Notas iniciais
Só não vai ver yaoi quem não quiser >3
No mais, era pra ser uma história leve e tranquila.
Espero que gostem!
Boa leitura!!!

Os alunos arrumavam as telas, pincéis, tinta e argila sobre os devidos suportes, deixando à mão qualquer outro material extra que fossem precisar. Algumas risadinhas eram ouvidas aos cantos, mas ninguém ousava pronunciar em voz alta o que tanto esperavam ver.

Ouvindo passos aproximando pelo corredor, o professor de artes, Aizawa, se postou à frente da turma, um sorriso irônico sendo reprimido nos cantos dos lábios. Aquela seria sua melhor aula do ano, não pelo conteúdo, mas pelo imprevisto que tivera.

— Atenção aqui, turma. Como comentei agora à pouco, hoje vamos fazer um esboço de corpo inteiro. O modelo que se ofereceu para me ajudar na aula ficou doente, então teremos que improvisar. – Aizawa abriu a porta da sala de aula, fazendo um gesto de convite e Bakugou entrou no cômodo, resmungando e xingando ninguém em particular, segurando a barra da veste para não tropeçar enquanto caminhava, temendo ficar nu durante o processo – Pode ficar ali no meio.

Katsuki caminhou até o centro do círculo formado pelas mesas dos alunos, as mãos fechadas em punho enquanto praguejava e desejava a morte de todos ali. Tudo por culpa de sua maldita sorte! O professor pediu um candidato para ajudá-lo naquele dia e um dos colegas sugeriu um sorteio no palitinho. Agora estava sendo obrigado a usar aquela roupa ridícula e servir de modelo para a aula.

— Bakugou, escolha uma pose confortável e não se mexa. Mas não fique só parado de braços estendidos, como uma estátua mal feita. O restante de vocês, tem uma hora para terminar a atividade.

— Uma hora? – Katsuki gritou indignado, uma veia saltando em sua testa – Eles que se virem pra terminar antes! Não sou pago pra-

— Eu disse pra não mexer! – relembrou Aizawa em tom autoritário, se acomodando num canto da sala – Podem começar!

Bakugou suspirou frustrado, sem querer se dar por vencido. Olhou para baixo, praguejando contra aquele pedaço de pano estúpido. Era uma veste no estilo que o povo da antiga Grécia usava, uma túnica presa apenas em um ombro, deixando todo seu tórax à mostra e, ao invés de ter um cinto preso à cintura, o restante da roupa que terminava em uma saia longa foi envolvida em seu quadril, deixando uma das pernas completamente despida. Claro que aquele professor maluco queria algo diferente do usual e acrescentou asas de anjo e uma auréola à fantasia. Ridículo! Ia matar todos eles assim que pudesse se mover de novo. No melhor dos casos, se estivesse de bom humor, ia apenas furar os olhos de alguns e cortar línguas, para ninguém sair falando sobre o que viu.

— Bakugou, se importa de levantar uma das mãos, como se estivesse segurando algo precioso nela? – pediu Yaoyorozu com tamanha educação, que Katsuki se viu obedecendo, mas se arrependeu no instante seguinte, ao ouvir algumas risadinhas.

A tela de Momo estava meio virada em sua direção, de modo que conseguiu visualizar um pouco do trabalho da moça. Ela era boa naquilo, talvez não fosse um talento nato, mas era bastante esforçada. Olhando para o outro lado da sala, Kaminari e Aoyama trocavam sussurros e risadinhas, a argila que trabalhavam parecendo muito um boneco de palitos. Uraraka parecia se esforçar também, mas com pouco tempo de trabalho já tinha algumas pequenas manchas de tinta espalhada pelos braços e pelo rosto. Bakugou passou os olhos rapidamente por Deku e Todoroki, fingindo que os dois não estavam presentes. Não queria saber o que eles estavam fazendo com sua imagem, por melhor que fosse. Outras risadinhas chamaram sua atenção e seu olhar encontrou Tsuyu, Jiro e Toru. Era melhor nem imaginar, tanto o que aquelas três quanto qualquer outro estaria desenhando ou modelando. O professor devia ter reforçado a ideia de usá-lo apenas como base e não para fazerem algo exatamente igual a ele.

— Ok, turma… faltam vinte minutos! Se apressem! – Aizawa finalmente se moveu de sua posição, andando pela sala e soltando alguns comentários, alguns poucos elogios, alguns olhares duvidosos, várias caretas difíceis de discernir.

Katsuki já estava com o braço dolorido por ficar naquela posição e não ia demorar muito para chegar no estágio de dormência. Maldita aula, maldita falta de sorte, malditos colegas de classe! Se fosse uma pessoa tímida, talvez não aparecesse na escola pelos próximos dias, mas não ele! Sua vontade era voltar ali e matar um por dia, como um lembrete para os outros sobre o que aconteceria caso dessem com a língua nos dentes.

— Acabou o tempo! Chega de fazerem estragos! – Aizawa caminhou até o centro do círculo, aquele sorrisinho cínico pregado na cara – Pode ir se trocar Bakugou, está liberado. E vocês, não esqueçam de colocar o nome no trabalho, eu não sou obrigado a adivinhar de quem é o monte de massinha de modelar! Depois, coloquem tudo no canto da sala e estão dispensados.

Sem lançar um segundo olhar para a turma, o professor caminhou para a saída, sem abordado por alguns dos jovens, mas dispensando-os rapidamente com algumas poucas palavras e acenos de cabeça.

* * *

— Hei, Bakugou! Vamos lá pra casa fazer um lanche! – Kirishima veio correndo pelo corredor, indo animado de encontro ao amigo.

— Eu passo. Preciso devolver isso pro professor e ver o que tenho que fazer pra compensar minha parte no trabalho. – Katsuki apontou para a sacola com a roupa que carregava, a cara de desgosto mostrando que não estava nada feliz com aquela situação.

— Ah! Eu fico com isso! – Eijirou não perdeu tempo em pegar a sacola para si, apertando-a contra o peito – Aizawa-sensei já me disse o que você precisa fazer. Por isso vamos lá pra casa, pra ficar a vontade.

— Como assim? O que ele te disse? – Bakugou fechou as mãos em punho, pronto para ir atrás daquele professor e brigar com ele, caso fosse necessário. Dependendo da tarefa, ia fazê-lo se arrepender de escolher aquela profissão.

— Você vai fazer o mesmo que toda a turma, é claro! – Kirishima comentou tranquilo, como se aquilo fosse óbvio, passando o braço livre pelos ombros do amigo, puxando-o para caminharem juntos – Pode escolher uma pintura em tela ou argila. O que acha mais fácil?

— E como acha que vou fazer isso? Vestir essa coisa idiota de novo e ficar na frente do espelho pra me observar? Eu não coloco essa merd-

— Calma, calma! Você não precisa vestir de novo, relaxa, cara! – a risada do ruivo era despreocupada, mas não foi o suficiente para acalmar Bakugou. Ele ainda queria esfregar a cara de alguém na parede.

— Como vou fazer então?

— Oras, eu vou servir de modelo pra você. O que acha?

Bakugou não reclamou mais. Apenas alguns murmúrios eram ouvidos, mas ele não parecia tão infeliz quanto estava antes. Kirishima não ouviu nenhuma resposta em concordância, mas o amigo também não tomou o caminho oposto ou se afastou quando apontou a direção de sua casa.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Façam uma autora feliz e deixem um comentário!
Até a próxima! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!