Novos Gênios

3 Colega de quarto e o resto do dia.


Notas iniciais
HEY! Como vai/vão você(s)?
Aqui está o proximo capitulo que lutei para terminar hoje.

Bato na porta. Minhas mãos suam frio. Devo admitir que não sou muito boa com novas amizades, de forma que fico muito nervosa quando vou conhecer alguém novo. Tento alisar a blusa vermelha que cobre meu tronco. Minhas mãos voam para meu cabelo e fazem nele uma trança só para desmancharem-na depois. O ato se repete duas vezes antes que uma garota de cabelos tão escuros quanto os meus são claros. Ela é mais alta do que eu e os olhos verdes brilham ao mesmo tempo em que um sorriso ilumina seu rosto.

- Você deve ser a minha nova colega de quarto. Ai, meu deus, eu sempre quis ter uma colega de quarto! – A menina disse animada. Sua voz é aguda, mas de forma alguma desagradável aos ouvidos. Não consigo conter um sorriso diante de sua animação. – Quero dizer, não é como se eu não tivesse amigos, mas eu não posso ficar conversando com eles até tarde, porque sempre vêm checar se não tem nenhum intruso. – As palavras quase viravam um zumbido, mas continuavam a não me irritar.

- Sim, eu sou a Kim. Fico muito feliz de dividir o quarto com você. Ficaria feliz se fôssemos amigas. – Digo com mais ânimo na voz.

- Meu nome é Íris. Prazer. – Ela, ao invés de estender a mão para eu apertar ou coisa parecida, me dá um abraço apertado.

- Prazer. O Matt já tinha me dito quem era você. – Digo quando ela me solta. Pois é. Ela me parece meio incontrolável, mas ainda quero se amiga dela.

- O Matt? Engraçado... Nunca achei que o Matt falaria de mim. Nós só almoçamos juntos de vez em quando. Nem somos tão amigos assim. – Ela faz uma reflexão em voz alta. Talvez sinta falta de conversar, penso eu.

- Às vezes pessoas fazem coisas inesperadas. Ele e Mello me chamaram para sentar com eles no almoço. Suponho que não se importarão se você me acompanhar.

- Sim. – Ela sorri outra vez. – Isso soa bem melhor do que sentar sozinha outra vez.

Esta frase provavelmente comprova minha teoria de que ela fala tanto porque não tem com quem conversar.

Entro no quarto e fico um instante parada, apenas observando. As paredes são brancas, mas o lado que pertence a Íris está cheio de pôsteres de bandas. Eu colocarei no meu lado em breve também. A roupa de cama dela é roxa, a minha cama só tem um colchão. Sorte que eu trouxe a minha própria roupa de cama, porque parece que isto não é distribuído no Wammy’s House.

Abro minha mala e tiro os lençóis e a colcha amassados lá dentro junto com minhas roupas. Arrumo tudo em pouco tempo, pois estou em uma espécie de modo automático. A última coisa que faço é colocar o computador em cima da escrivaninha do meu lado do quarto. Íris observa cuidadosamente cada um dos meus movimentos e oferece ajuda algumas vezes, mas eu recuso com um leve sorriso no rosto. Quando termino meu trabalho, ela se dá conta de que já é meio dia e que temos de ir almoçar. Saímos do quarto um pouco apressadas e eu paro para chamar Near. A porta de seu quarto está aberta e o cômodo com uma única cama já está arrumado. Meu irmão está sentado no centro do quarto montando um quebra cabeças.

- Near? – Ele olha. Impressionante como ele já consegue se reconhecer pelo novo nome. Melhor que eu. Quando fui me apresentar para Íris, quase disse que meu nome era Katherine. Não. Katherine não é mais meu nome. Terei de deixar a garota ingênua que eu era para trás e me tornar verdadeiramente a Kim. Será uma tarefa árdua enterrar todas estas lembranças que carrego em minha mente e meu coração, mas terei de fazê-lo, mesmo sabendo que uma parte da Katherine sempre estará comigo. Assim como sei que uma parte do Nate sempre estará em Near.

Meu irmão se ergue do chão e vem até nós, deixando seu trabalho ainda incompleto em cima de sua escrivaninha. Quando chega à porta, ele para, fecha e tranca. Depois se vira para nós e me cumprimenta com um sorriso antes de se dirigir a Íris.

- Você deve ser a colega de quarto de Kim. Meu nome é Near.

- Eu sou Íris. – Ela responde antes de se virar para mim e mover os lábios. “Ele é fofo!”, é o que ela diz. Eu apenas faço que sim com a cabeça. Sim. Near é muito fofo.

- Acho que devíamos ir. – Aviso a ela, que fita meu irmão como se fosse abraçá-lo como faria com o ursinho de pelúcia que eu vi sobre sua cama. Ela tira os olhos de Near e faz que sim com a cabeça. Seus olhos me dizem que ela está em uma crise interna tentando se controlar para não pular em meu irmão.

Neste exato momento, um garoto de cabelos louros já conhecido por mim sai de seu quarto. Ele continua me assustando. Íris o encara, recuando um passo. Near não se mexe, apenas olha Mello sem nenhuma expressão no rosto ou nos olhos.

- Hm... O Matt chamou vocês para comerem com a gente, não?

- Sim... – Respondo, sentindo-me um pouco intimidada mesmo que Mello esteja tentando ser legal conosco. Ou, ao menos, comigo e com Near.

- Olha só quem resolveu ser simpático, não é mesmo, Mellinho? – Íris, no entanto, parece não gostar nem um pouco dele.

- Muito engraçado, arco-íris. Eu falei com ela e com o albino, não com você. Mas pode vir também. Eu deixo.

- Sim, porque você realmente decide o que eu faço, não é mesmo, Barbie? – Quase posso sentir a raiva de Íris. Desta vez, Mello a ignora quase completamente, apenas se vira e sai.

- Venham, se quiserem.

Olho para minha colega de quarto, que dá de ombros e começa a andar. Pergunto-me o que Mello fez contra ela. Ela me responderá isso durante a noite.

***

NO REFEITÓRIO...

Matt está sentado a uma mesa redonda na companhia de quatro cadeiras vazias. Uma para Mello, uma para mim e uma para Near. Ele ergue um braço e acena para nós, chamando-nos para sentar. Quando vê Íris, apenas puxa uma cadeira próxima para que ela se sente. Não entendo o ato, pois há cadeiras o suficiente para nós.

Seguimos até lá e nos sentamos. Íris evita Mello a todo custo, sentando-se entre mim e Near. Mello está do meu lado e Matt fica entre o louro e meu irmão. Ainda há uma cadeira vazia.

- Para quem é essa cadeira?

- Apesar de tudo, L ainda é um adolescente, sabe? Quer dizer, tem 17 anos, mas ainda assim mora aqui.

- L? Sério? – Fico animada. Eu vou conhecer o maior detetive de todos os tempos! L está muito além até mesmo do grande Sherlock Holmes, mesmo porque ele é real. Matt faz que sim com a cabeça.

- Só não sabemos se ele vai aparecer por aqui hoje. São poucas as vezes que ele janta. Geralmente, fica no quarto dele, sozinho. – Explica Íris.

- Não que isso seja surpresa. Ryuuzaki só come doces... – Mello completa. Matt assente em confirmação. Fico curiosa a respeito de L. O que há nele que o torna o maior detetive do mundo? Reparo que Matt se referiu à lenda humana que habita este orfanato pelo nome de Ryuuzaki. Deve ser outro codinome.

Mas eu não parece que ele vai aparecer. A cadeira permanece vazia por vários minutos. E ninguém chega mesmo depois de a comida chegar à uma mesa enorme no meio do refeitório. Quase que imediatamente, todos no salão se levantam e caminham organizadamente em direção à comida. Não coloco muita coisa em meu prato, apenas o que é necessário para minha sobrevivência. Deve ser por isso que não cresci.

- Pelo amor de deus, menina! O que é isso? Quantos anos você tem? – Mello exclama a meu lado.

- Terei doze anos até 22 de agosto... – Respondo.

- Que pena. Você teria mais uns bons três centímetros para crescer se comesse melhor. Agora olhe a altura que você tem.

- Ei! Não me chame de baixinha! – Olho-o furiosa.

- Ok, ok, tanto faz. Ei, você disse 22 de agosto?

- Disse, sim, por quê?

- Nada... Feliz aniversário, de qualquer forma.

Como assim? Oh, deus. Ontem era véspera do meu aniversário! Era por isso que eu estava animada de manhã. O nervosismo da noite no armário com Near deve ter-me feito esquecer. Que deplorável, meus pais morreram na véspera do meu aniversário. Fecho os olhos e deixo-os se encherem de uma água que é rapidamente eliminada, molhando meus cílios. Levo meu prato até a mesa. Near me olha com atenção extra. Ele espera que eu deposite o prato na mesa para se levantar e me dar um abraço apertado. Ele fica na ponta dos pés e sussurra em meu ouvido:

- Feliz aniversário, Kat. – As lágrimas que ameaçam surgir secam rapidamente. Há certa alegria mórbida no momento. Sim, meus pais estão mortos, mas foi um instante de honestidade. Near não podia dar feliz aniversário para mim usando meu nome falso. Ele usou um apelido, sim, mas é baseado em Katherine. Talvez tenha sido meu último momento honesto. Near me solta e volta para seu lugar. Sento-me também e começo a comer antes de ouvir um comentário de Mello.

- Ei, olhem. Isto é um dos raros momentos onde um fantasma demonstra afeto. – Ignoro-o. Já estou quase acostumada com as brincadeiras do louro. Íris, no entanto, faz questão de me defender.

- Cale a boca, Reese Witherspoon. E feliz aniversário, Kim.

- Obrigada.

- Sim, feliz aniversário, Ki-Ki. – Diz Matt. Olho-o com a interrogação nos olhos. – Apelido novo que eu inventei para você.

- Ok. Obrigada, Matt.

Uma hora se passa e nós nos vemos obrigados a sair do refeitório. Está chovendo hoje, de forma que não vejo problemas quando os garotos nos chamam para ir lá fora. Geralmente, eu e Near não nos sentimos bem quando expostos ao sol. Íris, no entanto, diz que vai ficar um pouco com algumas garotas que ela conhece e que a chamaram para brincar de verdade ou desafio. Near quer ir terminar seu quebra cabeças e volta para o quarto, de modo que ficamos apenas eu, Mello e Matt. Novamente sinto-me mais baixa do que o normal. Como se os dois garotos pudessem me pegar no colo e me jogar um para o outro como uma bola. Quase quero me enterrar no chão, mas ignoro a timidez e os sigo pelos corredores até o jardim. Agora há algumas crianças e adolescentes aqui fora. Nós três nos sentamos na escada e ficamos conversando. O assunto, novamente, sou eu. Claro, sou novidade aqui.

Devo admitir, inclusive para mim mesma, que os garotos são muito divertidos, mesmo que irritantes. Matt está me tratando como uma irmãzinha e, em menos de cinco minutos, Mello inventa quatro apelidos referentes ao meu albinismo. Estes são: Garota-nuvem, Fuuko*, gelinho e floco-de-neve. Além disso, finge que não me vê umas três vezes, como se eu fosse um fantasma. Ao todo, foram mais de uma brincadeira por minuto.

***

A tarde passa. Fico feliz por ser sábado. Em determinado momento, Roger vem nos alertar para irmos para nossos quartos.

Quando chego, encontro Íris em sua cama lendo um livro do Sherlock Holmes. Não posso deixar de sorrir antes de entrar no banheiro, retirar minhas roupas e entrar num banho quente. A água me acalma. Desfaz os nós dos músculos, relaxando-os. Fecho os olhos e deixo a água cair em mim por alguns minutos antes de verdadeiramente me lavar.

Fecho a torneira e me seco, enrolando-me na toalha em seguida. Minha pele quase se confunde com o tecido. Abro a porta do banheiro para sair e me vestir e me deparo com...

- MELLO! MATT! O QUE DIABOS ESTÃO FAZENDO AQUI? – Grito furiosa, ficando corada logo em seguida. Como é que Íris os deixou entrar. Matt imediatamente fecha os olhos e Mello vira o rosto, ambos ficando vermelhos também.

Pego o pijama em cima da cama e volto para o banheiro antes de voltar para o quarto descentemente vestida.

- Desculpe, Ki-Ki. Viemos chamá-las para jogar videogame conosco. Íris já concordou.

- Hm... Talvez... Ok. – Digo. Por que eles estão sendo tão legais comigo? Penso. De qualquer forma, eu e minha nova amiga nos transferimos para o quarto deles. Near também está entre nós.

Matt, aparentemente um viciado, ganha o jogo contra todos nós. Logo a atividade se torna irritante, porque Mello e Matt estão discutindo constantemente sobre quem roubou ou não. Paramos de jogar quando algumas agressões físicas têm início.

Depois brincamos de verdade ou desafio, mas sem valer nada inadequado. Quero dizer, o máximo que ocorreu foi termos que tomar um copo cheio de água sem respirar ou cantar uma música idiota na frente de todo mundo. Em dado momento, Mello distribui pedaços de chocolate para nós, pouco antes de constatarmos que perdemos o jantar. Depois disso eu, Near e Íris voltamos para nossos quartos para dormir.

Surpreendentemente, não é difícil para mim pegar no sono. Basta fechar as pálpebras que começo a ter visões de tudo o que aconteceu hoje.

Uma casa cercada por muros, o abraço de Near, Roger, Watari, Íris com os olhos brilhando quando chego, Matt sorrindo para mim como se eu fosse sua irmã, ele me dando um apelido novo e me desejando feliz aniversário, Mello ficando vermelho quando saio do banheiro, o louro me dando uma bronca por causa do tamanho de meu prato. Near de novo. O surto de Íris quando vê meu irmão.

Notas finais
* Fuuko é uma fantasma de um anime chamado clannad. (ela não é pálida, mas é um fantasma, ok?)
E então, gostaram? Deixem reviews!!!!!
bjs da Ushio