Novus Tempus: Bellum Divinum
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Fevereiro, ano 2990 Comunicado importante:
“O ministério da ciência (OMC) declara o fim da terceira guerra mundial, onde os oponentes em questão foram as diversas crenças e religiões mundiais e o Próprio ministério. Declaramos aqui as baixas do ocorrido dessa guerra: a antiga Cidade Santa outrora chamada Jerusalém, foi reduzida a ruínas, obtendo agora o nome de Ruínas Santas, as crenças em questão caíram sobre a mão do OMC, as Bíblias e quaisquer tipo de livro sagrado serão queimados na Praça da Luz hoje as 20h00min tornando assim a ciência a única devoção (religião) a ser seguida. Todos aqueles que descumprirem essa lei/religião serão considerados LINKERS, rebeldes a favor do perecer do ministro da Ciência, serão banidos para as terras negras, a nação Matribus em total e completo exílio e morte iminente. As palavras do ministro Amestrís de encorajamento e apoio as diversas famílias que tiveram os seus perdidos para a batalha foram de grande acalento e necessidade, ele diz : ‘não devemos chorar as mortes daqueles que lutaram por um mundo melhor,pois hoje eu posso dizer que eles realizaram os seus sonhos e desejos, a igualdade se estabeleceu em nosso mundo graças aos esforços do todos que pereceram no campo de batalha! As famílias que aqui continuam, não devem chorar, poias as lagrimas que embaçam suas vistas os impedirá de ver o alvorecer de uma nova era. Aqui é o ministro Amestrís trazendo o grito de liberdade e igualdade ao novo mundo!’. As belas palavras do ministro fortaleceram a ideia de nação unida na igualdade, e agradecemos a Ciência por uma era sem rebeliões, agora já podemos sentir a paz sendo levada aos quatro cantos do mundo pelas brisas da manhã.”
XxX
Não existe nada pior que ser uma órfã em um monastério. É serio. Não há nada mais chato e sem graça do que ser rodeada por loucos que acreditam em tudo que vai contra o OMC. A melhor parte é que isso faz de você um Linker. A função do manastério é formar linkers. Pra que? Para derrubar o regime em que vivemos e restaurar crenças que já não existem há muito tempo.
A terceira guerra acabou dezessete anos atrás e eles ainda querem arranjar brigas. Não que eu não goste de brigas, mas só falam disso nesse lugar. Aulas de lutar corporal e com armas, aulas de estratégias de guerra, aulas sobre anatomia humana para sabermos os pontos fracos do inimigo. Isso começa a enjoar depois de um tempo. Não vou ser ingrata, se não fosse pelos guardiões do Monastério eu não estaria aqui. Pois é impossível sobreviver num mundo onde a terra esbanja radioatividade e é atingido por constantes chuvas acidas capazes de te corroer em segundos. Principalmente se você for um recém nascido.
O som da sirene acima da porta me trás de volta a realidade. Meu quarto não é a coisa mais maravilhosa do mundo. As paredes são feitas de madeira, revestida com uma massa cinzenta que impede a combustão em caso de ataque. Há uma pequena cama encostada na parede no lado esquerdo do quarto. Ao seu lado está uma escrivaninha de madeira talhada. O pequeno guarda roupa fica do outro lado. É pequeno, com algumas flores desenhadas. Dentro dele estão minhas poucas roupas, que em sua maioria são os uniformes do Monastério. Não há um banheiro, afinal os únicos com esse privilégio são os Escolhidos. Na realidade, a sirene acaba de avisar que os treinamentos vão começar.
Todos no Monastério são obrigados a participar das aulas. No entanto, a maioria fica observando os Escolhidos. Afinal eles são nossos protetores, nossos guardiões, nossos portos-seguros. São eles que zelam para o bem estar de nossa raça. Que vão a nossa frente em campo de batalha. Que dão suas vidas em favor dos Linkers. Foram treinados para isso a vida toda. E esse é o destino deles.
Formamos um fila no corredor que dá acesso á arena. Ficamos um pouco apertados, pois a largura do corredor branco é pequena. A fila é feita de acordo com a idade e papel desempenhado. Começando pelos escolhidos indo até cozinheiros e faxineiros. No começo da fila, estão as gêmeas Solara e Setra. As duas são estranhamente loiras e tem olhos verdes. Todos as conhecem por sua fama com as facas. Dizem que é quase impossível vencê-las em combate. No entanto nunca me dirigiram mais que olhares de desaprovação e desgosto. Isso não me chateia, pois na verdade nenhum dos escolhidos realmente se importa com alguém alem deles mesmos.
As grandes portas da Arena são abertas. Elas foram feitas de aço com aproximadamente 20 centímetros de espessura. Seria impossível abri-las usando a força humana, por isso são abertas automaticamente, quando uma senha é inserida. As pessoas vão entrando aos poucos na Arena. Ao adentrar na Arena sou surpreendida por explosões no canto direito. Algumas pessoas já começaram a treinar. A sala é enorme. Cheia de armadilhas escondidas pelas paredes. Foi projetada para mudar as condições de sobrevivência a cada aula, de modo que possamos sobreviver a qualquer tipo de clima. As armadilhas são projetadas para testar todas as suas fraquezas. Bombas, tiros, animais e comidas envenenadas, temperaturas extremas. Você sempre pode esperar qualquer coisa da arena. Dessa vez percebo que estamos em um deserto. Alguns cactos estão longe no horizonte. Não há sinal de água. A temperatura deve estar beirando quarenta gruas. Uma voz feminina ecoa pela sala. “Linkers, a missão de hoje é sobreviver por quatro horas. Busquem por suprimentos. A acima de tudo lembrem-se: Qualquer um pode ser um inimigo. Quando os treinamentos acabarem o jantar será servido.”
Uma sirena toca e todos correm para direções diferentes. Todos, exceto eu. Os efeitos do calor me atingiram, mesmo com tão pouco tem lá dentro. Minha pele começa a adquirir um tom avermelhado, já que é extremamente branca. Um cansaço também me atinge. As próximas quatro horas serão uma tortura.
Logo à frente vejo um dos Escolhidos. Orion. Diferente dos outros, ele não é um lutador e sim um pensador. Terei mais chances se o acompanhar. No entanto, não vejo porque ele quereria minha ajuda. Afinal sou apenas uma garota de 17 anos e ele é o único ser que realmente tem chances de sobreviver. Começo a correr em sua direção. O cansaço aumenta e sou atingida por uma forte tontura. Continuo correndo. Droga! Devia ter comido algo antes de vir. Faltam poucos metros para que o alcance. Minhas pernas estão bamboleando.
Orion se vira na minha direção. Bem a tempo de me ver caindo. Meu nariz e boca se enchem de terra. O sol está escaldante. Minha respiração começa a falhar. A única coisa que consigo pensar é em como sou fraca.
Notas finais
Beijos
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