Notas iniciais
Pergunta: Na torre de astronomia tem telescópios? é uma informação que eu realmente não sei. Se não tiver, vamos fingir que tem hsuahusuhauhshuashua Boa Leitura ♥

O remorso parecia ter tomado conta não só de mim, mas de Harry também. Durante suas aulas nos dias seguintes, ele parecia não querer sequer me encarar, e quando nossos olhares se cruzavam sem querer, via o constrangimento bater em seus olhos. Se fosse antes, talvez, não seria exatamente assim. Harry agora tem Gina, e sabe que por mais que nos amamos, o que fizemos foi errado.

Não mais errado do que Lucy e Draco, mas eles não estavam nem aí pra nada. Era incrível como Lucy se deixava levar pelas coisas sem pensar nas conseqüências. Se fosse eu, estaria morrendo por dentro – acho.

Na verdade, eu gostaria muito saber o que eu estaria sentindo agora se estivesse no lugar dela. Se eu e Harry ultrapassássemos os limites e nos entregasse por esse amor tão profundo e sofrido. A minha curiosidade certamente não seria morta, desde que o pouco de juízo que eu e Harry temos permaneça entre nós.

“Pra você perder o seu, minha amiga, basta o Harry trancar a porta do quarto.” Lucy disse isso pra mim depois de ter se deitado com Draco outra vez. Ela deu discurso dizendo que eu sentiria algo tão profundo e forte, talvez até mais forte do que ela, e eu não consegui mais tirar isso da minha mente. Confesso que em outros momentos isso jamais seria aceito por mim, mas acho que as coisas mudaram com o tempo. Apesar de ter apenas quinze anos – ou quase dezessete já, pelo tempo que passei junto a Harry em 1995 -, acho que algo dentro de mim despertou de uma forma extremamente forte.

O fim de semana chegou, e Lucy havia planos com Draco. Planos esses que eu não queria saber o que era de jeito nenhum. Eu a veria apenas no almoço e talvez no jantar. Só espero que agora ela tenha um pouco mais de cuidado, já que Draco não é mais um aluno do quinto ano, e sim seu professor de Poções. Ninguém poderia saber a relação que existe entre eles, e temi que ela fosse descoberta e exposta pra todos.

Luke me fazia sempre companhia, o que deixava as outras meninas morrendo de inveja e angústia, pois, eu era muito nova ali e já havia conquistado o garoto mais cobiçado entre as casas.

Luke não parecia se importar com isso, ele sempre era muito gentil com todas, conversava e brincava, mas nunca me deixava um segundo sequer sozinha, ao qual eu era muito grata. Diversas vezes Harry me viu em sua companhia.

Mas eu e Harry já não nos falávamos mais, e por algum tempo foi assim. Ele dava suas aulas normalmente, eu era boa já em defesa e sempre fazia todos os deveres e ganhava ótimas notas. Não o via a tarde, só nas horas das refeições, e nos fins de semana ele ia pra casa, e voltava no domingo à noite.

Durante dois meses foi assim. Lucy e Draco namorando, mais parecendo em lua de mel, eu e Harry tendo uma normal relação entre aluno-professor. Não falávamos mais que o necessário, nos evitávamos o máximo que podíamos e as coisas estavam indo muito bem dessa forma.

Ignorar Harry estava dando certo. Pelo menos até o final do segundo mês.

***

O frio já tomava conta de todo o castelo. No final do dia, numa sexta-feira, Luke me esperava com marshmallows e chocolate quente frente à lareira da sala comunal da Grifinória. Ele era o melhor amigo que alguém poderia ter, mas eu já me sentia muito desconfortável tratando ele sempre assim. Sentia que as esperanças dele aumentavam sempre que dizia o tempo em que eu e meu “ex” não nos falávamos, e ele já achava que eu o esquecia aos poucos, o que não era verdade. Cada dia sem falar com Harry era uma luta, e eu sempre sofria por isso. Talvez até mais do que quando ele pediu pra me afastar dele por causa do Lorde das Trevas.

– Pelo menos se lembrou da hora. – Luke disse enquanto espetava os doces nos palitinhos. Eu sempre me atrasava em tudo mesmo, ainda mais se tratando de encontros com ele, pois minha mente sempre estava tão focada nos estudos pra não me lembrar das coisas do dia-a-dia, que a hora às vezes passava despercebida.

– Já te pedi mil desculpas por causa disso.

– Eu já perdoei mil vezes.

Luke sorria sempre, o que me confortava. Saber que eu era motivo de alegria pra alguém era muito bom, já que para Harry eu representava sofrimento.

Sentei-me ao seu lado, no chão. Luke abraçou-me e pude encostar minha cabeça em seu ombro. Eu adorava o cheiro de suas roupas, era doce e ao mesmo tempo nada enjoativo.

As garotas já haviam perdido as esperanças, e eu não fazia mais questão de dizer que não havia nada entre nós, mesmo que realmente não houvesse.

– Ana? – Luke chamou minha atenção minutos depois. – Eu sei que você não gosta desse assunto, mas eu preciso perguntar: como anda com... ele?

– Você sabe que não falo com ele há muito tempo. Dois meses, pra falar a verdade. E acho que estou bem assim. – esclareci.

– Mas, enquanto você não terminar esse assunto, você não ficará em paz.

– Já me sinto em paz. Ainda mais agora. Podemos ficar aqui pra sempre? – perguntei rindo, mas Luke não parecia pra brincadeiras essa noite.

– Eu quero que você vá procurá-lo. Eu vejo o quanto você ainda o ama muito, e sofre por ele. E eu não agüento te ver assim, sem poder fazer nada, sem poder te dar um conselho bom, ou ir até lá e dar uns tapas nele pra ver se acorda pra vida, e veja o quanto você é perfeita.

– Você é o único que acha isso.

– Eu tenho certeza que não. E sei que ele, provavelmente, está louco pra falar com você também. Eu não sei porque vocês não estão juntos, mas sei que enquanto você não terminar esse assunto entre vocês, não estará livre para... – Luke parou de falar. Na verdade nem precisava continuar. Ele gostaria de ter meu coração livre, pra quem sabe um dia nós dois começarmos uma história só nossa, com ninguém pra atrapalhar.

– OK. Eu vou procurar Harry. – disse, sem perceber que eu falei o nome dele.

– Harry? – Luke repetiu. – O nome dele é Harry? Mesmo?

– Eu disse Harry? – assustei-me. Quantos Harry’s tinha em Hogwarts para me safar dessa?

– Disse. Ele se chama Harry então?

– Não... Talvez. Pode fingir que não ouviu? Eu ainda não quero ter que explicar nada.

– Claro. – Luke respondeu, mas não me pareceu que o convenci. Abri uma porta de dúvidas para ele, provavelmente procuraria todos os Harry’s de Hogwarts até encontrar os que se encaixariam melhor.

Eram duas da madrugada quando Lucy me mandou um bilhete por uma coruja querendo falar comigo. Achei esquisito ela querer ter uma conversa de madrugada, mas levantei-me imediatamente e fui até o buraco do retrato, onde ela já me esperava.

– O que foi de tão urgente que não poderia esperar até amanhã? – perguntei baixinho, esperando que Filch não aparecesse, ou a nova gata observadora dele, a Senhora Mihmi.

– Comigo? Nada. Mas Draco pediu-me para escrever esse bilhete à você, e disse pra nós duas aguardarmos aqui.

– Draco? Por quê? – não entendi bem a situação. O que Draco queria de mim?

Minha resposta foi dada no segundo seguinte à minha pergunta. Draco vinha com Harry logo atrás dele, o que me surpreendeu de imediato. Harry não falava comigo à dois meses, e do nada pede pra conversar às duas da madrugada?

– Vai começar daqui a pouco. – Draco disse à Lucy, logo após dar um beijo nela que me deixou muito constrangida.

– O que vai começar daqui a pouco? – perguntei, aquela situação estava muito esquisita.

– A chuva de meteoros. Lembra que na aula de astronomia o professor disse que teria uma essa semana? – Lucy esclareceu.

– Estamos indo ver da torre de astronomia. – Harry disse. – Não há ninguém lá porque o professor proibiu os alunos de ir verem de madrugada. Mas nós vamos, porque somos professores também.

– OK. – sorri, ou tentei sorrir perante aquela situação. Não parecia legal fugir ás duas da manhã pra ver uma chuva de meteoros.

Lucy e Draco foram à frente. Iam de mãos dadas e se beijando de vez em quando, o que me deixou desconfortável, já que eu e Harry não falamos nada durante todo o percurso.

Chegamos à torre de astronomia bem na hora de ver alguns meteoros começarem a cair. A olho-nu via-se uns poucos, mas quando usávamos os telescópios dava pra ver todos eles caindo.

A torre estava escura, pois não queríamos chamar a atenção. E o que exatamente eu esperava ficando ali com eles, eu não sabia.

– Olhe esse. – Harry puxou-me para o seu telescópio, para me mostra o maior que estava caindo. – Faça um pedido.

Olhei para Harry e sorri.

– Como assim faça um pedido? Você não acha que isso realmente funciona, não é?

– Já funcionou comigo.

Encarei Harry, séria. Era engraçado como um bruxo como ele, que já viveu tantas situações críticas e perdeu tanta gente, ainda acreditava em coisas bobas como essa. Mesmo com a vida dando-lhe tantas rasteiras e tantos motivos pra ele ser tão racional e nada sentimental, sabia que o ponto forte de Harry eram seus sentimentos. Ele era capaz de amar até Draco, e depois de tudo isso eu até duvidei que eles não houvessem se tornado pelo menos amigos.

– E o que foi que pediu? – perguntei depois de algum tempo tentando olhar para ele. Estava muito escuro, e a visão não se acostumava com a falta de luz.

– Foi há algum tempo atrás, quando fugia com Hermione. Estávamos acampados num lugar extremamente frio, e não havia nada ao redor, só o céu e as estrelas. Então uma caiu, e eu desejei... – Harry parou de falar e aproximou-se mais de mim, o que me fez arrepiar com a expectativa do que viria depois. – Eu desejei poder te ver mais uma vez, nem que fosse por um minuto.

Foi inevitável não querer beijá-lo. Dessa vez o impulso foi meu. Ter Harry tão perto de mim era tentador demais, e eu não conseguia mais ter que ignorá-lo. Tava mais do que na cara que ele me amava demais, e que por mais que nossa situação fosse difícil, esse amor duraria pra sempre. Se nove anos longe de mim não bastaram pra me esquecer, imagina agora que nos vemos quase todos os dias? Acho que Harry jamais deixaria de me amar, acontecesse o que for, viesse quem quer que seja, ele ainda continuaria me carregando junto dele, dentro de seu coração.

E comigo não seria diferente.

Notas finais
Ah Ana, que indecisão essa sua hem? Confesso que até eu já tô shippando ela com o Luke. Mas aí chega o Harry, e eu volto a shippar Anarry shuasuhahshuahu Prometo que a história terá o mesmo tanto de capítulo quanto Hogwarts em 1995. Até porque não tem muita coisa a se escrever. Obrigado às leitoras que sempre comentam. Me faz querer escrever mais pra vocês ♥♥ Ahhh, ontem eu recebi um comentário em outra história minha, que o perfil da garota se chamava Luci Malfoy :OOOO Eu encontrei a Lucy gente, sério kkkkkkkkkk Beijos e até o próximo.