Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
27 Capítulo 27: O Esclarecimento.
Notas iniciais
A luz forte que entrava pela janela despertava-me aos poucos. Sentia muito calor, e meu rosto estava coberto de suor. O silencio predominava a enfermaria que reconheci aos poucos ser Hogwarts.
– Água... – pedi baixinho. Ainda não me atrevendo virar a cabeça pra ver se tinha alguém do meu lado, ou se estava completamente sozinha.
– Eu preciso de água. – Insisti.
– Ana. – Lucy apareceu do meu lado. Aparentemente estava a noite inteira sem dormir, pois suas olheiras denunciavam seu cansaço.
– Eu quero água. – pedi mais uma vez.
Lucy caminhou até algum ponto e me trouxe o que pedi.
– Você foi a primeira a acordar. – Disse, enquanto me ajudava a beber um pouco, mesmo deitada.
Esforcei-me para conseguir olhar em volta. Vi que o quarto estava um pouco mais cheio, pois Luna, Neville, Hermione, Rony, Gina e Harry estavam todos lá, aparentemente desacordados.
– O que houve com eles? – perguntei. Estava feliz por ver que todos estavam ali, mas nenhum parecia ter sinal de vida.
– Estão dormindo depois de tudo o que aconteceu ontem. Madame Pomfrey deu um remédio pra eles descansarem, embora Harry insistisse que não queria dormir. Ele chorou muito ontem, eu vi enquanto ele olhava pra você ansioso.
– E Sirius?
– Não... tem corpo pra velar, nem enterrar. Então Dumbledore achou melhor cuidar de vocês, que estão vivos e bem debilitados, do que se preocupar com a morte dele. – Lucy ia explicando enquanto meus olhos focavam em Harry. Mesmo dormindo, seu rosto parecia tão triste, e meu coração se compadecia por ele. E o sentimento de culpa apoderava-se de mim por completo.
– Harry ficará furioso comigo, Lucy. Eu sinto muito, mas eu disse que eu não sou quem ele pensa. – confessei. – Ele vai me odiar pra sempre quando eu contar toda a verdade.
– Não acho prudente você fazer isso. – Lucy protestou. — Eu também estou no meio disso tudo, e se Draco...
– Lucy, eu fui atingida por um Avada Kedavra. – Interrompi-a antes mesmo que começasse um sermão.
– Você... então é verdade?
– Sim. Mas eu juro que não sei porquê não morri. Acho que devo satisfação a Harry. Quer dizer, não foi igual a ele. O feitiço não se voltou pra Bellatriz, eu não ganhei um raio, e acho que... – abaixei ainda mais a voz, afim de ter certeza que ninguém ouviria. – Acho que eu não tenho as habilidades de Bellatriz, como Harry tem as de Voldemort. Entende?
– Claro. Ok, tudo bem. Mas, por favor, podemos deixar esse segredo sobre nós com o mínimo de gente possível? Quer dizer, eu não quero ser julgada por estar aqui por causa de Draco. E, se ele descobrir... Bom, eu já não sei. Por alguns momentos, eu realmente achei que ele estava gostando de mim. Mas Draco é rude, grosso e mesquinho. Tolo demais pra perceber que tem alguém que gosta dele apesar de todas as idiotices que ele faz. Enfim... não é hora de reclamar sobre mim.
– Lucy, eu sei que nós nos afastamos esse ano por motivos bobos. – disse. — E eu sinto muito que você não tenha tido o romance que sempre sonhou com ele. Ele ainda não sabe o que está perdendo, mas quando ver que está sozinho, sentirá sua falta. Sei disso. – tentei consolar minha amiga.
– Eu espero que sim. – Lucy riu. – O que faremos agora?
– No momento, vá dormir. Eu estou bem, mas você ta com uma cara péssima! – brinquei.
– Vou te trazer o espelho pra ver quem tá péssima, hein?
Rimos por uns segundos, e vi que, mesmo depois de tudo, eu não havia perdido minha amiga.
– Quando eu contar para Harry, mando te chamar pra você aliviar a minha barra dizendo que a culpa é sua, e que eu fui forçada com a maldição Imperius, ok?
– Pode contar comigo.
Lucy abraçou-me e saiu do lugar, que voltou a ficar em silencio por completo. Madame Pomfrey aparecia de vez em quando pra me dar algum medicamento pra dor e comida em pequenas quantidades. Dormi mais algumas vezes, e os sonhos vinham acompanhados de gritos e flashs que iam e voltavam com freqüência.
No meio da tarde, quando acordei de mais um pesadelo apavorante, vi que todos os outros já haviam recebido alta. Madame Pomfrey disse que eles não haviam sofrido nada demais, só estavam exaustos e precisavam recuperar as forças. Já Harry estava lá, ainda dormindo.
Quando ela saiu, tentei levantar-me e ir até seu leito.
Harry era ainda mais bonito sem aqueles óculos redondos. Ele tinha um rosto angelical, pálido como a neve, e seus cabelos estavam tão rebeldes que chegava a ser muito engraçado.
Passei a mão em sua cicatriz em forma de raio, bem de leve. Ela parecia estar ainda mais exposta, e imaginei o porquê. Com certeza a volta do Lorde das Trevas e seu contato há pouco tempo a fez ficar assim.
Harry abriu os olhos devagar. Quis sair dali o mais rápido possível, me esconder pra não ter que encará-lo. Mas meus pés pareciam firmar-se no chão, e não consegui dar um passo sequer.
– Oi... – Foi a primeira coisa que ele disse.
– Oi.
Harry sorriu e depois sentou-se na cama.
– Como devo te chamar? Eu não me lembro o seu nome verdadeiro, me desculpe. – disse, e eu não pude perceber se ele estava sendo sincero ou irônico.
– Ana Marie. – disse fingindo um sorriso de satisfação. – sua fã.
Fingi uma reverência e estendi minha mão para Harry, como se fosse uma apresentação oficial. E, rindo, pegou minha mão e beijou com delicadeza.
– Harry Potter. É um prazer.
Sentei-me ao seu lado na cama. Senti que poderia enfim contar a ele sobre mim, sobre o que eu realmente estava fazendo ali.
– Não está bravo comigo? – perguntei.
– Eu deveria estar?
– Um pouco. – respondi.
– Mas eu ainda não sei exatamente o porquê.
– Me prometa que não vai me odiar depois de tudo? – pedi.
– Por que não tentamos descobrir primeiro se eu deveria te odiar? – Harry propôs.
– Pois bem...
“Eu sou Ana, e moro no Brasil. Mas nesse exato momento, eu estou aqui, e estou lá. Sou uma garotinha de seis anos de idade agora. Provavelmente, ainda não me dei conta de que sou uma bruxa. Entrei na escola Brazillian Wizarding quando tinha 11 anos. Normal pra nós, não é? Enfim... sou sangue puro, e meus pais trabalham no Ministério Brasileiro. Eu sempre posso entrar lá, é como se tivesse passe livre. Minha mãe está num cargo superior muito alto, abaixo apenas do Ministro.
Mas meus pais iam se separar esse ano... quer dizer, em 2005...”
– Em... o que? – Harry interrompeu-me.
– Por favor, eu vou tentar esclarecer tudo.
“Em 2005 eu tenho 15 anos, foi quando fui chamada pra entrar em Hogwarts pra fazer o quinto ano. Bom, eu e Lucy, que você conhece como Susan. Era de conhecimento dela, que sempre fomos grandes amigas, que minha mãe guarda um vira-tempo em seu cofre no Ministério. Então, quando fomos convocadas pra vir pra cá, ela teve uma idéia. E por que não vir dez anos atrás, quando Hogwarts tinha você como aluno... e claro, Draco. Lucy é apaixonada. Então nós viemos. Bolamos um plano ótimo pra isso. Tínhamos informações necessárias, qualificações, identidades falsas, um vira-tempo que eu consegui tão fácil, que fiquei até assustada por isso. Bem, na verdade, o meu único papel foi esse: pegar o vira-tempo.”
– Então, vocês usaram um vira tempo pra vir pra cá porque Lucy é apaixonada por Malfoy? – Harry disse perplexo.
– Bem... talvez eu tenha vindo por sua causa. – confessei, tentando parecer o menos ridícula possível. – É idiota, eu sei.
– Mas, por que?
– Porque eu gosto tanto de você no futuro. É como se tivesse a oportunidade de te conhecer sem toda aquela pompa que você tem por ser tão famoso por...
– Famoso por...?
– Eu não posso contar. Enfim, você será muito famoso Harry, ainda mais do que é. É o que precisa saber.
Harry encarou-me por longos minutos tentando absorver toda aquela informação. Era muito ridículo, ainda mais contando assim. Um fã, louca de amores, arrisca a vida pra voltar no tempo só pra ter a chance de ficar com ele.
– Ainda não entendi porque eu devo te odiar. – Harry disse.
– Porque nós conhecemos o seu futuro, Harry. – Lucy apareceu, de repente. – Um bruxo famoso feito você e seus amigos tem seus feitos – e sua vida – contados detalhadamente. Normalmente a culpa é da Rita Skeeter, mas enfim... nós sabemos de tudo o que acontecerá.
– Harry... eu sabia que Sirius morreria. – confessei de uma vez, antes de minhas lágrimas conseguirem sufocar as palavras em minha garganta.
– Você sabia desde o início? Mesmo? – Uma confusão de raiva e pena misturava-se no olhar de Harry.
– Me perdoe. Mas eu não podia contar.
– E a senhorita não contará mais nada. – Dumbledore revelou-se. – Não é prudente. Apesar de eu não poder julgar pelo que as senhoritas fizeram. Mas estão correndo grande risco aqui, e sabem disso.
– Sabemos. O Lorde das Trevas não pode saber que estamos aqui, ele nos usaria. – Lucy concluiu.
– Exatamente, minha cara. Vocês devem voltar, e em silêncio, de onde vieram. Ninguém mais deve conhecer essa história, absolutamente ninguém.
Harry permanecia calado, encarando-me com seus olhos azuis, agora vermelhos por causa das lágrimas que tanto derramou.
– Harry deve encarar o que tiver que encarar, sem ajuda de ninguém do futuro. Ou pode sair algo de errado, mudar o mundo. – Dumbledore disse.
– Eu sei. Me perdoe, professor.
– Mas... você ainda assim tentou salvar a vida de Sirius. Você correu riscos pra tentar protegê-lo. Você não morreu com a maldição... Como pode? – Harry perguntou.
– Receio que eu saiba a resposta. – Dumbledore pronunciou-se. – Ela não morreu, pois quem usa o vira-tempo não pode ser morto, e nem matar ninguém que seja do passado. A alma dela vive em outro lugar, em uma criança que está muito longe daqui. Ela não morreria, e nem poderia matar alguém. É por isso que não usamos o vira-tempo pra ir atrás de Voldemort no passado. Não funciona, simplesmente. Não conseguimos matá-lo, e acredite, por mais que tentamos mudar uma coisa aqui e ali, e conseguimos, nada de muito importante pode ser mudado. Salvar a vida de alguém, como você fez com o Hipogrifo e a libertar seu padrinho, era muito complexo, mas relativamente fácil. Mas não há muito o que se fazer, eu sinto muito.
Então era isso, eu não podia morrer. Só que por mais que tentasse, a vida de Sirius seria perdida, pois enganar a morte é algo muito traiçoeiro.
– Agora, quero que descansem. E se aprontem, pois o ano letivo está acabando. Nesse tempo, estarei de olho em vocês. – Dumbledore concluiu antes de sair.
– Me desculpe Harry. – Lucy pediu e também saiu, deixando-me sozinha com Harry.
Harry encarava o chão, pensativo. Tudo o que passamos nas últimas horas era demais até pra ele, que sempre foi forte e corajoso.
– Eu não queria mentir. Me perdoe...
– Eu te amo, Ana. – Harry confessou num impulso que me fez assustar. – E isso foi o que você conseguiu mudar. Eu não te odeio por mentir seu nome, ou de onde você vem. Mas eu amo ainda mais por tentar salvar Sirius. A culpa não foi sua, não me peça mais desculpas.
Parecia que as últimas horas só serviam para chorar. Mas, dessa vez, eu estava muito feliz e aliviada por ouvir aquilo.
– Então, não vai querer me esquecer? Depois de tudo...
– Eu nunca vou te esquecer. Nem que você me peça. Eu juro a você. – Harry dizia enquanto me abraçava.
E aquele foi, então, um de nossos últimos momentos juntos.
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