Now.
1 Jesus Camp.
Notas iniciais
•ALGUNS FATINHOS IMPORTANTES•
Max Vandenburg passou os piores dias de sua vida em Dachau.
Pensou em se matar inúmeras vezes.
Mas não queria dar esse gostinho à mim.
Ele ainda tinha esperança, por mais que lutasse para não tê-la.
Max passou pouco menos de seis meses no campo. Era submetido aos piores trabalhos que você pode imaginar. Não comia. Não dormia. Até tinha uma cama, mas não conseguia pregar os olhos. Pesadelos. Eram muitos. Mas as vezes ele daria tudo para conseguir dormir. Seu pior pesadelo, era a vida real.
•UMA PEQUENA REVELAÇÃO SOBRE O FUTURO•
Max teria pesadelos com aquele campo durante o resto de sua vida.
Ele nunca conseguiria superar.
Afinal, quem consegue superar um campo de concentração?
Quando teve a notícia de que Hitler havia falecido, e que todos os sobreviventes seriam liberados, Max já tinha mudado completamente. Estava magro — não como antes, ele estava realmente magro —, pálido, com os cabelos e roupas imundos, e uma barba mal-feita e torta. Mas, do que ele poderia reclamar? Tinha sorte de ter uma lâmina de barbear que não fosse para cortar seu pescoço. Aproximadamente no quarto mês de isolamento, Max tentou aparar seus cabelos com a lâmina, e o resultado, claro, foi o pior que você pode imaginar.
Agora ele estava saindo de Dachau, pelo portão da frente, sim, aquele imenso e assustador portão, junto à uma imensa nuvem de judeus mal vestidos e tão imundos quanto ele. Estava indo para casa.
Casa?
E quem disse que Max tinha casa?
• • •
Não havia sobrado nada além de escombros na rua Himmel.
Com o tempo, alguns homens, inclusive Alex Steiner, começaram a reconstruí-la.
Logo ela voltaria a ser o céu, assim como seu nome sugeria.
Liesel havia passado a morar com Ilsa Hermann, que a acolhera e começara a tratá-la como sua própria filha. Ah! Como Liesel era uma garotinha de sorte. Tinha três mães, que amavam-na incondicionalmente. Quantas pessoas você conhecem que tem esse privilégio?
Ilsa dava tudo que Liesel precisava, e talvez um pouco mais. Nas horas vagas, a menina que roubava livros ia até a alfaiataria do Sr. Steiner, e acompanhava-o costurar e arrumar alguns ternos.
•A MENTE DE UMA GAROTINHA DE 14 ANOS•
Liesel gostava de sua nova vida.
Sentia-se triste ao pensar no pai, na mãe, em Rudy.
E em Max.
Ela queria acreditar que ele estava vivo, o que levou-a a ir até Dachau inúmeras vezes, gritando seu nome e chorando.
Doía.
Até que ela parou de insistir.
Ele havia se tornado uma lembrança assim como quase todos que conhecera.
Era um dia comum de outubro. Liesel foi até a alfaiataria de Alex depois da escola.
E então, ele voltou.
Eles se abraçaram, cairam no chão e choraram.
Ficaram ali por muito tempo, sem dizer uma palavra sequer. Apenas se abraçando. Chorando. Não precisavam de palavras.
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