Notas iniciais
A partir daqui a história se encaminha para o final. As coisas já não estão naquele romancezinho entre adolescentes bobo e previsível. Lucy e Ana já estão perto do fim - será esse feliz? obrigada á todas que chegaram até aqui. O capítulo de ontem gerou polêmica, pois ninguém jamais imaginaria um romance tão surpreendente e capaz de loucuras como esse. Mas vale ressaltar que há um pouco de vida real nesse mundo tão imaginário. E pra gerar mais polêmica, o capítulo de hoje é o começo do fim - ou o começo do começo, depende de como cada uma vê. Boa Leitura.

Dezembro entrou da melhor maneira possível.

Senti o corpo de Harry abraçado no meu, completamente à vontade e tão confortável que meu desejo era que o tempo parasse e nunca mais precisar sair dali. Parecia tudo um sonho perfeito demais, que a qualquer momento vai deixar de existir, e a minha realidade voltará para me estapear um pouco. Mas enquanto aquilo me era permitido, aproveitava cada segundo.

Virei-me para vê-lo dormir. Seu rosto parecia sereno e tão feliz ao mesmo tempo, que pude imaginar que mesmo dormindo ele sabia que eu estava ali do seu lado, e seu rosto refletia isso. Seu corpo estava quente, suas costas eram macias e seu cheiro era a melhor fragrância do mundo inteiro para mim. Em seus braços senti que nem minha própria casa parecia ser tão acolhedora, tão confortável.

Agradeci por não ter fotos de Gina ali. Normalmente, fotos dos bruxos se movem, e eu não gostaria de vê-la encarando-nos, mesmo que fosse sorrindo com seus filhos em volta. Perguntaria a Harry o porquê dele não ter fotos de sua família por perto, com exceção de seus pais.

Já era quase sete da manhã, e eu precisava arrumar um modo de voltar para Grifinória antes que alguém desse por falta de mim lá. Arrumaria uma desculpa qualquer, se caso as garotas já estivessem acordadas, mas precisava voltar antes do café da manhã. Provavelmente Harry viajaria hoje, já que não fora para casa no dia anterior, e mesmo aquilo me causando um ciúme tremendo, eu sabia que era necessário.

Mexi em seus cabelos, agora muito mais rebeldes pela movimentação da madrugada anterior, mas ainda assim muito bonitos e macios. Harry abriu os olhos devagar, tentando focar-me mesmo sem seus óculos, o que achei que não aconteceria, então os peguei para ele.

– Bom dia meu amor. – Harry disse com um imenso sorriso nos lábios.

– Bom dia. – respondi, e sabia que meu sorriso estava tão grande quanto o dele. – Desculpa te acordar, mas eu preciso voltar para Grifinória o mais rápido possível. Já está tarde, e provavelmente todas as minhas colegas já acordaram.

– Mesmo? Achei que gostaria de passar o dia inteiro trancada aqui comigo.

– Eu adoraria, mesmo! Mas não dá, já estamos arriscando muito.

– Eu sei. Me desculpe te meter em tantas confusões assim. – Harry parecia pensar em tudo o que passamos. Realmente eu arrumei muitas confusões por sua causa. – Acho que passamos do limite.

– Eu não quero pensar nisso agora. – pedi. Eu realmente sabia o quanto aquilo era errado, mas eu não estava com vontade de carregar as conseqüências logo cedo. Foi tudo tão perfeito, tão doce e maravilhoso, que era burrice estragar nosso momento assim.

– Eu te amo Ana. Não ache que eu digo isso à toa, nem que eu faço pra te prejudicar. Eu te amo mesmo, e esse amor é uma das provas mais difíceis que eu passei em minha vida. Digo isso, porque eu sempre guardei dentro de mim, e em qualquer dificuldade em que passava, eu me lembrava de você, de como eu daria tudo o que eu tenho pra te ver outra vez.

– Eu sei Harry. Eu também te amo muito. – Harry quase me fez chorar. Mas não era o momento para tal coisa, pois já estava mais do que na hora de ir para meu quarto.

Levantei-me e senti um pouco de dor por causa da noite anterior. No momento, não senti muita coisa, mas agora a situação parecia diferente. Alonguei-me um pouco, e vesti minhas roupas enquanto Harry observava-me atento, parecendo gostar de meus movimentos e os guardando para si mesmo.

– Vai para casa hoje? – perguntei, pois sabia que ele ia todos os fins de semana. – Acho que deveria ir.

– Eu estava pensando em ficar o fim de semana com você. – Harry parecia desejoso, mas aquilo não era uma boa idéia.

– Não acho isso certo. Deveria ir para casa, passe o fim de semana com seus filhos. Nos vemos depois, eu juro que não ficarei magoada. Conheço perfeitamente sua atual situação.

– Mas... – Harry queria protestar. Parecia magoado com o fato de lembrá-lo dos seus compromissos de pai logo pela manhã. – Tudo bem, você está certa.

Dei um último beijo nele antes de ir para Grifinória. Alguns alunos já saíram de suas casas para o café, o que me deixava mais à vontade de andar por aí e voltar para a Grifinória sem parecer muito suspeita, mesmo estando de roupão.

Entrei na torre, e vi poucos alunos na sala comunal. Agradeci por não ver Luke, afinal não sabia como encará-lo depois de tudo, ainda mais sabendo que ele sentia algo por mim que eu ainda não podia retribuir.

Entrei em meu quarto, e nenhuma de minhas colegas perguntaram aonde eu fui. O que era esplêndido, pois ninguém sentiu minha falta durante a madrugada. Tomei um banho com bastante cuidado, arrumei-me para o café e desci. Precisava contar à Lucy o que havia acontecido comigo e Harry depois que ela e Draco sumiram da torre.

Luke sentou-se ao meu lado como de costume, e fingi muito sono para não ter que conversar com ele sobre o porquê de estar tão calada e cansada.

Na maioria das manhãs eu era exatamente assim, e ele apenas se contentava em fazer-me companhia. Vi que era uma péssima amiga, que nossa situação estava muito crítica e que talvez era preciso me afastar dele para seguir com sua vida normalmente. Existiam tantas outras garotas que poderiam fazê-lo feliz, e ele perdendo seu tempo comigo, que era complicada demais, e sabia que também era chata demais para ele.

Acabei o café e fui até o jardim esperar por Lucy. O tempo estava frio e a neve não demoraria a cair, mas o ar puro me faria bem essa manhã. Ela chegou momentos depois, com um sorriso de orelha à orelha, radiando felicidade. Duvidei que Lucy tivesse algum remorso em sua vida. Tudo para ela sempre parecia tão perfeito e normal.

– Bom dia Aninha. – Lucy disse abraçando-me apertado, o que me fez recuar o mais rápido possível, pois ainda não me sentia confortável e bastante dolorida.

– Bom dia Lucy. Como passou a noite?

– Quer que eu te conte? – ela respondeu com um sorriso malicioso.

– Não, obrigada. Já não preciso saber de seus detalhes se tenho os meus próprios.

– Como assim? – Lucy surpreendeu-se por um momento.

Sorri. Dizer aquilo era bastante constrangedor, mas eu estava feliz por ter acontecido.

– Dormi com Harry. – respondi com muita vergonha, mas ainda assim bastante contente.

– Você dormiu? Depois da torre de astronomia, no quarto dele? Quer dizer, só dormiu mesmo ou...?

– Talvez tenha feito mais do que só dormir. – confessei, sentindo meu rosto esquentar em meio ao frio que fazia.

– Mesmo? Não acredito, você tão cheia de juízo, e Harry tão certinho. Como aconteceu?

Contei á Lucy sobre como fomos parar no quarto de Harry, e mais algumas coisas, deixando detalhes de lado, pois eram constrangedores demais.

– Uau! E eu achando que Draco e eu éramos os únicos loucos. Parabéns, eu sabia que não agüentaria muito.

– É. Parece que dezembro chegou, e com ele o meu juízo se perdeu. – disse na tentativa de fazer uma rima e uma piada. Mas percebi Lucy ficar branca de repente, e não entendi bem o porquê. – Lucy?

– Já estamos em dezembro? – ela perguntou, tentando encontrar algum lugar para se sentar.

– Estamos. Você está bem? Está pálida, o que houve? – perguntei, enquanto ela se sentava num toco de arvore. – O que tem ser dezembro?

Lucy respirou um pouco, mas aquilo não parecia dar à ela ânimo. Parecia que sua face ia ficando cada vez mais branca, e aos poucos ela tentava se recuperar, mas não era o suficiente.

– Vou te levar à enfermaria. – ofereci, tentando pegá-la pelo braço já que ela não me dizia o que estava acontecendo.

– Não! Não posso ir para lá, eles vão descobrir.

– Descobrir o que? – Tudo o que Lucy dizia não fazia o menor sentido para mim. – Lucy, está me preocupando!

– Eu acho que... Não, eu já tenho certeza disso. Quer dizer, eu não tomei cuidado, nós não tomamos. Foi passando os dias e deixamos nos levar.

– Lucy, ainda não to entendendo! – Já estava me irritando com aquela situação.

Lucy encanrou-me, e vi que tinha lágrimas em seus olhos. Sentei ao seu lado, e tentei vez se ela estava delirando de febre. Parecia normal.

Então parei um momento para pensar, e minha conclusão chegou a apenas uma coisa que era tão obvia quanto à sua preocupação e mal estar.

– Lucy, não me diga que está... Não pode ser!?

– Acho que sim, Aninha. Devo estar grávida, e provavelmente de mais de um mês já.

Notas finais
Nessas circunstancias, Ana e Lucy tem de tomar uma decisão muito difícil a partir daqui (me refiro ao romance) Como acham que Draco vai se portar quando souber que Lucy está grávida? Alguém quer um POV da Lucy depois dessa? Beijos e não esqueçam de comentar ♥