Now Is Good
45 Incondicionalmente
Notas iniciais
POV REGINA
Com certeza eu não estava sentada naquela cadeira, por causa de mim. Eu já estava com o saco cheio de tudo, haviam me dito que eu poderia ir embora, e quando acordo, descubro que terei que abandonar meu trabalho, a minha rotina, porque meu tratamento quimioterápico começaria hoje.
Eu estava possessa, não queria mais perder tempo, eu tinha esperanças de que as coisas melhorassem, mas certos acontecimentos fazem-nos mudar de opinião.
A crise que tive hoje é o motivo principal. Não via forma alguma de melhorar.
O choque de realidade que Emma me fez ter, foi como um soco na boca do estomago, mas acredito, que tenha servido de alguma coisa, apesar de minhas esperanças nesse momento serem quase nulas.
Sento na droga da cadeira, e logo um enfermeiro vem aplicar a minha medicação. Eu pude ver Emma e Whale, me observando da porta de entrada, mas não olhei na direção deles em momento algum, não queria papo, então assim que o enfermeiro termina seu trabalho comigo, viro meu rosto para o outro lado, apoiando minha cabeça no encosto da cadeira. Aurora não estava por ali, e não tive noticias dela e estava começando a me preocupar com isso.
Ao meu lado estava a moça calada do primeiro dia, às vezes ela ficava na mesma sala que eu, mas nunca falava, fato que para mim, era estranho.
– Ei, você sabe da Aurora? – Tento puxar papo. Ela vira o rosto de me olha séria, por um momento pensei que fosse me matar, ou algo do tipo, mas ela simplesmente responde:
– Não.
– E você a viu, esses dias?
– Não.
–Ok, obrigada.
– Ela esta no quarto. – Não sei como diabos, Emma ouviu o que eu perguntava, quando me virei para falar com a “muda” ela estava a metros de distância e agora estava ao meu lado, respondendo a minha pergunta.
Finjo não ouvir e não olho para ela.
– Regina pare de ser infantil. – Suas palavras me irritam, e eu a olho com raiva.
– O que você quer Emma? Eu não estou falando com você.
– Ok, to indo embora.
– Tchau.
Observo ela me dar às costas e meus olhos se enchem novamente, mas não digo nada, simplesmente apoio minha cabeça no assento e fecho meus olhos, torcendo para o tempo passar o mais rápido possível, mas alguns minutos depois, eu ainda estava com meus olhos fechados, e sinto lábios me beijando os olhos, o nariz, e depois a boca. Eu nem precisava abrir meus olhos para saber de quem eram obviamente.
Oh, no, did I get too close?
Oh, não, eu cheguei perto demais?
Oh, did I almost see
Oh, eu quase vi
All your insecurities
Todas as suas inseguranças
All the dirty laundry
Toda a roupa suja
Never made me blink one time
Nunca me fizeram piscar uma vez
Quando Abro os olhos Emma estava inclinada sobre mim encarando-me.
– Sua cabeça dura. – Não falo nada, apenas sorrio de leve. Ela tinha razão. – Me desculpa, eu me exaltei um pouco, eu te amo.
– Eu também te amo. – Toco seu rosto com a mão do braço livre. – Mas da próxima vez que falar comigo daquele jeito na frente dos outros, vou arrancar seu coração e apertar até ele virar pó.
– Meu Deus, é muito amor envolvido aqui. – Ela sorri e eu acompanho. Ela cola sua testa na minha me da mais um beijo.
Unconditional, unconditionally
Incondicional, incondicionalmente
I will love you unconditionally
Vou te amar incondicionalmente
There is no fear now
Não há medo agora
Let go and just be free
Se liberte e apenas seja livre
I will love you unconditionally
Eu vou te amar incondicionalmente
– Emma... – Eu ia me desculpar também, havia sido grosseira demais com ela.
– Shiu, fica quietinha e me deixa ficar assim, só um pouquinho.
– Eu só...
– Shiu, ta tudo bem. – Ela diz parecendo já prever o que eu diria.
Come just as you are to me
Venha até mim exatamente como você é
Don’t need apologies
Não preciso de desculpas
Know that you are worthy
Saiba que você vale a pena
I'll take your bad days with your good
Vou acabar com seus dias ruins através dos seus dias bons
Walk through this storm, I would
Caminhar por esta tempestade, eu iria
I’d do it all because I love you
Eu faria isso tudo porque eu te amo
I love you
Eu te amo...
Ficamos alguns minutos em silêncio, com as testas coladas, e a “muda” ao meu lado nos observando. Gostaria de saber o que ela pensa às vezes.
– Amor, eu tava pensando. – Emma começa.
– No que?
– Ta na hora de começarmos a planejar nosso casamento, né. – Abro meus olhos e a encaro, será que ela tava falando sério? – O que foi? – Ela pergunta ao ver minha cara confusa.
– É sério isso?
– Claro, por que não seria?
– Dada as circunstancias, eu acho que ...
– A senhorita não tem que achar nada. Deixo você escolher o bolo.
– Nem pensar, eu vou escolher tudo e você escolhe o bolo.
– Ah, tudo bem madame prefeita. – Ela levanta os braços como em rendimento. – Mas eu quero que seja logo Regina, podíamos aproveitar e comemorar o aniversário do baixinho que ta chegando, fazemos uma big festa pra cidade inteira.
– Não exagere, não quero nada escandaloso.
– Vai ser uma festa de arromba.
– Emma, menos, bem menos.
– Não, eu quero que tenhamos uma festa top de balada, amor. Não seja desmancha prazeres.
– Top de balada. – Repito sua frase sorrindo, só ela mesmo para querer casar comigo no estado em que estou.
– É sério, quero tudo do melhor na nossa festa.
– Ta bom querida, nós teremos.
– Eu quero casar na nossa casa.
– O que? Ah não.. – Eu já ia contestar, mas ela nem me dá tempo.
– No coreto. – Ela diz e eu fico imaginando que realmente seria um ótimo lugar para a cerimônia.
– Gostei da sua ideia. – Sorrio de novo. – Perfeita.
– Ótimo, irei resolver toda a parte chata e o resto fica contigo então.
– Certo.
– Ai, imagina o baixinho de daminho amor, que gracinha. – Ela faz uma cara de boba e eu solto uma gargalhada.
– Ai Emma, eu já disse que se chama Page, e não faz essa cara porque é muito engraçada. – Digo em meio a risos.
– Que cara? Essa? – Ela repete a careta e eu gargalho alto, tapando a boca com a mão. – Adoro quando você ri assim, é tão linda.
– Besta. – Me inclino e beija seus lábios delicadamente. – Me desculpe mesmo por hoje.
– Tudo bem amor, mas não fala mais essas coisas, por favor.
– Não direi. – Ela sorri para mim.
– O baixinho quer te ver, mas minha mãe preferiu não trazê-lo ontem, e eu achei melhor mesmo.
– Quando sair daqui irei passar lá para busca-lo.
– Mas não sabemos de você vai poder ir pra casa.
– Emma, aqui eu não fico.
– Tudo bem tudo bem, não vamos discutir.
– Não mesmo.
Alguns minutos depois, eu e Emma ainda conversávamos quando Whale vem me dizer que eu estava liberada, Graças aos céus eu não precisaria de muito tempo de quimioterapia diária, uma hora por dia, era suficiente, segundo ele. Antes de me despedir, resolvo perguntar sobre o estado de Aurora.
– Whale?
– Sim?
– Como está Aurora?
– Nada bem Regina, nada bem. Ela precisa de um doador urgente.
– E não tem ninguém aqui que possa doar?
– Não temos nenhum compatível com ela até agora.
– Entendi. – Baixo o olhar, estava sentindo muito mesmo por ela, havia criado um laço de amizade. – Vamos Emma?
– Sim. Até mais Whale. – Ela se despede dele.
– Até amanhã. – Ele responde e eu somente balanço a cabeça.
Antes de sair do hospital, troco de roupa, mas mesmo assim decido passar em casa tomar um banho antes de ir trabalhar. Whale havia recomendado que eu usasse sempre mascara perto das pessoas, e evitasse ao Maximo o contato com pessoas contaminas com gripe, ou algo do tipo. Minha imunidade estava baixíssima e pegar qualquer vírus ou bactéria poderia piorar minha situação.
Emma me leva até em casa, pois eu estava sem carro, preparamos alguma coisa para comermos, já passada do horário do almoço, e depois ela me espera na sala enquanto subo para tomar um banho e me trocar. Quando volto para sala, ela estava jogada no sofá, dormindo. Sinto-me um tanto culpada por esse cansaço dela, ela havia passado a noite toda sentada numa cadeira, ao meu lado no hospital. Não a acordei, sabia que ela iria ficar brava, porque precisava ir trabalhar, mas não acredito que Jefferson esteja precisando dela por la.
Saio pisando leve, evitando fazer qualquer barulho para que ela não acordasse. Pego meu Mercedez e dirijo rapidamente até a casa de Mary e David, precisava ver Roland. Toco a campainha e logo em seguida David abre a porta.
– Regina. – Ele me abraça.
– Olá David, como vai?
– Vou bem e você? Entre.
– Não, eu tenho que ir para o trabalho, só passei dar um beijo no meu filho, ele está?
– Mary já o levou de volta para a escola, ele veio almoçar conosco, e agora já voltou.
– Ah entendi. Tudo bem então, volto a tarde para busca-lo.
– Tudo bem, aviso a Mary para deixar as coisas dele arrumadinhas.
– Ta bom, obrigada David. – Sorrio
– Não há de que. – Ele devolve o sorriso e eu volto para meu Mercedez, e dirijo até a prefeitura, onde todos param para me olhar quando chego.
– Boa Tarde.
– Boa Tarde. – Todos respondem em uníssono, ainda me olhando.
– Parem de me olhar com essas caras de espanto, eu estou bem. – Sorrio e todos fazem o mesmo. – Voltem a trabalhar agora. – Sigo sorrindo para minha sala e logo ouço os saltos de Belle em meus calcanhares.
– Olá prefeita, como está? – Seu tom era preocupado.
– Estou bem e me desculpe pelo susto de ontem Belle. – Digo jogando a bolsa na poltrona no canto da sala.
– Realmente foi um susto.
– E eu realmente sinto muito.
– Não se preocupe, sei que a culpa não é sua.
– De qualquer forma, me desculpe. – Ela sorri. – Pelo menos gravamos a entrevista adequadamente.
– Verdade, ficou ótima. Vão exibir hoje a noite.
– Ótimo, não posso esquecer.
– A senhorita precisa de algo?
– Hmm, sim. Eu quero que você procure para mim o melhor Buffet que tiver e marque uma prova de doces de aniversário e casamento.
– Casamento? – Pude ver seus olhos brilhando.
– Sim. – Sorrio.
– Você e Emma? Oh meu Deus. – Ela quase pula de alegria.
– Sim, iremos casar o quanto antes.
– Ai, que alegria.
– Por favor, providencie isso para mim. Iremos comemorar o aniversário de Roland também.
– Ai que tudo, fiquei empolgada. – Rio da empolgação dela.
– Obrigada minha querida, agora vá, vá.
– Ok. – Ela sai quase saltitante, o que me faz rir.
Quando Belle sai, eu me dedico a assinar alguns documentos pendentes e marcar algumas reuniões que precisei desmarcar nos dias anteriores, fiquei ocupada por bastante tempo e nem o vi passar.
Fale com o autor