Nu ma opri

10 Capítulo 10 - Alguns dias


Notas iniciais
Genteee em primeiro lugar gostaria de agradecer muito todas vocês que tem acompanhado, comentado, enfim, ter um feedback do que estamos fazendo é sempre muito gostoso! Mais um cap pra vocês!!

Jane ficou paralisada encarando a figura loira que entrara em sua casa, mesmo após o barulho do estardalhar das garrafas. Maura também parecia ter esquecido como se respirar e apenas olhava para a detetive num misto de confusão e raiva. Alison por sua vez não havia soltado dos braços de Jane e olhava de uma pra outra com a boca semiaberta buscando algo para dizer.

Jo Friday saiu correndo na direção das sacolas latindo alto tirando todas do estado de catarse em que se encontravam. Maura olhou para baixo vendo a bagunça e rapidamente disse num tom ácido:

– Desculpe, não queria atrapalhar nada, já vou indo! – e virou-se de costas rumo ao corredor do prédio.

Jane olhou nos olhos da ruiva num tom de desculpas, se soltou no abraço e saiu correndo atrás da outra, pulando por cima das garrafas caídas e mandando a cadelinha parar de latir.

– Maur! Maura, espera!

A loira já estava descendo as escadas, visto que sabia que esperando o elevador não daria tempo de se livrar da detetive, mas mesmo assim ela foi mais rápida e a alcançou segurando seu braço com força:

– Hei, tô falando com você! Espera!

Maura parou de andar mas puxou seu braço para longe da mão da outra. Suspirou fundo e disse tentando disfarçar o descontentamento que sentia:

– Já disse que não queria incomodar. Acho melhor você voltar lá pra cima com a...

– Alison está com problemas, Maur.

– Alison! Aposto que ela está com muitos problemas e que coincidentemente só você pode solucionar não é mesmo? – Maura mesma se surpreendeu por ter sido capaz de usar o tom irônico da morena.

Jane arregalou os olhos depois suspirou abaixando o tom de voz:

– Eu não sei que raios você pensa que estava acontecendo ali, mas eu juro que ela também me pegou de surpresa! Apareceu aqui na minha porta apavorada, parece que o Mitrea botou alguém pra segui-la. – Maura revirava os olhos e respirava fundo sem encarar a morena nos olhos. — Maur, ela pode ser a chave que tanto precisávamos pra essa investigação! Eu tenho que ajuda-la...

Jane tombou a cabeça para o lado fazendo biquinho enquanto segurava com uma das mãos o queixo da outra forçando-a a olhar em sua direção. Maura não aguentou e riu da expressão da morena. A detetive então abriu um sorriso largo marcando suas covinhas depois acariciou o rosto da legista:

– Eu tenho a melhor amiga mais ciumenta do mundo sabia?

Maura corou abaixando os olhos:

– Desculpa, eu não quis que você pensasse isso, foi só que...

A outra a puxou para perto dando um beijo no topo da sua cabeça:

– E também a melhor! Quem mais me traria comida e cervejas depois da porra de um dia de merda como o que tive?

– Jane! O linguajar...

A morena revirou os olhos soltando a outra e a segurando pela mão indicando que deveriam voltar para o apartamento.

Quando retornaram à porta, o chão já estava limpo, as garrafas quebradas na lixeira e a comida sobre o balcão da cozinha. Alison estava parada de pé no centro da sala com as mãos unidas na frente do corpo estalando os dedos:

– Oi, que bom que você voltou. – disse olhando para Maura e depois para Jane – Olha quem não queria atrapalhar nada era eu. Deu pra salvar 2 garrafas, a propósito, estão na geladeira. E...e eu acho que já vou indo!

A ruiva se encaminhou para a porta quando Jane a fechou:

– Nem pensar! Você não vai a lugar algum. – e fitando a loira – Nem você! Vamos todas comer e bem, Alison esta é a Dra. Isles, creio que vocês já se conhecem de vista. Ela também está envolvida no caso, então deve ficar ciente do que me contou antes. Por favor, sentem!

Jane deu a volta na fechadura pegando a chave que estava do lado de fora devolvendo para a loira enquanto sussurrava:

– Ei, e por que você usou a chave reserva ao invés de tocar a campainha?

– Achei que você estaria no banho, ou dormindo já, não atendeu nem o celular quando liguei mais cedo...

A outra franziu a testa indo em direção à bolsa e pegando seu celular, notando as inúmeras chamadas e mensagens perdidas da legista ao longo do dia:

– Oh, desculpe! Eu não estava com cabeça pra nada hoje.

– Eu sei. – disse a loira com um sorriso de compreensão que fez a morena se derreter.

Alison havia se sentado no sofá e acompanhava a conversa com um ar enigmático. Maura a encarou sem saber se a ruiva estava prestes a tirar algum sarro da cara delas ou apenas demostrava uma espécie de afeição pela cena.

– Desculpe pelo ocorrido agora a pouco. Sou a Dra. Maura Isles, muito prazer!

– O prazer é todo meu. Acredito que já saiba meu nome e aliás, você era a “cafetina” da noite na boate, não? Uau, não achei que mandassem médicos para missões em campo...

– Bom, é um pouco mais complexo que isso na verdade... – disse Jane se dirigindo à cozinha separando pratos e talheres.

A ruiva se levantou ficando bem próximo da legista baixando o tom de voz:

– Hum, e não precisa se desculpar por antes, se eu tivesse uma namorada dessas com certeza também seria muito ciumenta! – deu uma piscadinha de cumplicidade à Maura que gaguejou algo mas antes que pudesse explicar que ela e Jane não eram namoradas, a morena já havia as chamado para a mesa e a outra se afastou.

Jantaram enquanto Alison repetia sua história à Maura que apesar de ainda não ir muito com a cara da ruiva se comoveu também e agora concordava com Jane que proteger aquela mulher talvez fosse a única maneira de chegarem ao mafioso romeno.

– Você já falou com Korsak e Frost? – perguntou Maura enquanto tirava os pratos da mesa e começava a lava-los.

– Não, por quê? – disse Jane observando Alison brincar com Jo novamente.

– Como por que, Jane? Aonde ela vai ficar escondida, já que obviamente não podemos manda-la de volta para a casa que está vigiada?

– Ué, ao menos por hoje pensei em deixa-la ficar aqui.

– Aqui?! – disse Maura num tom agudo e logo baixando para não chamar a atenção da ruiva. – Ela não pode ficar aqui, Jane! Você só tem um quarto e não creio que uma pessoa caiba confortavelmente neste sofá pra passar a noite. Sem contar que a história toda pode ser muito comovente mas ela ainda é uma estranha.

– É mesmo... – Jane respondeu avoada analisando as curvas sensuais da ruiva e pensando que dividir sua cama com ela não seria algo que pudesse se chamar de problema exatamente.

Maura notando o olhar sonhador da outra ficou vermelha de raiva e a bateu com o pano de prato em seu braço:

– Ela vai para um hotel! É mais, mais...seguro!

– Hotel, Maura? Claro que não, para registrarmos ela num hotel teremos que falsificar uma documentação, botar uma equipe de vigilância, é muito mais fácil Mitrea a achar num hotel da cidade sem todos esses cuidados que não dá tempo de providenciarmos agora, já está tarde.

As duas ficaram quietas até que Jane disse como quem não quer nada:

– Minha mãe já voltou da casa da minha tia que estava doente?

– Ainda não. – respondeu a outra de maneira inocente. – Disse que queria aproveitar o livro de receitas da irmã para fazer um bolo especial para o TJ e volta só domingo direto para a festa.

– Então está resolvido! – a morena deu um sorriso triunfante. – Levamos Alison para a sua casa de hóspedes.

A loira deixou o queixo cair em espanto sem conseguir pensar em nada para dizer que expressasse exatamente sua indignação. Jane se apressou em completar:

– Ela passa essa noite lá e amanhã vejo com os rapazes o esquema do hotel. É simples, e como você mesma disse, mais seguro já que ela é uma estranha. Ao menos na sua casa de hóspedes ela estará com algum distanciamento, não vai atrapalhar sua intimidade nem nada. Certo?

Maura estacionou seu carro na garagem e falou para a outra desembarcar, ainda não acreditava que havia aceitado fazer aquilo. Ela não podia estar em seu juízo perfeito, acolher uma estranha, pior: uma estranha sendo cassada por um mafioso na sua casa de hóspedes? Ah, o que Jane não era capaz de convence-la a fazer!

Mostrou o caminho da casa de hóspedes, entregando a chave para a ruiva que prontamente agradeceu e perguntou se podia tomar um banho. Maura concordou e foi em direção à sua cozinha fazer um chá. Encontrou Bass rondando por baixo do balcão e se apressou em alimentá-lo:

– Oh, Bass! Está com fome? Desculpe, não deixei morangos suficientes para você hoje não foi? Aqui, toma, querido!

Ficou um tempo abaixada vendo seu cágado comer até ouvir o apito da chaleira, se levantou para fazer a infusão do chá quando notou batidas leves na porta da cozinha. Abriu e deu de cara com Alison enrolada numa toalha, os cabelos molhados sorrindo sem jeito:

– Oi! Desculpa incomodar mais ainda, mas é que eu não tenho nada para usar para dormir, será que você podia me emprestar alguma coisa?

A legista balançou a cabeça em sinal de afirmativo e pediu para a outra esperar ali enquanto pegava uma de suas camisolas para emprestar. Fez o caminho de volta à cozinha pensando que talvez não tivesse sido tão ruim assim levar a ruiva para casa dela, não gostava de imaginar a mesma cena na casa de Jane, ela pedindo uma das roupas da detetive, afinal ela não podia negar, por mais que não tivesse ficado tão embasbacada quanto a morena, Alison era uma mulher incrivelmente sexy, e já havia provado que gostava de provocar sua Jane. “Sua” Jane? Ok, era melhor parar de pensar nisso, estava até parecendo uma esposa neurótica.

Entregou a roupa para a outra que se retirou, depois bebeu seu chá e finalmente foi tomar seu merecido banho e dormir. Acordou na manhã seguinte no horário habitual, fez sua higiene e estava se preparando para começar o café quando ouviu a campainha tocando. Abriu a porta e se deparou com Jane, seu sorriso encantador, os cabelos não muito bem penteados e a roupa básica de sempre:

– Bom dia! Espero que ainda não tenha começado a sessão do seu café pornô porque já passei num lugar antes e trouxe aquele tal machhiato de grãos sei lá o que com açúcar não sei das quantas pra você!

– Bom dia, Jane! E se você não soubesse realmente o que leva no preparo deste machhiato não saberia como pedi-lo na cefeteria não é mesmo?

Jane sorriu depois se encaminhou ao balcão da cozinha abrindo uma embalagem de sanduíches integrais e um folhado doce.

– Trouxe isso também!

Maura sorriu empolgada mas logo fechou o semblante estranhando tamanha atenção da morena com ela:

– Jane, obrigada, fico feliz de você ter comprado essas coisas pra mim, mas, tem algum motivo em especial?

– Além de você ter se dado ao trabalho de cuidar de mim ontem e ainda ter trazido uma estranha pra ficar aqui pra passar a noite? Claro que não! – a morena disse de um jeito debochado enquanto tomava seu café instantâneo com um biscoito doce.

A legista sorriu e se sentou no balcão, então a outra continuou:

– Falei com Korsak. – Maura levantou os olhos com atenção – E ele ligou pro Cavanaugh.

Jane fez uma pausa absurdamente longa, subitamente interessada em olhar Bass se movendo lentamente pela cozinha.

– E? – Maura disse já muito curiosa.

– E ele disse que a melhor opção é mantermos a Alison bem escondida num lugar que podemos vigiar o tempo todo, até criarmos uma situação pra usar ela de isca e atrair o Mitrea. – a loira continuava encarando a outra com atenção já temendo o que estava por vir como conclusão – Ou seja, ele quer que ela fique aqui alguns dias.

Jane deu um sorriso amarelo para a amiga que não sabia se gritava de raiva ou apenas xingava a ela mesma mentalmente por ter concordado com aquela ideia estúpida de levar a ruiva para sua casa.

Notas finais
Não sei se dá tempo de postar outro ainda em 2013, se não der: um feliz ano novo pra todas vocês, e não se preocupem que no comecinho de janeiro já trarei capítulos novos!! Muitos beijosss