Novo ano
1 Novo ano
O grupo estava reunido ao redor da mesa do bar, era quase meia noite e Haruki ergueu a caneca de cerveja, acompanhado de Akihiko. Ambos preferiam celebrar aquele momento com cerveja a champanhe. Era muito mais a cara deles e isso também parecia uma tradição que os dois iniciavam naquele momento.
— Esse foi um ano muito intenso de trabalho, eu quero agradecer a todos vocês por me darem a chance de fazer parte de uma banda tão incrível. — Nakayama falou, corando em seguida quando a mão de Akihiko ergueu-se até seus ombros e o massageou naquela região.
— Sem você, essa banda não existiria, Haru. — A voz do baterista próximo de seu ouvido o fez arrepiar, sorrindo bobamente em seguida. — E também não teríamos um cantor na banda se o Uecchi não tivesse nos apresentado ao Mafuyu.
Dessa vez foi Uenoyama quem corou, erguendo o copo com refrigerante. Não gostava de bebida alcóolica, mesmo que ninguém o impedisse de brindar o ano novo com uma taça de espumante leve.
— Eu não o teria levado para o ensaio se não tivesse aparecido do nada no meu lugar especial para dormir. — Ritsuka falou, tentando não transparecer a emoção das lembranças dos últimos meses.
Conhecer Sato trouxe uma grande transformação na sua vida. Até aquele momento ele não havia tido tempo ou vontade de pensar em relacionamentos amorosos, até mesmo a música parecia menos interessante para ele. No entanto, desde que o conheceu, as coisas passaram a ter um significado muito mais intenso em sua vida. Isso incluía a própria identidade.
Ritsuka estava se aceitando como ele era de verdade, compreendendo melhor seus anseios e os desejos que Mafuyu despertava nele. A vontade de estar ao seu lado era gritante, é verdade, assim como a vontade de fazê-lo bem, vê-lo sorrir sempre. Desde que recebera aquele olhar e o sorriso de amor à beira mar, Uenoyama tomou para si a necessidade de protegê-lo. Era uma ideia boba, poderia até parecer egoísta, mas para Ritsua, o namorado trazia cor e vibração para sua vida. E agora estavam juntos, não ainda oficialmente porque Haruki já havia imposto um limite.
Mafuyu também estava com um copo de refrigerante, igualmente a Ritsuka não gostava de bebidas alcoólicas, mas aceitou um espumante quando foi oferecido.
— Eu agradeço por todos vocês terem me aceitado. Esse ano, para mim, se mostrou gratificante. — Sato suspirou, olhando para cada um na mesa. — Tive medo de me afundar nas minhas dores mais profundas, eu estava perdido e sem saber o que fazer. Pensei que não conseguiria seguir em frente depois... — Ele respirou fundo e depois ergueu a cabeça e sorriu para os amigos e encarou os olhos ansiosos do namorado. Não era hora e nem lugar para falar das dores do passado e por isso Mafuyu balançou a cabeça e retomou sua fala. — Digo, vocês me ajudaram a me encontrar na música, eu aprendi muita coisa com a banda e desejo que no ano que vem nós possamos trabalhar juntos novamente. Eu prometo ser mais responsável e, por favor, conto com todos vocês para que minha evolução seja ainda maior nesse ano novo.
— Isso foi lindo. — Akihiko falou, brindando ao bater a caneca nos copos dos garotos. — Pode contar comigo para tudo. — Ele piscou e depois virou a caneca na boca.
— Obrigada pelas suas palavras, Sato. — Haruki passou a mão nos cabelos curtos, já não dava mais por falta dos fios longos, gostava até de mantê-los daquele jeito. Ele também virou a caneca e bebeu o conteúdo.
Ritsuka ainda olhava para Mafuyu, enquanto os outros dois pediam mais cerveja.
— Uenoyama-kun, está tudo bem? — Sato perguntou, pensando que havia sido grosseiro com ele por começar a falar sobre seu passado.
— Está tudo bem, eu só... eu só queria que você soubesse que estou aqui, pode falar comigo sobre o que você quiser. — Uenoyama respondeu, bebendo o refrigerante e pensando se não era hora de aceitar aquela espumante para comemorar o ano novo.
— Eu quero falar com você sempre, sobre coisas boas. — Sato moveu a cabeça, gentil como era, sorrindo para ele.
— Não, não quero que me procure apenas quando estiver feliz, eu quero estar ao seu lado quando você se sentir sufocado, quando não houver mais nada que possa fazer sozinhos. — Uenoyama pousou o copo na mesa, ignorando o retorno de Haruki e Akihiko com mais bebida. — Eu quero que você se abra comigo, não quero guardar segredos, eu odeio não saber como reagir ao seu lado, e tenho medo de fazer ou falar algo de errado para você porque simplesmente não sei o que está pensando.
Quando percebeu, havia erguido a voz mais do que o necessário. Ele abaixou a cabeça, mas não se desculpou pela sua reação. Sato havia ficado em silêncio, enquanto Akihiko tentava quebrar o gelo, tecendo comentários sobre a banda que havia subido no palco. Haruki concordou com ele, dizendo que o grupo estava se saindo bem, mas a verdade era que eles estavam preocupados com o relacionamento dos dois garotos a sua frente.
— Não se preocupe, Uenoyama-kun, eu não vou mais guardar segredos. — Sato voltou a falar e Haruki sentiu o ar voltar a circular com mais tranquilidade. — Obrigado por ser sempre atencioso comigo.
Ritsuka crispou os lábios, ele sentia o coração bater forte, ao mesmo tempo que seu corpo exigia um contato mais próximo de Mafuyu. Ele então suspirou, e pediu desculpas mentalmente para Haruki pelo o que iria fazer no segundo seguinte.
Assim que se virou, abraçou Mafuyu e o beijou nos lábios ao início da contagem regressiva para o ano novo, ignorando o apelo de Nakayama para que eles não fizessem aquilo na frente de todo mundo ou os fãs poderiam ver.
— Relaxa, deixa eles aproveitarem. — Akihiko abaixou a cabeça até o ombro de Haruki e o beijou no pescoço. — O que me faz lembrar de uma coisa que eu esqueci.
— O que é? — Haruki virou, arrepiado com o beijo no pescoço. Em seguida, sentiu os lábios de Kaji sobre os seus e ao redor apenas pessoas gritando animadas com o ano novo que se iniciava.
O ano novo para a banda Given havia iniciado com o pé direito.
Notas finais
Comentem
Fale com o autor