Now.
4 Giants.
Notas iniciais
Era uma tarde nublada. Liesel Meminger e Max Vandenburg estavam sentados em duas latas grandes de tinta, sobre um chão forrado de mantas de proteção. Os dois encaravam a parede branca, pensando no que poderiam desenhar ali, enquanto Max destampava uma lata menor de tinta preta.
— Poderíamos desenhar a mesma coisa que antes... — Liesel pensou em voz alta.
— Não, clichê demais e criativo de menos. Tem que ser algo diferente.
— Ah, então não sei.
E passaram-se longos minutos, Liesel fitando a parede, Max pegando pincéis, e os dois pensando no que desenhariam naquela parede.
Até que Max se levantou, pegando um pincel, mergulhando-o na tinta e começando a escrever na parede.
— "Toda a minha vida tive medo..." — Liesel leu em voz alta, e reconheceu aquelas palavras na hora.
•O VIGIADOR — SEGUNDA EDIÇÃO•
Max pintou todas as páginas do primeiro livro que havia dado a Liesel.
Ele lembrava de tudo, até dos mínimos detalhes.
Liesel sorriu ao reler o livro, perdido no bombardeio, agora pintado naquela parede tão especial.
Ao terminar, Max passou um dedo pelo pincel e tocou o nariz de Liesel, sujando-o de tinta.
— Bobo! — ela riu, passando os indicadores pela borda da lata, levantando-se e ficando na ponta dos pés para sujar as bochechas de Max.
Os dois ficaram numa espécie de guerra de tinta durante o resto da tarde, até que se julgaram sujos demais para continuar.
Aos poucos, os dois descobriam que aquela amizade ultrapassava os limites de qualquer sentimento que humanos pudessem ter conhecido.
• • •
Após os dois tentarem se livrar de toda aquela tinta, e conseguirem tirar a maioria dela do corpo, os dois foram para a cozinha em busca de algo para comer.
— Sabe o que incrível? — Liesel começou a falar enquanto os dois comiam sanduíches de pão e manteiga.
— O que?
— Eu sinto falta da sopa de ervilhas da mamãe.
Max riu.
— Ah, fala sério!
— É verdade. Por mais que fosse horrível, era a sopa da mamãe.
— Eu me lembro da primeira vez que comi aquela sopa...
— Eu também! Mamãe estava toda orgulhosa porque você não reclamava da sopa dela, até que você...
Os dois riram.
— Você faz falta, Saumensch. — Liesel disse baixinho, olhando para cima.
Max suspirou. Sentia tanta falta de Hans e Rosa quanto Liesel.
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