Nu ma opri

12 Capítulo 12 – Confuso é pouco


Notas iniciais
Oi gente!! Mais um capítulo fresquinho! :)

Elas haviam se beijado. E aquilo parecia tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Elas eram amigas. Melhores amigas! E agora? Haviam estragado tudo...Tantos anos de afeto seriam perdidos por que a morena não soube controlar seus impulsos. Esse pensamentos martelavam a cabeça de Jane que chegou em casa sem nem notar como e já estava afundada no sofá com uma cerveja gelada numa mão e Jo Friday em seu colo pedindo carinho.

O dia já havia clareado faz tempo e Jane ainda estava deitada olhando para o teto. Não se lembrava de ter dormido, muito provavelmente em algum momento cochilou de cansaço, mas só se lembrava de ter passado a noite de olhos abertos, esparramada na cama pensando na loira que havia beijado e todas as possíveis consequências que a atitude lhe traria.

Ela não queria levantar da cama, não queria ter que ir na casa da melhor amiga que estaria acolhendo uma festa da sua própria família. Não sabia como lidar com aquilo, tudo que queria era sumir e deixar que o tempo resolvesse magicamente tudo. Será que elas poderiam fingir que nada aconteceu e continuar vivendo suas vidas como antes? Ah, quem Jane estava tentando enganar, nem ela mesma se lembrava quando foi a época que não havia esse interesse amoroso pela outra. Mas que droga!

O dia foi passando e Jane ainda enrolou bastante, cogitando seriamente não ir ao aniversário do único sobrinho. Não havia nenhum tipo de desculpa convincente que pudesse dar para sua família para tal atitude, a não ser que contasse a verdade. Mas isso também não era uma opção. Lembrou-se de Alison a instigando a ser mais condizente com sua postura durona. Por um lado queria matar a ruiva que deixou sua cabeça mil vezes mais confusa desde que apareceu em sua vida, mas por outro também serviu pra tomar vergonha na cara, trocar de roupa e se dirigir à casa da legista. Ele tinha que enfrentar aquela situação. Não fazia ideia de como, mas tinha!

Chegou e da porta já ouvia a barulheira dos Rizzoli e seus convidados, todos riam alto, pelo barulho de talheres comiam sem parar e essas coisas típicas de festa de família. Respirou fundo e entrou, claro que a porta estaria destrancada naquele dia, era muita gente pra ter que se preocupar com ficar atendendo a campainha toda hora. Viu seus irmãos, Frost, Korsak e até Rondo bebendo na sala e aparentemente fazendo alguma aposta boba sobre quem colocava mais salgadinhos na boca. Lydia estava sentada num canto com TJ no colo rindo da palhaçada dos homens. Não demorou nada para ouvir a voz de sua mãe que estava na cozinha arrumando a louça:

– Jane Clementine Rizzoli! Isso são horas de chegar na festa do seu sobrinho??

Jane revirou os olhos e se virou para encarar a mãe, já prevendo que Maura estaria com ela, mas se surpreendeu a não avistar a loira em lugar algum:

– Oi pra você também, Ma. E desculpa, eu dormi demais e ainda tive que buscar umas roupas de cama que deixei na lavanderia.

Sua mãe a encarou séria notando a desculpa esfarrapada:

– Jane, eu não acredito que você e a Maura brigaram justo hoje! — A morena fez ar de confusão e franziu a testa para sua mãe que logo prosseguiu – Eu cheguei de manhãzinha para guardar o bolo na geladeira e encontrei a Maura num estado deplorável, parecia que tinha chorado a noite toda, mas não quis me dizer o que era, eu fui buscar os salgadinhos que encomendei e quando voltei ela havia se trancado no quarto, não saiu de lá até agora! Como você também só resolveu dar as caras tão tarde, tá na cara que é porque brigaram!

Jane abaixou os olhos, só de imaginar a loira sofrendo tanto por causa dela lhe partia o coração.

– Olha querida, eu não sei o que aconteceu, mas vocês duas tem consciência que não sabem viver uma sem a outra e seja lá qual for o motivo tem solução!

– Não sei se dessa vez tem não, mãe... – a detetive resmungou de maneira triste se afastando da cozinha.

Lydia viu a morena e logo foi cumprimenta-la dando TJ para ela segurar no colo. Jane esboçou um sorriso com algum esforço, depois cumprimentou a todos da casa. Brincou um pouquinho mais com seu sobrinho e estava o prendendo numa cadeira alta para dar papinha quando Frankie se aproximou falando baixo:

– Jane, eu não sei o que houve entre você e a Maura, mas a mamãe me contou que ela está lá em cima e não desceu até agora. Vai lá falar com ela, por favor! Olha essa situação: ela está presa no próprio quarto por que não quer te ver, mas toda sua família e amigos estão na sala dela?

Jane respirou fundo encarando o irmão sem dizer nada. Ele tinha razão, aquela situação era no mínimo constrangedora e ninguém sabia o motivo a não ser elas duas. Terminou de alimentar o sobrinho e se dirigiu às escadas da casa. Parou na porta do quarto de Maura e ficou imóvel alguns segundos sem saber o que diria depois de bater. Quando finalmente tomou coragem suficiente deu leves batidas dizendo simplesmente:

– Maur, sou eu. Acho que precisamos conversar...

Não obteve resposta. Ficou um minuto parada em silêncio naquele lugar imaginando se a legista ainda estaria chorando ou se agora estava num estágio de raiva muito grande e não queria sequer responder à morena:

– Olha, eu...eu não sei exatamente o que te dizer, ok? Eu só sei que a gente precisa conversar, não quero que você fique o dia todo no seu quarto porque eu e a minha família estamos lá embaixo, isso é... – fez uma pausa e se apoiou sobre a porta batendo de leve a cabeça nela – Maur, eu não sei você, mas eu nunca me senti tão perdida e com medo na minha vida. Eu não quero perder sua amizade, por nada, você sabe que não existe ninguém mais importante pra mim do que você. Somos adultas, certo? Então vamos conversar como duas adultas sobre o que aconteceu e se você quiser nunca mais me ver... – fez outra pausa segurando o choro que estava prestes a vir e forçando a voz para não parecer embargada – Eu vou entender!

Nada. Não havia resposta do outro lado. Jane virou de costas pronta para descer de novo totalmente arrasada quando ouviu o celular da legista tocando lá dentro. Tocou, tocou e ela não atendeu. Jane voltou para perto da porta na tentativa de amenizar o clima falando enquanto dava um leve riso:

– Pode atender, não sou eu te ligando, juro!

Novamente o silêncio. O sexto sentido de Jane de repente apitou e ela ficou preocupada se estaria tudo bem com a amiga lá dentro. Botou a mão na maçaneta e a girou. A porta não estava trancada, Jane então entrou devagar chamando pela loira. Quando abriu completamente à porta ficou horrorizada: o quarto todo estava revirado, o celular caído debaixo de uma pilha de livros, a roupa de cama amassada, o abajur quebrado no chão com marcas do que pareciam ser sangue, roupas e sapatos espalhados por todo canto.

– Maura? Maura?? – Gritou Jane após invadir o quarto e ver no banheiro e closet sem achar nenhum sinal da legista – Frost, Korsak, venham aqui!!

Não só os dois detetives como todos os convidados da festa subiram correndo. Todos ficaram parados na porta com cara de espanto. Korsak entrou e soltou um assobio baixo. Frost barrou a porta para que ninguém mais entrasse, enquanto Tommy gritava assustado olhando por cima do ombro do detetive:

– Mas que porra é essa? Jane, o que aconteceu aqui, cadê a Maura?

– Eles a levaram. – disse Korsak já ligando para Cavanaugh – Só pode ter sido o Mitrea, vou chamar reforços. Jane, cadê a Alison?

A morena arregalou os olhos se lembrando da ruiva e saiu em disparada para a casa de hóspedes, gritando para sua mãe e Lydia ficarem com TJ e longe do caminho. Frankie a seguiu, tentaram abrir a porta que estava trancada, Jane não teve dúvidas e a arrombou com o irmão atrás já apontando a arma para dar cobertura. Não havia ninguém lá dentro mas o quarto estava tão revirado quanto o de Maura.

– Merda!!! – gritou a morena dando um chute forte na porta – Isso só pode ser um pesadelo!

Em pouco tempo toda equipe de perícia já estava na casa, como procedimento padrão colheram um depoimento de Angela que foi a última pessoa a ver Maura, a última a ver Alison foi a própria Jane mas no dia anterior pela manhã. Cavanaugh apareceu preocupado com o estado de todos e pediu para Frankie escoltar o restante da família Rizzoli para algum outro lugar. Jane ofereceu sua casa, não pretendia voltar para ela tão cedo mesmo, não enquanto não encontrasse Maura e a trouxesse de volta sã e salva.

Frost apareceu com o celular da legista em mãos:

– Jane, vou levar para a Central e ver se tem alguma pista. Você sabe a senha para desbloquear? Não que eu não tenha como invadir o sistema, mas acho que só o fato de termos que rastrear as chamadas e mensagens já é invadir demais a privacidade dela, sei lá...

Jane acenou para o amigo pegando o celular das suas mãos e o desbloqueando, viu um número na tela:

– Eu ouvi o celular tocando minutos antes de entrar no quarto. Pelo visto ela não conhece a pessoa, não aparece como um contato da agenda. Acho que dá pra começarmos por ai!

O rapaz fez um sinal afirmativo e pegou o aparelho de volta se retirando. Jane ouviu a voz de Susie a chamando de dentro do quarto da loira:

– Há evidências de luta, já mandei a amostra do sangue do abajur para confirmarmos de quem é e achei também alguns fios de cabelo ruivo.

– Ruivo? – disse Korsak que também estava no quarto analisando o local – Por que o sequestrador traria Alison aqui pra cima, se ela estava na casa de hóspedes?

Jane balançou a cabeça de maneira pensativa, Susie continuou:

– Aliás, na casa de hóspedes não achamos evidências de confronto. Está tudo revirado mas não por que alguém tenha resistido a ser levado de lá...

– Será que estavam procurando algo? – disse Jane encarando os dois. – Temos a lista de pertences dela que foram trazidos, certo? É bom dar uma checada. E pensando bem é bom irmos na casa dela dar uma olhada também.

Korsak acenou com a cabeça e se retirou do quarto esperando sua parceira, Jane estava logo atrás dele quando Susie a chamou de novo:

– Detetive Rizzoli, estou dando o meu máximo neste caso, e...e nós vamos encontra-la, certo? – a oriental parecia angustiada, Jane sabia o quanto Maura era admirada não só pelos amigos mas pelos colegas e funcionários dentro do trabalho.

– Claro que sim, Susie! Vai dar tudo certo!

Jane saiu em direção ao carro para ir à casa de Alison. Ficou em silêncio o trajeto todo, por mais que tenha parecido confiante quando falou com Susie por dentro a morena estava morrendo de medo que algo acontecesse à Maura. A sua Maura...

Notas finais
Boa semana procês!!! Bjoss