Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
44 Capítulo 44: Contando para Draco
Notas iniciais
P.O.V. Lucy 2
O final de semana foi o pior de toda a minha vida.
Me senti tão perdida nessas últimas horas. Me desesperei por completo, e senti que não agüentaria levar isso à diante se Draco não aceitasse esse filho. Não posso criá-lo sozinha, não tenho condições. E não quero contar pros meus pais, não se tiver que fazer isso sozinha. Tenho medo do que possa me acontecer daqui por diante.
Ana aconselhou-me a não mandar uma coruja à Draco, e não mandei. Mas foi difícil agüentar, já que ele é o pai, deveria estar aqui comigo procurando uma solução que fosse a melhor pra nós. Mas, sinceramente, temo que ele não aceite essa criança, e eu fique sozinha.
Eu não suportaria perder Draco. O amo muito, e sei que ele me ama também. Mas temo que ele não aceite a sua atual situação, e me deixe por medo. Ele seria capaz disso, eu sei. Por mais que ele tenha mudado depois de tudo, sei que nem é capaz de fazer isso comigo.
Aninha provavelmente arrumou um jeito de tomar algum remédio também. Ela tentou disfarçar, mas sei que pegou ingredientes demais para preparar uma poção só. Eu deveria ter seguido o exemplo dela, mas nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo. E pelo visto Draco também não. Ele é o professor de poções que tem acesso a todos os ingredientes possíveis, seria muito fácil para eu fazer algo do tipo. Mas as conseqüências das noites perdidas ao lado dele nunca foram pensadas, e confesso que eu nunca imaginei que algo do tipo poderia acontecer.
Mas eu tenho quinze anos, e Draco já é um adulto. Ele deveria me alertar, e me proteger. Mas parece que até ele mesmo esqueceu-se do que poderia acontecer.
Agora já era tarde demais. Eu, provavelmente, estou com mais de um mês. Um mês e meio, se eu contar desde a nossa primeira vez esse ano.
Em 1995 éramos tão inconseqüentes quanto agora, mas nada aconteceu. Acho que não poderia engravidar naquele ano por se tratar do passado. E, com isso, acabei me acostumando a nunca tomar cuidado.
Imprudência minha.
Foi Harry que contou à ele que voltaríamos esse ano para Hogwarts. Depois da batalha, e depois de fazerem as pazes, Harry resolveu contar para Draco tudo o que sabia sobre nós. Mais uns anos e Draco o convenceu de que ambos deveriam voltar para Hogwarts como professores para ver se era, de fato, verdade.
Draco sabia do tamanho do amor de Harry por Ana, e arquitetar um plano que incluísse Harry e ele na grade de professores esse ano não foi difícil. Harry concordou com tudo, estranhamente, ele e Draco viraram cúmplices de um plano para retornar. O que era uma prova de amor maravilhosa. Harry ama Aninha como nunca amou Gina, e sei que Draco me ama também como nunca amou ninguém.
Mas agora, esse amor havia se tornado um novo ser que crescia dentro de mim. Um Malfoy estava para vir ao mundo, e com uma garota que nem é sangue puro.
Se Lucius souber disso, é capaz de odiar Draco pro resto de sua vida.
A manhã de segunda-feira chegou, só que minhas olheiras não foram embora com elas. Chorei durante todo o fim de semana, em todos os momentos que me lembrava da minha situação. Aninha me fez companhia, e percebi que estava deixando-a tão depressiva quanto eu, e sabia que dentro dela algo de muito ruim se passava. Acho que Ana não vai ficar mais com Harry. Ela é correta demais pra isso, e não quer separá-lo de Gina e de seus filhos por mais que ele a ame muito.
Mas Ana tinha Luke, e ele era encantador. Nunca vi um garoto ser tão apaixonado e deslumbrado assim por alguém. Nem mesmo Harry demonstrava tanto amor, apesar de eu saber o quanto ele sentia, e ainda achar que ele é o homem certo para Ana. Por mais que ela goste de Luke, sei que nunca se esquecerá de Harry.
Agradeci por ela não ter contado nada à ele, e por ele ser muito discreto. Ganhou a minha amizade só por apoiar Ana em tudo, sem sequer questioná-la.
Mas agora que o fim de semana passou, eu deveria enfrentar o que eu tinha de fazer. E nessa tarde, quando encontrasse com Draco, eu contaria tudo a ele. Só me resta ter coragem nesse momento tão complicado.
Durante as aulas fui ensaiando em minha mente as palavras que usaria, mas tudo em vão. Sabia que eu não conseguiria falar nada do que planejei, pois, por mais que eu tentasse, acho que não sairia nada das desculpas que pensei em dar à ele.
Aninha já não falava no assunto, eu pedi à ela para conversarmos só depois que eu contasse. Mas o clima foi estranho na aula do professor Potter.
Ana não conseguia sequer olhá-lo nos olhos, e fingia que não estava bem para não responder nada. Ela ficou quieta o tempo inteiro, mas Harry não conseguiu tirar os olhos da minha amiga.
Foi constrangedor. Harry parecia tão feliz por vê-la depois de tudo, e ela o ignorando por completo, o que o fez se entristecer um pouco, deu pra ver.
~oOo~
Draco me esperava em sua sala. Marquei com ele às duas horas da tarde, e quando o relógio bateu senti um frio na barriga. Não queria contar para ele sobre minha gravidez, e esperaria o máximo que desse para fazê-lo. Mas, provavelmente, Ana conversaria com Harry essa tarde também, e Draco descobriria o porquê dos dois terminarem outra vez. E a culpa era totalmente minha. Ana estava tão feliz na manhã de sábado, após dormir com Harry, e eu estraguei tudo da maneira mais estúpida. Que Harry me perdoe por tirá-la dele outra vez.
Draco estava me esperando enquanto corrigia os pergaminhos com os deveres dos alunos.
– Olá. – Disse com a voz rouca, quase sumindo por causa do choro constante.
– Oi minha princesa. – Draco disse carinhosamente enquanto puxava-me para sentar em uma de suas cadeiras, e trancou a porta. – O que houve com você? Parece estar doente.
– Doente exatamente não. Mas não estou bem. – respondi, ainda não tendo a coragem de dizer o por quê.
Draco chegou perto de mim e acariciou os meus cabelos. Puxou uma cadeira e se sentou de frente, o que me deixou ainda mais nervosa. Eu não queria contá-lo, mas precisava.
– Eu vou cuidar de você. O que está sentindo? Posso te dar um remédio. – Ele ofereceu, e depois me deu um beijo carinhoso.
Os lábios dele eram a minha perdição. Eu adorava beijá-lo, e por mais que fizesse sempre queria mais. Ele era incrivelmente bom naquilo também, e duvidei que existisse alguém em todo o planeta que fosse tão perfeito quanto ele pra mim.
– Não preciso de remédios. Quer dizer, talvez eu vá precisar no futuro. Mas é que... – Minha voz falhou. Draco ouvia-me com atenção, enquanto ainda passava as mãos pelos meus cabelos.
– O quê? – ele perguntou sem entender exatamente o porquê de tanto mistério da minha parte. – Está me deixando preocupado Lucinha. Aconteceu alguma coisa?
– Não, é que... eu deveria tomar alguma coisa pra evitar gravidez? Quer dizer, a gente não toma precaução nunca.
– Bom... eu não pensei nisso. – Draco respondeu parecendo assustado. Provavelmente ele percebeu o quanto nós fomos inconseqüentes. – Até tem uma poção que você poderia ter tomado, mas eu não aconselho. Ela é muito forte, pode te deixar estéril se for preparada errada, sabe? Eu nunca a fiz, claro. Eu não preciso, mas deveria tentar dia desses e experimentar num ratinho, de repente.
– A poção deixa estéril? Mesmo? – perguntei incrédula. Se Ana tomou essa poção, ela provavelmente não sabia disso.
– Você não tomou, não é? – Draco perguntou, assustado.
– Não... – respondi. E temi por Ana.
– É uma poção que deve ser feita com cuidado e deixar um dia inteiro dentro da água para não ter o efeito inesperado.
Senti um tremor tomar meu corpo por completo. Algo me dizia que Ana havia tomado essa poção, e eu deveria alertá-la. Talvez agora fosse tarde demais, mas ela não sabia das suas conseqüências. E a culpa era totalmente minha.
Draco ainda me olhava ansioso. Ele não entendeu o que eu estava querendo com aquele assunto, já fazia cara de medo.
– Está muito pálida, Lucy. O que houve? Por que quer saber dessa poção?
– É que... Ana tomou uma no sábado depois de ficar com Harry.
– E era essa mesma? Quer dizer, só existe uma em todos os livros.
– A culpa foi minha. – Confessei. Senti meus olhos arderem outra vez, e algumas lágrimas caírem. – Ela tomou porque eu disse à ela que... que estou grávida.
Draco paralisou por um momento. Seu olhar ficou frio, e sua face não esboçou nenhuma reação durante algum tempo. Ele parecia tentar absorver a informação, mas parecia não acreditar no que ouviu.
Levantou-se de sua cadeira e se pôs de costas para mim.
Senti medo. Passaram-se pelo menos cinco minutos até ele se virar outra vez. O olhar chocado, a boca aberta e suas mãos tremendo.
– Grávida? Tem certeza? – perguntou.
– Absoluta. De mais de um mês. – respondi, ainda em prantos.
Os soluços começaram logo após, e senti meu corpo amolecer com o medo e a angústia tomando conta dele.
– Um mês. – Draco repetiu, sem nenhuma reação positiva.
– Me perdoe. Eu não queria ter um filho, mas eu não posso mudar isso mais.
Draco andou por toda a sala. Suas mãos pareciam nervosas e tremiam bastante. Seus olhos entregavam o quanto estava desesperado, mas sua reação era sempre a mesma. Ele não conseguia dizer nada, e engolia o ar em busca de fôlego.
– Eu não sei o que fazer. – disse já não suportando aquela situação. – Me ajude a pensar, por favor eu não quero passar por isso sozinha.
– Eu tenho família, Lucy. Eu tenho uma casa, uma mulher e um filho. O que eu vou fazer? Não sei no que posso te ajudar a pensar, só sei que estou ferrado! Vou perder o meu emprego aqui – não que ele seja grande coisa – e meu pai não me perdoará. Ele apoiou meu casamento com Astoria desde o primeiro momento em que a viu. Eu não sei o que fazer também. – Draco respondeu desesperado.
– Certo. – foi a única coisa que consegui dizer.
– Eu preciso de um tempo para pensar exatamente em como vamos nos livrar dessa. Preciso de um plano, de ajuda.
Não acreditei no que ele disse. Livrar? Então era isso, mais fácil se livrar de mim e de meu filho do que assumir as responsabilidades.
– Claro. – respondi, em meio a tantas coisas a dizer. Se o plano era livrar, eu já sabia como.
Levantei-me e saí da sala dele logo após, sem dizer mais nada. O deixaria pensando no que fazer, enquanto eu também faria o mesmo.
Rumei para a biblioteca. Foi o primeiro lugar que pensei depois de tudo.
Encontrar o livro em que Ana achou as receitas das poções não foi nada difícil, e percebi que fazê-lo também não.
Se eu fui a culpada por Ana estar estéril, eu faria companhia à ela.
Eu não me importava com aquilo, com o que eu estava por fazer. Mas Draco receberia sua lição.
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