Notas iniciais
Soundtrack: http://www.youtube.com/watch?v=P_8nxx0IiFs

Era uma tarde nublada. Liesel Meminger e Max Vandenburg estavam sentados em duas latas grandes de tinta, sobre um chão forrado de mantas de proteção. Os dois encaravam a parede branca, pensando no que poderiam desenhar ali, enquanto Max destampava uma lata menor de tinta preta.

— Poderíamos desenhar a mesma coisa que antes... — Liesel pensou em voz alta.

— Não, clichê demais e criativo de menos. Tem que ser algo diferente.

— Ah, então não sei.

E passaram-se longos minutos, Liesel fitando a parede, Max pegando pincéis, e os dois pensando no que desenhariam naquela parede.

Até que Max se levantou, pegando um pincel, mergulhando-o na tinta e começando a escrever na parede.

— "Toda a minha vida tive medo..." — Liesel leu em voz alta, e reconheceu aquelas palavras na hora.

•O VIGIADOR — SEGUNDA EDIÇÃO•

Max pintou todas as páginas do primeiro livro que havia dado a Liesel.

Ele lembrava de tudo, até dos mínimos detalhes.

Liesel sorriu ao reler o livro, perdido no bombardeio, agora pintado naquela parede tão especial.

Ao terminar, Max passou um dedo pelo pincel e tocou o nariz de Liesel, sujando-o de tinta.

— Bobo! — ela riu, passando os indicadores pela borda da lata, levantando-se e ficando na ponta dos pés para sujar as bochechas de Max.

Os dois ficaram numa espécie de guerra de tinta durante o resto da tarde, até que se julgaram sujos demais para continuar.

Aos poucos, os dois descobriam que aquela amizade ultrapassava os limites de qualquer sentimento que humanos pudessem ter conhecido.

• • •

Após os dois tentarem se livrar de toda aquela tinta, e conseguirem tirar a maioria dela do corpo, os dois foram para a cozinha em busca de algo para comer.

— Sabe o que incrível? — Liesel começou a falar enquanto os dois comiam sanduíches de pão e manteiga.

— O que?

— Eu sinto falta da sopa de ervilhas da mamãe.

Max riu.

— Ah, fala sério!

— É verdade. Por mais que fosse horrível, era a sopa da mamãe.

— Eu me lembro da primeira vez que comi aquela sopa...

— Eu também! Mamãe estava toda orgulhosa porque você não reclamava da sopa dela, até que você...

Os dois riram.

— Você faz falta, Saumensch. — Liesel disse baixinho, olhando para cima.

Max suspirou. Sentia tanta falta de Hans e Rosa quanto Liesel.

Notas finais
Já repararam na capa da fic? :3