Nu ma opri
17 Capítulo 17 – Futuro
Notas iniciais
Jane engoliu em seco e ficou encarando a loira a sua frente, sem perceber já estava apertando as cicatrizes das mãos:
– Sim. Acho que temos... – Maura fez menção de começar quando Jane a interrompeu – Olha, Maur, eu só quero que saiba que eu lhe devo cem, mil, um milhão de desculpas por ter te colocado nessa confusão toda. Quero dizer, eu já não queria nem ter te levado naquela boate infiltrada, depois deixar a Irina na sua casa te colocando em perigo daquela forma...arghhh, você não tem noção do ódio que eu fiquei de mim mesma! E por Deus, eu nem perguntei, eles encostaram em você? Te machucaram? Se te machucaram o Rafael de onde quer que esteja vai ter que agradecer por estar morto senão o mataria de novo e...
– Você me salvou. – Maura disse de repente com os olhos marejados – Você virou noites atrás de pistas e foi atrás de mim sem reforços, mesmo sabendo que seria perigoso e não devia fazer aquilo. Você se jogou na minha frente quando o Martinez atirou, Jane era pra eu estar nessa cama, senão pior na minha mesa lá no necrotério se não fosse por você!
– Maura, eu faria tudo de novo sem pestanejar, eu... Só de pensar que eu podia ter perdido você já... Maur, eu...
Foi interrompida pela legista que num só movimento a frente capturou os lábios da morena entre os seus lhe dando um longo beijo cheio de carinho e saudade.
– Eu te amo, Jane Rizzoli! Não é de agora que eu me sinto assim e eu não sei porque você fugiu da última vez que fizemos isso mas eu tinha que fazer de novo!
Jane levou uma das mãos ao rosto da loira e limpou as lágrimas dela, depois a puxou mais para perto dando outro longo beijo e sussurrou em seu ouvido:
– Porque eu fui uma covarde que teve medo de admitir os próprios sentimentos e mais medo ainda de perder sua amizade. Agora eu sei que não quero e nem vou te perder por nada! Também te amo, Maura Isles!
Maura sorriu, se sentou na cama debruçada sobre o corpo de Jane e ficou acariciando seu rosto por longos minutos quando ouviram um barulho de passos se aproximando:
– Com licença, — disse uma enfermeira entrando no recinto – Há uma senhora, chamada Constance Isles querendo vê-las, posso deixar entrar?
Maura levantou num pulo da cama olhando incrédula para a enfermeira:
– Minha mãe está aqui? Mas como, ela está em Paris...
Jane se lembrou de contar sobre os telefonemas de Constance de um hotel em Nova York, era óbvio que a loira não havia se preocupado em checar as ligações do celular ainda, então Jane também se explicou por não ter retornado em nome dela, tudo sem muito sucesso, a loira que minutos atrás estava toda derretida agora a olhava com ar realmente bravo mas não teve tempo de argumentar nada, Constance entrou no quarto e abraçou a filha com força. Maura ficou paralisada com a atitude da mãe, não estava acostumada a ela lhe demonstrar nenhum grande afeto daquela forma. Após um breve momento que pareceu durar séculos para ambas, Constance a soltou a olhando nos olhos:
– Minha pettit Maura! Fico tão feliz que esteja bem agora! – fez uma pausa vendo a cara de choro da filha, não sabia se a havia emocionado com sua preocupação ou se ela ainda estava emocionalmente instável por todo ocorrido mesmo. — Você não retornou minhas ligações então liguei para a Central e me contaram o que houve. Falei com seu pai, ele está preso numa conferência na Alemanha, então fretei um jato para vir vê-la, mas já estou voltando pra Nova York.
Maura não conseguia dizer nada estava realmente surpresa e comovida demais com a atenção (ao seu jeito) da mãe e apenas a assistia falar.
– Liguei tantas vezes para informar que estou com uma exposição itinerante, começando pela “Big Apple” e na semana seguinte estarei aqui em Boston, era para convidá-la para a vernissage. Seu pai virá também nesta época.
Constance então finalmente se dirigiu a dona do quarto hospitalar e pela primeira vez olhou com ternura para Jane, certamente também já haviam lhe contado que foi a detetive “sem classe” que salvara sua filha, então, não havia porque não ser gentil com a morena:
– Olá, Jane! Como está se sentindo?
– Bem melhor já, obrigada. – respondeu ela em tom simpático.
– Ótimo, espero que se recupere logo...
Houve um momento desconfortável de silêncio. As três mulheres olhavam de uma para outra com sorrisos encabulados. Constance então soltou um pigarro e resolveu se pronunciar novamente:
– Bem...Tenho que ir. – olhou mais uma vez para Maura tirando um envelope da bolsa – Já que estou aqui: o convite formal contendo os dados da vernissage, querida.
Mãe e filha se despediram com um abraço menos caloroso que o primeiro. Após ela se retirar Maura puxou a poltrona para mais perto da cama de Jane e se sentou enlaçando suas mãos na dela. Jane sorriu para a loira:
– Esta é a emotiva Constance Isles? Gostaria que dona Angela Rizzoli aprendesse a ser tão contida! — a outra riu e deu um suspiro profundo – Brincadeiras a parte, ela sim é sua mãe de verdade. Mesmo desse jeitão meio frio ela te ama e se preocupa com você, acho que você sabe disso...
A loira concordou com a cabeça erguendo os olhos para impedir uma teimosa lágrima de cair.
– Sim, com certeza os Isles são a minha família, e tenho muito orgulho disso!
Jane abriu um sorriso mostrando suas covinhas. Maura ficou um tempo em silêncio até retomar a conversa meio hesitante:
– Hum...Jane? – falou fitando as cicatrizes nas mãos da morena – E agora, o que vamos fazer? Você sabe, com relação a gente?
– Não quer fazer nenhum suposição, doutora? – provocou a outra – Maur, eu acho que não tem muito “o que fazer”, digo, eu te amo, você me ama, a gente se dá bem, se isso só não basta pra ficarmos juntas o que mais você quer?
– Não me refiro a uma com a outra, Jane! Falo dos outros...você...você quer assumir um compromisso público comigo pra todo mundo?
Jane olhou a legista nos olhos vendo muitas dúvidas ali e logo abriu um sorriso confiante:
– E você acha que eu vou deixar as pessoas achando que você é uma mulher linda e descompromissada correndo o risco de algum morto-vivo te paquerar? – a outra riu com a referência e balançou a cabeça — Acho apenas que devemos dar uma chance a espontaneidade e deixar acontecer com calma. Não é que não queira assumir hoje pra todo mundo, mas vamos aproveitar enquanto só nós duas sabemos e assim evitamos almoços de família constrangedores e chatos!
Maura começou a gargalhar acompanhada da morena que logo resmungou ao ver sua mãe entrando com um balão gigante em mãos e Tommy com um buque de flores (ao seu ver) horrorosas. Passaram a tarde conversando e assim seguiram mais alguns dias. O ritmo na delegacia estava tranquilo, Frost e Korsak conseguiam ir ao hospital com certa frequência ver a amiga e até Cavanaugh apareceu por lá, informando aliás, que dera alguns dias de folga à Dra. Isles, ela voltaria somente dali 2 semanas juntamente com Jane para o trabalho, com certeza achava que as duas mereciam um bom descanso. No final de uma semana, como havia previsto a legista, Jane teve alta, há mais de 3 dias dizia que já estava bem e queria ir pra casa, mas o médico por precaução a segurou mais um pouco.
– Aleluia! – gritou Jane ao entrar em casa se jogando no sofá e o acariciando – Oh, como senti sua falta! – Jo Friday veio correndo abanando o rabo para sua dona – Ah, e é claro que de você também, garota!!
Angela colocou a mala com as coisas da filha na mesa de centro:
– Querida, tem certeza que não quer que eu passe o resto do dia aqui com você?
A italiana voltou para a casa de hóspedes de Maura no mesmo dia que Jane ficou internada, assim fazia companhia para a loira e ajudava a arrumar a bagunça, mas ia todos os dias na casa de Jane cuidar da cadelinha e fazer faxina.
– Não, Ma, está tudo bem! Já disse pelo menos umas cinco vezes só no trajeto até aqui!
Angela riu, depois deu um beijo longo na testa da filha:
– Deixei comida pronta na geladeira, é só esquentar. – viu Jane lhe dar um sorriso de gratidão então prosseguiu – E lembra da recomendação do médico não é?
– Que recomendação? – disse a outra se fazendo de desentendida.
– Jane Clementine Rizzoli: nada de tomar cerveja por enquanto!
Jane fez uma careta depois esperou a mãe se retirar e foi tomar um bom banho, colocou um pijama confortável, brincou com sua cachorrinha, deu uma conferida na correspondência atrasada que a mãe havia separado pra ela depois cochilou no seu amado sofá.
Quando acordou já era noite e estava com fome, se dirigiu à cozinha se sentindo perdida tamanha organização que seu armário e geladeira haviam se tornado, havia até etiquetas nos potes! Fez uma nota mental de brigar com a mãe depois por causa disso e esquentou o macarrão que ela havia deixado, jantou assistindo a reprise de um jogo qualquer. Estava estirada na frente da TV mudando de canal aleatoriamente quando ouviu a campainha. Se levantou meio ressabiada e viu Maura pelo olho mágico. Abriu a porta e ficou encarando a loira que usava uma maquiagem leve porém com os lábios bem marcados num batom vermelho, vestida num vestido curto branco em decote U de manguinhas soltas, cabelo preso num coque frouxo e os inseparáveis salto altos.
– Posso entrar? – ela perguntou após Jane ter se perdido com a visão sem sair do lugar ou dizer nada.
– Ah! Claro, desculpa! – a morena abriu caminho fechando a porta em seguida – Você está linda, aonde vai?
– Onde fui, seria a pergunta correta! – riu a loira colocando sua bolsa sobre o sofá – Meu pai chegou à cidade para a vernissage da minha mãe amanhã, jantei com eles, mas não resisti e passei aqui para saber como estava se sentindo.
– Estava bem, agora já não sei...
Maura levantou um olhar preocupado para a outra:
– Do que você precisa?
– Que tal um beijo? – Jane puxou Maura pela nuca a beijando com ternura.
Trocaram um longo beijo e ao quebra-lo ficaram sorrindo uma para outra de pé na entrada da sala.
– Está melhor agora? – perguntou a loira brincando com os cachos rebeldes de Jane que lhe caiam em frente ao rosto.
– Em parte... – respondeu a detetive levando a boca ao ouvido de Maura e sussurrando de maneira provocante – Acho que dá pra melhorar ainda mais, não concorda?
A legista se arrepiou com o ar quente da boca da morena invadindo seus ouvidos e deu um leve apertão na cintura de Jane que logo a puxou mais para perto e deu um beijo dessa vez mais ardente.
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