “aahhhh”, porém continuava com a testa franzida:
– Mas, Giovanni, aqui não está escrito Google, faltam os dois O...
– Não está agora, na hora que você vestir vai ficar escrito certinho! – respondeu o moreno com um sorriso triunfante.
Após alguns segundos de silêncio todos os homens da sala começaram a rir, Angela olhou para Lydia igualmente confusa, Jane por sua vez ainda processava incrédula o que achava que aquilo significava. Ele não podia estar se referindo a completar a palavra com os peitos da sua mulher, podia? Claro que podia, ele era o Giovanni o mecânico mais bruto e burro que ela já havia conhecido! Subitamente Jane ficou vermelha de raiva e já havia se levantado para dar uma bela lição no amigo quando Frost a segurou pelo braço tentando parecer sério:
– Qual é, Rizzoli, espírito natalino. Pelo menos ele tem senso de humor!
Maura ainda não havia entendido a graça, mas notando a cara assassina de Jane para o italiano devia ser algo que talvez fosse melhor ela não compreender mesmo. Rapidamente tirou o último presente que havia debaixo da árvore e disse:
– Acho que sou a última! – sorriu sem graça ganhando a atenção de todos na sala – Eu tinha feito um pequeno discurso pra falar sobre a pessoa que tirei, mas como só falta uma para ser presenteada acredito que todos já saibam quem é, mas mesmo assim se me permitirem queria dizer algumas palavras. É difícil para mim, descrever uma pessoa tão importante em minha vida como ela. É amável, sincera, corajosa, minha eterna melhor amiga que é também a melhor namorada...
Jane mal ouvia o que Maura falava, ainda encarava Giovanni pensando em como queria bater naquele idiota quando reparou que o resto da sala olhava para ela.
– ... Apesar de muito ciumenta! – completou a loira esticando o presente em direção a detetive.
Jane sorriu sem jeito se levantando para pegar seu presente. Abraçou Maura pedindo desculpas por não prestar atenção no que ela dizia depois abriu o presente se deparando com uma bola de baseball autografada do seu maior ídolo do Red Sox. Ela gritou empolgada com a surpresa levantando a loira pro alto e dando um beijo eufórico em sua boca na sequência.
Angela já estava na mesa separando talheres para cortar a comida e chamado todos a fim de servir a ceia quando Jane ainda parada em frente a árvore com Maura deu um assobio alto chamando a atenção para si.
– Pessoal, eu tenho que confessar que ainda tenho um presente pra dar e já que estão todos aqui, é um prazer poder dividir com vocês o que vou fazer agora. – Jane colocou com cuidado a bola que havia ganhado numa mesinha lateral depois botou a mão no bolso do colete e retirou uma caixinha de veludo vermelha se ajoelhando em frente a Maura que estava com a boca aberta e os olhos arregalados de surpresa – Sei que não é uma frase nada original mas acredito que resume tudo então usarei ela mesma: Doutora Maura Isles, aceita se casar comigo?
Todos os convidados chegaram mais perto ainda admirados e sorriam esperando ansiosos a resposta da legista.
– Claro que sim, Jane, claro que sim!! – respondeu ela depois de alguns segundos entre choro e riso puxando a morena para se levantar a beijando e abraçando com força.
Todos bateram palmas, Angela emocionada correu em direção “as filhas” abraçando as moças com orgulho, logo os irmãos de Jane se juntaram e em pouco tempo todos estavam num grande abraço coletivo causando gargalhadas.
Depois da ceia com tantas emoções aos poucos cada convidado foi se retirando até só restarem Angela (coitada, exausta da organização daquilo tudo) dormindo no sofá da sala, Maura que alimentava Bass e Jane que foi buscar uma coberta para a mãe deixando-a mais confortável.
Depois de adiantarem alguma coisa na arrumação foram se deitar. Também estavam cansadas mas a felicidade era maior que qualquer esforço físico. Após se trocarem colocando os pijamas se deitaram bem juntinhas, Maura ergueu a mão olhando a aliança sob a luz do luar que entrava pela janela. Jane sorria abobada admirando a loira:
– Gostou do anel?
– Amei!
– E da surpresa?
– Mais ainda! – sorriu se virando para o lado para dar um longo beijo cheio de carinho na detetive. – Jane, posso perguntar uma coisa?
– Claro, manda!
– Quando você descobriu que gostava de mim, você sabe, não só como amiga, você teve medo?
– Muito, você não?
– Demais...eu tentei negar pra mim mesma esse sentimento.
– Eu também. Mas dai sabe o que eu fiz quando soube que era isso que eu sentia e não ia mudar?
– O que?
– “Nu ma opri”!
– Você não parou o que? De me amar?
– Uhum, e nem vou parar nunca. Você é minha melhor amiga, meu grande amor e minha eterna companheira.
– Você sabe que tudo isso é recíproco e que eu sou a pessoa mais feliz do mundo quando estou ao seu lado, não é, Jane?
A morena sorriu selando seus lábios no da outra. Se ajeitaram na cama deitando de conchinha, Jane por trás acariciava os cabelos da outra que começava a parecer preocupada:
– Jane, você já pensou na data? O lugar? Quantos convidados teremos?
– Amor, a gente ficou noiva hoje, dá pra esperar ao menos eu dormir pra discutirmos esses detalhes?
– Detalhes? Jane isso não são detalhes! Temos que ver o quanto antes senão vai ser uma loucura, nós duas trabalhamos, não temos tempo durante a semana... – e continuou falando até perceber que a morena cochilava – Jane você está me ouvindo? Jane??
– Eu só tenho certeza de uma coisa... – disse a outra completamente sonolenta – Devíamos chamar a Alison pra despedida de solteira.
Maura se virou bruscamente dando um tapa estalado no braço da noiva:
– Você devia estar se preocupando com os “detalhes” da cerimônia não com isso!! Aliás, o que você quer dizer exatamente com isso Stra. Rizzoli?
– Nada, não... Quando acordar a gente conversa melhor ok? Agora estou muito cansada. Boa noite, linda!
Maura encarou algum tempo a morena que já tinha os olhos fechados e depois riu balançando a cabeça, Jane era única e por isso mesmo a amava tanto e sabia que nada separaria aquela dupla incrível que formavam, falou baixinho em seu ouvido se virando em seguida para dormir também:
– Boa noite, amor!
FIM
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