Olhei para cima e vi um menino muito bonito. Alto, de cabelos e olhos castanhos.

— Opa — Ele sorriu.

— Obrigada... — O olhei confusa. Eu o conhecia mas.. — Hmm...

— Manuel. — Ele deu um risinho. — Bom te ver de novo, Erin.

Me lembrei dele. Ele me soltou ainda sorrindo, e aí me ajeitei em pé.

— Ah, sim... Quanto tempo.

Ele sorriu de novo. Por um momento me perdi nos seus olhos.

— Tenho que ir. Muito obrigada. — Sorri e saí andando sem esperar uma resposta.

Eu lembro que o conheci logo quando comecei a namorar Lion. Era uma noite fria e estávamos todos sentados em cima de um grande tapete na sala principal do meu antigo grêmio. Ele era membro de lá. Estávamos contando segredos um do outro, ou apenas curiosidades naquela noite. Nos conhecendo.

Éramos eu, Manuel, Frederico, Julian, e Josh. Eu revelei muitas coisas lá, não sei por que. Talvez precisasse desabafar, talvez só quisesse que me conhecessem melhor ou... Realmente não sei.

Rapidamente cheguei no meu prédio. Abri a porta e entrei. Eram duas da tarde, não deveria ter ninguém lá.

— Boa tarde. — Disse Andrew, se aproximando.

— Olá. — Sorri.

Andrew é um amigo aqui do grêmio. Todo lugar que Gabriela vai, ele vai também. O pessoal gosta muito dele, pelo simples fato de que ele é muito palhaço.

— Gostou do jogo? — Ele perguntou, sorrindo. Aí que eu lembrei que ele estava jogando.

— Claro e, como você saiu de lá tão rápido?

— Eu saí no meio do jogo, você não deve ter notado porque estava vidrada no seu lindo Lion. — Ele arqueou uma sobrancelha.

— Eu.. É... Nós terminamos. — Sorri fraco.

— Oh... — Ele ficou sem graça. — Sinto muito.

— Não sinta. — Ri. — Não foi nada demais, um dia ia acabar.

— Ok. — Ele sorriu fazendo careta.

Eu subi as escadas e fui até o meu quarto. Entrei lá, separei algumas roupas e tomei um banho. Logo desci até a cozinha e o pessoal já estava todo lá, preparando-se pra comer. A mesa enorme ia de ponta-a-ponta cheia. Cheia de gente, e de comida. Havia um lugar vazio na ponta ao lado de Tatiane.

— Amiga! Vem, guardei um lugar pra você! — Ela gritou fazendo sinal com as mãos.

Sorri e fui até ela. Me sentei na tal cadeira e cumprimentei todo mundo. Me servi e logo comi. Embora todos estivessem animados e conversando, eu não estava em clima pra isso. Havia um grande diálogo entre as quase trinta pessoas naquela mesa enorme e comprida, às vezes me chamavam ou mencionavam meu nome, eu concordava com fosse lá o que dissessem e tentava fazer parte.

Eu era sempre divertida e entrava nas brincadeiras, sempre. Acho que era por isso que o pessoal gostava de mim. Mas eu não estava em clima pra isso. Porque eu realmente não conseguia deixar de pensar no filho da puta do Lion.

Pedi licença pro pessoal e disse que precisava tirar um cochilo. Não esperei respostas e fui pro meu quarto. Lá eu deitei e dormi. Por um bom tempo.

(...)

— Oito da noite! — Tati quase gritava. — Temos que fazer alguma coisa. Levanta daí, Erin.

Soltei um grunhido e novamente a menina dos cabelos castanhos e pontas loiras me deu os cinco minutos. Levantei e só troquei a calça, que antes era a de pijama, e agora coloquei uma jeans azul-claro. Com minha regata negra e a calça, saí pra fora do quarto e o ilustre casal me esperava.

— Boa noite, linda. — Fred me cumprimentou.

— Oi, gente. — Os cumprimentei.

— Vamos. — Tati sorriu e fui caminhando atrás deles.

Era sempre assim quando eu saía com eles: Eu tinha que ficar logo atrás, pois eu não queria atrapalhá-los. Geralmente eu ficava atrás junto com Lion, o que não me deixava constrangida. Mas agora, eu vou ficar aqui atrás sempre sozinha, porque eu não quero entrar em outro relacionamento. Pois embora o deles não parecesse ter, um relacionamento sempre tem fim.

Chegamos no campus, onde eu fui caminhando ao lado de Taty. As estrelas no céu escuro brilhavam incessantemente. Eu achei que estávamos sem rumo até que nos aproximamos de um agrupamento de pessoas, em uma roda. No meio havia uma fogueira ardente. Eu poderia sentir o calor do fogo em minha face.

Lá estavam Gabriela, Andrew, Julian e Manuel. Espera, o que ele tava fazendo ali? Geralmente o pessoal não se enturma com pessoas de outros grêmios. Embora eu saiba que Manuel não tem grêmio pos o nosso antigo fora desmembrado, eu não sabia que ele era amigo da Gabriela.

— E aí pessoal! — Andrew gritou, se levantando. — Sentem-se.

Eu sorri, ele me fazia rir com qualquer gesto. Sentei ao seu lado. Tati e Fred sentaram perto de mim também, abraçados. A luz já fraca nos iluminava, que vinha da fogueira no centro da rodinha, já que o poste de luz estava pouco longe daqui. Muitas pessoas iam para aquela região chamada de "região de lazer do campus", então em volta de nós, era um largo campo cheio de pessoas.

— Então, como foi o dia? — Sorriu Gabriela.

— Bom. — Fred respondeu.

— Erin, sua linda. — Ela riu. — Como você tá?

— Bem. — Arqueei uma sobrancelha.

— Que bom. Eu gosto muito de você, confio em você. — Ela disse, ficando séria. — Por isso, quero te perguntar se, você quer ser sub-líder do nosso grêmio...

— Claro! — Falei. Abri um sorriso de orelha à orelha, pois fiquei realmente muito feliz com o convite.

Sub-líderes são parte do grêmio. Como o líder não pode cuidar de tudo sozinho, seria como um vice-líder, mas cada grêmio pode ter até seis, devido ao tamanho, pois existem grêmios com mais de trezentos membros, como o Thion. Como sub-líder eu poderia aceitar a agregação de novos membros, gerenciar tudo e... Eba!

— Ótimo. Seremos os melhores sub-líder da faculdade. — Andrew disse, me abraçando.

— Com certeza. — Sorri irônica.

Ele se afastou, rindo.

— Então, temos que comemorar! — Gritou Fred. — Agora somos eu, Andrew, Julian e Erin os melhores sub-líderes do futuro melhor grêmio do campus!

— É isso aí! — Andrew levantou e começou a pular.

Todos, inclusive eu, riram da atuação de Andrew. Julian era muito quieto, mas uma pessoa incrível. Eu o encarei e ele me encarou de volta como "esse cara é louco". Sorri.

— Vamos! — Gritou Gabriela. — Para o restaurante mais próximo.

Todos começaram a gritar em comemoração. Fomos até o ponto de táxi mais próximo do campus e entramos num veículo daqueles de sete lugares. Faltou um lugar, por isso Tati foi no colo de Fred.

Como a faculdade era enorme, haviam restaurantes e lanchonetes acoplados lá, como se fosse uma cidade. Era realmente grande. Chegamos num restaurante chamado "Del'amour". Descemos do veículo e Fred pagou a viagem. Realmente não sei porque fomos de táxi, já que o lugar ficava a 2km do nosso dormitório.

Entramos lá e tinha uma mesa de tamanho para todos nós. Sentamos.

Andrew começou a largar piadinhas, como sempre. Todos gargalhavam, inclusive eu. Ele conseguia me fazer esquecer todos os problemas com uma simples frase. Andrew era realmente um grande amigo.

Parei de prestar atenção nele quando de repente todos ficaram quietos. Olhando para a entrada. Eu, como sou curiosa, resolvi ver também.

Lion estava entrando com uma menina. Ele tinha o braço envolvendo a cintura dela. Eu não a conhecia, mas fiquei com nojo. Eles entraram e se sentaram. Ele me encarou de longe, e logo pareceu ficar com vergonha. Ridículo.

— Eu, vou indo. — Sorri sem graça e me levantei da mesa, saindo. — Fiquem aí. Comam bastante por mim!

— Erin... — Ouvi Fred sussurrar.

Saí pela porta ignorando os gritos de todos. Eu não podia ficar lá. Não agora. Resolvi ir caminhando de volta para a casa. Mas, porque Lion ficou com vergonha? Ele pode sair com quem ele quiser. Afinal, ele é o Lion, o grande jogador, o bonzão, o gostosão, loiro de olhos azuis, quem não iria querer?

— Erin. — Senti alguém segurar meu braço.

Me virei para trás e dei de cara com Manuel.

— Eu vou voltar pro grêmio. — Falei. Ele não ia me convencer a voltar para aquele restaurante.

— Eu sei. E eu vou com você. — Ele sorriu, me soltando.

— Ah.. — Fiquei meio sem graça. Eu queria ir sozinha. — Tá.

— A propósito, já que você é a sub-líder, pode me inscrever. Eu vou ser o mais novo membro do grêmio.

— Que ótimo.

— Vou te dar as honras de ser o seu primeiro inscrito. — Ele sorriu novamente.

— Muito obrigada, senhor. — Eu ri.

— Senhorito, por favor. — Ele fingiu uma cara triste.

— Ok. Senhorito. — Sorri.

— Obrigada senhora.

— Ei, senhorita! — Fingi fazer cara de brava.

— Ok. Senhorita. — Ele riu e ficou me encarando.

Continuamos andando até chegar no grêmio. Ele entrou primeiro e fez questão de abrir a porta pra mim.

Notas finais
Comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.