Novos Gênios
9 P.D.V MELLO
Notas iniciais
Boa leitura.
Levanto-me da cama. Tive um sonho esquisito esta noite. Um sonho lindo, na verdade. Com... Com Kim.
“No sonho eu ainda estava na brincadeira de verdade ou desafio. Íris acabou de me mandar beijar a albina. Vários instantes de hesitação se passaram e eu tomei minha decisão. Ao ouvir o que disse, ela olhou para mim. Curvei-me e pressionei meus lábios contra os dela em um beijo. Depois de uns três segundos consegui convencê-la a abrir a boca e me deixar entrar. Foi neste momento que meus desejos começaram a alterar minha memória. Kim me retribuiu animadamente, me abraçando e acariciando minhas costas de forma agradável. O beijo prosseguia cada vez mais animado. Me deixei cair sobre ela, forçando-a a não se mover. De forma nenhuma eu tentaria algo, tínhamos apenas treze e quatorze anos". Foi nesse momento que Matt me acordou.
Lavo o rosto e coloco o uniforme. Meu amigo ruivo. Sai do quarto para esperar Kim. O namoro de Matt e Íris nos aproximou muito, o que não é nem um pouco ruim. Agora eu e a albina sempre estamos juntos, fato que só alimenta meus sentimentos por ela.
Kim sai do quarto. A fina linha preta em torno dos olhos acentua o belo tom violeta de suas íris, mas não tenho certeza de que prefiro o contorno escuro à bela moldura de longos cílios prateados que sempre vejo. Olho-a de cima a baixo, reparando mais uma vez como ela fica linda de uniforme. No entanto, ao invés de dizer isso a ela, decido irritá-la um pouco.
- Olá, albina.
- Oi, Mello. – Ela responde. Não há nenhuma expressão em seu rosto. Ultimamente ela tem estado cada vez mais como Near.
- Está diferente. Pegou sol? – Não posso deixar de rir de minha própria piada. Uma vez estávamos conversando e estávamos debaixo do sol. Ela ficou vermelha como um pimentão e ainda por cima desmaiou em meus braços. Não foi nem um pouco engraçado na hora. Tive de carregá-la no colo até a enfermaria e descobri que ela teve uma insolação e queimaduras sérias, apesar do protetor solar que usava.
- Sabe que eu me queimo no sol, Mello
- Então o quê? Fez alguma coisa no cabelo? – Finjo não saber.
- Não. Passei um pouco de lápis nos olhos. – Sua voz permanece neutra, quase entediada. Ela obviamente sabe que eu já notei.
- Bem que eu achei que suas olheiras estavam maiores...
Sinto um leve ardor por debaixo do uniforme. Ela realmente bate forte para alguém do seu tamanho. Encaro-a com meu melhor olhar furioso e ela sorri, o que me irrita ainda mais.
- Vai me pagar por isso, fantasma de merda!
Kim dispara. Ela é pequena e leve, mas forte o bastante para que suas pernas a impulsionem para frente em uma velocidade impressionante. Tento segui-la, mas não consigo chegar perto o bastante para segurá-la. Não sei o que farei se a alcançar. De certo que não baterei nela, mas... Bem, a ideia de beijá-la me parece tentadora.
Descemos as escadas e ela não desacelera, voando para o refeitório. O que é ela? Como consegue ser tão rápida? De qualquer forma, Kim entra no refeitório, estragando meus planos de vingança ao se colocar em meio a muitas testemunhas.
- Não pode me matar na frente de todo mundo! Eu venci! – Ela grita. Todos se viram para olhá-la, o que me causa certa vergonha alheia.
- Ok, seu guepardo albino, pare de gritar. Vamos logo comer. – Digo calmamente. Dou-lhe um meio abraço e nos dirijo para a mesa de comida. Nos sentamos com o pirralho do irmão dela, que se dirige à Kim
- Olá, Kim, dormiu bem?
- Sim. E você? Como passou a noite?
- Também dormi bem. — Então ele se dirige à mim. — Mello. — Diz cordialmente.
— Albino... – Respondo no mesmo tom de voz. Ele não gosta de mim. Acho que reparou que tenho interesses emocionais em sua irmã.
Tomamos café da manhã calmamente. Não dou muita atenção à Near, embora me foque muito em Kim, que parece estar em um momento reflexivo. Acho que o albino notou, pois me encara sem expressão. Ele não me assusta, mas está disposto a fazer de tudo para proteger Kim.
Pouco depois, o algodão gigante se levanta sob o pretexto de colocar o uniforme. Eu e Kim ainda estamos comendo, de forma que ficamos para trás.
- Vamos? – Sugiro quando e terminamos de engolir a comida. – Também temos que pagar nossas coisas no quarto. Quem sabe não encontramos Matt e Íris.
Minha amiga- acho que posso chamá-la assim-, se anima diante da ideia de encontrá-los. Os olhos brilham e ela concorda.
Caminhamos lado a lado pelo corredor. Creio que seja uma imagem mais pacífica do que eu a perseguindo por ter me batido. Olhando de soslaio posso vê-la me observando, algo que faz meu coração dar um pulo. Gostaria de ter um chocolate comigo para me acalmar.
- Mello? – Ela diz de repente com sua voz suave.
- O que foi?
- Por que você odeia o Near?
– Eu não odeio o pigmeu albino. Só não gosto muito dele. Acho que é porque ele também não gosta de mim. É isso o que me intriga. Como alguém que não tem emoções pode me odiar?
– Não fale assim do meu irmão! E... Bem, acho que odiar você é um instinto de todos os seres humanos normais. – Ela corre novamente quando tento agarrá-la. Ao invés de persegui-la, apenas entro em meu quarto, onde encontro meu amigo ruivo deitado na cama jogando em seu PSP.
Suspiro e pego uma barra de chocolate. Abro-a e tiro um pedaço. O sonho volta a minha mente. Gostaria que tivesse acontecido mesmo isso durante o jogo, mas ela se manteve imóvel durante todo o beijo. Na verdade, na ocasião, eu também tinha feito isso por ser forçado, mas hoje já não penso assim.
- Por que não fala logo com ela, Mello? – Matt já não está hipnotizado pelo jogo.
- Disse o garoto que precisou da ajuda da Kim para conseguir se declarar. Eu só não quero perdê-la, Matt.
- Está sendo estúpido...
- Matt. – Digo asperamente. Um aviso. Vou dar-lhe um soco se ele tentar me provocar de novo.
- Ok, ok. Vou para a aula. – Ele sai do quarto, deixando a porta aberta.
Puta merda, não é possível que eu seja tão covarde. Penso ao pegar minha mochila e ir para fora. Sento-me no chão e escuto a conversa das meninas dentro do quarto.
– Você está sendo muito influenciada pelo Mello, Kim. – Ouço Íris dizer.
– O que posso fazer? Minha única arma para vencer o tédio é justamente irritá-lo. E fugir depois, é óbvio.
Então é isso o que eu significo para ela? Um modo de não ficar entediada? Mordo mais uma vez meu chocolate, controlando-me para não bater na parede. Ou chutar a porta e invadir o quarto apenas para xingá-la.
As duas saem do quarto. A morena vai embora, deixando-me na companhia da menina nuvem. Luto para não gritar com ela. Digo apenas:
- Arma para vencer o tédio, é? – Levanto-me, ficando muito mais alto que Kim. Olho-a no fundo dos olhos, fazendo-a tremer. Poderia perder-me nesta imensidão roxa se não fosse a irritação. Sinto-me maior por causa de seu medo, mas também me sinto culpado. Quero abraçá-la e pedir desculpas, mas meu orgulho não deixa.
- Mello... – Começa ela com a expressão cruelmente fria. Como diabos ela consegue se manter sem nenhuma emoção quando estamos tão perto um do outro que eu poderia beijá-la? É algum efeito colateral do albinismo, só pode ser. – Pare com isso. Por favor.
Me afasto dela sentindo uma pontada no coração. Falo baixinho, xingando-a e amaldiçoando-a, mas me arrependo em seguida. Depois acrescento:
- Albina sem emoções. – Minha voz sai mais alto do que eu pretendia.
- Sabe que eu tenho emoções, Mello. Não seja dramático.
- Ok. – Pouso a mão sobre a raiz de seus cabelos completamente brancos e nos dirigimos para a sala de aula. Ela se senta ao lado de Near e eu fico ao lado de uma garota morena que tem a minha altura. É um olhar assassino que Kim lança para ela? Não... Devo estar imaginando coisas.
Começo a brincar com a cabeleira clara dela, enrolando os fios lisos em meus dedos. Vejo todo o se corpo relaxar e, ocasionalmente, um tremor percorrê-la. Está quase dormindo. Ignoro quando a professora entra na sala, permanecendo concentrando em acariciar o cabelo de Kim. Continuo fazendo-o e ignoro os chamados baixinhos da menina ao meu lado, incentivando-me a prestar atenção na aula.
Várias horas se passam e chegamos ao intervalo. A melhor hora das quintas-feiras.
Almoçamos e, depois, eu e a albina somos abandonados novamente. Caminhamos um pouco pelos jardins do orfanato, indo parar na parte mais isolada do lugar. De repente, sinto-a se jogar contra mim em um empurrão. Revido, fazendo-a cair.
- Não me jogue no chão, eu estou de saia! – Ela grita. Começo a rir e me sento a seu lado. Ela se ajoelha.
- Esta foi minha vingança por tudo o que você me fez hoje. – Bem... Mas acho que um empurrão não paga por todos os danos... Por isso, eu a empurro novamente. Olho o horizonte enquanto ela se cobre com a saia, tentando apagar da mente a visão cor-de-rosa que eu não deveria ter tido. – Quer matar a próxima aula? – Convido. Se ela concordar eu me declaro para ela agora.
Kim recusa o convite, alegando que sua consciência ficará pesada.
- Eu vou faltar.
- Puxa, mas você vai perder a incrível aula de espanhol! Seria um desastre! – Ela ri.
- Kim, você dormiu durante metade das aulas, por que não falta? – Lê-se: “Porra, Kim, agora que eu reuni coragem para te contar você quer ir para a aula?!”.
- Já disse, minha consciência ficará pesada! E eu só dormi porque é essa a minha reação quando ficam mexendo no meu cabelo... – Ela me lança um olhar acusador. Bem, agora eu já sei como acalmá-la. De qualquer forma, não me deixo perder uma oportunidade de provocá-la. Bagunço seu cabelo até que uma das mechas pareça um ninho de rato. – Mello!
- Você não parece com sono...
- E você sabe o que eu quis dizer. Tem ideia do trabalho que vai dar desfazer isso aqui? – Sim, eu tenho ideia. Meu cabelo é relativamente comprido também. Kim tenta arrumar minha bagunça, mas falha e acaba fazendo uma trança. Antes que possa prendê-la, desmancho o penteado e desfaço os nós da mecha com habilidade. Por que eu não a beijo agora? Ah, sim, porque eu sou muito foda e não tenho o costume de assediar garotas, em especial minhas amigas (Lê-se: Kim). – Obrigada. – Diz ela quando concluo meu trabalho.
- Você fica mais bonita com o cabelo solto. – Dou de ombros. O que foi que eu disse?! Bem, agora eu preciso agir como se dizer isso fosse a coisa mais normal do mundo. Vejo-a corar. – Eu disse algo errado?
- Não... Bem, acho que eu vou voltar para a aula. – Ela se levanta e eu a observo se afastar.
Mihael Keehl, você é um perfeito idiota, sabia disso? Eu não deveria ter dito isso. Deixei-a envergonhada e a afastei de mim. Por que foi que eu disse isso? Dou um murro no chão e passo a hora seguinte me xingando e amaldiçoando.
***
Acabou a aula e são seis horas da noite. Sim, seis horas da noite. Temos sete horas de estudo às quintas, sem contar as duas horas de intervalo. Vou para o quarto e fico comendo chocolate até Matt sair do banho. Entro no banheiro e retiro as roupas antes de entrar debaixo do constante fluxo de água quente. Pressiono a cabeça com as mãos, jogando o cabelo para trás, e suspiro. Por que é que tem que ser assim? Por que Kim não pode me amar? Soco a parede e ouço Matt perguntar se está tudo bem.
- Sim, Matt! Tudo ótimo! Veja como eu estou animado! – Certo, admito que não é legal eu descontar nele, mas com quem mais posso brigar agora? Neste instante? Bem que eu poderia achar alguém que me provocasse para eu bater no maldito ser, mas não acho que haverá alguém com tanta coragem hoje.
Saio do chuveiro e coloco um jeans e uma blusa preta. Só então seco o cabelo e enrolo até as oito horas para sair do quarto na companhia de Matt. Não espero Kim, temendo gritar com ela.
Já estamos comendo quando ela chega.
- É um milagre! – Diz indicando L, que está sentado à mesa conosco.
- Eu que o diga. – Matt concorda.
- Um milagre maior ainda! – Digo ao finalmente reparar no que ela está vestindo sobre a meia calça branca que mal pode ser distinguida de sua pele. É um vestido roxo e curto com a saia solta, mas cuja parte de cima se cola ao corpo esguio. – Kim está de vestido! Depois dessa até o albino mostra alguma expressão no rosto branco dele. – Aponto para Near, que está com os olhos ligeiramente arregalados, embora ainda frios.
- Não fale assim do Near!
- Ok, origami humano. Vá pegar sua comida.
Jantamos calmamente, embora eu não seja capaz de retirar os olhos de Kim. A cada movimento que ela faz, a cada palavra que sai de sua boca, eu me apaixono ainda mais. Por fim L mostra interesse pelos trajes dela.
- Diga-me o que isso significa. – ele aponta para o vestido.
– Sei lá, tive vontade de usar. Não visto nada assim há muito tempo. – Ela sorri. É realmente um sorriso lindo.
– Fingirei que não há 70% de chances de você estar mentindo. – Mentindo? Será que ela fiz isso porque gosta de alguém? Sinto meu coração se contrair, transbordando de um sentimento que eu mal sabia que existia, mas imediatamente reconheço como ciúmes.
– Eu não estou mentindo!
– Então talvez tenha tomado essa decisão inconscientemente em nome de algo do que você ainda não tenha conhecimento.
– Desisto de discutir. Pense o que quiser, Ryuuzaki.
– Ei, por que você não discute com ele e sempre discute comigo? – Pergunto. Kim nunca perde uma oportunidade de brigar comigo, então porque o faz com L?
– Por que você tem reações psicóticas e ele é o maior detetive da história, de forma que sempre tem um argumento, ainda que completamente absurdo. Eu poderia pensar em um jeito de discutir com ele, mas não quero, porque não vai valer a pena e ele não tentará me matar nem nada.
– Entendo...
– Não entendo. – Diz L.
– Quem foi o retardado que te colocou na posição de maior detetive do mundo mesmo? – Não posso impedir um sorriso. Kim pode ser muito parecida comigo quando quer, embora ela não seja violenta. E seja paciente. E não ofenda as pessoas diretamente. Que droga, ela é tudo o que eu não sou!
O jantar acaba. Fico um pouco na sala de jogos, mas então olho pela janela e vejo Near e Kim conversando enquanto olham para a lua. Sim, o satélite está mesmo bonito hoje. Mas não é para observá-lo que e decido ir para fora.
Quando chego, Near está dormindo enrolado nos braços de Kim e com a cabeça apoiada em seus seios. Tendo a admitir que deve ser um travesseiro confortável... Ah, que merda, Mello, deixe de ser pervertido, você só tem 14 anos! Enfim, Near está dormindo no colo de Kim, que o abraça para protegê-lo do frio intenso que está fazendo hoje.
Sento-me do outro lado da garota e me dirijo a ela.
- Como pretende lidar com o albino? – Isto porque ela obviamente é pequena e fraca demais para carregar o irmão.
- Terei de dar um jeito de carregar ele para a cama. Tenho pena de acordá-lo. – De fato. Vendo-o assim, até mesmo eu tenho pena de acordar o albino.
- Ok, eu levo ele.
- Obrigada. – Em momento nenhum sequer cogitei a ideia de ela negar. Kim não é louca o bastante para tentar tamanha insanidade, em especial porque realmente seria uma pena estragar sua postura, sempre tão retinha.
Levanto-me e coloco Near nos ombros como se fosse uma mochila. Sinto minha amiga me seguir até o quarto, mantendo-se atrás de mim. Provavelmente não me considera competente o bastante para levar seu irmão para o quarto em segurança.
É a primeira vez que entro no quarto do albino. E eu sinceramente me surpreendo ao encontrá-lo cheio de fotos. A maioria dele com Kim, ambos sorrindo. Sim, sorrindo e, pasmem, é exatamente o mesmo sorriso estampado nos dois rostos. Não é como se ele idolatrasse a irmã, ele apenas a ama. Ama com todo o coração, pois é exatamente a única pessoa que ele ama. Não sinto ciúmes dele. Na verdade, quero agradecê-lo por amá-la como ela merece. E não, eu jamais direi isso em voz alta.
- Seu irmão te ama muito. – Comento.
- E eu o amo. – Kim vai até onde Near está deitado, se senta a seu lado e o cobre com os lençóis brancos, acariciando seu rosto. Eu decididamente adoraria trocar de lugar com o pirralho, se for para me colocar nesta situação. Perco o controle de mim mesmo. Preciso saber. Seguro-a pelos ombros e a ergo da cama, olhando fundo em seus olhos.
- Kim, tem alguma chance de o L estar certo? Por... Por você ter colocado o vestido hoje?
- Como assim? Por que quer saber?
- Kim... – O que eu estou fazendo? Bem, espero que valha a pena. – Eu não quero mais mentir para você, ok? Então eis a verdade.
Eu a beijo. Seguro sua cabeça, impedindo-a de afastar seu rosto do meu. No início ela tenta lutar, mas desiste e fica imóvel diante do toque de nossos lábios. Começo a acariciar seus cabelos, como fiz durante a aula. Sinto-a relaxar em meus braços e começo a lentamente mover meus lábios, tentando forçar os dela a se abrirem. Ela permite que minha língua invada sua boca e a explore. Meus lábios jamais deixam de se mover cada vez mais rápido, em especial quando sinto-a me retribuir. Suas mãos deslizam para meu rosto, puxando-me para baixo. Não sei se ela tem consciência disto. Ao invés de me curvar, abraço sua cintura e puxo-a para cima, tirando seus pés do chão. Suspiro e, ao puxar o ar, sinto o incrível cheiro que ela carrega. É um cheiro doce e quente, como... como chocolate. Finalmente tenho coragem para soltá-la e quebrar o beijo.
- Eu te amo, Kim.
Ela me abraça. O que isso significa? O que quer dizer seu rosto enterrado em minha blusa? É um não, não é? Eu sabia. Sabia que ela não me amava. Então por que a beijei? Por que contei para ela? De qualquer forma, abraço-a também, temendo que seja nosso último contato.
- Mello... Eu não sei o que responder. Acho que preciso de tempo. – Bem, isso ainda não é exatamente um “não”, correto?
- Entendo. Quer que eu me afaste por alguns dias? Quer dizer, para pensar? – Desfaço seu abraço. Não suportarei tamanha proximidade sem beijá-la outra vez. Ou sem ter alguma reação agressiva. Ou sem chorar. Não, não vou chorar. Não na frente dela. Não perto do albino. Sou orgulhoso demais para isso.
- Não. Eu gosto de sua companhia. Mas acho que preciso dormir. Boa noite.
- Boa noite, Kim.
Ela se retira, deixando-me na companhia do albino adormecido. Puxo uma barra de chocolate do bolso e mordo tristemente. Não tem um gosto assim tão bom quando comparado ao beijo de Kim.
Vou para meu quarto e ignoro as perguntas de Matt. Bem, ignoro enquanto posso, por que ele sabe ser irritante quando quer, ainda que seja meu melhor amigo.
- É sério, Mello, o que aconteceu depois que vocês subiram? – É a décima vez que ele me pergunta isso. Eu ignorei das outras nove, mas a raiva que contive durante este período escapa por minha boca.
- PORRA, MATT, ME DEIXE EM PAZ! EU A BEIJEI, OK? AGORA SÓ ME DEIXE EM PAZ!
- Calma, cara! Não fui eu quem te deixou assim... Foi ela. Se quiser gritar com alguém, aposto que ainda está acordada. – Ele realmente disse isso? Suspiro. Não quero bater nele. É meu melhor amigo e não tem culpa de nada. E nem Kim. Ela não teve a intenção de me magoar, sei disso. Suspiro novamente e me jogo na cama. Só quero dormir. Quem sabe não descubro que foi tudo um sonho? Talvez Kim e Near sejam apenas um fruto da minha imaginação...
Notas finais
Deixem reviews!!! Beijos - Ushio
P.S: Para quem tiver interesse, este é uniforme do Wammy's House (na verdade é o uniforme dos personagens de um anime chamado clannad, mas...)
Feminino:http://www.google.com.br/imgres?q=clannad+uniforme&hl=pt-BR&biw=1163&bih=622&gbv=2&tbm=isch&tbnid=GJjcW38jl5MtcM:&imgrefurl=http://www.mooncostumes.com/item/33943&docid=TJ47PmeLqii7AM&imgurl=http://www.mooncostumes.com/image/33943&w=300&h=300&ei=DUviT8ucEKb30gGvneWaAw&zoom=1&iact=hc&vpx=377&vpy=133&dur=9113&hovh=225&hovw=225&tx=62&ty=133&sig=116579309004291610833&page=1&tbnh=133&tbnw=132&start=0&ndsp=21&ved=1t:429,r:2,s:0,i:77
Masculino: http://www.google.com.br/imgres?q=clannad+uniforme&hl=pt-BR&biw=1163&bih=622&gbv=2&tbm=isch&tbnid=9CvMqvNDw4YJRM:&imgrefurl=http://pt.aliexpress.com/product-fm/500704652-Hot-sale-halloween-costume-free-shipping-for-worldwide-Clannad-high-school-boy-uniform-wholesalers.html&docid=ot54Fulwn3ytxM&itg=1&imgurl=http://i00.i.aliimg.com/img/pb/574/405/411/411405574_694.jpg&w=500&h=500&ei=DUviT8ucEKb30gGvneWaAw&zoom=1&iact=hc&vpx=423&vpy=275&dur=6833&hovh=225&hovw=225&tx=122&ty=136&sig=116579309004291610833&page=2&tbnh=132&tbnw=126&start=21&ndsp=28&ved=1t:429,r:9,s:21,i:167
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