Notas iniciais
Lembrando: Hermione descobriu o vira-tempo nas coisas de Ana. E agora? Boa Leitura ♥

A raiva que tomara dentro de mim era quase impossível de se explicar. Hermione ali, parada, olhando para mim com censura de uma mãe, como se ela já não houvesse feito coisas erradas no passado.

– Por que estava mexendo em minhas coisas? – Perguntei fingindo calma.

– Remédio de cólica. Vi você usando um, e não queria me dirigir até a enfermaria. Então resolvi procurar em suas coisas. É errado, eu sei. Mas não esperava encontrar um objeto tão precioso como esse no meio.

– Meu vira-tempo não estava na caixa de remédios, Hermione.

– Não, mas também não estava difícil de achar. Deveria tomar mais cuidado, se quer saber. Guardá-lo no Gringotes, de repente.

– Não tive tempo para isso. – respondi, e levantei minha mão para pedi-lo. Por favor, devolva.

– Quero respostas, ou não devolvo. – Hermione disse com fogo nos olhos. – De onde é? Quem é você? E, principalmente, o que faz aqui?

Encarei-a com severidade. Eu não queria responder nada daquilo à ela, na verdade, eu poderia mandar um feitiço de esquecimento e tudo se resolveria. Porém, eu não podia fazer isso, pois sabia o quanto estava errada.

– Meu nome é Ana. – respondi sentando-me na cama, procurando falar baixo pras outras não ouvirem. – Sou brasileira. Nesse exato momento, devo estar em casa, no Brasil, com minha família, me preparando para dormir, com... – parei um pouco pra lembrar-me — seis anos de idade.

Hermione olhava-me com cara de espanto enquanto eu dizia isso. Então, havia duas de mim naquele exato momento, uma com seis anos e a outra, com dezesseis.

– Isso de voltar no tempo em Hogwarts – continuei – é idéia de Lucy. Ah, quero dizer Susan.

– Susan, então, chama-se Lucy. – Hermione concluiu.

– Exatamente. – Continuava a falar baixinho. – Nós duas fomos aceitas em Hogwarts no ano de 2005. Foi ai que veio a idéia, idéia dela.

“Mamãe trabalha no Ministério Brasileiro. Eu cresci praticamente lá, conheço quase tudo, inclusive, esperam que vá trabalhar lá depois de me formar. Enfim... vir para Hogwarts só traria benefícios para mim, pois tê-la no currículo é mais do que sensacional. Mas para não me deixar só, Marie – Minha mãe – conseguiu uma vaga para Lucy também. Foi quando ela fez minha cabeça.”

Olhei para Hermione pensando em como medir as palavras. Como dizer a ela que sou apaixonada por Harry no futuro, sem esclarecer muitas coisas.

– E então, vocês roubaram o vira-tempo? – Hermione adiantou-se.

– Exatamente.

– Mas, pra que voltar dez anos? Por quê?

Suspirei pensando numa forma de contar aquilo sem parecer louca.

– Harry. – Respondi rapidamente, como se fosse algo tão obvio.

– Harry!? – Repetiu ela, confusa. – O que tem ele?

– Desde o início? – Perguntei. Hermione fez que sim com a cabeça. – Amo o Harry do futuro. Eu não deveria dar muitos detalhes sobre a vida dele, mas eu acho que vou tentar descrevê-lo, sem dizer coisas importantes.

“Harry é um homem lindo. Aos 25 anos, ele terá uma história brilhantemente incrível. Mas disso, acho que você já prevê. Não precisa de muita coisa pra ver o quanto ele é bom. Particularmente famoso, e muito bom no que faz. Entende-me? Digo, ele é – ou será – um Auror muito competente.”

– Harry será Auror? Mesmo?

– Não só ele, como Rony também.

Vi Hermione chocar-se.

– Quer que te conte sobre você? – Perguntei, rindo da cara de espanto dela.

– Não. Pode continuar a história, por favor.

– Bem. Harry será uma referencia mundial no mundo da Magia. E, eu, boba como muitas garotas, sou apaixonada por ele desde que me entendo por bruxa. Mas, é obvio Harry nunca olharia pra uma garota de quinze anos. Sim, por que quando voltar retornarei com quinze.

“E tem Lucy. Draco é famoso também. sabe, prefiro não contar muita coisa. Mas ela é mais do que louca por ele. E nós tínhamos a oportunidade. Tínhamos Hogwarts, e um vira-tempo que há anos está guardado, e uma loucura tomou conta de nós, que quando percebemos, tínhamos um plano. Nomes registrados de alunas que não chegaram a ir para cá por medo do que aconteceu com Cedrico ano passado, identidades falsas, Espanhol já na ponta da língua, o número exato de voltas para dar no vira-tempo, que nos traria até aqui. E nada, absolutamente nada, deu errado. Nada nos fez parar, apenas a vontade testarmos esse plano que brotou da mente – um pouco doente, confesso – de Lucy.”

Hermione me olhava confusa, tentando digerir minhas palavras. Parecia que mil perguntas pairavam no ar, e eu sabia que ela queria a resposta de todas elas.

– Você ama Harry do futuro. Voltou para o passado pra ter a chance dele se apaixonar por você também. Por quê?

– Por que sabia que seria capaz de conquistá-lo, se pudesse. Eu sei, muitas mulheres poderiam até tentar isso. Mas os vira-tempos foram todos confiscados, e apenas os Ministérios têm em seu poder.

– Talvez Harry pudesse se apaixonar por você. Quem sabe, se esperasse passar mais uns três anos...

– Não, Hermione. – disse interrompendo-a. – Ele não pode se apaixonar por mim. Harry é casado. Ele estará, pelo menos.

Vi os olhos de Hermione arregalarem-se.

– Casado? Com quem?

– Por favor, isso eu não posso dizer.

– Não é comigo, não é? – O rosto dela parecia ficar mais branco.

– Não, não se preocupe.

Hermione respirou aliviada enquanto eu ria de seu espanto.

– Então quer dizer – continuou – que você conhece todo o futuro de Harry, e até mesmo de Rony, Draco, e meu?

– Conheço algumas coisas. Mas não posso dizer. Isso implica em mudar o passado, se eu fizer isso, posso mudar o futuro. E, digamos que isso não é aconselhável. A dor ensina a valorizar os bons momentos, ainda mais aqueles em que se poderá respirar aliviado quando... – parei quando percebi estar falando demais.

Lilá mexera em sua cama, fazendo com que eu e Hermione ficássemos quietas por uns instantes antes de prosseguir.

– Você sabia que você-sabe-quem havia, de fato, voltado. É por isso que apoiou Harry. Você sabe que ele retornará, que Harry realmente escapou dele. Que estamos correndo um sério risco.

– Sabia, sim. – respondi com voz de culpa. – E sei de tudo daqui pra frente.

Hermione me olhava com exasperação.

– E eu gostaria de poder dizer tudo à Harry, mas não posso. Poderia até matá-lo tentando ajudar. Ou um de vocês. E eu não quero isso.

– Eu entendo perfeitamente.

– E, por favor. Não conte a Harry. Não diga nada à ele, Hermione. Ele me odiaria pro resto de sua vida, e eu não quero isso.

– Liz... Ana. E quando você voltar? Harry já terá te conhecido, e se ele te ver? Se ver que você continua igual, com dez anos de diferença dele? E se ele procurar a Liz, e ao invés de encontrar você, encontrar outra garota espanhola qualquer? Você já afetou o passado dele, não acha?

– Eu... realmente não sei o que fazer quanto a isso.

– Você deve contar a verdade. Você e Susan. As duas. Isso não está certo!

– Eu não posso! E não me atrevo a intervir entre Lucy e Draco, não é da minha conta.

– Tudo é da sua conta. Você tem o vira-tempo. – Hermione já voltara com a censura. – Dá um jeito, e logo. Estou dizendo, é melhor. ou isso, ou conto a Harry. Você escolhe.

– Não seria capaz! – Disse com o tom de voz um pouco mais alto, quase acordando as outras garotas.

– Eu seria, sim. Harry não merece isso.

– Não merece? Sabe o que ele não merece, Hermione? É ser esquecido pelos amigos monitores, ficar sozinho pelos cantos, enfrentar as aulas de Oclumência e não ter ninguém pra poder compartilhar suas angústias, enquanto ele tenta, inutilmente, proteger os amigos das investidas de Lorde Voldemort em sua mente. Ele não merecia ser traído por Cho, a garota ao qual ele daria seu primeiro beijo – sim, isso eu fiz questão de mudar – e depois ter de encará-la todos os anos, fora ela chorando pela morte de Cedrico, que aliás, ela faz bastante. Ele não merece ficar sozinho, tentando proteger todos vocês. Isso sim é o que ele não merece.

Hermione me encarou com severidade. Precisava engolir minhas palavras para não atirá-las com força contra ela.

– Nunca abandonamos Harry. – Ela respondeu minutos depois. Parecia carregar chumbo em suas palavras que saíram pesadas da garganta.

– Não? – perguntei, quando ela virava os olhos para não encarar-me. – Talvez agora estejam mais próximos. Talvez a culpa seja dele, pois é mesquinho o bastante pra querer encarar às coisas sozinho. Mas, por favor, nunca o deixem só. Em nenhum momento o abandonem. Haverá ocasiões em que isso será difícil, mas vocês – e quando digo isso, me refiro à Rony também – nunca devem aceitar a vontade de Harry lutar sozinho.

Apareciam lágrimas nos olhos de Hermione. Ela finalmente compreendeu que as piores coisas ainda estavam por vir.

– Eu prometo que farei sempre o máximo possível. – e se virou para ir pra sua cama. – Me desculpe.

Notas finais
Comentem, recomendem, acompanhem, favoritem. Beijos e até o próximo capítulo ♥ (Nos próximos capítulos: a morte de Sirius Black - isso é spoiler? hahaha)