Novos Tempos

3 Capítulo Dois: O Lobo do Ártico


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa, queria agradecer aos leitores que têm comentado! Obrigada! E boa leitura!

Capítulo Dois: O Lobo do Ártico

No dia seguinte, após tomarem o típico e farto café da manhã de Hogwarts, Alvo e Scorpius se dirigiram até a aula de Transfiguração. Rose não tinha esta aula com eles, mas, em compensação, a aula seguinte seria de História de Magia, com as turmas da Grifinória e da Sonserina, o que significava que Rose estaria com eles – apenas presencialmente, claro, já que ela jamais deixava de prestar atenção à cada mínimo detalhe de quaisquer aulas.

— Vamos iniciar hoje as transfigurações corporais. — McGonnagal anunciou, deixando todos os alunos elétricos de excitação.

O sonho de qualquer bruxo, ao entrar em Hogwarts, era poder se transformar. Fosse para mudar o tamanho de seu nariz, ou a cor de seus olhos... Ou até mesmo transfigurarem-se em animais.

Algumas garotas soltaram risinhos extremamente estridentes e animados, exatamente como fizeram no dia em que o professor Slughorn lhes ensinara a Poção do Amor, recebendo um olhar reprovador da professora.

— É preciso ter muita disciplina para conseguir transfigurar-se. E mais ainda para voltar a sua aparência normal. Hoje vocês vão tentar mudar a cor de seus olhos. — ela fez uma pausa e olhou para o quadro negro, que agora estava totalmente preenchido com instruções na caligrafia fina de McGonnagal — As instruções estão no quadro.

Alvo pegou o pequeno espelho circular que havia na mesa e apressou-se a analisar seu reflexo. Concentrou-se em transformar seus olhos verdes em olhos azuis enquanto observava as pessoas ao seu redor.

Alguns pareciam se concentrar tanto que sequer respiravam. Maya Patil, a garota indiana, filha de Padma Patil, estava ficando com as bochechas infladas de tanto segurar o ar e o rosto vermelho. Ao lado dela, Wendy Nott estava com uma veia pulsante em sua testa, devido ao seu esforço. Alvo arriscou um olhar para Scorpius e, foi com grande surpresa, que reparou que o amigo não alterara somente a cor dos olhos – que estavam castanhos – mas também seu cabelo, que agora estava ruivo. Ver o amigo com aqueles olhos cor de avelã e os cabelos acobreados o fez se lembrar de Rose... Não que ele um dia fosse dizer em voz alta sua observação.

O moreno finalmente voltou a atenção para seu reflexo e voltou a se concentrar. Olhos azuis, olhos azuis... Quando ele finalmente abriu os olhos, cada um estava de uma cor, como se ele tivesse heterocromia. Um olho estava verde, sua cor usual, e o outro exatamente da cor que ele mentalizara.

Scorpius soltou uma risadinha ao ver o amigo, no mesmo instante em que o sinal tocava, anunciando o fim da aula. O loiro logo voltou à sua aparência normal, enquanto Alvo tentava – em vão – fazer o olho azul voltar o habitual tom de verde.

— Você é bom em Transfiguração, hein? — Scorpius zombou do amigo enquanto se dirigiam até a Sala de História da Magia.

Alvo apenas deu de ombros... Não era novidade o fato de Scorpius ser um aluno melhor do que ele.

A aula de História da Magia parecia não ter fim. Rose e Scorpius não eram as melhores companhias neste tipo de aula, pois eles ficavam prestando atenção e anotando tudo que o professor Binns dizia. Finalmente, após uma longa hora, que mais se parecia com semanas de tortura, na opinião de Alvo, eles se dirigiram ao Salão Principal para almoçar.

Alvo serviu-se de purê de abóbora, batatas assadas e costelas de porco. Comeu deixando restar apenas lugar para a sobremesa em seu estômago, enquanto isso Rose olhava para cima.

— O que...? — Alvo nem terminou de verbalizar sua pergunta quando uma das corujas da escola deixou cair o jornal Profeta Diário sobre a mesa.

Ao contrário da maioria dos alunos, que haviam feito a assinatura semanal, Rose pagava para receber o jornal todos os dias pela manhã. Ela abriu o exemplar com agilidade, correndo seus olhos pela grande manchete na primeira página.

MASSACRE EM POVOADO INTEIRAMENTE TROUXA

Nesta madrugada, o Ministério da Magia foi alertado de que o vilarejo de St. Harris era foco de um incêndio. O principal motivo de haver o contato entre o Primeiro Ministro trouxa com o Ministro da Magia se deveu ao fato de o fogo não se apagar com água, levando os aurores a suspeitarem que alguém conjurou fogomaldito.

O fogomaldito é uma chama enfeitiçada e infundida com magia negra, que mesmo não sendo consciente, pode perseguir com exatidão os alvos de quem a conjurou. O fogomaldito gera labaredas de fogo de tamanho anormal e, ao mais leve toque, as chamas transformam aquilo com que tiveram contato em fuligem.

Felizmente, os aurores conseguiram apagar o fogo. Infelizmente, metade da população que vivia ali veio a óbito, o que totaliza em oitenta e três trouxas. O restante dos não bruxos teve suas memórias alteradas e voltaram a viver no vilarejo, que foi reconstruído pelos feitiços dos aurores.

Acredita-se que o feitiço tenha sido feito por acidente.

— Inacreditável! — Rose gritou atirando o jornal para longe — Realmente inacreditável!

— O que foi? — Scorpius indagou com curiosidade.

Rose balançou a cabeça em negação com veemência.

— Eles atribuíram a conjuração do fogomaldito a um acidente! Nenhum bruxo inexperiente consegue fazer esse feitiço. Isso é feitiço das trevas! Magia negra!

— Com certeza não foi um acidente. — Alvo concordou.

A garota parecia estar alterada. Seus olhos estavam vagos e ela parecia estar imersa em pensamentos. Ela pareceu pensar em algo para dizer, então abriu sua boca e em seguida fechou-a novamente.

— Bem, tenho que voltar para a mesa da Grifinória. Lily queria falar comigo. — ela virou-se de costas para seguir seu caminho, porém Scorpius puxou-a pelo braço.

— Podemos nos encontrar hoje à noite na Sala Precisa? — a ruiva fez uma feia careta e parecia prestes a gritar muitas ofensas para ele — Não! Não desse jeito! Eu, você e o Alvo. Preciso mostrar uma coisa para vocês.

— Você tinha conseguido me assustar. — Rose sorriu com expressão de divertimento mesclada ao alívio em seu rosto e finalmente virou-se para caminhar até a mesa da Grifinória.

Alvo pegou o jornal que a amiga atirara sobre a mesa e releu a notícia que estampava a primeira página. Realmente, aquilo parecia ser tudo... Menos um acidente.

*

Mais tarde, naquele dia, Alvo e Scorpius prepararam-se para ir até a Sala Precisa. O horário combinado com Rose estava se aproximando. Como Scorpius era monitor, não havia problemas em ser visto caminhando à noite pelo castelo. Alvo, porém, teve que se refugiar sob a capa que fora de seu pai.

— Juro que se você estiver fazendo mais uma de suas brincadeiras eu corto o seu... — a ameaça de Alvo sumiu ao notar que Filch estava a sua frente, com sua velha gata.

Alvo havia elaborado uma teoria da conspiração sobre a longa vida de Madame Nora, que parecia nunca envelhecer. Uma vez ele compartilhou com Scorpius e Rose. “Ele deve comprar alguma poção rejuvenescedora para ela. No mercado negro de poções há todo tipo de elixires a venda...”, a teoria, entretanto, não havia sido aceita por Rose. A amiga sempre dizia que a gata vivia por tanto tempo devido aos cuidados que ela recebia de Filch. Scorpius, porém achava a teoria de Alvo mais plausível.

Independentemente de como a gata vivia tanto, seu faro ainda era o mesmo e ela conseguira sentir o cheiro de alunos infratores de longe. A gata cor de areia parecia olhar no exato ponto onde Alvo estava. Mas ela não poderia vê-lo... Não deveria...

— Ora, ora, ora... — Filch abriu um sorriso maldoso, mostrando seus dentes amarelados e irregulares — Vejo que apanhei um aluno perambulando pelos corredores da escola...

Scorpius revirou os olhos com impaciência.

— Devo lhe mostrar novamente meu distintivo, senhor? — ele pronunciou a última palavra com notável ironia, enquanto com uma de suas mãos caçava o distintivo no meio de suas vestes.

Finalmente encontrou-o e estendeu-o para Filch. Ele analisou cuidadosamente o distintivo, antes de entregá-lo de volta para o garoto loiro a sua frente.

Como que para distrair Filch, um grande estrondo ressonou pelos corredores de Hogwarts, juntamente com um cheiro horrível que invadiu as narinas de todos.

— Bombas de bosta! Isso só pode ser coisa daqueles moleques do primeiro ano! — Filch berrou e então saiu mancando, com Madame Nora em seu encalço.

Quando Scorpius e Alvo estavam prestes a virar pelo corredor, um vulto apareceu tão rapidamente na frente deles que poderia ter se materializado ali do nada.

— Vocês são tão idiotas! — Rose tirou o capuz, revelando seu rosto encoberto de fios ruivos embaraçados.

Em seus braços havia um grande pergaminho pardo.

— Francamente, Alvo... Não acredito que você sequer pensou em trazer o Mapa do Maroto! — ela censurou, entregando-lhe o mapa com certa violência.

— V-vo-você... As bombas de bosta! — Scorpius acusou.

Ela apenas assentiu, puxando Alvo e Scorpius, um por cada braço, para um atalho que os levaria para o sétimo andar.

*

— Ok. — Rose grunhiu — O que você queria nos mostrar?

Alvo teve que conter o riso ao ver a amiga tão irritada. Rose odiava quebrar as regras e sempre alertava os amigos que eles poderiam ser expulsos por isso. Ela era tão exagerada quanto sua mãe fora nos tempos de Hogwarts.

Scorpius respirou fundo algumas vezes, antes de erguer sua varinha.

A Sala havia se materializado para eles como um aposento amplo e bem iluminado. O centro deste aposento estava vazio, deixando um grande espaço. Havia móveis colados as paredes: sofás, cadeiras, poltronas e até algumas estantes. Na parede onde Rose e Alvo estavam apoiados havia um grande espelho.

O loiro fechou seus olhos e pareceu se concentrar em algo. Aos poucos, Alvo e Rose notaram que havia algo acontecendo com ele. Seu corpo estava se alongando. Nos braços e pernas começaram a surgir pêlos brancos. O nariz estava se prolongando para a frente, transformando-se em um focinho comprido. As orelhas ficaram pontiagudas e cobertas pela mesma pelugem branca.

— Oh meu Merlin! — Rose guinchou enquanto pulava sobre uma cadeira.

— Uau. — Alvo estava maravilhado com aquilo.

Scorpius realmente sempre se destacara em Transfiguração, mas nunca passou pela cabeça do moreno que seu amigo poderia ser capaz de fazer algo tão inacreditável quanto isso.

— Eu não estou acreditando! — a garota agora estava com as mãos no cabelo, visivelmente assustada — Isso não vai só contra as regras, mas vai contra a lei!

Rose estava exasperada enquanto seus olhos esquadrinhavam o belo Lobo do Ártico, que agora ocupava o mesmo local onde Scorpius estava antes.

— Irado! — Alvo elogiou e o lobo mostrou os dentes pontiagudos.

Não era uma visão muito agradável, mas o garoto sabia que a intenção do amigo era sorrir.

O lobo andou de um lado para o outro, farejando o chão e as paredes. Então ele posicionou-se bem a frente de seus amigos, onde, lentamente, voltou a ser o garoto pálido de cabelos loiros e olhos cinzentos.

— E aí? — ele perguntou aos amigos com um sorriso convencido.

Alvo já estava preparado para segurar Rose, caso isso fosse necessário, porém, ao contrário do que ele esperava, a garota começou a rir. Sua gargalhada preencheu a sala, deixando Scorpius desapontado e Alvo perplexo. O garoto esperava ouvir um interminável sermão da prima. "Onde é que já se viu? Se o Ministério da Magia descobre você está ferrado. Seu pai te mataria." Ele conseguia imaginar essas palavras fluindo pela boca da prima. E, pela expressão confusa no rosto de Scorpius, ele esperava essa mesma reação vinda da ruiva.

— O que foi? — o loiro indagou com voz irritada.

Sua face agora estava salpicada de rosa, indicando que ele estava envergonhado.

— Suas orelhas! — ela apontou e recomeçou sua risada histérica.

Alvo, que estava concentrado demais na prima – esperando um possível ataque de raiva vindo dela –, não havia reparado que onde deveriam estar as orelhas de Scorpius, havia as orelhas pontiagudas do lobo branco. A imagem era, no mínimo, cômica. Alvo não conseguiu conter uma gargalhada ao olhar para o amigo.

— Isso não tem graça. — ele grunhiu ao examinar seu reflexo no espelho.

Ele fechou os olhos e respirou fundo, então, no instante seguinte ele já estava com as orelhas normais de volta. Seu rosto, porém, continuava vermelho.

— Você é um ótimo animago, Scorp. — Rose ironizou, deixando-o ainda mais ruborizado, antes de sair da Sala Precisa.

Enquanto ela se afastava, Alvo e Scorpius ainda conseguiam ouvir sua risada escandalosa.

Notas finais
O nome do vilarejo trouxa eu tirei da minha mente, embora, talvez exista alguma coisa com tal nome (já que é um nome comum). Espero que tenham gostado. Até breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.