Novos Começos
3 Telefonema Rachel's POV
Notas iniciais
Eu não sei falar palavrões e dirty talk não é exatamente o meu forte, vai contra a minha natureza... Então peço desculpas adiantado caso não tenha conseguido fazer jus ao personagem que aparece nesse capitulo.
Musica: Have You Ever Seen the Rain
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Rachel's POV
Está frio, mas é um frio seco. Sinto falta da umidade de Nova York. O vento gelado e cortante penetra pelo tecido de meu casaco e atravessa a manta lilás que envolve meu pescoço e rosto. Meu nariz parece prestes a cair. Eu não achava que pudesse fazer tanto frio no Texas. É o ultimo dia que vamos passar aqui. Amanhã de manhã partimos para Chicago e aparentemente, estará ainda mais frio. Não que eu esteja reclamando, o inverno sempre foi a minha estação favorita. Tudo fica tão bonito coberto de neve e as luzes de Natal sempre me fazem sorrir.
Sem contar o fato de que é muito mais difícil encontrar slushies para vender quando as temperaturas beiram os graus negativos, o que significa que o numero de ataques envolvendo liquido gelado diminuíam consideravelmente nessa época do ano quando eu estava no ensino médio. Ou seja, meu aniversario normalmente era passado sem esse presente espetacular...
Nem acredito que em 7 dias vou estar fazendo 26 anos... Tudo passou tão rápido. Eu me sinto triste que Quinn não possa estar comigo no dia 18. E nesse momento, estou extremamente frustrada com ela. Por que ela não atende o celular? Já estou tentando ligar a cinco minutos e só cai na caixa de mensagens... Será que aconteceu alguma coisa? Ela nunca fica sem atender e ela sabe que eu sempre ligo nesse horário. Às sete e meia. É o único momento em que eu consigo fugir das audições, sem contar o almoço e às nove horas, quando chego ao hotel.
E está congelando do lado de fora do pavilhão e a fila de pessoas, bem menor agora, mantém os olhos fixos em mim. Ainda temos mais ou menos trinta pessoas para ouvir e eu acho que meus ouvidos vão explodir depois de tanta musica country... Sei que estamos no Texas, mas isso não significa que as pessoas não possam interpretar outros gêneros musicais!
Ok, provavelmente ela está com a Santana e as duas estão jantando em algum lugar. É, deve se por isso que ela não me atende...
Não consigo evitar sentir uma pontada de tristeza ao pensar que ela encontrou algo melhor para fazer do que conversar comigo. Sinto tanta saudade... Fecho os olhos e posso ver seu rosto claramente, seu sorriso, seus lábios... Sinto falta de beijá-la, de tocá-la, de senti-la perto de mim. Esses 12 dias parecem ter sido os mais longos da minha vida. Minha respiração forma pequenas nuvens à minha frente e eu expiro com força, enfiando o meu celular dentro do bolso e dando meia volta, o show deve continuar...
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"Isso foi rápido..." Comenta Hugo, juntando alguns papeis de cima da mesa que dividimos. Ele é o novo Simon. Faz 4 anos que é um jurado e ele pode ser considerado o vilão da historia aos olhos do publico. De fato, vários candidatos saíram chorando daqui depois de ouvirem seus comentários. Eu sempre achei que fosse uma critica rigorosa, mas ele ganha de mim em todos os quesitos, principalmente na parte da grosseria. Eu não gosto de magoar as pessoas.
"Ela não atendeu." Respondo, reocupando meu lugar entre ele e Jon, o outro jurado. Meus colegas sabem sobre meu relacionamento com Quinn desde a nossa primeira reunião, aonde foi estipulado que ele se manteria em segredo por tempo indeterminado.
"Ela deve estar ocupada." Jon é um homem careca e baixinho, menor do que eu, o que é surpreendente.
"Sim..." Afrouxo a manta e tiro o casaco. "Podemos continuar agora?" Pergunto massageando minhas têmporas.
"Você está brava com ela, não é?" Hugo coloca uma mão em meu ombro. Seus cabelos loiros estão um pouco desgrenhados e ele não parece nem um pouco ameaçador. Como disse antes, aos olhos do publico, ele é o vilão, mas na realidade, ele pode ser muito gentil a maior parte do tempo. Acho que acabamos nos tornando amigos depois dos primeiros dias de convivência forçada. Ele é mil vezes mais comunicativo do que Jon e nós realmente temos algumas coisas em comum.
"Um pouco." Admito, sentindo minhas bochechas esquentarem. "Ela sabe o quanto esses telefonemas são importantes para mim. É a única coisa que nós temos nesse momento e eu sinto um pouco de ciúmes ao pensar que ela pode ter encontrado algo mais interessante para fazer do que esperar a minha ligação."
Ele apóia um cotovelo na mesa. "Mulheres são tão complicadas... Eu demorei sete anos para entender o que minha esposa queria antes de conseguir pedi-la em casamento."
"É por isso que eu sou solteiro." Murmura Jon, reclinando-se em sua cadeira.
Abro a boca para defender as mulheres, mas um dos câmeras entra na sala. "Prontos para recomeçar?"
Nós três tocamos um olhar e nos endireitamos. Hugo faz um sinal afirmativo com a mão. Dois minutos depois, mais uma candidata é mandada de volta para casa. Sério, um mínimo de afinação é esperado para alguém que se inscreve em uma competição dessas.
"Numero 3028" Chamo pelo próximo e meus olhos se arregalam em surpresa quando o 3028 entra na sala.
"Boa noite, meu nome é Noah Puckerman e eu vou cantar Have you Ever Seen The Rain." Ele pisca para mim e eu não sei se devo sorrir ou não. Será que a inscrição dele é valida? Quero dizer, nós somos relativamente próximos. Não que eu vá passá-lo de fase só por causa disso...
"Someone told me long ago
There's a calm before the storm
I know, it's been coming for some time"
Ok, eu acho que ele realmente tem potencial para a próxima fase. Já fazem 20 segundos e ele ainda não foi interrompido por nenhum de nós. Isso é definitivamente um bom sinal.
"When it's over, so they say
It will rain a sunny day
I know, shining down like water"
Sorrio para ele agora. A escolha de musica favoreceu sua voz e combina com seu estilo, além de não ser country, o que, por si só, já conta pontos para todos os jurados. Seria realmente incrível ter alguém conhecido por perto e, secretamente, estou torcendo para que meus colegas concordem com o meu julgamento.
"I want to know, have you ever seen the rain?
I want to know, have you ever seen the rain?
Coming down on a-"
Hugo levanta uma mão, fazendo sinal para que ele pare de cantar.
Noah se endireita um pouco e seus olhos encontram os meus por um breve segundo, antes de caírem sobre o homem loiro ao meu lado.
"Isso foi muito bom." Comenta Hugo, em um dos raros momentos em que elogia alguém. Seu rosto é totalmente sem expressão, mas isso faz parte da imagem que a Fox espera que ele passe e eu posso ver a sinceridade em suas palavras.
"Eu concordo. Por mim, rapaz, você passou para a próxima etapa." Completa Jon, com um pequeno sorriso nos lábios. Os dois homens olham para mim.
"Sua performance foi realmente impressionante Noah, fico feliz em ver que os anos de Glee club tenham lhe servido de alguma coisa. Claro que você está na próxima fase."
Ele comemora dando alguns socos no ar e se move em minha direção. "Se você tiver um tempinho depois que isso estiver acabado Berry..." Ele pisca mais uma vez e vai embora.
"Er... Vocês se conhecem?" Hugo arqueia as sobrancelhas.
"Sim, estudamos juntos durante o Ensino Medio." Respondo, relembrando dos momentos em que fizemos um pouco mais do que só estudar. "Isso é um problema? A nossa amizade faz com que a participação dele no show seja contra as regras?" Pergunto, um pouco receosa.
"Eu vou ter que conferir, mas acho que desde que fique claro que você não vai conspirar em favor dele... Bem, não acho que hajam maiores problemas. Esse rapaz tem talento. E eu não digo isso para qualquer um..."
Faço que sim com a cabeça e chamo pelo próximo candidato.
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Ok, já são nove horas e ela continua sem atender minhas ligações. Sinto que deveria estar realmente preocupada, mas tudo o que consigo sentir é magoa. Tenho a impressão que estou sendo ignorada. Entro no meu camarim improvisado para juntar as minhas coisas e ir para o hotel e sou pega totalmente desprevenida por quem encontro sentado em minha poltrona.
"Noah! Co-como você conseguiu entrar aqui?" Guardo o meu celular e olho para ele em total descrença. A segurança que a Fox oferece nunca me pareceu nada menos do que excelente, saber que qualquer um poderia burlar seu sistema com tanta facilidade me deixa um tanto quanto amedrontada.
"Eu tenho meu contatos Rach..." Ele se aproxima. "E eu queria conversar com você. Já fazem dois meses que não nos falamos..."
Seus braços se abrem e eu aceito seu abraço, em parte por que é realmente bom vê-lo e em parte por que eu realmente precisava de um abraço agora. Não consigo evitar comparar sua estrutura física a de Quinn e é estranho o quanto eu me sinto frágil em seus braços, por maior que ele seja, a segurança que sinto com ela é mil vezes maior.
"Er... Está tudo bem?" Pergunta ele, se afastando e arqueando as sobrancelhas.
"Sim, é muito bom ver você Noah." Sorrio e apoio uma mão em seu braço.
"Então, você acha que eu tenho chances de ganhar esse negocio ou não?" Suas sobrancelhas sobem e descem de forma brincalhona.
"Todos tem chance Noah, mas a competição vai ser acirrada." Me afasto dele e sento na poltrona que havia vagado, alcançando por meu telefone e digitando uma mensagem.
Por que você está me ignorando Quinn? – Amor, Rachel.
Mordo o lábio e aperto o botão de enviar.
"Então, o que você tem feito?" Pergunto, tentando desviar minha atenção de uma certa loira.
"Eu pedi demissão há algumas semanas atrás e descobri que dar aulas de violão é muito mais lucrativo do que ser o co-treinador de um time universitário. Um dos meu alunos me mostrou um folder anunciando as inscrições para o show e aqui estou eu..." Ele faz um gesto com as mão e puxa uma cadeira, sentando a minha frente. "Eu e Marian terminamos, ela não gostava muito da ideia de me ver como uma estrela do Rock. Você sabe como ela era ciumenta."
Concordo com sua afirmação, lembrando do que Quinn havia me falado sobre Marian na época do casamento. Droga! Por que absolutamente tudo me faz lembrar dela? Checo o meu celular, mas ainda não tenho resposta para a minha mensagem. Não é que eu não queira pensar na minha namorada, é só que eu estou me sentindo relativamente irritada com ela agora. O que pode ter acontecido para que ela esteja me ignorando dessa forma?
"E você também está solteira agora." Minha atenção se volta para ele. "Você terminou co aquele Chris a quase um mês, não é mesmo?"
"Sim."
"Sabe, a gente podia aproveitar que é a sua ultima noite aqui e... Bem eu sempre quis saber o que você esconde por baixo de todos aqueles..."
"Só por que eu terminei com o Chris, não significa que eu esteja disponível Noah." Minha voz sai um pouco mais fria do que eu imaginava.
Ele fecha a boca e me observa por alguns instantes. "Você está mentindo."
"Oh, por favor! Por que eu mentiria sobre isso?" Reviro os olhos.
"Se você não quer experimentar um pedaço do Puckassaurus, tudo bem, é só dizer, mas não precisa mentir." Ele parece ofendido e eu cubro meu rosto com as mãos.
"Tanto faz Puckerman. Você não faz o meu tipo." Totalmente verdade. Imagino como ele reagiria se eu contasse que estou envolvida com outra mulher, mais especificamente Quinn Fabray.
"Ok, talvez você esteja vendo alguém..." Ele pondera por um segundo. "Quem?"
Respiro profundamente. "Eu tenho certeza que você deve ter visto certos rumores pela internet..." Começo, não me importando mais em esconder coisa alguma.
"Bem, sim, tem aquela historia sobre você e a Quinn, mas isso é totalmente impossível. Vocês são só amigas não é?" Ele pergunta, olhando para o chão.
Não respondo e ele levanta o rosto. Seus olhos triplicam de tamanho.
"Oh meu Deus! Sério? Isso é totalmente... Vocês duas? Vocês são lésbicas? Oh meu deus eu acho que..."
Não consigo evitar um sorriso. "Noah..."
"Isso é... Sexy e eu acho que preciso... Tem um banheiro por aqui?" Ele se levanta e posso ver por que ele precisa de um banheiro.
"Noah! Isso é totalmente nojento! Você poderia voltar a sentar? Por favor?" Faço uma careta.
"Desculpa, mas vocês duas juntas? Imagens mentais... Eu sou um cara Rach! E eu já peguei vocês duas, eu engravidei a sua garota, esqueceu?" Eu definitivamente não precisava ouvir isso. "E não é segredo nenhum que eu já tive muitas fantasias que envolviam você e aquele piano da sala de coral..."
"Noah!" Sinto o meu rosto esquentar.
"Agora eu estou revendo essas fantasias e a Quinn está totalmente dentro delas. Deus! Como nunca pensei nisso antes? Vocês não topariam um..."
"Você acabou de dizer que nós somos lésbicas. Da ultima vez que conferi, ser lésbica não envolve nenhum relacionamento com um homem!" Exclamo, corando violentamente.
"Está bem..." Ele parece se acalmar um pouco e volta a cadeira cruzando as pernas de modo a esconder o tamanho de sua... bem, felicidade em saber sobre meu relacionamento com Quinn. "Mas se algum dia..."
"Não vai acontecer."
"Ok." Ele levanta as mãos em derrota. "Então, há quanto tempo?"
"Dois meses." Respondo automaticamente.
Ele faz que sim com a cabeça, umedecendo os lábios. "E vocês já..."
"Isso não é da sua conta."
"Ah, Rach..."
"Noah! Esse assunto está encerrado." Ele me olha com desapontamento e eu alcanço pelo meu telefone pela milésima vez. Nada. Levanto os olhos e vejo que Noah estava mexendo em seu próprio celular. Ele aperta alguns botões e leva o aparelho ao ouvido.
Ficamos em silencio por um momento e a pessoa do outro lado da linha finalmente atende.
"Fala Sammy!" Ele pergunta com um sorriso, mas esse sorriso logo desaparece e ele me olha com uma cara estranha. "Isso é sério Evans?"
Ele está falando com Sam! Quantos reencontros em uma noite...
"Eu não acho que vou poder, mas obrigada por avisar..." Ele parece sério e totalmente diferente do que o Noah com quem eu falava há alguns minutos atrás. Mordo o lábio, imaginando o que pode ser... "Você ainda não entrou em contato com a Rachel, não é mesmo?" Arqueio as sobrancelhas e ele me lança o olhar estranho novamente. "Na verdade eu estou com ela agora..." Ele pausa. "Pode deixar. De um abraço nela por mim... Tchau." Noah desliga o celular e me olha com uma expressão de dor.
"O que foi?" Meu estomago se contorce em expectativa.
"Você não chegou a falar com a sua namorada hoje, não é mesmo?"
"Só ao meio dia... Por quê?" Tenho medo de perguntar.
"Eu não sei como fazer isso..." Ele passa a mão pelo rosto e se aproxima de mim, ficando de cócoras ao meu lado. "Er..."
"O que foi Noah?" Sinto meu coração bater na garganta. Milhões de possibilidades de acidentes envolvendo Quinn invadem a minha cabeça e meus olhos se enchem de lagrimas. "A-aconteceu alguma coisa com ela?" Engulo com dificuldade e me inclino em sua direção, silenciosamente implorando para que ele fale logo.
"Quinn está bem." Esvazio meus pulmões, sentindo um alivio imediato. "Mas a mãe dela morreu hoje de tarde."
Sabe aquela sensação de queda sem que se esteja realmente caindo? Acho que posso chamar de vertigem... É isso que estou sentindo agora. Isso explica a falta de retorno aos meus telefonemas. Sinto raiva. Eu não deveria estar recebendo essa noticia de Noah Puckerman! Será que eu ficaria sabendo se não tivesse encontrado com ele? Por que ela não me ligou?
Levanto da poltrona abruptamente. Quinn precisa de mim, não é momento para ficar brava com ela. Ela teve seus motivos para não me avisar, talvez ela esteja abalada demais para falar, ou talvez ela esteja no avião...
Avião...
"Eu tenho que ir para Lima." Murmuro, pegando minha bolsa e jogando tudo dentro.
"O que? Rachel? Aonde você vai?" Noah alcança meu pulso.
"Eu vou para o hotel, pegar minhas coisas e agendar um vôo para casa. Eu não posso deixá-la sozinha."
"Você pode fazer isso? Vocês não estão indo para Chicago amanha de manhã?" Ele não me solta e eu chacoalho meu braço violentamente.
"A mãe da mulher que eu amo acabou de morrer! É claro que eu não vou para Chicago!" Grito para ele. Eu preciso encontrar um taxi...
"Ok, eu te levo para o hotel." Ele me solta e vejo um brilho de determinação em seus olhos.
A parte externa do pavilhão está deserta agora, exceto pelos seguranças, tão eficientes que deixaram Noah entrar sem uma autorização. Tenho vontade de bater em alguma coisa. Meus sentimentos são tão confusos... A única coisa que consigo definir é agonia. Angustia por querer vê-la e uma urgência de sair daqui. De gritar, de quebrar alguma coisa.
Ele me guia até o estacionamento e se dirige até uma moto. Apesar de achar que motocicletas são um meio de transporte realmente perigoso, não posso mentir e dizer que não gosto delas. São definitivamente mais praticas e dão uma sensação de liberdade incrível. Ele me joga um capacete e a próxima coisa que eu sei é que estamos parados em frente ao hotel e ele me abraça em despedida.
"Nos vemos na próxima etapa Berry... E... Abrace a Quinn por mim, diga que eu sinto muito." Ele fala baixo e sua voz soa sincera. Noah é um bom amigo, apesar de tudo...
Tento ligar para Quinn mais uma vez no caminho para o meu quarto, mas acabo desistindo. Ela não vai atender. Arrumo minhas malas rapidamente e coloco algumas roupas em uma bolsa de mão. Subo os dois andares para o quarto onde Meg e suas duas assistentes estão acampadas. Minha equipe cresceu consideravelmente nas ultimas semanas e Meg não conseguia mais dar conta de gerenciar tudo sozinha...
Sinto-me mais calma, mas não menos confusa. É como se a noticia da morte de Judy não tivesse me afetado. Eu acho que de certa forma não me afeta mesmo... Eu nunca cheguei a conhecê-la realmente e a única vez em que e a vi de perto foi quando Beth nasceu e o dia da nossa formatura, é claro. Mas nunca houveram apresentações formais e apesar de tecnicamente ela ser minha sogra, isso não significava nada pra mim. Sei que pareço fria falando dessa forma, mas sem Quinn ao meu lado, eu não sinto nada. Minha namorada provavelmente está sofrendo e se ela estivesse aqui, eu estaria sofrendo também, mas meu sofrimento seria devido ao amor que sinto por ela, proveniente da parte de mim que quebra junto com ela, que não suporta ver aqueles olhos esverdeados cheios de lagrimas.
O que me faz querer chorar agora, é que eu fui a ultima a saber. Eu sei que ela precisa de mim agora e eu estou indo ao seu encontro, mas não sei se ela me quer por perto. E o que eu vou fazer se chegar lá e ela me mandar embora?
Mordo o lábio e paro na porta do quarto 91.
Eu não poderia deixar o show agora, os produtores vão querer me matar e Hugo e Jon vão ter que fazer todas as audições sozinhos. Mas seriam só dois dias, no máximo... Eles iriam sobreviver. Eu não posso ficar aqui sabendo que ela está sozinha. Eu sei quanto tempo faz que Quinn não vê o pai e eu não posso deixá-la nesse momento. Se os papeis fossem reversos, eu iria gostar que ela estivesse ao meu lado. Respiro fundo e tomo minha decisão.
Vou pegar o primeiro vôo para Lima e lidarei com a Fox quando voltar.
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