Novos Tempos Em Hogwarts 3
18 Borras de chá e Fuinhas Mortas
Notas iniciais
A chuva respingava fracamente contra as vidraças da torre da corvinal quando Lily descia aquela manhã para o salão comunal. Como era esperado não havia muitas pessoas ali, com exceção de um ruivo que ela reconheceu imediatamente assim que se virou para encara-la.
_ hei, o que você faz por aqui? – disse Lily sorrindo para ele assim que terminava de descer o ultimo degrau.
Hugo Weasley se levantara assim que a prima terminara de fazer o seu caminho até o sofá onde anteriormente estava sentado. Havia percebido que a garota não tinha descido ainda e por isto decidira espera-la.
_ eu estava esperando para acompanha-la até o salão principal – disse Hugo gentilmente, suas orelhas estavam um pouco rosadas como costumavam ficar quando estava perto da prima.
_ bem, o que estamos esperando? – disse Lily sorrindo enquanto se encaminhava para a saída, parando próximo ao mural de avisos fixado em uma das paredes – a Jones marcou os testes para hoje, mas choveu o dia anterior todo... E com este sereno, pode significar que vem mais agua por ai.
_ é, eu sei... Vai tentar este ano não é? – disse Hugo enquanto os dois seguiam para a saída e a porta de pedra se fechava atrás deles – sabe, acho que você tem muita chance e não deixaria esta agua toda te impedir.
_ bem, eu espero mesmo me sair bem – disse Lily — quero ser artilheira pela nossa casa, já conversei com a Ártemis Jones e ela me falou que tenho muitas chances de conseguir o cargo se for boa o bastante... Ela quer reformular o time todo.
_ não vejo porque, ganhamos o campeonato ano passado – disse Hugo enquanto eles desciam as escadas para os corredores inferiores – espero que consiga, saiba que tenho muita fé em você...
_ obrigada, é bom ter apoio dos amigos – disse Lily fazendo o sorriso do garoto se desmanchar de repente, mas ela não percebeu.
_ Eu vou ver o teste, claro se você permitir... – disse Hugo – se for ficar nervosa com isto, eu nem apareço no campo, apenas gostaria de te dar um melhor apoio.
_ claro, será um prazer – disse Lily enquanto ambos entravam no salão principal.
Os dois ruivos seguiram para a mesa de sua casa e sentaram, enquanto o rapaz devorava seu café da manhã a prima puxara alguns deveres que se esqueceu de fazer na noite anterior. Eles terminaram logo seguindo a caminho da primeira aula do dia, quando já se encontravam nos corredores uma voz chamou pela ruiva os fazendo parar.
Hugo logo queria que eles não tivessem parado, ou que a garota não tivesse ouvido seu nome se dito porque realmente não queria ficar perto daquelas pessoas. Um grupo de quatro garotos se aproximou deles e o corvino fechou a cara para a visão dos rapazes em especial de certo monitor que se aproximara sorridente da ruiva e lhe dera um beijo nos lábios.
_ bom dia – disse Lily para o namorado quando os lábios deles se separaram e Lysander soltara um pequeno riso quando ela dissera isto.
Hugo rugia por dentro, o que afinal ela via naquele garoto que não podia encontrar nele? O ruivo era muito melhor que qualquer idiota da sonserina sempre se dizia mentalmente isto, ora vamos será que apenas Lily não via o que era obvio para todos que aquele rapaz não era o certo para ela e sim aquele que conhecia desde a infância e quem considerava um grande amigo? Ainda por cima o cumprimentara e automaticamente o rapaz murmurou algo como uma saudação azeda como se dissesse que ele não era bem vindo ali o que realmente era verdade.
_ como você passou a noite? – disse Lily reparando em suas olheiras que começavam a aparecer, ela lhe afastava alguns fios de cabelos de seus olhos para poder vê-los melhor.
_ bem, estou começando a me acostumar a dormir menos – disse Lysander parecendo um pouco cansado – mas o meu dever me chama, não posso abandonar as rondas.
_ não precisaria fazê-las sozinhas se quisesse – disse Lily brincalhona.
_ ah, esta se convidando por acaso senhorita Potter? – disse Lysander no mesmo tom fazendo a ruiva sorrir enquanto ela brincava com o Isto não é nada bom... Como um monitor, eu não posso deixar estudantes vagando pelo castelo em plena madrugada.
_ hã, Lily... – disse Albus ao lado dos outros dois sonserinos que ao contrario dele sorriam para a cena — sabe que eu não estou gostando muito do rumo desta conversa não é?
_ é eu sei... Mas você não pode fazer nada, afinal até onde sei é uma das pessoas que apoia o nosso namoro – disse Lily sorrindo ainda abraçada ao loiro fazendo o moreno suspirar.
_ eu sei, só não gosto desta historia de... – dizia Albus antes de ser interrompido por Scorpius ao seu lado.
_ deixe que eles sejam felizes Al, não banque o irmão ciumento deixe isto para o outro quando ele descobrir – disse Scorpius rindo – ai, é melhor irmos indo porque hoje temos trato de criaturas magicas.
_ com este tempo? – disse Lily surpresa ao que os rapazes deram de ombros.
_ não prejudica muito se quer saber – disse Lorcan parecendo ainda animado – a menos que sejam agoureiros dai sim vai ser um problema, eles não param de chorar e soltar lamentos durante tempos assim.
_ eu não sei vocês, mas anseio por um lugar seco – disse Albus — meu Merlin espero que Hagrid tenha planejado algo como tronquilhos para hoje dai podemos cuidar deles em um lugar coberto.
_ bem não queremos atrasa-los mais, dependendo do professor pode ser um problema – disse Lysander para a namorada que sorriu para ele que retribuiu ajustando a alça da mochila sobre o ombro.
_ eu não me importo de chegar atrasada se for por motivos que envolvem você – disse Lily brincalhona fazendo o loiro ficar sem jeito frente as provocações dos amigos.
_ mas ele está certo – disse Hugo seriamente como sempre fazia na presença dos quatro sonserinos – devemos ir – ele odiava ter que concordar com algo dito por aquele rapaz.
O corvino tinha tudo para gostar do Lysander, ele entre os babacas da casa das cobras era um dos poucos que poderia se salvar ao lado de seu primo, só que infelizmente ele cometera o erro de se apaixonar pela garota errada. A garota dele, Lily seria de Hugo era o que estava escrito já há muito tempo no destino dele apenas a ruiva que não notara isto, mas ela acabaria por abrir os olhos.
_ qual é a primeira aula de vocês? – disse Albus para os terceiranistas.
_ adivinhação – disse Lily fazendo uma careta ao pensar na professora – É sério, eu detesto aquela mulher – o loiro riu levemente – sempre prevendo desgraças como se estivesse apenas dizendo como será o tempo de amanhã.
_ bem, espero que sobreviva a primeira aula – disse Lysander – então, você tem planos para mais tarde? Poderíamos não sei, passar um tempo juntos?
_ pensei que monitores tivessem mais trabalho, sabe responsabilidades para cumprir – disse Hugo sarcasticamente – e não tivessem tempo para gastar com as namoradas por ai.
_ bem, então devo dizer que você tem uma visão um pouco destorcida do que é ser um monitor – disse Lysander confuso, mas com a voz áspera por não ter gostado do comentário do ruivo.
_ de qualquer forma, eu não posso me encontrar com você – disse Lily ajeitando o cabelo, incomodada com o jeito que o primo falara com seu namorado e vice-versa — sabe que hoje são os testes de quadribol da corvinal?
_ e você vai prestar os testes? – disse Albus já sabendo a resposta – que incrível, por que não nos contou nada antes?
_ sabe como é, estava esperando pela hora certa – disse Lily.
_ quem diria, vou ter de me preocupar com a artilheira Potter quando estiver em campo – disse Scorpius brincalhão – mas me diz ai, que horas é o teste quem sabe não dou uma passada por lá para ver com quem estamos para lidar este ano.
_ vai tirando seu hipogrifo da chuva que não queremos espiões durante o teste do nosso time – disse Hugo rabugento fazendo o loiro erguer a sobrancelha em sua direção.
_ eu por caso lhe perguntei se eu poderia ir? Até porque onde sei você não joga pelo time da sua casa – disse Scorpius desafiador. Francamente o jeito daquele ruivo lhe irritava, mas deveria agir de uma forma menos agressiva com ele do que gostaria apenas por conta de ele ser seu cunhado mesmo que ainda não saiba.
_ o que Hugo quis dizer é que vocês não poderão ir a seleção, o que é uma pena porque adoraria que vocês assistissem – disse Lily tentando amenizar as coisas como geralmente fazia – nos vemos depois, boa aula.
_ para você também querida – disse Lysander sorrindo enquanto ele e os amigos seguiam pelo corredor desaparecendo entre o mar de alunos que iam para suas aulas.
_ você deveria tentar ser mais agradável com eles, quase que não o reconheço quando trata as pessoas assim – disse Lily desapontada com Hugo enquanto ambos caminhavam – sei que não gosta deles por conta da casa, o que é uma tremenda idiotice porque eles são pessoas muito legais.
_ tanto faz – disse Hugo resmungando consigo mesmo, não queria ouvir novamente o mesmo discurso que a mais de um ano escutava da garota.
_ vocês andam muito rápido, vocês sabiam? – disse Augusta alcançando-os quando dobravam o corredor percebendo o olhar serio do ruivo – que foi?
_ o que você quer? – disse Hugo secamente.
_ Bom dia, tudo bem? – disse Augusta com um tom de voz cheio de ironia, ignorando a grosseria do rapaz — Sabe como é... Então, teremos aulas duplas de adivinhação este ano.
_ maravilha – disse Hugo fazendo a garota fazer uma careta por conta de seu mau humor logo de manhã cedo.
_ cruzes... Que é isto cérebro de passarinho? – disse Augusta — alguém desceu da vassoura com a perna esquerda hoje foi?
_ depois te explico, vamos indo que a torre norte fica do outro lado do castelo – disse Lily sussurrando para a garota – mas enfim, será bom ter você por perto.
_ é, sei como é lidar com o senhor emburrado ali melhor do que ninguém – disse Augusta sorrindo enquanto colocava o braço ao redor dos ombros da ruiva e do outro corvino – então o que será que aquela velha múmia planejou para nós hoje?
Os quatro sonserinos desceram a colina em direção a orla da floresta proibida. Em meio à tempestade que caia, os alunos tiveram de usar de capaz de chuva para não se molharem, os quatro logo se apressaram para alcançar o celeiro onde podia se ver a silhueta de Hagrid que gritava para que os alunos entrassem apesar de sua voz esta sufocada pelo barulho do lado de fora.
Albus foi o ultimo a entrar se dirigindo a um canto ao lado dos amigos que já despiam as capas e removiam as galochas de borracha. O celeiro de Hogwarts fora construído tendo sido uma ideia de Madame Máxime para armazenar os animais. Era muito parecido com o que havia na escola francesa pintado de uma cor vermelha as paredes, feno empacotado e sacos de ração espalhados assim como barris em que se lia indicações para que não se abrisse, tinha também cochos e divisórias onde ficavam algumas criaturas domesticáveis sendo que circulando o lugar havia varias cercas brancas onde em dias bons eram soltos os animais para pastarem.
_ o celeiro veio bem a calhar não é mesmo? – disse Hagrid rindo roucamente – estão todos aqui? Acho então que já podemos começar a trabalhar hoje.
Os rapazes sorriram para o professor de trato de criaturas magicas enquanto ele se aproximava da turma. Hagrid estava com a barba e cabelos estavam empapados como um cão molhado, suas botas sujas de lama e a capa de chuva (levemente pequena para um meio gigante) pingava contra o chão.
_ o lugar foi ampliado ou é impressão? – disse Lorcan olhando ao redor, realmente parecia maior do dentro quase como um armazém se não maior.
_ e foi, para abrigar todos os animais e nos próprios agora não toquem neles a tempestade do lado de fora pode deixar alguns assustados – disse Hagrid enquanto andava até um dos barris e destampava-o.
O ar então foi impregnado por um cheiro insuportável. Albus sentiu seu estomago revirar com aquilo pode ver expressões de incomodo no rosto de varias pessoas, e muitos tentando tampar as narinas para não sentirem aquele odor.
_ que diabos é esta coisa? – disse Ruby Carrow com as mãos sobre a boca e o nariz.
_ parece o cheiro de que algo morreu aqui dentro – disse Zack Zabini tampando o rosto com um lenço, enquanto recuava junto com os outros sonserinos.
_ bem, acho que você esta certo desta vez – disse Hagrid rindo enquanto tirava para choque das crianças, fuinhas mortas de dentro do barril.
_ acho que vou vomitar – disse Ruby Carrow com uma cara enojada.
_ deixa de ser fresca que seu nariz não vai cair por conta do cheiro e até parece que nunca viu animais mortos antes – disse Dakota revirando os olhos fazendo a garota lhe fuzilar com o olhar – então os barris tem um feitiço que impede o odor de propagar deles? É por isto que só sentimos quando eles foram abertos?
_ exatamente senhorita Greengrass, bem observado – disse Hagrid orgulhoso por alguém fazer aquela pergunta e mais do rapidamente respondeu de modo a evitar que houvesse uma confusão por conta do comentário que ela lançara para a oriental – algumas precauções deveria ser tomadas por via das seguranças dos nossos animais.
_ vamos ver hipogrifos de novo? – disse Lorcan animado, a experiência do ano passado havia sido incrível ainda mais quando em uma das aulas Hagrid mandara que eles transportassem e instalassem os hipogrifos no celeiro.
_ não, vocês já tiveram sua lição sobre eles – disse Hagrid pegando cinco fuinhas mortas em uma só mão e caminhando para o fundo do celeiro, o comentário pareceu relaxar os estudantes — eles adoram carne crua ainda mais em petrificação em algumas ocasiões.
_ quem adora? – disse Goyle meio cauteloso sendo um dos últimos na parte de trás do grupo, junto com as gêmeas Carrow que vinham logo atrás dele.
_ agora silencio, porque eles podem estar dormindo ainda – disse Hagrid o que era desnecessário já que nenhum deles parecia querer falar nada nem mesmo fazer qualquer ruído – e Lorcan, diminua a luz dos lampiões está muito claro e eles preferem o escuro.
_ Que é que prefere o escuro? — sussurrou Ruby rispidamente para a irmã e Goyle com um indício de pânico na voz.
_ Que foi que ele disse que prefere o escuro – murmurou uma voz de garota amedrontada — vocês o ouviram dizer?
Lorcan diminuiu a intensidade das luzes, deixando o celeiro numa quase penumbra por conta da luz fraca. O gêmeo retornou e se colocou a frente dos rapazes, quase que colado com Hagrid talvez porque a curiosidade dele fosse tamanha e estivesse ansioso demais para saber do que se tratava.
_Prontos? — perguntou Hagrid animado, olhando para os sonserinos sendo que o único que acenou e soltou um sim animado foi Lorcan — Bom, então, estive guardando uma viagem à Floresta para o seu quinto ano só que tive a bela surpresa ao recebê-los aqui aparentemente algo tem os afugentado os fazendo buscar abrigo aqui. O que é uma pena já que pensei em irmos ver os bichos em seu hábitat natural. Agora, o que vamos estudar hoje é bem raro. Calculo que eu seja uma das únicas pessoas do Reino Unido a domestica-los eficientemente o outro é claro que é Rolf Scamander um dos maiores especialistas em criaturas magicas atualmente e um grande amigo.
_ desculpe-me não querendo desfazer de sua capacidade de domesticar animais, mas tem certeza de que fez um bom trabalho com eles? – disse Ruby Carrow num tom de voz mais calmo, podendo-se notar um pouco de desdém nela.
_ claro que tenho certeza – disse Hagrid parecendo ofendido.
_ bem é que, minha mãe trabalha no departamento de regulamentação e controle de criaturas mágicas do ministério da magia e devo dizer que ela me informou que sua fama de criar animais perigosos e apresenta-los em aula não é de hoje – disse Ruby Carrow num tom de voz casual, mas que respingava veneno.
_ b-bem, e-eu... Quero dizer, e-eu... – começou a gaguejar Hagrid, mas Lorcan o cortou antes que tivesse a chance de se defender.
_ sua mãe deve atualizar as informações dos arquivos dela então, Hagrid melhorou o modo de dar aulas há anos e não colocaria em risco os alunos de proposito é loucura pensar que isto poderia ser possível – disse Lorcan – eu acredito na capacidade dele porque ele é bom com os animais e os trata com respeito enquanto o que o ministério faz? O setor de eliminação de animais perigosos é uma barbárie, matam as pobres criaturas porque acham que são perigosas demais para os bruxos quando são os bruxos que não os respeitam e às vezes abusam.
_ tudo bem Lorcan, acho que ela já entendeu – disse Lysander para o irmão então se voltando para Hagrid – pode continuar a aula professor, desta vez sem interrupções.
Eles avançaram mais para os fundos do celeiro, onde ficavam apenas alguns estábulos escuros de onde não se podia ver os animais que estavam ali. Hagrid olhou para trás percebendo que o grupo estava muito afastado.
_ por que não se aproximam mais? – falou Hagrid chateado com o medo de seus alunos, então Lorcan que ainda estava ao seu lado olhou para os amigos com um olhar suplicante e os rapazes se aproximaram – isto mesmo muito bem Al, Scorpius e Lysander... Tomem – estendeu as fuinhas para os sonserinos que meio hesitantes as pegaram pelo rabo — peguem e joguem naquela direção tentem não acertar o escuro para que possamos ter uma boa visão deles.
Eles jogaram contra o chão de madeira do lugar, e da boca de duas das fuinhas escorreu uma considerável quantidade de sangue que fez Goyle sentir ânsia de vomito tendo que tampar a boca com a mão.
_ agora, é só esperar que eles venham – soou Hagrid animado para a turma repousando uma mão no ombro de Lorcan e a outra na de Albus — Agora eles vão ser atraídos pelo cheiro da carne e sangue quando na natureza eu costumo chama-los, mas como estão todos aqui não preciso fazer isto e deixa-los apenas vir até nós.
O som dos trovões e os relâmpagos iluminando pela porta que o professor deixara aberta dera um clima assustador fazendo aumentar a tensão. Passou-se um minuto em que a turma continuou a fitar o canto escuro nervosamente e apreensivos como se tentassem ver algo se mexendo na escuridão.
Então um par de olhos brancos surgiu na escuridão e o som de patas soou contra a madeira bem como a cabeça de dragão começou a sair de meio a sombras. Dai veio o pescoço e em seguida o corpo enorme e esquelético do cavalo alado negro. O animal correu os dedos pela turma parando em Hagrid e Lorcan antes de se abaixar para poder comer a fuinha morta a partindo ao meio com seu bico cheio de caninos pontiagudos no interior que surgiram para cortar a carne.
_ Testrálios — murmurou Lorcan fascinado.
_ onde estão eles? – disse Dakota para o primo a sua frente.
_ bem ai, só que você não pode ver – sussurrou Scorpius ainda de olhos ligados no animal sua prima pareceu compreender já que soltou uma exclamação.
_ são os cavalos que puxam as carruagens – lembrou-se Dakota.
Como esperados eram poucos os capazes de vê-los. A maioria dos outros alunos expressava no rosto uma ansiedade confusa e nervosa ainda e continuavam a olhar para a escuridão e através do cavalo nunca o focalizando diretamente. Fora os quatro havia mais três pessoas que pareciam capazes de vê-los: Eldred Nott parado logo ao lado de Zabini que fitava o cavalo de maneira indiferente não deixando de franzir a testa ao vê-lo mastigar.
As outras duas se tratavam das gêmeas Carrow com Safira engolindo em seco quando o trestrálio com a boca pingando sangue se aproximara do rosto de Lysander e bufara o cheirando o explicado era que nas mãos do gêmeo respingava um pouco do sangue da fuinha morta que ele lançara Enquanto sua irmã Ruby cruzara os braços e olhara acusadora para o professor como se achasse loucura que ele trouxesse um animal daqueles para ser apresentado aos alunos em uma aula.
_ Ah, e aí vem mais alguns— anunciou Hagrid orgulhoso quando viu aparecer do meio da escuridão um que abriu as asas imponentes como se as exercitasse antes de fecha-las contra o corpo e abaixar o pescoço para devorar outra fuinha mais afastada do primeiro.
Havia ainda um filhote meio desengonçado que se aproximou deste segundo que deveria ser sua mãe já que ela partiu o animal morto em vários pedaços e deu na boca da cria como se fazem os pássaros.
_Agora... Levantem as mãos quem consegue vê-los? – disse Hagrid para a turma, o quarteto ergueu sendo que Lysander ergueu a mão molhada de sangue e um dos testrálios a lambeu fazendo o outro gêmeo rir. Nott ergueu sua mão serio demais e as Carrows o fizeram sendo que Safira ainda estava pálida e o fez obrigada pela irmã – sete pessoas, realmente um numero muito grande para uma turma tão pequena.
_ ele não vai te machucar, apenas come animais mortos – falou Lorcan ao ver a preocupação no rosto de Lysander – você é muito quente para ele.
— Com licença — perguntou Zack Zabini em um tom frio— mas que é exatamente que eu devia estar vendo?
_ observe a fuinha – falou Hagrid que ergueu o quinto animal morto em sua mão – todos vocês, acho que isto respondera a pergunta.
Hagrid pegou a fuinha morta que ainda não jogara para os animais e a arremessara no chão entre as patas do segundo filhote que aparecera, mais velho que o primeiro começou a devora-lo sozinho. A turma inteira contemplou-a com espanto por alguns segundos, então várias pessoas exclamaram, e Goyle soltou um gritinho um tanto feminino que fez as gêmeas lançar olhares para ele de sobrancelhas arqueadas. Albus que a visão de uma fuinha morta sendo mordida e estraçalhada em pedaços com eles desaparecendo no nada devia ser bizarro demais para os outros.
— Que é que está fazendo isso? — perguntou Goyle engasgando recuando alguns passos para trás — Que é que está comendo a doninha?
_ Testrálios — disse Hagrid orgulhoso, e Zack Zabini soltou em voz baixa uma exclamação de compreensão atrás de Albus assim como muitos outros — Hogwarts tem um rebanho deles aqui na Floresta. Agora, quem sabe...?
_ Você tem ideia de que... — falou Ruby em voz alta, interrompendo-o — que o Ministério da Magia classificou os Testrálios como "perigosos"?
Lorcan fuzilou a garota por sobre o ombro, com uma expressão de irritação. Albus pode ver Lysander colocando a mão sobre o ombro do irmão murmurando algo como para ele ter calma. O garoto então desviou seu olhar para a mamãe testrálio que alimentava seu filhote e aquilo o acalmou. Hagrid meramente deu uma risadinha como para disfarçar o incomodo da pergunta até porque alguns alunos começaram a cochichar.
— Os Testrálios não são perigosos! – falou Hagrid bondoso – são apenas criaturas incompreendidas.
_ criaturas que podem apenas tirar o pedaço de alguém com os dentes afiados que possuem – debochou Ruby sarcástica – realmente bem incompreendidos.
_ tirar um pedaço de alguém que realmente os importunar... – corrigiu-a Hagrid – desde que sejamos respeitosos com eles, não corremos perigo algum são animais muito uteis para os bruxos, afinal um cão morde se a pessoa o chuta ou machuca de alguma forma, não?
Ruby resmungou algo preferindo não debater com o professor. O meio-gigante ficou feliz com a atitude retornando para o resto da turma.
_ Certo – disse Hagrid continuando como se a intromissão da garota não tivesse acontecido — agora, quem é capaz de me dizer por que alguns de vocês vêem os Testrálios e outros não?
_ Só podem ver os Testrálios — respondeu Zack erguendo a mão — as pessoas que já viram a morte.
— Exatamente — disse Hagrid satisfeito com a resposta — dez pontos para a Sonserina. Agora, os Testrálios...
— Mas eles realmente trazem má sorte! — interrompeu Goyle apavorado — Dizem que dão todo o tipo de azar às pessoas que os veem. A minha avó me contou isto uma vez quando fomos visita-la.
— Não — contestou Hagrid rindo —, isso é pura superstição dos antigos feitos sua avó, hoje em dia, é raro as pessoas que realmente acreditam nestas baboseiras. Eles são muito úteis aos bruxos e bem inteligentes também. É claro que esses daqui não trabalham muito só puxam as carruagens da escola a não ser que os professores queiram usa-los em alguma viagem ou algo deste tipo do contrário eles tem uma vida mansa, outra pergunta: alguém sabe me dizer uma característica que demonstre esta inteligência dos Testrálios? — Lorcan levantou a mão e já começou a responder a pergunta do professor.
_ eles têm um impecável senso de direção – disse Lorcan – os de lá de casa são assim, não é Andy? Papai os treinou bem, é só dizer aonde ir que eles te levarão.
_ sim, um bruxo que possui um Testrálio como montaria dificilmente corre o risco de se perder – completou Hagrid – além de ser um dos cavalos alados mais velozes do mundo. Dez pontos para a sonserina pela resposta do Lorcan – o loirinho sorriu — bem, pessoal agora teremos que terminar por hoje... Dever de casa para a próxima aula, quero que vocês me façam uma dissertação com trinta centímetros de pergaminho sobre os animais de que falamos hoje.
A viagem pelo castelo até a Torre Norte era longa demais. Dois anos em Hogwarts não tinham ensinado aos três terceiranistas tudo sobre o lugar, como no caso um caminho mais rápido e curto até a classe de Adivinhação e ainda tinha as malditas escadas para subirem.
— Tem... Que... Ter... Um... Atalho — ofegava Augusta ao subirem a sétima longa escada e chegarem a um patamar desconhecido, lugar onde não havia nada exceto um grande quadro de um campo relvado pendurado na parede de pedra – papai deveria me ensinar as passagens secretas desta escola, ele é professor deve conhecê-las.
_ nós podemos parar um pouco? – suspirou Lily cansada.
_ Merlin, eu acho que nós nos perdemos... – disse Hugo indicando a pintura — Não me lembro deste quadro antes.
Os três então se aproximaram para examinar o quadro. Um gordo pônei cinza malhado pisou lentamente na relva e começou a pastar sem muito entusiasmo quase como se estivesse entediado. Lily estava acostumada aos personagens dos quadros de Hogwarts andarem e até saírem pela moldura para visitar uns aos outros, mas sempre gostava de apreciar esse movimento apesar de as vezes achar algumas pinturas realmente sem graça como aquela afinal o que teria de especial em um animal pastando calmamente em seu quadro?
No instante seguinte um cavaleiro baixo e atarracado, vestindo armadura, entrou retinindo pelo quadro à procura do seu pônei. Pelas manchas de grama nas joelheiras metálicas, ele acabara de cair do cavalo.
_ ai esta você seu pangaré pulguento – disse o cavaleiro se aproximando escandaloso para o pônei que apenas lhe lançou um olhar sonolento – comendo como sempre não é? Seu monte de carrapatos dos infernos, e quanto a mim? Não passa por esta sua cachola oca que eu preciso da minha montaria? – Hugo não se conteve com a cena e acabou soltando um risinho debochado recebendo uma cotovelada de Augusta.
_ oh, acha engraçado a desgraça de um cavaleiro não é mesmo seu patife sardento? Aposto todos os dentes de sua boca que veio de zombar deste valoroso cavaleiro por seu infortúnio – bradou o nanico cavaleiro enraivecido. Desembainhe a sua espada, seu maldito cão vira-latas.
O cavaleiro tentou desembainhar a espada que parecia presa a bainha muito bem pois por mais que tentasse ela parecia travada. Quando finalmente conseguiu acertou seu queixo e soltou alguns xingamentos realmente pesados o que fez a ruiva pensar que o cavaleiro pudesse ter sido pintado com a mesma tinta que a Sra. Black. A espada era demasiado comprida para seu tamanho e um golpe particularmente exagerado desequilibrou-o e ele caiu de cara na grama.
Aquilo fez o ruivo rir mais ainda mesmo que tentasse conter foi inevitável e ele gargalhou descaradamente do cavaleiro que rosnava raivoso no chão. Augusta encarou o corvino com um olhar fuzilante que fez o rapaz se controlar e seu riso morrer, antes de se dirigir ao cavaleiro.
_ desculpe-nos, senhor creio que meu amigo nunca esteve na presença de um cavaleiro antes – disse Augusta – creio eu que se soubesse se comportaria de forma mais correta.
_ claro que o faria – disse o cavaleiro – e em respeito às belas moças não irei fazer desde grande infeliz em pedaços, acreditem eu poderia se quisesse.
_ não duvidamos disto – disse Augusta.
_ mas me diga, o que jovens damas tão estonteantes fazem com este porco da sarjeta, ele é um vassalo de vossas senhorias ou quem sabe o pretendente de uma das magnânimas donzelas?
_ porco da sarjeta? Escute aqui seu idiota enlatado – disse Hugo ofendido pelo modo como estava sendo chamado até então, mas foi parado pela morena a seu lado que o mandou se controlar lembrando de que seu adversário era apenas uma pintura.
_ hoho, decidiu parar de bancar o maricas covarde e sair da barra da saia destas formosas damas? – clamou o cavaleiro em um tom desafiador enquanto erguia sua espada novamente – vais honrar o que tem entre as pernas não é sardento? – ele rodara a espada nas mãos acabando por deixa-la cair em um movimento em falso.
O cavaleiro retomou a espada e usou-a para se reerguer, mas a lâmina penetrou fundo na terra e, embora ele a puxasse com toda a força, não conseguiu retirá-la. Finalmente, teve que se largar outra vez no chão e levantar a viseira para enxugar o rosto coberto de suor.
_ na verdade estamos perdidos – revelou Lily atraindo a atenção do cavaleiro de armadura – o senhor poderia nos indicar como chegar a Torre Norte?
_ Sir Cadogan não deixaria belas damas como a senhorita e sua acompanhante desamparadas – disse o cavaleiro – eu fiz meu juramento e irei cumpri-lo, se assim pede com tanta delicadeza que lhe guie oh belíssima moça dos cabelos flamejantes é o que farei.
Ele deu mais um puxão inútil na espada que tornara a embainhar e novamente estava difícil de saca-la, tentou, e com dificuldade tremenda conseguiu montar o gordo pônei que pareceu não se alterar.
_ avante meu companheiro, estas damas e o vassalo pulguento delas precisam de nosso auxilo nesta expedição – pronunciou cheio de pompa Sir Cadogan, mas seu pônei apenas continuou mascando o capim.
_ senhor, nós lamentamos apressa-lo, mas estamos com pressa – disse Augusta gentilmente, para o cavaleiro que saltara da montaria com a armadura tilintando.
_ Ouviu a moça, seu monte de ferraduras imundo... Devemos fazer algo para ajuda-los – urrou Sir Cadogan para seu pônei que apenas soltou gases em reposta o fazendo rosnar de raiva – A pé então teremos de ir. Sigam-me digníssimas senhoritas e desagradável vassalo! Avante! Avante!
E saiu correndo, a armadura fazendo grande estrépito, passou pelo lado esquerdo da moldura e desapareceu de vista. Os três se precipitaram atrás dele pelo corredor, seguindo o barulho da armadura. De vez em quando o avistavam passando para o quadro seguinte.
— Sejam fortes senhoritas, o pior ainda está por vir! — berrou o cavaleiro e os três o viram reaparecer diante de um grupo de ninfas que dançavam sobre uma arvore enquanto folhas secas caiam alaranjadas sobre elas. Ao ver a figura barbuda e desgrenhada de Sir Cadogan elas saíram correndo assustadas.
Ofegando ruidosamente, Hugo e as garotas subiram os estreitos degraus em caracol, ainda ouvindo os gritos de incentivo do cavaleiro pelas paredes do lugar apesar de que aquela altura da corrida, eles estavam em um ritmo mais lento e sentindo-se cada vez mais tontos, até que finalmente ouviram o murmúrio de vozes no alto e perceberam que tinham chegado à sala de aula.
_ Adeus! — gritou Sir Cadogan, enfiando de repente a cabeça no quadro de uma mulher de aspecto sinistro e meio seco como se fosse uma múmia — Adeus, belíssimas donzelas foi um imenso prazer acompanha-las nesta jornada e gostaria de convida-las a me visitar qualquer dia destes, claro sem o tolo do cão sardento da próxima vez.
Os três subiram os últimos degraus e chegaram a um minúsculo patamar, onde a maioria dos colegas já estava reunida. Não havia portas no patamar, mas um alçapão circular com uma placa de latão. Onde eles sabiam estar escrito “Sibila Trelawney, Professora de Adivinhação”.
Alçapão se abriu inesperadamente e uma escada prateada desceu aos seus pés. Todos se calaram e começaram a subir a escadinha logo chegando ao ambiente que Trelawney gostava de chamar de sala de aula. Lily nem ao menos conseguia ver aquilo como uma sala de aula parecia mais um cruzamento de sótão com aquelas barracas de videntes charlatãs em parques de diversões trouxas.
Continuava do mesmo jeito que sempre conheceram. Vinte mesinhas circulares juntas ali, rodeadas por cadeiras forradas de chintz e pequenos pufes estufados. O ambiente era iluminado por uma fraca luz avermelhada; as cortinas das janelas estavam fechadas e os vários abajures, cobertos com xales vermelho-escuros. O calor sufocava e a lareira acesa sob um console cheio de objetos desprendia um perfume denso, enjoativo e doce ao aquecer uma grande chaleira de cobre. As prateleiras em torno das paredes circulares estavam cheias de penas empoeiradas, tocos de velas, baralhos de cartas em tiras, incontáveis bolas de cristal e uma imensa coleção de xícaras de chá.
_ é bom revê-los novamente fisicamente, meus queridos – pronunciou com um tom quase que num sussurro espectral Sibila surgindo das sombras sua voz parecia cansada e abatida e nas lentes de seus óculos se via o refletir das chamas da lareira — Sentem-se, crianças, sentem-se — todos subiram desajeitados nas cadeiras ou se afundaram nos pufes. Lily, Augusta e Hugo se sentaram a uma mesa redonda.
_ iremos rever métodos básicos de adivinhação este ano – disse Trelawney andando pela sala — O primeiro trimestre letivo será dedicado à leitura das folhas de chá, pratica que vimos em nosso primeiro ano e devo salientar que espero que retornando a ela possa ser que muitos de vocês tenham tomado mais pratica nesta habilidade ou mesmo para alguns, desenvolvido algum estagio de vidência mais avançado.
Lily achava tudo aquilo uma grande idiotice. E pensar que McGonagall transformara as aulas em fixas desde o primeiro ano em vez de manter o modelo antigo em que só teriam de escolher como uma das opções no terceiro. Aquela fora, com toda a certeza a pior ideia da diretora.
_ Você, garota — pronunciou Sibila de repente apontando para Augusta que até então a encarava em tedio quase adormecendo e fazendo com que no susto se endireitasse e quase caiu do pufe. — Seus pais vão bem?
_ eu acho que sim, por que viu alguma coisa que indique que haja algo de errado com eles? – disse Augusta sarcástica.
_ o mesmo ceticismo, oh... Criança deveria abrir mais sua mente para coisas que estão além do seu plano – falou Sibila em um tom de decepção para a morena tornando então a continuar caminhando pela sala – só espero que você não venha a sofrer qualquer punição por não dar ouvidos ao que o universo quer lhe dizer.
Augusta fitava seriamente a professora de adivinhação com um olhar serio. Lily tentava ignorar aquilo, o forte cheiro de incenso a deixava sonolenta tanto que não dava a mínima para o que estava sendo dito.
_ iremos ter uma revisão sobre o uso de bolas de cristal – continuou Sibila — e sobre presságios em sonhos... Antes disto, no entanto, creio eu, alguém aqui vai deixar o nosso convívio para sempre.
Seguiu-se um silêncio não porque as pessoas haviam acreditado pelo menos a maioria sabia que tudo aquilo era conversa fiada da charlatã da Trelawney, mas a professora pareceu ficar com a postura mais rígida no centro da sala. O que fez Hugo a olhar confusa, na maioria das vezes ela fazia de proposito, mas agora aquela atitude parecia tão verdadeira. Talvez ela tivesse mesmo uma premonição ou simplesmente aprendera a atuar melhor.
_ Querida — dirigiu-se Sibila a alguém atrás dela que Lily identificou como Súria Davies uma das poucas que realmente acreditavam naquilo tudo que a professora dizia – será que você poderia me passar o bule de prata maior?
Súria com um ar de alívio e se levantou, apanhou um enorme bule na prateleira e pousou-o na mesa diante da mestra.
_ obrigado querida, a proposito — disparou ela de repente para a indiana — não confie em garotas de cabelos ruivos.
Lily tentou não rir com o olhar assustado da garota que retornava a seu lugar ainda parecendo um pouco abalada com aquilo afinal uma de suas colegas de quarto era aquela ruiva.
_ Agora quero que vocês formem pares. Apanhem uma xícara de chá na prateleira e tragam-na aqui para eu encher. Depois se sentem e bebam, bebam até restar somente à borra. Sacudam a xícara três vezes com a mão esquerda, depois virem-na, de borda para baixo, no pires, esperem até cair à última gota de chá e entreguem-na ao seu par para ele a ler. Vocês vão interpretar os desenhos formados, comparando-os com os das páginas cinco e seis deEsclarecendo o futuro. Vou andar pela sala para ajudar e ensinar a cada par.
Augusta foi chamada por uma garota de seu dormitório para fazer dupla com ela, se levantando e deixando os dois primos sozinhos na companhia um do outro.
Depois Lily e Hugo se levantaram e levaram as xícaras para encher, voltaram à mesa e tentaram beber rapidamente o chá pelando. Sacudiram a borra conforme a professora mandara, depois viraram as xícaras e as trocaram entre si.
_ Certo — disse Hugo depois de abrirem os livros. — Que é que você vê na minha?
_ as folhas parecem mais uma bolota de carvalho... – disse Lily franzindo a testa para aquela figura — Que será isso? — O garoto consultou seu exemplar de Esclarecendo o Futuro.
_ Uma sorte inesperada, ganhos de ouro – disse Hugo sorrindo com sua própria sorte — Que ótimo, galeões nunca são demais — ela tornou a girar a xícara– mais alguma coisa?
_ vejo uma balança também, isto é estranho... – disse Lily voltando a folhear o livro – aqui está, balança significa estar divido entre dois caminhos ou indecisão.
_ quem inventa estas coisas afinal? – disse Hugo olhando seu próprio livro — Balança não poderia simplesmente dizer que estou indo para o Grigontes pesar os galeões que vou ganhar?
_ está claro para mim, você vai ficar dividido onde investir seu dinheiro – disse Lily rindo daquilo, era ridículo demais ver o futuro em folhas de chá – e também há aqui uma lua minguante, que significa amor não correspondido... Está amando e nem me conta Hugo?
_ isso é idiotice – disse Hugo pegando a xicara e virando para si – se olharmos neste ângulo é uma lua crescente, o que significa?
_ que você vai receber uma noticia desagradável – disse Lily pousando o pires — agora é sua vez, que vê?
_ Um monte de borra marrom — disse Hugo zombador e a ruiva lhe acompanhou.
— Abram suas mentes, meus queridos, e deixem os olhos verem além do que é mundano! — gritou a Professora Sibila na penumbra sem nem ao menos olhar para os dois.
_ vejo uma estrela e isto significa sucesso – disse Hugo e então o garoto franziu a testa — também tem uma flecha quebrada que significa fracasso.
_ como posso ter sucesso e fracassar ao mesmo tempo? – disse Lily irritada.
_ hei, eu não escrevi este livro – disse Hugo dando de ombros – vai ver você vai ter sucesso no fracasso, ou vai fracassar em algo e no outro... A que se dane, tudo isto é uma baboseira tremenda.
_ e não é? — disse Lily rindo – mais alguma coisa ai? – o garoto girou a xicara.
_ parece um diamante partido – disse Hugo deslizando os dedos pelo livro atrás de um significado — o que significa perda de algo valioso, apesar de que por este ângulo parece dois morcegos o que pode querer dizer que você vai encontrar vampiros em breve.
_ como é que é? – disse Lily sem acreditar naquele absurdo, não poderia ser serio – onde diz isto no livro?
_ em lugar algum, não tem significado para morcegos aqui – disse Hugo enquanto a professora se aproximava por de trás dela.
_ estamos tendo progresso por aqui? – disse Sibila então pegando a xicara das mãos do ruivo e a olhando contra a luz da lareira – oh, meu Merlin... – ela olhou para a garota com um olhar que fez a corvina odiar ainda mais aquela professora pois podia ver por detrás dos óculos de fundo de garrafa uma expressão de pena – oh, minha querida...minha querida, eu sinto muito.
_ vai dizer agora que morcegos são pressagio de morte, e que estou condenada? – disse Lily ironicamente fazendo a mulher lhe olhar com um olhar confuso.
_ oh, querida não é isto que está aqui – disse Sibila – seu mal não é tão terrível, mas devo avisar que não é menos triste, no entanto – ela olhou novamente – oh...querida, tão jovem e bonita não merecia isto.
_ fale de uma vez o que é – bradou Lily raivosa.
_ é um diamante quebrado então? – disse Hugo tentando desviar a atenção de uma surpresa professora para ele, após o modo como a prima perdera a paciência.
_ não, ela tem o coração partido – disse Sibila com pesar e Súria Davies junto com Gwen Mcmillian olharam para a ruiva com um olhar de lamentação – oh, querida... Tão jovem e recebera tamanha decepção em sua vida.
_ decepção? – falou Augusta achando graça do show que a professora estava fazendo, assim como a ruiva ela não acreditava em nada que vinha daquela charlatã.
_ o coração quebrado significa que você, minha querida sofrera uma traição de alguém que ama – disse Sibila com um ar triste – sua confiança será quebrada, e você irá sofrer... Está vendo? Você também tem a cruz quebrada que significa sofrimento e provações.
_ pensei que fosse uma flecha quebrada – sussurrou Hugo audível para toda a sala.
Lily ficou em silencio enquanto algumas pessoas começavam os burburinhos alguns achando graça da professora enquanto outros acreditavam no que ela dizia. Coração Quebrado, traição de alguém que ama. Aquelas palavras fizeram a ruiva pensar imediatamente em seu namorado o que em sua opinião era ridículo afinal ele não seria capaz de trai-la havia muito amor entre eles para que aquilo pudesse ser verdade.
Então se lembrou de Safira Carrow, a garota parecia ter alguma espécie de sentimento para com o seu parceiro de monitoria. E Lily sempre se sentia incomodada e com ciúmes dela, mas ela sabia que não iria acontecer nada entre Lysander e a asiática simplesmente porque aquilo era impossível e o rapaz não tinha qualquer sentimento por ela que não fosse amizade.
_ poderia ver? – disse Lily pegando a porcelana mesmo antes que a professora falasse algo – não me parece com um coração quebrado, para dizer a verdade são apenas folhas de chá não há nada de mais aqui.
A Profª. Sibila mirou a menina atentamente e com crescente desagrado. Parecia ofendida com a afronta a sua matéria certamente.
_ Desculpe-me dizer isso – soou Sibila em um tom delicado — minha querida, mas não percebo muita aura ao seu redor. Pouquíssima receptividade às ressonâncias do futuro... Uma grande falta de crença e ceticismo e uma profunda perda e castração de sua percepção do oculto.
Lily se conteve respirando fundo enquanto começava a juntar suas coisas. A professora olhou a tudo sem dizer uma palavra sequer, sendo que a ruiva tentava evitar encara-la.
_ terminamos a aula por hoje – completou Sibila com uma voz fraca – que a sorte lhes seja favorável mesmo que o destino não seja. Ah, querida – disse ela colocando a mão sobre o ombro de Augusta – não se sinta tão mal por seus pais, acredite naquilo que deseja que quem sabe... um dia ele poderá nota-la.
Eles desceram a escada da Profª. Sibila e a escada em caracol em silêncio. Lily fora na frente de todos, e aguardara pelos amigos que vinham logo atrás dela. Hugo parecia neutro a tudo que acontecera na aula, pois sua expressão parecia impassível enquanto Augusta parecia a cara fechada..
_ hei, Lily não fique assim por conta do que aquela idiota falou que havia na sua xicara – disse Augusta – ela não sabe nada, se quer saber nem deveria estar aqui.
_ Augusta – disse Gwen Mcmillan, uma garota loira de cabelos presos por uma tiara — eu só queria dizer – ela se aproximou da colega — que sinto muito pelos seus pais, sei bem como é... – mas foi interrompida.
_ some – soou Augusta grosseiramente.
_ perdão? – disse Gwen como se não tivesse entendido ou ouvido direito.
_ eu falei para você sumir, cai fora não quero ouvir nada que você tem para me dizer – bradou Augusta irritada – meus pais estão bem, eu sei disto – a loira pareceu ofendida e saiu de perto da garota bufando e resmungando sobre pessoas terem que ter aulas de bons modos.
_ nos vemos depois, tenho aula de DCAT agora – disse Augusta se despedindo dos ruivos e seguindo junto com os outros lufanos.
Os corvinos seguiram para a aula de Feitiços, da Profª. Stella Glanvill. Levaram tanto tempo para encontrar a sala de aula que, por mais cedo que tivessem saído da aula de Adivinhação, acabaram chegando em cima da hora.
Lily se sentou ao lado de Hugo no circulo que os alunos geralmente faziam no chão da sala de feitiços que Stella Glanvill usou feitiços de camuflagem para que parecesse com a clareira de uma floresta. Naquele dia, o lugar aparentava um dia de sol com poucos raios de luz caindo por entre os galhos de arvores e iluminando o lugar. A ruiva pode ouvir os cochichos de Suria Davies com outra colega da corvinal e por uma estranha razão Lily tinha a impressão de ser sobre ela que falavam. Eles ouviram sobre Stella dissertando sobre um feitiço que iriam aprender naquela manhã.
_ hoje vocês irão conhecer e aprender o feitiço Tenor Cantus Bel – disse Stella sentada em seu tronco localizado no centro da clareira com as pernas cruzadas – é uma variação do Opera Canentes alguém sabe o efeito que ambos os feitiços causam e o que tem em comum? – Hugo levantou a mão – senhor Weasley.
_ o Opera Canentes é uma azaração que faz com que a pessoa atingida cante opera de maneira desafinada até que seja revertido, enquanto o Tenor Cantus Bel tem um efeito praticamente o mesmo apenas variando de que a pessoa afetada cantara como um Tenor e de forma afinadíssima – disse Hugo.
_ excelente Sr. Weasley, cinco pontos para a Corvinal – disse Stella satisfeita com a resposta – agora, como foi dito feitiço tem de ser revertido e para isto se usa o Finite Incantatem que creio que vocês aprenderam com o professor Salvatore – a classe assentiu — sobre as instruções o feitiço funciona da seguinte forma, quando apontada a varinha para a garganta do bruxo portador ou de seu alvo fara com que a pessoa atingida sofra o efeito desta forma vocês irão praticar sozinhos primeiro e depois irei ensinar em duplas na próxima aula.
Stella Glanvill então demonstrou o feitiço e foi aplaudida ao terminar um trecho de uma opera italiana. Ela realmente conseguia dar a matéria um toque especial dela, apesar de que para muitos alunos não parecia muito útil saber como fazer alguém cantar.
O resto da aula seguiu com os corvinos trabalhando o feitiço e a professora circulando entre eles para analisar seu progresso por vezes corrigindo o jeito de segurar a varinha, um movimento ou a palavra dita errada. Lily bem que tentou, mas não conseguiu nem chegar próxima de mudar o timbre de sua voz enquanto via ao seu lado Hugo realizando o feitiço tremendamente bem.
Ao termino da aula boa parte da turma conseguira o esperado e alguns poucos haviam falhado e para estes Stella deixou como tarefa que praticassem para a próxima quinta-feira não fazerem errado no seu colega de duplas, os corvinos se levantaram para irem para em direção das masmorras para a classe de poções. Só que quando Lily estava para guardar as coisas e fazer o mesmo ouviu a voz da professora lhe chamando.
_ Senhorita Potter, será que poderíamos conversar um pouco? – disse Stella para a garota que já se encaminhava em direção à porta.
_ claro – disse Lily meio hesitante retornando para perto da professora, a gótica tirara a varinha das vestes e com um gesto fizera outro tronco idêntico ao seu brotar do chão convidando a garota para se sentar – algum problema professora? Eu sei que não me esforcei muito nesta aula, mas vou tentar recuperar isto na próxima.
_ é bom mesmo Lily, fiquei preocupa com o modo como você simplesmente não conseguiu nada hoje – falou Stella – há algo te preocupando por acaso? – a professora tocara as mãos da ruiva, a corvina sentiu as pedras gelo que eram as mãos da mulher a sua frente, mas tentou agir com naturalidade.
_ eu acabei de ter uma aula de adivinhação, trabalhamos com ver figuras nas folhas de chá e bem...eu sei que é besteira tudo isto de prever o futuro, afinal ele é incerto não? – disse Lily tentando se justificar, não queria que Stella pensasse que ela era uma tola por cair em algo que a charlatã da Trelawney dissera — é apenas que o que ela me contou foi realmente muito estranho quero dizer... Não há sentido algum.
_ e o que seria? – perguntou Stella ao que pode ver que a ruiva pareceu indecisa entre contar ou não, a gótica suspirou e apertou suas mãos juntas com a da garota – sabe que mesmo como uma professora, pode ver em mim uma amiga também não é Lily? Eu sou a diretora da sua casa, creio que posso muito bem aconselha-la basta confiar em mim.
_ ela viu um coração partido – disse Lily – não sei se a senhora sabe o significado disto, só sei que para mim é algo ridículo afinal não há como folhas de chá estupidas saberem sobre o meu futuro e o do meu namorado.
_ sei, entendo o diz – disse Stella suspirando – as vezes Trelawney consegue deixar os alunos apreensivos, mas pensei que três anos a tolerando você já estaria vacinada contra isto.
_ vacinada? – disse Lily franzindo a testa para a expressão.
_ expressão trouxa, significa que já estaria acostumada com estas coisas que a Sibila fala para os alunos sendo que na maioria das vezes não passam de suposições e mentiras – disse Stella – eu gosto de ver a Adivinhação como um dos ramos mais imprecisos da magia, o que significa que mesmo que pessoas que se dizem videntes possam dizer algo a respeito de alguém não significa de que irá acontecer realmente desta forma...sobre a ver o futuro na xicara, eu tive a mesma experiência que você mas não fiquei preocupada com o que vi porque realmente achava aquilo tudo uma tolice.
_ acho que entendi o que quis dizer, mas no meu caso parece ser algo bastante claro – disse Lily e Stella sorriu passando a mão no rosto da aluna que se arrepiou com o toque gélido, mas soube disfarçar.
_ sabe querida, videntes verdadeiros são muito raros se quer saber – disse Stella – muitos se dizem paranormais, mas são farsas, que pode-se encontrar tanto em nosso mundo quanto dos trouxas.
_ eu sei disto, mas Trelawney já fez profecias verdadeiras – disse Lily se lembrando do que seu pai lhe contara – pode ser que seja mentira todo esse lance de ver o futuro na xicara, mas...
_ mas e se não for? – disse Stella sorrindo levemente – o que deveria saber pequena é que o futuro pode ser mudado, então se esta tão preocupada com isto faça com que esta suposta adivinhação seja apenas mais uma das besteiras ditas em aula, sim?
_ claro, eu vou fazer isto – disse Lily se levantando sendo acompanhada com a professora até a porta, antes de sair a ruiva se voltou para ela – sua experiência com a xicara, você viu um coração partido também não foi?
_ é, eu vi – disse Stella fazendo seu sorriso desaparecer e ficando seria de repente.
_ e aconteceu por acaso? – disse Lily, e a professora desviou o olhar por alguns segundos então colocando a mão na maçaneta.
_ acho que deveria se apressar logo, creio que você não ira chegar a tempo nas masmorras se continuar aqui e eu também tenho que dar minha aula para o quarto ano – disse Stella desconversando – qualquer problema sabe que pode contar comigo, boa sorte no teste de quadribol soube que ira tentar para artilheira nos vemos no campo estarei lá para assistir a seleção vamos ver se mantemos a taça este ano com a gente até mais Lily.
A professora Glanvill falara tão depressa que Lily teve dificuldade em entender o final da frase se perdendo no meio. Ela era esperta o suficiente para perceber que fora expulsa e abdicada de uma conversa por boas razões e a principal era que tinha sido indelicada com a pergunta.
Notas finais
http://fanfiction.com.br/historia/432441/Molly_Arthur/
Deem uma olhada, e comentem ela tudo bem? Adoraria ter as leitoras de NTEH lendo minhas outras fics.
Então, deixem reviews para mim neste capitulo, sim?
Fale com o autor