Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
38 Capítulo 38: Depois do encontro com Luke
Notas iniciais
Soltei-me de Luke num impulso que quase me fez cair pra trás. Eu realmente não queria continuar com aquilo enquanto Harry não saísse de dentro de mim. Na verdade, meu corpo inteiro clamava por mais beijos dele, e era como se rejeitasse Luke por completo por não ser exatamente igual à Harry. Isso era muito, e eu tinha consciência.
Luke olhava-me enquanto tentava recupera o fôlego. Poucas lágrimas caíram dos meus olhos, mas não era uma emoção positiva.
Afinal de contas, o que ele estava pensando? Eu o conhecia a tão pouco tempo, e já estava agarrada com ele na torre de astronomia?
A torre de astronomia... Enquanto indignava-me pelo fato de Luke ter me beijado tão de repente, percebi onde eu estava. No meu íntimo, aquilo era como trair Harry e toda a nossa relação, pois aquele lugar tinha um significado maior pra mim. Foi ali que demos nosso primeiro beijo, em que nossa história começou pra valer, e eu não podia começar outra ao lado de Luke no mesmo lugar que Harry.
Mas já era tarde demais.
– Me perdoe Ana. – Luke começou a falar, e percebi que minha voz havia sumido completamente. – Eu não trouxe você aqui pra fazer isso... quer dizer, eu até planejei algo assim, mas eu não tinha a intenção de te assustar. Eu não queria te magoar, pois sei que ainda gosta do seu namorado.
Luke andava de um lado para o outro enquanto eu ainda tentava me mexer. Minhas pernas estavam grudadas no mesmo lugar de quando me empurrei dele, e minha mão ainda estava presa em minha boca, como se eu não acreditasse no que havia feito.
– Eu só queria conversar com você. Por favor, não me odeie. Eu gosto muito de você, gostei desde o primeiro dia, e acreditei que você também pudesse gostar de mim da mesma forma, porém não contava com o fato de você ter outra pessoa que ama tanto tão perto de você. Eu sinto muito, eu sei que fui mais do que precipitado.
Abaixei a mão que estava em minha boca. Aparentemente os beijos dados em dois dias por pessoas completamente diferentes surtiam efeitos completamente diferentes dentro de mim, mas por fora eu poderia dizer que estava igual. Eu não sabia o que dizer, e eu não queria dizer nada outra vez, mas era preciso.
– Luke... eu gosto de você também. Tem sido um grande amigo pra mim em tão pouco tempo. Tem me ouvido, me dado conselhos e até se preocupado comigo. Mas eu realmente não esperava por isso, apesar de Mirtes ter me dito que você parecia apaixonado por mim. – comecei, e senti que seria muito difícil dizer para o Luke o que sentia. – Eu sinto muito, e eu soube desde o início que eu poderia gostar de você, tem tudo pra ser perfeito pra qualquer garota. O problema é que, por mais que eu não queira mais, eu amo... – parei nesse instante percebendo que quase havia dito o nome dele. Por mais que houvesse mais Harry’s em Hogwarts, não era prudente dizer assim. – Eu ainda amo meu namorado, e pude perceber isso ontem quando nos encontramos. Mas eu não quero mais amá-lo, e não quero te magoar também.
– Eu entendo perfeitamente. – disse Luke percebendo o quanto aquilo era difícil pra mim.
Essas situações sempre acabam magoando alguém, mas acho que no meu caso, todos sairiam magoados. Não tinha muita coisa a se fazer em relação a esse triângulo amoroso que eu acabei de me meter.
– Acha que algum dia você irá esquecê-lo? – Luke perguntou, enquanto sentava-se numa cadeira próximo a mim.
– Eu não sei. Mas eu tenho que esquecer, entende? – Respondi da forma mais complicada do mundo. – Eu gostaria muito de continuar com ele, mas há algo que nos impede. Por favor, não pergunte o que é. Minha situação é muito pior do que parece, e eu só gostaria de poder esquecê-lo do dia pra noite, sem usar magia, é claro.
– Então há algo que prende vocês, mas ao mesmo tempo impede de ficarem juntos? – Luke perguntou, só que mais parecia uma conclusão.
– Isso aí.
Ficamos calados por um tempo, e o constrangimento tomou conta de nós de tal forma que senti minhas bochechas esquentar de vergonha. Era incrível como Hogwarts sempre me trazia situações assim.
– Por favor, eu ainda quero ser sua amiga. – pedi.
– Você nunca vai deixar de ser. – Luke respondeu, e me deixou aliviada por isso. – Você ainda é a garota que eu gostei desde o primeiro momento que vi. Desculpa se isso te deixa numa situação pior do que estava. Mas eu vou estar do seu lado todos os dias que precisar. Pode parecer estranho pra você, um garoto que mal conhece já se declarar assim, mas não é estranho pra mim. Sinto que você passa pelo mesmo que eu passei, e quero ajudar. E quem sabe no final disso tudo, quando você finalmente achar que esqueceu seu namorado, a gente possa tentar.
Dizer não ao Luke seria como mentir a mim mesma. Eu gostava dele, e ninguém parecia mais perfeito pra me consolar no momento em que eu finalmente dissesse adeus à relação que eu tinha com Harry. Por mais que ainda tivesse esperança de que algo me unisse à ele, eu sabia que não era possível. Harry pertencia à Gina, e não à mim.
E como essa conclusão me doía.
– Talvez no final a gente possa tentar. – respondi sorrindo. Mas a expectativa de isso acontecer não era exatamente positiva dentro de mim. Aceitar Luke era aceitar meu fim com Harry.
Luke beijou minha testa e disse um obrigado cheio de esperanças. Pediu licença e saiu da torre de astronomia, me deixando completamente sozinha.
Olhei em volta, estava diferente. Provavelmente a velha torre havia sido destruída na batalha, o que tirou um peso enorme do meu coração. Não foi exatamente aqui o meu primeiro beijo com Harry. A janela em que olhava pra Hogwarts estava na mesma posição. A do lago também. Lembrei de quando as luzes se apagaram e vi o patrono de Harry pela primeira vez. Nos beijamos no mesmo dia.
Sorri diante a lembrança, e percebi que meu primeiro beijo com Luke não foi nada parecido, muito menos tão emocionante quanto.
Eu tinha pena de mim mesma por causa disso. A situação era mesmo desesperadora.
Voltei ao castelo depois de ficar a tarde quase toda andando pelo jardim, aproveitando antes que a neve aparecesse junto com o inverno. Lucy ainda não deu as caras, e foi quando eu me lembrei com quem ela estava.
A masmorra da Sonserina estava quieta quando procurei alguém pra chamar Lucy pra mim. De acordo com uma de suas colegas de quarto que eu encontrei depois no salão principal, Lucy não deu as caras desde o almoço. E pude imaginar o que ela estava fazendo.
No jantar, finalmente pude vê-la na mesa da Sonserina. Comemos o mais depressa possível, pois precisávamos conversar sobre o que havia acontecido, apesar de eu não precisar saber exatamente, pois já tinha uma idéia.
– Ana, estou apaixonada. – Lucy disse, rindo que nem uma maluca quando sentamos perto da entrada do castelo pra conversar em paz.
– Isso não é novidade. A não ser que você não esteja falando do Malfoy.
– Claro que estou falando dele. Eu sempre vou ser apaixonada por ele, pelo resto da minha vida, dos meus dias, do ar que respiro, das esperanças que tenho...
– Você ta pior do que eu imaginava. – ri de Lucy, ela parecia estar drogada de tão apaixonada. – Então, eu não preciso perguntar sobre isso mas, como foi? Quero dizer, você e Draco...?
– Eu e Draco fizemos as pazes sim, e foi maravilhoso. Ficamos juntos a tarde toda.
– Sei. E conversaram sobre Astoria? A mulher dele?
– Sobre... quem? – Lucy pareceu acordar de seu maravilhoso transe. – Não.
– Ótimo. E sobre o que falaram? – perguntei, cruzando os braços como se fosse dar uma bronca em Lucy, o que na verdade já estava pronta pra ser dada desde cedo.
– Sobre... nada. Nós não conversamos, não deu tempo.
– Vocês não falaram sobre nada? E o que fizeram?
Lucy riu. Parecia malicioso seu sorriso, e a cada suspiro eu pude perceber que era como se ela sonhasse.
– Foi tão bom assim? – fiquei mais curiosa do que brava. Nunca vi minha amiga tão aérea, tão feliz. Parecia que ela tinha tomado uma poção Felix Felicis e passado o melhor dia da sua vida.
– Foi sim. – Lucy parecia não querer dar detalhes, o que eu agradecia por isso. – Acho que deveria tentar com Harry.
– Está maluca? Eu tenho juízo, sabia? Harry é casado, e Draco também. Por mais que eles nos amem muito, está errado. Eles têm família.
– Não é errado, Ana. Se você soubesse como é, não diria isso. É um momento de entrega total, e te garanto que quando sentir nada no mundo parecerá melhor pra você. eu te garanto que quando Harry tocar em você pela primeira vez, vai amá-lo muito mais do que ama agora. É como se todo o seu ser pertencesse à ele, como se ele quisesse mergulhar dentro de você tão profundo pra descobrir seu verdadeiro eu. É um momento perfeito, único, e sei que você e Harry sentiriam até mais do que eu e Draco sentimos. Afinal, o amor de vocês é tão mais sofrido por vocês dois serem tão certinhos, sofrerem demais por ter algo que não é o certo a se fazer. O amor de vocês dois é ainda mais proibido que o nosso, e por isso é ainda mais forte. E por isso que, quando você finalmente se entregar á ele, vai sentir algo muito maior e muito mais poderoso do que eu. Tenho certeza disso.
– Lucy, eu tenho quinze anos. Pelo amor de Loki, de onde tirou isso tudo?
– Pelo amor de Loki? Loki não é o deus da discórdia?
– Não fuja do assunto.
– Faça o que eu digo e venha me dizer depois como é.
– Eu não vou fazer isso – Minha voz axaltou-se. – Por mais que eu ame Harry, e por mais que esse amor seja proibido, eu tenho que me segurar o máximo que posso pra não cometer uma loucura. Se até ele mesmo já parece ter perdido o juízo.
– E pra você perder o seu, minha amiga, basta Harry trancar a porta do quarto. – Lucy disse, rindo de mim. Pelo visto, mais um pouco e eu faria o mesmo com Harry. E duvidei que se ele quisesse, eu escaparia da investida.
O jeito era me afastar dele o máximo que podia. Dessa vez, era eu quem deveria dar um gelo e fingir que esqueci Harry.
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