Novo amor - Fanfic Harry Potter (atualizando)
20 Capítulo 20: A descoberta.
Notas iniciais
– Estou preocupada com Harry. – Hermione disse pela terceira vez, tentando me chamar a atenção.
– Também estou, Hermione. – disse baixinho, tentando não extender a conversa. Não queria mais falar dele. Na verdade, quero esquecê-lo. O fim do ano letivo estava chegando, e o melhor a fazer era mesmo nos afastarmos.
– Você não parece estar. Anda afastada, silenciosa e quase nunca te vejo.
– É o melhor a se fazer. Harry não precisa de outra pessoa pra se preocupar. Ele já tem gente demais.
– Claro que você está brincando, não é? Harry é solitário, não tem família que o ame, tem poucos amigos. Você é importante pra ele. Sei que é sua primeira... paixão. Harry te ama.
– Não diga bobeiras, Hermione. Não sabemos o que é isso. Somos jovens demais. Lucy achou que amava Draco, e agora é um brinquedinho nas mãos dele.
– Lucy? Quem é Lucy?
Hermione me encarava buscando respostas. Só pude perceber a burrice que disse logo após uma análise da minha frase. Droga! Não acredito que falei o nome errado. E a culpa era dela, de Lucy. Se ficasse menos com Draco, e mais comigo, eu ensaiaria mais seu nome e não falaria o verdadeiro.
– Eu quis dizer Susan. Estava com outra amiga na cabeça e acabei trocando os nomes.
Hermione ainda me olhava com desconfiança. E eu sabia que ela era esperta demais pra desconfiar de tudo ao seu redor.
– Eu quis dizer que ele não precisa de outra preocupação. Ele mesmo se afastou de mim, pra me proteger. Então, to só cumprindo o que prometi.
– Você sabe que não é assim. Harry pede isso a todos, você não pode, nunca, levar a sério esses pedidos dele. Porque se levar, ele ficará sozinho sempre.
– Eu também não quero fazer Harry sofrer quando eu me for. O ano está acabando, e...
– O que? Você vai ir embora no final do ano letivo?
– Nós vamos, eu e Lucy.
– Disse Lucy de novo.
–... Susan. Estou tão afastada dela que nem me lembro quem é.
– Pensei que ela fosse sua melhor amiga. – Hermione disse, me fazendo perceber que essas mentiras são tão podres, que não sei como ainda não fomos descobertas.
– Ela era. – Disse fazendo-me de chateada.
– Entendo.
O jantar parecia mais um velório. Todos estavam tão calados e tão concentrados em não chamar a atenção da diretora, que o clima de tensão era inevitável. Os Nom’s estavam chegando, e a preocupação com as provas eram iminentes. Sentia-se sempre que muitos ali não estavam nem um pouco preparados para enfrentá-las. Para mim, tanto faz. Usarei essas provas mais como um teste pro meu verdadeiro ano em Hogwarts, que só de pensar, me dá preguiça. Era claro que algo mudaria nesse novo ano. Harry já estaria com os seus filhos, casado, feliz ao lado de Gina, um Auror renomado, assim como Rony. E eu não existiria pra ele. Um passado rápido, um amor de adolescente. Aqueles que você acha que vai morrer por não poder ficar junto, mas que na verdade, vai passar mais rápido que um sonho. E, apenas eu saberia a verdade. Eu e Lucy, claro. Não pretendo, nunca, que esse segredo seja descoberto. Não quero magoar Harry, mas eu não posso arriscar minha vida assim.
Falando nele, era mais um jantar que ele não apareceu. Eu não sabia bem o porquê, mas também não me interessava. Eu me preocupava com seu sofrimento, porém, eu não queria demonstrar mais isso. E sabia o quanto estava sendo fria com ele.
Quase no do jantar, ele apareceu. Sentou-se, como de costume, ao lado de Rony. Desviei o olhar, mas não ajudou muito. Harry insistia com aqueles olhos verdes, lindos por trás daqueles óculos, a me encarar. Sabia que queria me chamar à atenção, mas eu estava disposta a não ceder. Sai do salão calada e disposta a não ser percebida por ninguém mais.
A noite não estava mais fria. Mesmo com mais vigias que o habitual, consegui sair do castelo. Precisa de ar fresco, de pôr meus pensamentos em ordem, de afastar meus sentimentos, minha raiva, meu ódio por mim mesma e por ter dado ouvidos à Lucy quanto à esse plano mirabolante arquitetado por ela. Eu estava usurpando um ano de uma vida qualquer, que não tinha a menor idéia. Eu estava apaixonada por um bruxo famoso, que está enfrentando um dos piores anos de sua vida, e ainda por cima, fiz com que ele se apaixonasse por mim, como se eu tivesse o direito de fazê-lo sofrer por mais alguma coisa. Pior de tudo, quando eu partir, eu continuarei amando Harry, e ele me amando também. Por mais que eu diga que não, sei que não adianta negar pra mim mesma. Eu amo Harry, e ele me ama.
Fui até a torre de astronomia. A noite estava clara, e o céu magnífico. Pela janela, olhei as estrelas e o castelo. O que me fez lembrar as aulas de Conjuração do Patrono. E do meu primeiro beijo.
Como aquilo doeu. Senti meu coração brigar comigo enquanto lágrimas quentes desciam e respingavam em minhas mãos sob a janela de madeira. E, enquanto eu tentava não pensar mais sobre isso, ouvi passos vindos das escadas, e me escondi.
– Liz. – Harry chamou. – Eu sei que está ai.
Fiquei em silêncio. Queria que Harry fosse embora, tudo o que não queria era vê-lo naquele momento.
– Liz... Preciso te ver. Por favor. Sinto sua falta, você se afastou de mim. Por favor...
Enquanto Harry implorava, mais lágrimas caíam do meu rosto. Como eu poderia explicar pra ele o que estava acontecendo? Ele não me perdoaria se contasse.
– Lumus. – Harry acendeu a varinha, e eu me escondi mais ainda. – Minha menina. Eu vi você entrando aqui.
– Vai embora. – Disse. Mas não deveria chamar a atenção assim.
Harry virou-se e me viu sentada perto de um armário, bem encolhida, e com a cabeça baixa.
– Eu não quero te ver, Harry. – Disse entre meio os soluços.
– Mas eu não entendo por que.
– Você me pediu.
– Eu nunca pedi isso. – disse, enquanto se sentava perto de mim. – Por favor, me perdoa por ser tão... Insensível. Realmente, eu penso sempre que me afastando das pessoas, eu as protejo. E acabo magoando muita gente. Mas eu juro, nunca quis que você ficasse tão magoada.
– Você não entende.
– Liz. Eu amo você. Sabe disso? Eu amo... Muito.
– Não diga besteira. Não quero que me ame, Harry. Eu vou embora depois dos Nom’s.
– Eu sei. Sei que vai partir meu coração também, mas eu não poderia deixar você ir sem te dizer isso.
– Sabe que vou partir seu coração, e ao invés de se afastar você vem dizer que me ama? Por que isso?
– Porque você sabia desde o início que não ficaríamos juntos e mesmo assim se apaixonou por mim.
– Não estou apaixonada por você. – Menti, mas não pareceu nada convincente.
– Eu sei que é mais que isso. – Harry afirmou. – Nem tudo o que amamos permanece em nossas vidas para sempre.
Aquilo doeu muito em mim. Não por minha causa, mas por Harry. Eu sabia que ele passaria por provações muito piores do que já experimentou até hoje.
– Leve essa filosofia de vida pra sempre dentro do seu coração. Me prometa isso.
– Todas as vezes que eu repetir isso dentro de mim, prometo que me lembrarei de você. – Harry sorriu. – Mas afinal, não é um Adeus. Eu sei que você voltará um dia. A Espanha não é tão longe.
Espanha? Ah, é. Claro. Eu havia me esquecido, por um segundo, que ele ainda achava que eu era a Liz.
– Eu vou aparecer. – Disse, em dúvidas.
– Promete? Harry levantou seu dedo mindinho. Aquilo foi engraçado, parecia coisa de criança. E ao mesmo tempo parecia tão puro e bonito, e constatei que a felicidade de Harry eram essas pequenas coisas que ele praticava em pequenos momentos.
– Prometo. – Entrelacei meu dedo no dele.
Não beijá-lo depois disso, era quase impossível.
O salão comunal da Grifinória tinha poucas pessoas. Os olhares voltaram-se todos quando eu e Harry entramos juntos. Atualmente, namoros são mais proibidos ainda, quanto mais à noite e fora do castelo. Despedi-me dele apenas com um boa noite e fui para o meu quarto.
As garotas já dormiam, menos Hermione. Esta estava sentada em sua cama, de frente para a minha, analisando algo em suas mãos. Parecia que estava me esperando para conversar sobre algo.
– Como se chama? – Hermione me perguntou baixinho.
– Como se chama o que? – Realmente não entendi do que se tratava.
– Você. Quero saber seu nome verdadeiro. – Ela respondeu, surpreendendo-me.
– Eu não to entendendo. – Disse fingindo dúvidas.
Foi quando ela levantou meu vira-tempo ao alcance dos meus olhos.
– Funciona, eu já usei um. São raros, esses vira-tempos. Tava junto com seu estoque de remédios do ano de 2005.
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