Notas iniciais
Meninas, muito obrigada pelos comentários, eles me deixam super motivada a prosseguir e esse capítulo é dedicado a todas vocês!! Boa leitura ♥

Por Elisabeta

Deixar São Paulo foi uma decisão difícil de se tomar. Mas ao ler o conteúdo daquela carta fui invadida por uma vontade gritante de sumir, desaparecer, nunca havia me sentido assim tão frágil, humilhada, tão ultrajada. E ir embora daquela cidade me pareceu a opção mais acertada a se fazer, me sentia covarde por estar fugindo, isso nunca foi do meu fetio, mas a verdade é que eu não estava fugindo de Darcy, estava fugindo de mim mesma, dos meus medos, dos meus sentimentos e das minhas fraquezas.

O que eu sentia por Darcy não mudou nem por um segundo, mesmo lendo tudo o que li, eu o amava e tinha medo de novamente ser enganada, tinha medo daquele sentimento que me consumia e que parecia ser maior do que eu, me sentia tola por acreditar que alguém como Darcy poderia se apaixonar por alguém como eu.

E foi com esse turbilhão de sentimentos que cheguei até a pequena cidade onde iria me estabelecer e tentar refazer a minha vida. Eu tinha guardado algumas economias, e agora elas me iriam ser útil até que eu conseguisse um emprego para me sustentar. Me informei com algumas senhoras se havia na cidade alguma pensão com um preço bom, e elas me indicaram uma próximo ao centro e fui para lá.

Ao chegar na pensão fui recebida por Dona Isabel, uma senhora com aparência de 60 anos, ela tinha olhos castanhos e grande parte dos cabelos eram brancos, o sorriso que ela trazia consigo era amigável e contagiante. Me apresentei à ela , disse que era nova na cidade e que tinha interesse de alugar um quarto, ela prontamente me levou a um que afirmou ser próximo ao dela, disse para eu me sentir em casa e para procurá-la sempre que precisasse.

Apesar de se tratar apenas de um quartinho, a pensão era um lugar aconchegante, era bem limpa, tinha um preço razoável, uma boa comida, enfim... um ótimo lugar para morar. Terminei de organizar as minhas coisas e decidi descer para almoçar, e foi nesse momento que conheci Neto, um jovem que também morava na pensão, era alto, moreno e tinha os olhos azuis como o céu. Percebi que Dona Isabel tinha grande apreço por ele, nós conversamos por algumas horas, ele me parecia uma ótima pessoa e fora gentil sem ser invasivo, via sinceridade em seus olhos. Ele me contou um pouco da sua história, sua mãe trabalhava na casa de um senhor de posses, ela acabou por ser envolver com ele, gerando dessa relação Neto, mas segundo ele seu pai não mantinha contato contato com ele ou com a sua mãe, e não o assumiu como filho. Era uma história triste, mas ele não parecia se deixar abater por isso. Não me senti confortável de contar a ele a minha história, afinal, nos conheciamos a menos de 24 horas, sempre fui bastante reservada, ele pareceu entender e continuamos conversando amenidades.

Cheguei a comentar com Neto que gostaria de arrumar um emprego, precisava de uma renda para me manter na cidade e ele prontamente se ofereceu para me ajudar.

— Sabe Neto, eu tenho um grande apreço pela escrita, gosto de falar sobre temas relevantes, conhecer novas pautas, pesquisar sobre os assuntos que não tenho conhecimento .. seria ótimo se eu conseguisse um emprego que levasse tudo isso em conta. — disse lhe mostrando alguns dos meus textos.

— Elisa, se me permite chamar assim, você poderia levar esses textos aos jornais da cidade, quem sabe você não consegue uma vaga como redatora. — disse interessado e continuou lendo os manuscritos.

— Pode me chamar sim, é assim que minhas irmãs e meus amigos me chamam — sorri — E eu nunca havia pensado nisso — disse animada — Obrigada Neto, irei hoje mesmo procurar os jornais da região.

— Por nada, Elisa. Seus textos são muito bons, são bem embasados e prendem a atenção do leitor, meus parabéns é difícil encontrar escritores assim. E pode deixar que se eu souber de alguma oportunidade farei questão de lhe indicar.

— Nem sei como te agradecer, nos conhecemos hoje e você já tem me ajudado tanto.

— Não precisa de agradecimento, espero que esse seja o início de um grande amizade. — ele disse sorrindo e beijou a minha mão saindo.

Depois da conversa que tive com Neto sai levando meus textos e fui em alguns jornais, mas infelizmente não saiu como eu esperava, eles diziam que não haviam vagas no momento, mas eu suspeitava que isso se devia ao fato de eu ser mulher. E me entristecia saber que mesmo que meus textos fossem bons, isso não era levado em consideração, e tudo pelo simples fato de eu ser mulher. Me revolta todo esse preconceito, mas decidi não me preocupar com isso por hora, tinha tanta coisa na minha cabeça.

No caminho de volta para a pensão passei em frente a um escritório e grudado no vidro de sua fachada havia uma placa “Precisa-se de secretária”, bom não era bem o que eu queria mas eu precisava de um emprego, então entrei. E para minha sorte fui contratada, começaria amanhã mesmo.

Os dias se passavam e eu já começava a me adaptar ao novo, conseguia me distrair o dia todo no trabalho, em conversas com Neto, com Dona Isabel, mas às vezes ao entrar no meu quarto eu era invadida por uma tristeza, era como se estivesse faltando algo, e o rosto de Darcy me vinha à cabeça, sentia saudade dele, dos seus beijos, imaginava como ele estaria, qual foi a sua reação, se já estaria com outra pessoa... E eram nesses momentos que eu me odiava, como eu podia sentir saudade de uma pessoa que fez o que fez comigo? E com esse sentimento eu afirmava para mim mesma que ir embora foi a escolha mais certa que tomei.

Durante a semana, em alguns dias acordei me sentindo indisposta, estava mais sonolenta e mesmo dormindo cedo parecia que eu estava sempre com sono e cansada. Mas foi durante o jantar hoje que o medo realmente tomou conta de mim.

Eu estava à mesa jantando com Neto e D. Isabel, conversamos sobre assuntos do dia a dia quando senti um enjoo, tentei disfarçar e fui para o meu quarto.

Deitei na minha cama, e mesmo já me sentindo melhor não pude evitar de chorar. Mesmo querendo evitar não pensar nisso, diante de tantos sinais eu não podia mais adiar. Não era a primeira vez que tinha enjoos, as vezes me sentia tonta, também estava mais sonolenta.. tentei lembrar a última vez que minhas regras vieram e constatei que elas estavam bem atrasadas. Não, não podia ser, logo agora que minha vida estava voltando ao eixo, que já estava conseguindo .. um nó se formou na minha garganta e mesmo não indo ao médico eu já sabia .. Eu estava grávida.

Notas finais
E ai o que acharam dos novos rumos? Me digam se estão curtindo a história. Desde já agradeço a todos que estão acompanhando!!