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Notas iniciais
15 dias depois
Os dias de ambas seguiam uma rotina cansativa, e irritantemente repetitiva. Regina era atingida em cheio pelos efeitos da quimioterapia, fazendo-a querer passar a maior parte do tempo no banheiro vomitando e obviamente, Emma estava sendo afetada com isso também, já que não deixava Regina sozinha nem por um decreto.
Nos dias em que Regina estava pior, Emma deixava Roland na casa de seus pais, não queria que ele visse a mãe naquele estado. Haviam passado os 15 dias que ela precisava fazer a quimio, e agora os médicos iriam avaliar seu estado, para determinar se precisaria continuar a quimioterapia.
E com o passar dos dias, tanto Emma quanto Regina ficavam mais próximas de Aurora e Zelena. Aurora estava nas últimas, e a única que ainda tinha esperanças de aparecer um doador de ultima hora para ela, era Emma. Zelena estava arrasada, e seu único apoio no momento era Emma, já que Regina também não estava em seus melhores momentos, a moça de cabelos ruivos tentava fingir-se de forte, mas qualquer um podia ver que estava destruída vendo a irmã ser devorada por aquela maldita doença.
Emma não podia deixar de se colocar no lugar da ruiva, toda vez que via Regina naquelas crises de vomito, pensava o que ela faria se estivesse no lugar de Zelena. Ela não sabia se seria tão forte quanto à ruiva, não sabia se conseguiria manter-se firme enquanto via a vida de Regina se esvaindo, como acontecia com Aurora.
Para onde ia, Regina levava consigo a pena que havia “encontrado” no parque em Boston. A morena acreditava que de certa forma, aquela pena lhe dava esperanças.
Depois de mais um dia de quimio, Regina faz alguns exames que eram necessários, e elas vão para casa. Regina se sentindo mal, e Emma se sentindo um caco, havia noites que ela não dormia direito.
– Emma, vai dormir na cama querida. – Regina diz sentada no sofá, com Emma jogada no outro, cochilando. Elas haviam acabado de chegar do hospital e a morena usava uma mascara o que fazia sua voz sair um pouco mais baixa.
– Hmm? Aham. – Emma resmunga, mas não levanta do lugar. Regina suspira e levanta-se de onde estava sentada e caminha até o outro sofá, onde Emma estava.
– Querida. – A morena toca o rosto da loira, que abre minimamente os olhos. – vem, vamos dormir na cama. – Emma não diz nada, aceita a mão que Regina lhe estendia e levanta-se caminhando para as escadas de mãos dadas com Regina. –Vai indo, vou ligar para sua mãe e saber de Roland.
–Eu também quero falar com ele. – Emma havia despertado um pouco, e volta para a sala esperando para falar com Roland também.
David atende ao telefone, e ele se preocupa em perguntar o estado da morena, que agradece pela atenção do sogro. Depois de falarem com Roland, e se certificarem de que o filho estava bem, elas finalmente sobem para o quarto, descansar depois daquele dia exaustivo. Assim que ambas deitam na cama, se aninham uma ao corpo da outra e não demoram a adormecer.
Tudo que elas não precisam, era de uma noite conturbada. E foi exatamente isso que aconteceu. Regina passou mal a noite toda, cada vez que elas conseguiam pegar no sono, segundos depois a morena tinha de sair correndo para o banheiro.
Já perto de amanhecer, Emma exausta, mergulha num sono profundo e mais uma vez Regina acordava e ia para o banheiro. Depois de muito vomitar, tudo nela doía. Regina apoia as mãos na pia, e respira fundo, tentando normalizar as batidas aceleradas do seu coração. Ela liga a torneira e junta uma boa quantidade de água nas mãos e joga em seu rosto, encarando seu reflexo logo depois. Estava visivelmente mais magra, o osso de sua face estava se sobressaindo por debaixo das profundas olheiras arroxeadas, seu olhos pareciam estar fundos e com uma cor amarelada, seus lábios pálidos e ressequidos. Ela vira de costas e baixa um pouco a alça da camisola, deixando visíveis as manchas roxas que ainda estavam dispersas por seu corpo, os ossos de suas omoplatas estavam também bem mais aparentes. Ela sobe novamente a alça da camisola, e suspira e corre as mãos pelos cabelos, quando faz isso, sente um maço se formando em suas mãos, ela abre as mãos e olha as palmas, seu cabelo estava caindo. Ela já havia percebido que ao escova-los eles estavam caindo mais que o normal, mas essa era a primeira vez que saia tanto de uma vez só. Ela fica encarando as mãos, mas não enxergava nada realmente, pois as lágrimas que se formaram em suas orbitas desfocaram sua visão. Havia passado tanto tempo no banheiro encarando o maço de cabelos em suas mãos, que nem virá que o dia já havia amanhecido, quando sai do banheiro, Emma ainda dormia, ela decide então dar um descanso para sua loira. Pega uma roupa no closet e desce para tomar banho no banheiro de baixo e depois iria até o hospital saber o resultado dos seus exames.
No quarto o despertador de Emma tocava constantemente, o que faz a loira acordar e direcionar a mão para a cômoda ao lado da cama, em busca do aparelho celular, que tocava uma música irritante. Seu plano de desligar o toque irritante, e voltar a dormir, falhou. Emma se dá por vencida, suspira e se senta na cama, pega o celular cessando o toque e olha para o lado da cama de Regina, que estava vazio. Emma espreguiça-se e joga as pernas para fora da cama, e sai do quarto imaginando que a morena já tivesse acordada e estaria na cozinha. Ao entrar ela não vê ninguém, mas a mesa estava posta. Ela estranha e se aproxima da mesa, e vê um bilhete embaixo de um jarro com vazio.
“As flores refletem bem o verdadeiro.
Quem tenta possuir uma flor verá
a sua beleza murchando.
Mas quem olhar uma flor no campo
permanecerá para sempre com ela.”
R.M
Emma termina de ler o bilhete deixado pela morena e sorri para si mesma. Aquele poema queria lhe dizer alguma coisa, Regina era cheia dessas coisas enigmáticas. A loira então abre a porta que levava ao coreto e ao jardim, na parte de trás da mansão. Caminha descalça mesmo pelo gramado verdinho e macio, dá a volta pelo coreto, e chega ao jardim. Parada de costas estava Regina, com um vestido vermelho, um pouco abaixo dos joelhos, justo que acentuava suas ainda aparentes, mas não mais tão marcadas, curvas. Ela se arrumara para ir ao hospital, mas decidiu por esperar Emma acordar.
– To olhando para a mais bela flor, e com certeza permanecerei com ela. – A loira diz e caminha até ela, e a abraça por trás, enfiando o nariz na curva do pescoço da morena, fazendo-a notar sua presença. Regina sorri.
– Que bom que entendeu o meu recado. – Ela se vira de frente para Emma e diz se referindo ao bilhete.
– Confesso que dessa vez meu raciocínio foi rápido. – A loira faz uma cara de orgulhosa.
– Percebi. – Regina diz e sela seus lábios rapidamente. – Agora que você já acordou, eu vou indo.
– Vai aonde? – Emma questiona.
– Ao hospital saber do resultado dos meus exames.
– Vou com você, só vou tomar um ba... – A loira não termina sendo interrompida por Regina.
– Não precisa, você tem que ir para o trabalho. Eu só vou pegar os resultados e depois vou para a prefeitura. – Regina diz já se soltando dos braços de Emma. – Almoçamos juntas, passo para pegar Roland, na casa de seus pais. – Emma nem tem tempo de contra argumentar, pois Regina já estava caminhando bem longe.
Emma sabia muito bem o que ela estava fazendo. Regina estava “lhe poupando sofrimento”, caso algo estivesse errado em seus exames. A loira pensa em tomar banho e ir atrás de Regina, mas muda de ideia, talvez a morena só quisesse um tempo pra pensar também. Então ela toma seu banho e vai para a delegacia.
Enquanto isso Regina, estava sentada no banco que ficava no meio da Praça de Storybrooke, com os resultados de seus exames em uma mão e sua inseparável pena, na outra. Ela se lembrava da conversa no consultório de Whale ao lhe entregar os resultados.
“- Sinto muito Regina, não houve nenhuma melhora significativa.
– E isso significa o que exatamente?
– Vamos ter que continuar com a quimioterapia. Vamos partir para uma medicação mais agressiva, e torcer para que seu organismo corresponda positivamente, do contrário, precisaremos de um transplante de medula.”
Todas essas palavras não paravam de girar em torno da mente perturbada da morena. Transplante de medula. Tudo que Regina conseguia pensar era que Aurora estava morrendo por falta de um doador compatível. Regina levanta-se do banco, rasga os papéis todos e os joga na lixeira mais próxima, já havia refletido o quanto precisara, agora era hora de levantar a cabeça e seguir em frente.
Ela chega à prefeitura por volta das 9:00, e aquilo estava a mil. Ela teria uma entrevista para uma rede de televisão logo mais a tarde, e a equipe da produção já havia chegado e estavam montando os equipamentos em sua sala. Estava tudo uma loucura. Ao menos ela teria aquela tarde livre da quimioterapia, e se sentias basicamente bem. Whale havia recomendando que ela usasse mascara em ambientes que estivesse rodeada por muitas pessoas, para não correr risco de pegar nenhum vírus ou bactéria.
Emma por outro lado, não podia estar se sentindo mais entediada na delegacia. Ela e Jefferson jogavam baralho, por falta do que fazer. A hora do almoço se aproximava e já que ela estava desocupada, decide passar na casa de seus pais pegar Roland, para irem almoçar. Ela liga para Regina, dizendo já estar com o garoto e vai para o Granny’s.
Pouco tempo após Emma e Roland terem chegado, Regina também chega, e para sua surpresa a loira já havia feito seu pedido.
–Pedi uma comida com pouco sal pra você amor. – Emma diz enquanto Regina se ajeita ao lado de Roland, de frente para ela.
– Obrigada querida. – Regina beija o topo da cabeça do filho. – Como vai querido?
– Estoi bem. Com saudades. – Ele diz balançando as pernas embaixo da mesa.
– Eu também estou, você quer ir pra casa hoje? – A morena sugere.
– Quelo. – Roland se anima.
– Então depois da escola, mamãe passa te buscar.
– Ta bom.
Emma percebera que Regina nem tocara no assunto, o que não era um bom sinal. — O que deu nos exames amor?
– Aqui está. – Ruby chega com os pedidos antes que Regina pudesse responder. – Olá Regina.
– Olá Ruby, como vai?
– Vou bem e você?
– Bem também, obrigada. – Regina sorri, e a morena de mechas vermelhas, pode perceber que seus lábios estavam curvados num sorriso, mas seus olhos não refletiam a mesma coisa.
– Ok, qualquer coisa é só chamar. – Ela diz e se afasta da mesa.
– Você compra muita porcaria para esse garoto, Emma. – Regina reclama vendo o cheeseburguer que Roland tinha nas mãozinhas.
– Ai, eu sabia que você ia reclamar. – Emma revira os olhos e sorri. – Le é criança, deixa ele aproveitar.
– Ele pode aproveitar de sendo saudável.
– Ta bom, prometo comprar comida decente pra ele a partir de agora.
– Quero só ver.
– Mas você não me respondeu o que eu te perguntei.
– O que?
– Sobre seus exames.
– Depois Emma. – Regina levanta o olhar até o da loira, e só aquilo bastava para Emma ter a certeza de algo tinha dado errado.
– Ok. – Ela diz e volta sua atenção para o seu sanduiche natural.
Não demora muito tempo para eles estarem satisfeitos. Roland estava banhado por Ketchup, sorte que ele tinha roupas na casa dos avós, do contrário se atrasaria para a escola. Elas levam-no juntas de volta a casa de Mary e David, que estavam adorando a presença do baixinho. Depois seguem juntas para seus trabalhos, haviam optado por ir a pé até o Granny’s, a delegacia ficava antes da prefeitura, e quando param a frente ao prédio, Regina enlaça o pescoço de Emma e a beija. Um beijo demorado. Profundo. Seus lábios se separam, mas seus olhos continuavam fechados e suas testas coladas.
– A quimioterapia não fez efeito algum. E se o tratamento não fizer efeito agora, vou precisar de um transplante – Regina sussurra, sua voz arrastada, beirava o desespero.
– Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa. – Emma diz ainda sem abrir os olhos, não conseguindo deixar de lembrar de Aurora, que estava no fim de sua jovem vida.
– Eu não queria que você passasse por isso Emma. – Regina afasta seu rosto e encara os olhos verdes de Emma.
– Você não, mas eu quero passar por isso com você.
– Eu sei, mas... – Emma não a permite terminar.
– Mas nada, não tente me afastar, por que eu não vou a lugar nenhum.
Elas ficam algum tempo abraçadas, uma consolando a outra, e então Regina segue para a prefeitura. Falar sobre esse assunto, a deixava pesada, então ela tenta descontrair um pouco com Belle, que se mostrava ainda mais prestativa com ela, após saber de sua doença.
Emma, que após a notícia de Regina, havia ficado em frangalhos. Ela sabia que não seria fácil, mas no fundo tinha esperanças de que Regina não precisasse mais fazer quimioterapia. Não havia nada para fazer na delegacia mesmo, e ela sabia que Regina daria uma entrevista, então ela decide ir assistir a sua morena em sua pose de Madame prefeita. Quando ela chega à prefeitura, já estava tudo organizado para o começo das gravações. Ela entra a sala da morena, que a vê de imediato, sopra um beijo para ela, e se posiciona no canto da sala.
Chega a hora da entrevista.
Regina senta-se em sua cadeira e o apresentador se posiciona na cadeira em frente a sua mesa, e eles dão inicio as gravações. Ela falava sobre o projeto do novo parque de diversões de Storybrooke, que ela havia criado e trabalhado nos três anos de seu mandato. Ela respondia a todas as perguntas tranquila e objetiva. Passados alguns poucos minutos, eles já haviam terminado e com muitos elogios a Regina, por não precisarem fazer cortes, a produção começa a organizar o material para irem embora.
Secret Garden- Song from a Secret Garden
Emma caminha até a morena, e puxa uma cadeira até o lado dela.
– Oi madame prefeita.
– Oi.
– Adoro quando você fica toda séria assim, quando ta trabalhando.
– Boba. – Regina sorri, e abraça Emma, ela sente algo escorrendo por seu nariz. Ela suga, mas em seguida sente escorrendo novamente. Ela suga novamente. E quando Emma desfaz o abraço, ela olha assustada para Regina. Uma gota de sangue cai sobre o colo da morena, depois outra, outra e outra. Ela leva as mãos em frente ao rosto para impedir que o sangue escorresse por suas vestes, e nesse momento todos que estavam na sala, estavam paralisados com a cena. Emma levanta-se a procura de algo que pudesse estancar o sangramento, e logo vê Belle vindo com uma toalha de rosto branca. Ela coloca sobre o rosto de Regina, que segura à toalha com as mãos ensanguentadas. Emma arregala os olhos, era muito sangue.
– Meu Deus. – A loira diz e começa a andar de um lado para o outro sem saber o que fazer. A sala era só vozes, todos horrorizados com a cena e ninguém fazia nada. – Façam alguma coisa. – ela pede apavorada, e quando volta a olhar para Regina, a toalha em suas mãos já estava completamente encharcada de vermelho. Regina levanta-se e começa a tentar respirar pela boca, tentando não deixa o sangue entrar, sem nunca afastar a tolha do rosto.
– Preciso de outra. – É tudo que a morena consegue dizer. Belle sai correndo da sala, e logo volta com outra toalha, entregando para Regina. A morena segura à toalha encharcada com uma mão enquanto pressiona a outra contra seu rosto. – Emma. – Ela chama e a loira se aproxima, o desespero estampado em seu rosto. – Liga para o doutor Whale. – Ela diz respirando com dificuldade.
Ta.. ta bom. – Emma pega o celular, suas mãos estavam tremulas, ela disca rapidamente o numero do médico. – Whale, Regina ta sangrando muito, mande uma equipe na prefeitura. – Silencio. – Eu não sei o que fazer.
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