Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, espero que gostem ;D

Corri dali o mais rápido que pude, evitando derramar alguma lágrima. Eu estava sendo muito fraca e sensível ultimamente, mas não aguentava mais chorar por tudo. Obviamente aquilo foi um choque e tanto, eu nunca esperaria que Germán e Jeremias fossem a mesma pessoa. Nunca se passou pela minha cabeça. E tudo o que contei a Jeremias sobre Germán? Meu Deus! Não sei como fui burra o suficiente para não reconhecer os olhos. Como fui burra o suficiente de me apaixonar pela mesma pessoa duas vezes? Como Germán pode fazer isso comigo? Sentimentos traumatizados. E minha tentativa foi em vão, eu precisava liberar a raiva que estava presa no meu coração, e o modo mais prático de o fazer era chorar. Chorei e chorava mais que antes, me sentia uma garota ingênua e boba por tudo isso o que estava acontecendo. Me sentia uma menina frágil que não sabia lidar com os sentimentos, me sentia completamente imatura. Mas de uma coisa eu tinha certeza: nunca mais perdoaria Germán Castillo.

Depois de tanto correr cheguei a praça e pensei ter ouvido alguém se aproximar, mas não era pensamento. Germán estava vindo em minha direção.

- O que você quer? — disse sem paciência alguma, tentando conter choro. Por um momento consegui, mas era notável meus olhos inchados.

- Angie... — ele disse ofegante, lá vinha aquele turbilhão de desculpas esfarrapadas, as quais eu não estava a fim de ouvir. — Quero saber se você vai contar pra Violetta ou eu posso confiar em você pra guardar esse segredo. — hã??? Ele não inventou desculpa nenhuma? Não falou nada em relação a mim? NÃO PEDIU PERDÃO POR ME ILUDIR MAIS-UMA-VEZ?

- Guardar esse segredo? Germán, o que você tem na cabeça? Ano passado foi um pesadelo cheio de mentiras e segredos e agora tá tudo voltando de novo. Você falava tanto sobre a verdade, mas vive mentindo pra Violetta. Você fala sobre honestidade, mas sempre mente. Por que não confia nela? O que ela pode fazer de tão mal? Me desculpa, Germán. Mas não conte comigo pra isso.

Saí. Cheguei à minha casa e antes de tudo precisava beber água. Eu havia corrido demais e já estava ficando desidratada por causa disso. Muitas coisas estavam passando pela minha cabeça, eu ainda tentava assimilar tudo o que estava acontecendo hoje. O dia estava cheio de revelações e isso estava me deixando confusa, e ao mesmo tempo chateada. Descobrir que a pessoa em que você mais confiava era na verdade a mais falsa foi a gota d'água. Eu não tinha mais forças pra nada.

A campainha tocou no mesmo instante em que me joguei no sofá. Resmunguei e com muita preguiça, me levantei e fui abrir a porta.

- O que você tá fazendo aqui? — era Violetta, ela parecia chateada. A menina olhou em meus olhos e em seguida fitou o chão.

- Vim fazer as pazes com a minha tiazinha linda, posso? — eu fiquei calada esperando ela falar um pouco mais — Olha, Angie, me desculpa. Eu estava cansada, triste e acabei descontando em você. Mas eu não consigo ficar brigada com você. Eu te amo muito, eu falei da boca pra fora, com toda certeza você se importa comigo. Você foi a melhor coisa que eu pude ganhar na vida, você... — não consegui terminar de falar pois já estavamos abraçadas — Me desculpa? — Não, Vilu. Me desculpa você. Eu não deveria ter falado aquilo pra você, por mais que algumas vezes eu me sinta trocada pela Esmeralda. — falei brincando e nós rimos.

- Nunca vou te trocar por ela. Nunca. — Vilu me apertou mais forte. — Obrigada, Angie. Obrigada por sempre cuidar de mim, obrigada por sempre estar aqui, por se importar comigo, por me ajudar, por me dar conselhos, por estar ao meu lado... Enfim, obrigada por exercer o papel de mãe na minha vida. Tia, você é a mãe que eu nunca tive.

Abri o maior sorriso e respondi com o tom de voz mais doce que pude:

- Esse foi o dever que Maria deixou a mim quando ela morreu. Te cuidar, te proteger. Vou estar sempre aqui, minha linda, para o que você precisar.

E ficamos as seguintes duas horas conversando, assistindo filmes e rindo feito duas amigas adolescentes. Por incrível que pareça, no começo dessas duas horas eu havia me esquecido completamente dos problemas, mas de repente Vilu falou alguma coisa sobre seu pai e isso me fez lembrar de Jeremias. Aquilo me incomodou, e me incomodava mais ainda que Violetta estava sendo enganada pelo próprio pai e eu não pudesse lhe contar.

Eu passei a ficar relativamente estranha, meus pensamentos grudaram na identidade do Jeremias e isso me fez agir assim. E o pior era que... Vilu notou.

- O que foi, Angie? Ficou estranha de repente... — ela comentou enquanto comia o brigadeiro de colher que tinhamos feito.

- Ah... Ahn... er... nada, Vilu. Nadinha. Tá tudo ótimo, perfeito. — sem querer, um tom meio sarcástico saiu em minha voz. Droga.

- É sério, Angie. O que tá acontecendo? Você parou de rir das piadas e passou a evitar falar desde que... desde que eu falei do papai. O que houve? Me fala. Sinto que há algo que queira me contar.

Uau, aquela menina era boa hein. Como ela sabia que eu queria dizer-lhe algo? Bom, não sei, mas o fato é: eu não podia dizer-lhe. Ou... podia? Afinal, não prometi nada ao Germán, e a filha dele merecia saber da verdade.

Depois de tanto pensar, Violetta me acorda desses pensamentos me perguntando mais uma vez:

Depois de tanto pensar, Violetta me acorda desses pensamentos me perguntando mais uma vez:

- Angie, não vai me falar o que foi? Não confia em mim?

- Não é isso, Vilu. Eu quero te contar, mas não sei como te contar porque é meio... tenso.

- Ai meu Deus, me fala logo porque tô ficando com medo!

- Vilu, é sobre o seu pai.

- Tá. O que tem o meu pai?

- Seu pai... é... ele... han.. ele mentiu de novo, Vilu. — soltei e Vilu me deu um olhar estranho.

- C-como assim, Angie?

- Ele... ele estava disfarçado de Jeremias pra.. poder te vigiar. — os olhos de Violetta se arregalaram. — hoje quando voltei a sala de canto vi a peruca dele caindo. — concluí e fiquei em silêncio por uns segundos. — Me desculpa te contar assim, mas eu sinto que... deveria te contar. — notei que os olhos dela estavam vermelhos, mas ela tentava segurar o choro. De repente ela se levanta do sofá e vai até a cozinha, não sabia o que tinha acontecido até olhar pra trás. Germán, ele havia acontecido. Estava parado na porta e acho que escutou quando eu contei a verdade para Violetta.

- Ela me odeia, não é? — ele falou deixando cair uma lágrima.

- Eu não sei. Ela não disse uma palavra sequer, mas de qualquer jeito, ela precisava saber. Agora, por favor, sai daqui, Germán. — minha voz era fraca.

- Ah, Angie... me sinto um monstro por tudo que aconteceu.

- Você realmente é um monstro. COMO PODE FAZER ISSO COMIGO?! — gritei com aquela voz de quem ia chorar. Ele não respondeu, ficou me olhando meio desesperado. — Vai embora, Germán. Por favor, vai embora. — comecei a chorar. Ele ficou imóvel. — VAI! — berrei novamente e ele se retirou.

Sem esconder as lágrimas, caminhei até a cozinha para ver como Violetta estava. Ao vê-la naquele estado deplorável, me senti mal. Violetta estava com a cabeça deitada no balcão de pia, e seu semblante demonstrava um misto de dor, indignação e tristeza. Poucas lágrimas eram encontradas em seu rosto. Me incomodei pelo fato de que minha sobrinha era mais forte do que eu, eu estava me afogando num mar de lágrimas e ela tinha apenas algumas. Ah, mas também não foi ela quem se apaixonou pelo Jeremias!

- Vilu... — acariciei seu cabelo. — você tá bem.

- Angie, — ela levantou a cabeça, sua voz estava embargada. — como eu poderia estar bem? Justo quando eu acho que meu pai mudou, ele faz isso. Mas sabe, não tô chorando muito pois já era de se esperar algo do tipo vindo de Germán Castillo.

- Então você não está brava com seu pai? — me sentei no banquinho ao seu lado e também deitei minha cabeça no balcão.

- Claro que estou! Muito, aliás. Mas mesmo assim, isso não é algo inesperado. Sabe, Angie, eu cansei. Cansei do meu pai tentar me proteger e me espiar o tempo INTEIRO! Cansei dele me tratar como se eu fosse uma criança que não soubesse se cuidar! Cansei de não ter privacidade! — ela foi aumentando o tom de voz. — Estava pensando que como já sou maior de idade, talvez eu poderia... vir morar com você? Eu não aguento mais o papai, Angie, não posso mais viver naquela casa. Então... eu posso ficar aqui?

Demorei um pouco a responder, muitas lágrimas insistiam em escorrer de meus olhos, parecia até um vazamento sem solução. Que raiva. Após breves segundos, assenti com a cabeça e Vilu sorriu torto. Ainda estávamos com as cabeças deitadas no balcão. Vilu levou sua mão esquerda até meu rosto e limpou minhas lágrimas enquanto dizia:

- Não chora, mãe.

Coração disparado, emoções à mil, frio na barriga. Violetta havia acabado de me chamar de "mãe". Aquilo me trouxe uma sensação tão boa que eu sorri grande e Vilu riu. Nos levantamos e nos abraçamos com muita força, até ficar sem ar.

Notas finais
Então? O que acharam? :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.