Nu ma opri

2 Capítulo 2 – Infiltradas


Notas iniciais
Bom gente, mais um pouquinho da história, agora é que começa pra valer!

Jane sabia que aquela era a melhor (ou talvez a única) opção de plano que tinham na manga, mas não conseguia ficar tranquila só de pensar em colocar Maura ainda que indiretamente em risco novamente. Desceu ao necrotério para contar sobre o que haviam decidido e as cenas do galpão quando ela quase matou Paddy Doyle e por pouco não perdeu pra sempre a amizade da loira vinham em sua cabeça.

Chegou na porta de vidro do necrotério e por alguns segundos admirou a legista debruçada sobre o corpo da última vítima, fazendo anotações numa prancheta enquanto franzia a testa e ampliava alguma parte do corpo num microscópio. Como ela era bonita! Mesmo daquele jeito: vestida com um simples uniforme médico, os cabelos presos num rabo de cavalo meio frouxo, seus traços destacados pela luz forte da sala de autópsias mostravam uma serenidade e delicadeza que a morena jamais se cansava de olhar. Suspirou fundo e empurrou a porta, a loira sem levantar o olhar do que fazia disse suavemente:

– Olá, Jane! Os exames toxicológicos ainda não estão prontos, mas pelo estado do pulmão, posso afirmar que se tratava de um fumante e que muito provavelmente utilizou alguma outra substância antes de morrer, porque há uma mancha do lado esquerdo que... – interrompeu a própria frase ao finalmente olhar para a morena e ver seu semblante distraído e até um pouco triste. – Jane? O que houve?

A detetive então encarou o olhar da amiga e disse com hesitação:

– Maur, este caso pode esperar. Temos outro mais urgente, lembra?

– Todos os mortos merecem atenção igual. Não há caso mais importante que o outro quando se trata de dar paz ao que restou dessas pessoas!

A morena sorriu com a frase da legista. Além de bonita e inteligente ela era uma excelente pessoa, meu deus por que ela não consegui para de contemplá-la mentalmente?

– Sim, você tem razão. Mas eu me referia ao caso do Mitrea...

– Oh, o mafioso romeno? – Maura disse com interesse – Conseguiram alguma prova?

– Na verdade não. Mas temos um plano. Vem, vamos pra sua sala! – disse a morena se dirigindo ao escritório anexo da legista enquanto pesava o que diria a seguir.

– Eu? Cafetina??? – Maura gritou num misto de empolgação e incredulidade.

– Maur, eu sei que você não quer fazer isso, muito menos eu queria te por nesta situação, mas a questão é que só você entende a língua do cara e só temos mais essa noite pra investiga-lo!

Maura correu para seu notebook e começou a digitar ferozmente enquanto Jane sentava no sofá e coçava a nuca sem jeito:

– Olha, se você não quiser topar, tudo bem, a gente bola um outro plano e...

A legista virou o notebook na direção da amiga com uma página de busca aberta com uma foto preto e branco de uma senhora usando chapéu, casaco de pele e um colar de pérolas e disse entusiasmada:

– O que acha de uma roupa assim? Muito clichê?

Jane balançou a cabeça confusa fazendo cara de ponto de interrogação.

– Que roupa eu devo usar nessa missão, Jane? Vamos logo, que se não tiver ainda vou ter que sair pra comprar, você disse que é esta noite!

– Really??

A morena não podia acreditar naquilo, subiu de volta à sala dos detetives pra comunicar que a legista estava dentro, agora era só passar detalhadamente o plano de ação a todos os envolvidos.

Naquela noite já estavam todos a postos: Korsak, Frost e até mesmo Frankie que havia sido convocado para ajudar estavam dentro de um furgão com todo tipo de equipamento conectado. Ficariam estacionados num beco do lado de fora da boate, enquanto Jane faria papel de segurança particular de Maura. Ambas equipadas com escutas e gravadores bem escondidos e muito potentes para transmitir tudo que acontecesse aos colegas.

Jane estava parada em frente à porta dos fundos da Central, esperando Maura sair do vestiário e ir por ali para entrarem no carro alugado para a missão.

A morena apertava suas cicatrizes e andava de uma lado para o outro. Usava um terninho cinturado preto, uma camisa branca aberta até a altura dos seios e suas inseparáveis botas. Os cabelos soltos e rebeldes cobriam a escuta que tinha no ouvido e no cinto uma câmera acoplada na fivela também ficava disfarçado.

Maura finalmente apareceu. Usava um vestido colado azul marinho com detalhes em couro preto nas mangas ¾ e no decote em V e um singelo pingente em forma de gota. Nos pés scarpins de salto altos (pra variar) e pretos. A maquiagem marcando bem seus olhos claros e a boca, e os cabelos impecavelmente arrumados com alguns cachos formados propositalmente caindo de apenas um lado do corpo, deixando seu ombro esquerdo e parte do pescoço à mostra.

Se encararam sem fôlego. Por um longo minuto as duas pareceram não respirar apenas admirando a beleza uma da outra, até Jane pigarrear sem jeito:

– Nada mal, doutora! Mas o que aconteceu com o visual anos 50 que me mostrou mais cedo?

– 30! Anos 30! A foto que te mostrei era da Madame Bijou. Sabia que ela foi uma grande cafetina parisiense antes mesmo dessa década?

A detetive sorriu mostrando suas covinhas que derretiam o coração da legista pensando: “aahh essa boca google...”

– Sim, claro que sabia! Agora vamos, entra no carro! – abriu a porta para a outra que ao passar exalou seu perfume marcante e certamente muito caro, que embriagava a morena.

– Mesmo? Não achei que você soubesse dessas curiosidades da Europa! – entrou no carro e se olhou no retrovisor — De qualquer forma, achei o visual muito antiquado para os dias de hoje, optei por algo mais discreto. Não dá pra notar a escuta no meu ouvido com este penteado, dá?

– Não, Maur, você está perfeita, como sempre.

Maura corou com a frase e respondeu baixinho:

– Obrigada. Você também está muito bem vestida assim, detetive.

Eles se encararam novamente num clima meio estranho para ambas. Jane achou melhor dar logo a partida e irem em direção á boate. Quanto mais cedo terminassem a missão, mais cedo pegariam o culpado, e era isso que devia importar mais naquele momento.

Notas finais
Espero que estejam gostando! =P Kisses!!