Novos Gênios

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá. Capítulo novo para vocês.
Espero que gostem.

POV NEAR

€€€

Saio lentamente da cama, tremendo de frio. Estou contente por ter falado com Kim ontem. E adormecido em seu colo pouco depois de Mello chegar, embora tenha estado muito perto de pegar no sono antes disso. Estive suficientemente consciente durante o tempo que eles estavam conversando para notar que Mello tinha a intenção de se declarar para Kim depois. Sua voz estava suave demais para que ele não fosse fazê-lo.

Hoje não tem aula, mesmo porque é o dia livre para sair. Gostaria de já ter idade para deixar o Wammy's por algumas horas, mas não é possível. Farei dez anos no domingo, faltam três anos para que eu seja liberado para sair em tais aventuras.

Coloco uma camisa branca e uma calça jeans clara, além dos sapatos, e penteio o cabelo. Às vezes me pergunto qual seria sua cor se eu não fosse albino. De acordo com meus antepassados paternos e maternos, eu seria ruivo, mas a genética sempre nos surpreende. Como será que seria Kim se tivesse os cabelos vermelhos como os de Matt? Não seria minha irmã! Decididamente prefiro-o com o cabelo branco... E por que é que eu estou pensando nisso? Que coisa idiota de se pensar...

Hoje pretendo perguntar ao Mello se ele falou com Kim. Talvez seja uma tarefa arriscada, considerando que a probabilidade de ele ter sido recusado é de, no mínimo, 80%. Independentemente do risco eu estou muito curioso com relação à resposta. A chance é pequena, mas sem dúvida é possível que Kim retribua os sentimentos de Mello.

Sentimentos de Mello. Isso sim é algo a se pensar. Jamais tinha imaginado que o louro pudesse ter aquele tipo de sentimentos. Ainda mais por minha irmã!

Saio do quarto, ignorando a tudo e a todos à minha volta. Mantendo a máscara de indiferença que uso todos os dias de minha vida desde... Desde que Katherine entrou no quarto e me puxou para o guarda roupas. Desde que ela se tornou Kim. Desde que Nate River se tornou Near. Desde que viemos parar no Wammy's House. Desde que meus pais morreram.

Vou para o refeitório e me sirvo de uma xícara de café com leite e algumas torradas, indo me sentar longe de todos.

Kim é a primeira a vir. Mello não está com ela. Estranho. O primeiro sinal de que ele falou de seus sentimentos para ela. Minha irmã pega uma xícara de chocolate quente e vem se sentar comigo. Creio que seja o momento ideal para perguntas que não comprometam minha integridade física.

- Mello te contou, não contou?

- Sim. — Ela Diz inexpressiva.

- E...

- Eu não sei, Ne-Ne! — Ela novamente faz uso do estranho apelido que me deu com base em meu curioso codinome. Penso por um segundo. O que devo dizer? Devo fazer minha irmã feliz, isso está claro como o dia, mas como posso saber quais os seus sentimentos quando nem mesmo ela sabe?

- Kim, o que você sente quando está com Mello? É algo como quando você está comigo ou é mais, digamos, intenso?

- Eu não sei. Eu o amo, mas não sei que tipo de amor é esse.

- Pense. Fique mais perto dele. Preste atenção às suas emoções quando estão juntos. Tome sua decisão com base nisso.

-E se eu não amá-lo, Near? E se ele me deixar?

-Então ele decididamente não será merecedor do seu amor.

Ela parece se convencer de que eu estou certo.

- Como pode ser tão novo e, ao mesmo tempo, tão maduro? — Ela pergunta. Eis uma questão que eu gostaria de saber responder.

Então Mello chega. Ele também se serve antes de vir sentar. Não consigo não sentir raiva por ele colocar minha irmã em uma situação tão complexa. Pergunto-me então se ele a teria beijado ontem. Provavelmente sim, considerando que o louro é extremamente impulsivo. Mas não sei que tipo de beijo foi. E se Kim correspondeu ou tentou lutar. Independentemente da resposta eu fico com mais raiva ainda. Como ele pôde beijá-la?

Termino de comer, um pouco incomodado com o silêncio que se formou depois que Mello chegou. E mais ainda: fico chocado por ele não tê-la cumprimentado com um de seus apelidinhos estúpidos. E nem a mim. Algo deu muito errado noite passada. Algo os magoou muito.

- O que vai querer de aniversário, Near? — Ela pergunta. Oh, sim, meu aniversário.

- Não sei. Se for ganhar um presente acho que gostaria que fosse um quebra cabeças ou um robô.

Ela sorri. Bem, se ela sair hoje, já sei onde foi. Abandono a mesa, deixando-os a sós.

PDV KIM

>•<

- Mello...

- O quê? — Ele fala com certa frieza. Chega a doer.

- Me perdoe, eu não quis te magoar. Eu nunca faria isso de propósito.

- Perdoar você? E o que te faz pensar que fez algo de errado? A culpa é minha. Sou um verdadeiro idiota. Nunca devia ter feito aquilo. Foi um grande erro do qual eu me arrependo amargamente.

- Não se arrependa, Mello. Não foi um erro. É bom eu saber disso. — Digo ao me lembrar do beijo que ele me deu. Meu primeiro beijo fora de um jogo. Não posso impedir meu coração de bater realmente muito forte ao se lembrar dos lábios de Mello se movendo junto dos meus enquanto sua língua... Controle-se, Kim! Assim será influenciada em sua decisão! Percebo então que estou perto demais do rosto de Mello. Será que eu deveria decidir que o amo sem ter certeza da verdade? Será que devo simplesmente beijá-lo aqui e agora? Não, não devo. Afasto-me dele, fazendo uma tranço há em meu cabelo. Mello parece triste. Olho para baixo, fitando os jeans velhos que uso.

- Mello? Quer ir comprar o presente de Near hoje?

- Quero... — ele aceita sem pestanejar. Ok, parte do Mello de sempre permanece com ele.

Deixamos a mesa do café e vamos diretamente para a porta de saída.

•••

PDV MELLO.

Bem, ao menos ainda temos intimidade para sair juntos e comprar o presente do pirralho. Quem sabe não é algo que possa ser consertado?

Saímos dos limites do Wammy's e vamos para a estação de metrô. Ao vê-la tremer, não consigo conter meus impulsos. "Foda-se a interpretação dela", penso enquanto puxo-a para perto de mim em um meio abraço.

- Mello, o que diabos você está fazendo? — Ela pergunta.

- Você não tinha problemas com isso antes de eu te contar. — Reclamo.

- Tem razão, desculpe. — Kim passa os dois braços ao redor de minha cintura e encosta a bochecha em meu peito. A sensação perfeita. Melhor que comer chocolate. E ainda por cima elimina o frio desgraçado que está fazendo hoje.

- Kim?

- O quê?

- Promete que não vai deixar isso interferir na nossa amizade? Eu posso te amar como amiga também. Não é porque te amo que vou ficar tentando te beijar a cada segundo.

- Claro. Você é meu amigo, não vou desistir de você assim. — Em resposta eu a aperto ainda mais contra mim. Ela suspira. Obrigo-me a não quebrar a promessa que acabei de fazer de não beijá-la. Kim realmente me tira do sério, puta que pariu.

Chegamos ao subterrâneo mas, mesmo estando mais quente, recuso-me a soltá-la. E ela luta contra meu abraço tanto quanto lutou contra o beijo de ontem. Cara, na boa, será que ela não gosta mesmo de mim? Tipo, do jeito bom de ser? "Controle-se, Mihael, como amiga, lembra?".

Entramos no trem e nos sentamos lado a lado. Sim, senhoras e senhores, o trem está vazio. Enfim, eu me sento na ponta e a deixo na janela (agora me explique o motivo. ESTAMOS DEBAIXO DA TERRA!). Como lentamente o resto do chocolate ao longo da curta viajem.

Kim não para quieta, o que me força a soltá-la e deixá-la livre para vagar pela loja de brinquedos até encontrar um quebra cabeças de 6.000 peças completamente brancas para dar para o irmão. Depois voltamos para o orfanato e ela mesma amplia uma foto sua com Near. E é então que o trabalho manual começa. Vamos para o quarto de Kim e ela tranca a porta e retira as botas que usa antes de se sentar no chão ao meu lado e abrir o brinquedo novo de Near.

- Me ajuda a montar isso?

- Sim, mas achei que fosse e presente do seu irmão.

- E é, mas não antes de eu fazer alguns ajustes.

£££

Montamos o quebra cabeças em um tempo recorde de três horas. Montar quebra cabeças em velocidades extraordinárias também deve ser algo que faça parte deste "complexo de albinismo" que ela divide com o irmão. Kim pega a foto que ampliou e a cola em cima da superfície branca que montamos e a corta no formato das peças do brinquedo.

Uma hora se passa. A cola já secou. A garota desmancha nosso trabalho e o guarda de volta na caixa.

É o presente perfeito para Near. Como ela teve esta ideia? Ela não deveria estar em terceiro lugar.

Notas finais
Gostaram?
Espero que sim.
Sério, gente, tenho 5 leitores mas só a minha querida Beyond Birthday comenta. (Brigada, BB-chan!)
Deixem reviews! Bjs da Ushio.